Lula, no último 15 de agosto em Santo André.
Paulo Whitaker / Reuters


DO EL PAÍS

Marina Rossi

São Paulo

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Lula e sua mulher Marisa Letícia por supostas irregularidades na reforma de um tríplex no Guarujá. A suspeita é de que o ex-presidente teria obtido “vantagens ilícitas” da empreiteira OAS para custear as obras no apartamento.

Lula foi enquadrado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Dona Marisa, por corrupção e lavagem de dinheiro. O delegado Márcio Adriano Anselmo concluiu no inquérito que o casal foi “beneficiado de vantagens ilícitas, por parte da OAS, em valores que alcançaram 2,4 milhões de reais referentes às obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris, bem como no custeio de armazenamento de bens do casal”.

De acordo com as investigações, o imóvel foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira, envolvida no esquema de corrupção da Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato. A polícia acusa o ex-presidente de ser o verdadeiro dono do imóvel. Procurada, a assessoria de imprensa do Instituto Lula disse que o ex-presidente já afirmou que o tríplex não é dele e enviou uma nota com cópias de documentos apontando que o imóvel não pertence à família.

O inquérito reúne uma série de mensagens trocadas entre Paulo Gordilho e Leo Pinheiro em que eles discutem a reforma da cozinha de dois imóveis. Fica claro que um dos imóveis é no Guarujá, mas não é possível saber onde está situado o segundo. Em uma mensagem, Leo Pinheiro é comunicado por Gordilho de que o projeto “do chefe” está ficando pronto. Pinheiro questiona se o projeto do Guarujá também está pronto, e Gordilho afirma que os dois estão, mas que no caso do primeiro projeto – que não há menção a qual imóvel pertence – ainda é preciso mostrar para a “madame”. Segundo os investigadores, “chefe” seria Lula, e “madame”, dona Marisa.

No dia 04 de março, Lula foi conduzido coercitivamente para depor sobre o caso do tríplex. Na ocasião, ele negou conhecer o arquiteto Paulo Gordilho, responsável pela reforma do apartamento e de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, que também é atribuído a Lula pelos investigadores. Mas o inquérito com data de hoje reúne provas como uma foto do ex-presidente ao lado de Gordilho, o que apontaria que Lula conhece o arquiteto. Além disso, revela uma troca de mensagens entre Gordilho e a filha, em que o arquiteto diz estar indo a um churrasco “na fazenda de Lula” em Atibaia, e que na ocasião estariam presentes o ex-presidente e Leo Pinheiro.

Em outro momento da oitiva realizada em março Lula declara que ele e Leo Pinheiro estiveram apenas uma vez visitando o sítio em Atibaia, em um churrasco. Essa informação, segundo o inquérito, coincide com o contexto da troca de mensagens entre Gordilho e a filha. A suposta relação do ex-presidente com o sítio em Atibaia está sendo investigada em um outro inquérito.

Outras três pessoas também foram indicadas: José Adelmário Pinheiro Filho (conhecido como Leo Pinheiro), ex-presidente da OAS, o arquiteto da empreiteira Paulo Gordilho, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto. O inquérito será remetido para apreciação da Justiça Federal e do Ministério Público Federal.

Paulinho Nogueira,um maioral! Boa sexta!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

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Posted on 26-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-08-2016

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O país que preferiu o arrivismo

A nação, em geral, não distingue um estadista comprometido com o futuro do país de um político vulgar, que marca sua trajetória pelo exercício da demagogia, sendo dele vítima constante.

Por exemplo, em 1960, preferiu o histriônico e irresponsável Jânio Quadros ao marechal Teixeira Lott, militar legalista que quatro anos antes garantira a posse de Juscelino Kubitschek.

Esse trecho da história todo mundo conhece: Jânio renuncia aos sete meses de governo, levando à posse do vice João Goulart e mergulhando o país numa crise que desembocou no golpe militar de 1964.

Vinte e nove anos depois, quando o Brasil voltaria a eleger diretamente um presidente, dois nomes foram lançados pelos setores populares: Leonel Brizola, exilado no golpe militar de 64, e Lula, forjado aqui, nas lutas sindicais.

Brizola passou praticamente 15 anos isolado do mundo, perdeu referências da sociedade brasileira, que sofreu mudanças profundas. Lula, importante liderança na resistência democrática, trazia a auréola do operário apoiado por intelectuais.

A profunda diferença entre ambos, porém, foi detectada nas primeiras falas. Brizola dizia: “Não sentarei naquela cadeira apenas para que outro não sente”. Lula mostrou seu estilo: “Brizola é capaz de pisar no pescoço da mãe para ser presidente”.

Venceu Fernando Collor, a candidatura que representava a continuidade política da ditadura. Brizola disputaria de novo em 1994, mas o eleitorado achou por bem colocá-lo em quinto lugar. Morreu com a dignidade preservada, como hoje se reconhece.

Lula foi derrotado três vezes, para, enfim, eleger-se por dois mandatos. O resultado de sua chegada ao poder é o Brasil de hoje, que seus acólitos e beneficiários teimam em pintar como um grande realização. Mas a história não volta atrás. Só nos resta ir em busca do futuro.

Escutem com atenção o depoimento de Angela Maria no início da interpretação. Maravilha as lembranças de Caymmi e de Roberto Inglez. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

MOMENTO ANTAGONISTA: MAIS UM CRIME, GLEISI?

Em entrevista exclusiva a O Antagonista, Janaína Paschoal comenta a nomeação de Esther Dweck, principal testemunha de Dilma Rousseff, no gabinete de Gleisi Hoffmann.

A jurista diz que Dweck não tem condições de permanecer como testemunha no julgamento final e cobra explicações de Gleisi, que pode até ser enquadrada no artigo 343, do Código Penal, no crime de corrupção de testemunha.

Diz o artigo: “Dar, oferecer, ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, tradução ou interpretação, ainda que a oferta ou promessa não seja aceita.”

ago
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Posted on 26-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-08-2016


Zop, no portal de humor gráfico A Charge Online


Lochte em entrevista a TV Globo.
HANDOUT REUTERS


DO EL PAÍS

São Paulo

O nadador americano Ryan Lochte foi indiciado por falsa comunicação de crime pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O inquérito policial, concluído nesta quinta-feira, foi encaminhado ao Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos, que decidirá se abre ou não processo. O inquérito também será encaminhado, a pedido da polícia, à Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional. Durante os Jogos Olímpicos, o atleta disse que sofreu um roubo com arma de fogo após sair de uma festa, mas logo foi desmentido pelo vídeo de uma câmera de segurança que o mostrou bêbado, urinando em público e causando danos em um posto de gasolina carioca.

De acordo com a polícia do Rio, Lochte deve ser notificado do inquérito e se decidir não vir ao Brasil, pode ser julgado à revelia. Tendo em conta os delitos em que está indiciado, Lochte poderia ser condenado a seis meses de prisão, mas o mais comum é que o juiz decida transformar a pena em uma multa ou em prestação de serviços à comunidade.

A controvérsia custou a Lochte a perda de seus quatro patrocinadores e o colocou de cheio em um furacão midiático, onde várias manchetes o acusam de ter desprezado as consequências de seus atos. Na entrevista que concedeu há poucos dias para a NBC, chorou ao admitir que tinha falhado com sua equipe e que sua história foi um pouco exagerada.

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DO EL PAIS

Pouco mais de 24 horas depois do grande terremoto de magnitude 6 que deixou pelo menos 250 mortos no centro da Itália, o chão voltou a tremer nesta quinta-feira, embora desta vez com menor intensidade, magnitude 4,3, segundo o Instituto Italiano de Geofísica e Vulcanologia. As pessoas começaram a correr para lugares abertos, enquanto seguranças e médicos se mobilizavam nas imediações do parque municipal onde milhares de moradores permanecem desde a véspera. Durou só alguns segundos, mas causou pânico.

Partes de edifícios que já haviam sido anteriormente abalados desmoronaram, e algumas cornijas e tijolos se soltaram. Na escola secundária da pequena cidade, uma parede desabou.

Depois do tremor inicial, na madrugada de quarta-feira, a região central da Itália registrou vários sismos secundários. O último deles ocorreu às 14h36 (9h36, pelo horário de Brasília), e os moradores correram para se abraçar.

Dados atualizados nesta quinta-feira pela Defesa Civil, que coordena os trabalhos de resgate e socorro às vítimas, dão conta de pelo menos 250 mortos por causa do tremor da madrugada de quarta-feira. Na véspera, o premiê Matteo Renzi disse haver 368 feridos.

Enquanto prosseguem os trabalhos de resgate, os sobreviventes e as autoridades temem que mais vítimas sejam localizadas sob os escombros. O tremor afetou uma zona muito montanhosa e pouco povoada do centro da Itália, a 140 quilômetros de Roma, e que já sofrera um sismo devastador em 2009.

Ricardo, morador de Amatrice em busca de seus parentes, disse que continua “com esperanças” de encontrar seus familiares. “Acredito que haverá menos vítimas que em L’Aquila em 2009”, diz ele, referindo-se a um terremoto que matou mais de 300 pessoas na Itália. “Mas só porque aqui há menos habitantes. O horror foi o mesmo.” Entre as vítimas há 190 mortos na província de Rieti e 57 em Ascolano, segundo a Defesa Civil.

“A Itália é hoje uma família abalada, mas que não para”, disse Renzi, alertando que o número de mortos ainda poderia subir. “Queremos uma reconstrução verdadeira para que os habitantes destes povoados possam continuar mantendo sua comunidade e conservem o passado destas localidades, um passado maravilhoso que não pode ser perdido”, afirmou.

O tremor ocorreu pouco depois das 3h30 de quarta-feira (22h30 de terça pelo horário de Brasília), e dezenas de réplicas se seguiram. O sismo inicial foi sentido durante mais de 15 segundos em Roma, que fica mais de 130 quilômetros a sudoeste do epicentro, na província de Rieti, na região do Lácio, mas sentido com força também na região da Umbria. As localidades mais atingidas são Norcia, na província de Perugia; Amatrice e Accumoli, na província de Rieti; e Arquata del Tronto, em Ascoli Piceno. As autoridades italianas e a Cruz Vermelha estão mobilizando recursos para as zonas mais afetadas.

“É terrível, tenho 65 anos e nunca experimentei nada assim. Pequenos tremores sim, mas nada tão grande. Isto é uma catástrofe”, declarou Giancarlo, que esperava, de cueca, em plena rua de Amatrice. Na localidade de Illica houve cinco mortos, incluindo uma cidadã espanhola que vivia ali com seu marido, segundo a Cruz Vermelha italiana.

O Governo italiano e a Defesa Civil monitoram a área do epicentro para cuidar de possíveis danos, informou o porta-voz de Renzi pelo Twitter. Além disso, o Exército foi mobilizado para colaborar nos trabalhos de resgate, que são complicados por causa da dificuldade de acesso. Só é possível chegar lá de helicóptero ou a pé. Há interrupções do abastecimento energético e do serviço de telefonia.

Cerca de cem réplicas, mais da metade delas com magnitude acima de 3, sucederam-se ao sismo de magnitude 6. A mais forte delas teve lugar pouco antes das 5h (meia-noite em Brasília) nos arredores de Norcia, na província de Perugia.

Amatrice, uma das localidades mais afetadas, está devastada. Os trabalhos de resgate prosseguem, com a participação de militares, policiais, guardas de montanha e profissionais sanitários. Cães rastreadores auxiliam nas buscas por pessoas com vida sob as montanhas de escombros, algumas com dezenas de metros de espessura. Um hospital de campanha foi instalado na entrada, mas os feridos graves são transferidos para hospitais comuns dos arredores. Um senhor sob os escombros consegue fazer uma ligação telefônica dez horas depois do desmoronamento. Cães rastreadores trabalham para encontrá-lo. Silêncio total, com a esperança de conseguir achá-lo.

Cesare, auxiliar do pároco local, lamenta o desabamento de um asilo religioso para mulheres. Sete pessoas estão sob os escombros, sendo três freiras e quatro idosas. “A prioridade”, diz, “é socorrer os feridos e fazer o possível se ainda restar vida”. “Tristeza e impotência” são as palavras com que descreve este momento. Pina, moradora de Amatrice, conta que sua mãe, idosa, está sob os escombros. “Eu não estava aqui na hora do tremor, mas ao chegar me deparei com o fato de que não sei se continuará viva, está soterrada.”

Também Norcia (5.000 habitantes) foi muito afetada. Junto com Amatrice, trata-se de uma zona de veraneio para italianos, que recebem dezenas de turistas nesta época. O prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi, pediu ajuda para liberar as vias de acesso ao povoado e facilitar a chegada dos serviços de emergência. “Há pessoas debaixo dos escombros e há bairros que já não existem mais”, lamentou. Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que a pequena cidade praticamente sumiu do mapa, já que, segundo alguns deles, 70% das casas desabaram.

Os habitantes desta cidade estão em instalações desportivas e a prioridade dos serviços de emergência é “salvar as pessoas que possam estar sob os escombros”. Os dois primeiros corpos foram recuperados durante a madrugada e, segundo o padre Fabio Gammarota, que está colaborando com os trabalhos de resgate, outras três pessoas morreram em decorrência do colapso parcial de uma casa.

As imagens aéreas fornecidas pelo Corpo de Bombeiros mostram o centro histórico de Amatrice, uma cidade formada principalmente de casas de pedra e antigas, completamente destruída, com poucas moradias ainda de pé.

Valerio, um morador de Rieti, relatou que “que todas as casas antigas desabaram, a rua principal é um desastre”. Ele saiu de casa correndo de madrugada, seminu. “Agora estamos tentando ajudar os demais na cidade. Tivemos de sair com o trator para remover os escombros das ruas e estradas”, acrescentou.

O prefeito de Accumoli (667 habitantes), Stefano Petrucci, informou que há ao menos seis mortos, entre eles quatro seriam da mesma família, sendo duas crianças, além de outros dois corpos recuperados sob os escombros.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, e o primeiro-ministro Renzi estão em contato direto com a Proteção Civil para monitorar o andamento dos trabalhos. Enquanto isso, o presidente da Cruz Vermelha Italiana, Francesco Rocca, disse em declarações à mídia que também estão sendo enviadas ambulâncias e pessoal para os pontos mais afetados e que a doação de sangue pode ser útil nas próximas horas. A associação de voluntários italianos doadores de sangue também fez um chamado para a doação de todos os grupos sanguíneos.

O Vaticano comunicou o envio de seis bombeiros para Amatrice, com o objetivo de ajudar no resgate. O papa Francisco agradeceu os esforços de todos aqueles que trabalham nos esforços de resgate e pediu que todos os cristãos rezem pelas vítimas. O comissário europeu de Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, o cipriota Christos Stylianides, disse em um comunicado que a UE está preparada para agir e ajudar. “Estamos em contato constante com as autoridades italianas. No momento, estamos fornecendo nossas imagens de satélite para ajudar com os esforços de resgate.”
Crise econômica

O terremoto atinge a Itália em um momento muito complicado. O país está passando por uma delicada situação econômica, e há receio de que uma crise política seja desencadeada no fim deste ano, quando a reforma constitucional de Renzi será submetida a um referendo.

As comparações com o terremoto em L’Aquila são inevitáveis, uma vez que entre os epicentros de ambos há uma distância de apenas 60 quilômetros e a magnitude foi quase a mesma. O porta-voz da Proteção Civil, Fabrizio Curcio, afirmou que “a intensidade foi semelhante, mas a diferença é a densidade da população, já que este terremoto afetou zonas menos densamente povoadas”, disse.

Em 2009, o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi foi muito criticado por não saber como administrar a crise. De fato, os serviços de emergência levaram horas para chegar ao local do desastre, e o assunto acabou nos tribunais. Longe do que aconteceu na época, a maioria das pessoas afetadas pelo terremoto da quarta-feira se mostrou agradecida pelo apoio recebido e pela chegada dos serviços de emergência com bastante rapidez.

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