BOA TARDE!!!

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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Padrinho atrasado

Baixou o santo olímpico no governador Rui Costa. Na semana passada, ao receber o medalha de ouro Robson Conceição, anunciou a construção, em Salvador, do “primeiro centro de treinamento de boxe” da Bahia.

Agora repete a dose, pedindo ao ministro do Esporte, Leonardo Picciani, a construção de um centro de treinamento de canoagem em Ubaitaba, certamente movido pelo sucesso do trimedalhado Isaquias Queiroz.

Há na iniciativa uma evidente incoerência: o governador quer estimular a prática de esportes em que, mal ou bem, o país tem tido um bom desempenho. Ele precisa preocupar-se primeiro com aqueles em que não tivemos nenhum destaque, como a natação.

Símbolo restrito

Rui ainda deu uma claudicada ao falar de Robson: “Eu quero que você seja um símbolo para nossa periferia e para a juventude negra do nosso Estado”. E a juventude de outras, digamos, etnias?

Força, Itália!!!

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

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DO EL PAÍS

André de Oliveira
Afonso Benites
São Paulo

No alto do palanque, sentada entre a filósofa Marilena Chauí e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), Dilma Rousseff aparentava calma e tranquilidade. Levantava a todo instante para receber presentes vindos da plateia: cartas, livros, camisetas, um origami. Quando gritavam seu nome, ou alguém chamava sua atenção, retribuía com sorrisos, acenos e as mãos unidas em forma de coração.

A poucos dias do desfecho definitivo do processo de impeachment, a presidenta afastada subiria pouco depois ao palco, num auditório na capital paulista, para reafirmar que é honesta, que não há uma acusação contra ela e que ela irá ao Senado apresentar sua defesa. “Não porque eu acredite nos meus olhos bonitos, mas pela democracia”, disse sorrindo. A frase resume um pouco o tom geral do “Ato contra o golpe, em defesa da democracia e dos direitos sociais”, organizado pelos movimentos suprapartidários de esquerda Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, nesta terça à noite. Apesar de lotado pela militância e de uma atmosfera de otimismo, praticamente todas as falas, incluindo a de Dilma, pareciam apontar mais para reafirmação de que é vítima golpe e para questões futuras – como a possibilidade de cortes expressivos em gastos sociais – do que para a reversão de sua saída do poder que, para a maior parte dos analistas e políticos, já está praticamente consumado.

Desde que foi afastada da presidência, em 12 de maio, Dilma participou de cerca de uma dezena de mobilizações em diferentes cidades brasileiras. As viagens, batizadas de “Jornada pela Democracia”, foram possibilitadas graças a uma vaquinha virtual que arrecadou cerca de 800 mil reais em um curtíssimo espaço de tempo. A facilidade com que o dinheiro foi levantado, contudo, nunca se reverteu em uma força capaz de inflamar as ruas em defesa do mandato da presidenta afastada. Os meses passaram, os Jogos Olímpicos passaram, a hora decisiva sobre o impeachment chegou e a temperatura das mobilizações é visivelmente mais fria hoje do que foi em outros momentos da crise política em que o país mergulhou desde fevereiro de 2015. Nesta quarta, véspera do início da maratona do Senado que deve durar ao menos até ao menos a madrugada de terça, a presidenta afastada foi a mais um evento, no Sindicato dos Bancários, em Brasília. Chegou escudada de ex-ministros que permaneceram no seu entorno, como Jaques Wagner (PT-BA) e Miguel Rossetto (PT-RS) e discursou diante de sua emblemática foto sendo interrogada por militares, aos 22 anos, subjugada à Justiça de exceção da ditadura. “Se considerarmos a democracia uma árvore, um golpe militar é como um machado, que destrói os galhos da árvore, o Governo e um regime inteiramente. (…) Se as instituições democráticas estão de pé, o que é isso que está acontecendo? É um golpe em que o ataque à árvore é feito por parasitas que tomam conta de diferentes instituições.”

“A Dilma perdeu o timing. O período imediatamente posterior à votação na Câmara, por exemplo, foi favorável a ela. Depois houve o momento em que o Governo interino cometeu erros, como o fechamento do Ministério da Cultura, e também houve as declarações de Sergio Machado que corroboravam a tese do golpe. Mas ela não soube agregar as forças necessárias para reverter isso em um movimento em favor dela”, comenta o cientista político da UFMG, Leonardo Avritzer. Para ele, o erro é só mais um sinal do caráter pouco agregador da presidenta afastada. A recente proposta de um plebiscito para tratar de novas eleições, a uma semana do impeachment, por exemplo, seria o exemplo mais claro disso.

“Houve um momento em que a Folha de S. Paulo, por exemplo, defendeu isso em editorial. Em que a sociedade estava debatendo essa possibilidade, mas o que a Dilma fez foi pegar a proposta, colocá-la em discussão em um grupo político muito restrito e deixar para decidir mais tarde. Já era muito tarde”, comenta Avritzer. Outro problema era a falta de consenso em torno da proposta entre seus apoiadores e movimentos sociais. Nesta terça-feira, o próprio PT, mais preocupado em sua sobrevivência em meio à Lava Jato do que no destino imediato de Dilma, fechou posição sobre a proposta: não endossá-la. Em entrevista coletiva, Rui Falcão, presidente do partido, desconversou dizendo que “a questão está posta por ela”, sem comentar muito além disso.

Para o cientista político Rudá Ricci, que concorda com a avaliação, a atuação da presidenta afastada nos últimos meses tem sido mais de preservação de biografia do que voltada para algo concreto de fato. “Política é versão, não fato. E se o fato é que as mobilizações aconteceram, não houve versão. O PT, por exemplo, pouco divulgou e propagou os atos”, comenta. Segundo ele, o apoio do partido a ela tem sido apenas protocolar.

“A estratégia nesse momento, parece ser a de deixar o Temer se desgastar sozinho com medidas impopulares e de tentar se reorganizar para fazer oposição em 2017, preparando-se para 2018”, diz Ricci. A defesa de seu mandato seria hoje – tanto por parte do PT quanto por parte de movimentos sociais – mais uma forma de atacar Michel Temer e seu projeto de país do que qualquer outra coisa. Dilma defendia sua inocência com altivez, embora no campo político termine seus últimos dias em Brasília sem forças para qualquer movimento próprio a não ser, pela segunda vez, gravar para a história sua imagem num banco dos réus que considera injusto.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA


“Um duro golpe contra a Ficha Limpa”

A CNBB saiu hoje, oficialmente, em defesa da Lei da Ficha Limpa, após o STF, há uma semana, determinar a exclusividade das câmaras municipais para julgar as contas de prefeitos.

“Na prática, isso significa o fim da inelegibilidade dos executivos municipais, mesmo que tenham suas contas rejeitadas pelos tribunais de contas. Trata-se de um duro golpe contra a Lei da Ficha Limpa, o qual favorecerá o fisiologismo político e a corrupção, considerando o poder de barganha que pode haver entre o executivo e o legislativo municipais. Conclamamos a população, legítima autora da lei, a defendê-la de toda iniciativa que vise ao seu esvaziamento. Urge não dar trégua ao combate à corrupção eleitoral e a tudo que leve ao desencanto com a política cujo objetivo é a justiça e o bem comum, construído pacífica e eticamente”, argumentou a entidade, em nota.

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Posted on 25-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-08-2016


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)


DO EL PAÍS

María Salas Oraá

Amatrice (Itália) 24 AGO 2016 – 17:11 BRT

O terremoto na Itália de magnitude 6,2 escala Richter que sacudiu o centro do país na madrugada desta quarta-feira, já causou pelo menos 159 mortes, segundo o último balanço oficial, passado pelo próprio primeiro-ministro, Matteo Renzi. O número inicial de mortos informado foi de 38 pessoas, mas como ainda há muitos desaparecidos —e ao menos 368 pessoas feridas—, as autoridades locais creem que o número de vítimas ainda deve aumentar. Uma das regiões mais afetadas foi o povoado de Amatrice, que fica numa área montanhosa e pouco povoada (tem cerca de 2.600 habitantes): segundo o prefeito da cidade, praticamente metade da cidade foi devastada.

Das 120 vítimas confirmadas inicialmente, 53 ocorreram entre as localidades Accumoli e Amatrice, ambas na província de Riet (região de Lácio), e outras 20 no município de Arquata del Tronto, na região de Ascoli Piceno. Há pelo menos mais 150 pessoas desaparecidas nos escombros, segundo a BBC. E ao menos 2.000 pessoas estão desabrigadas, de acordo com a Defesa Civil. As autoridades nacionais e a Cruz Vermelha estão mobilizando recursos para as zonas mais atingidas.

O tremor ocorreu pouco depois das 3h30 (22h30 de terça pelo horário de Brasília), e houve mais de 15 réplicas com magnitudes entre 4 e 5,4, segundo o Departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos. O sismo foi sentido durante mais de 15 segundos em Roma, mais de 100 quilômetros a sudoeste do epicentro, na localidade de Rieti, região do Lácio. O hipocentro se situou a quatro quilômetros de profundidade.

O Governo italiano e a Defesa Civil monitoram a área do epicentro para em busca de possíveis danos, disse um porta-voz do premiê Matteo Renzi pelo Twitter. O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso, à qual só é possível chegar de helicóptero ou a pé. Some-se a isso o corte das comunicações telefônicas.
Ao menos 159 mortos e 368 feridos no terremoto que atingiu a Itália

Cerca de 100 tremores secundários, dos quais mais de metade com magnitude superior a 3 graus, foram registrados após o terremoto inicial de magnitude 6,2. A réplica mais forte ocorreu pouco antes das 5h (hora local) perto de Norcia, na região de Perugia. A Defesa Civil descreveu a situação como “severa” e confirmou que há danos materiais – como o desabamento de partes de edifícios – e um número não especificado de feridos.

Houve sérios danos materiais nas localidades da Norcia (5.000 habitantes) e Amatrice (2.600 habitantes), zonas de veraneio que recebem muitos turistas nesta época. O prefeito do Amatrice, Sergio Pirozzi, anunciou que há moradores desaparecidos e pediu ajuda para liberar as vias de acesso à pequena cidade e facilitar a chegada dos serviços de emergência. “Há pessoas debaixo dos escombros e há bairros que já não estão mais lá. Metade de Amatrice já não existe mais”, lamentou. “Há tantos mortos que nem consigo fazer uma estimativa. Deve haver dezenas de mortos”, relatou Pirozzi à televisão pública RAI.

O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso

Os danos nessa localidade foram muito graves, e a rua principal está devastada. Os moradores foram levados para ginásios esportivos, e a prioridade dos serviços de emergência é “salvar as pessoas que possam estar sob os escombros”. Os dois primeiros corpos foram resgatados ao amanhecer e, segundo o padre Fabio Gammarota, que colabora com as equipes de buscas, outras três pessoas morreram devido ao desmoronamento parcial de um imóvel.

Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”, porque quase 70% das casas caíram devido ao terremoto, que, segundo a medição do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, atingiu a magnitude 6,0.

Imagens aéreas feitas pelo Corpo de Bombeiros mostram um cenário de destruição completa no centro histórico de Amatrice, que era formado em sua maioria por antigas casas de pedra – das quais poucas permaneceram em pé.

Valerio, morador da localidade de Rieti (47.000 habitantes), relatou que “as casas velhas caíram todas, a rua principal é um desastre. Saí de casa correndo de madrugada, seminu. Agora estamos tentando ajudar os outros da cidade. Precisamos sair com o trator para retirar escombros das ruas e estradas”.

O prefeito de Accumoli (667 habitantes), Stefano Petrucci, relatou haver pelo menos seis mortos, sendo quatro de uma mesma família, incluindo duas crianças, além de outros dois corpos que foram recuperados sob os escombros.

Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, e o primeiro-ministro Matteo Renzi estão em contato direto com a Defesa Civil para acompanhar o desenrolar dos trabalhos. O Corpo de Bombeiros disse estar tendo dificuldades de acesso a Accumoli devido ao estado crítico das estradas. Enquanto isso, o presidente da Cruz Vermelha italiana, Francesco Rocca, afirmou à imprensa que a organização também está deslocando ambulâncias e profissionais para as áreas mais afetadas e acrescentou que doações de sangue seriam bem vindas nas próximas horas. A associação de voluntários italianos de doadores de sangue também fez uma convocação para que doadores de todos os grupos sanguíneos compareçam aos bancos de sangue.

As comparações com o terremoto na Itália que aconteceu em 2009 na localidade de L’Aquila, que deixou mais de 300 mortos e 1.500 feridos, são inevitáveis, já que há uma distância de apenas 60 quilômetros e a magnitude foi quase a mesma, de 6,3 graus. O porta-voz da Defesa Civil, Fabrizio Curcio, afirmou que “a intensidade foi semelhante, mas a diferença está na densidade populacional, já que este terremoto afetou zonas menos densamente povoadas”. Mais recentemente, em 2012, o norte da Itália sofreu outro terremoto, que deixou 16 mortos.

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