ago
24
Postado em 24-08-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 24-08-2016 11:30


Resgate de uma sobrevivente em Amatrice.
El País Vídeo


DO EL PAÍS

María Salas Oraá

Um terremoto de magnitude 6,2 escala Richter sacudiu o centro da Itália na madrugada desta quarta-feira, causando pelo menos 38 mortes (há notícias não confirmadas oficialmente de mais de 60 mortos, segundo a TV Globo, no programa de Fátima Bernardes), segundo a Defesa Civil. O tremor ocorreu pouco depois das 3h30 (22h30 de terça pelo horário de Brasília), e houve mais de 15 réplicas com magnitudes entre 4 e 5,4, segundo o Departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos. O sismo foi sentido durante mais de 15 segundos em Roma, mais de 100 quilômetros a sudoeste do epicentro, na localidade de Rieti, região do Lácio. O hipocentro se situou a quatro quilômetros de profundidade.

A região da Umbria também foi bastante afetada pelo temor. As localidades mais destruídas foram Norcia (província de Perugia), Amatrice, Accumoli (ambas na província de Rieti) e Arquata del Tronto (Ascoli Piceno). As autoridades nacionais e a Cruz Vermelha estão mobilizando recursos para as zonas mais atingidas.

Pelo menos 27 pessoas morreram em Accumoli e Amatrice. Outras dez vítimas fatais foram registradas na pequena localidade de Pescara del Tronto (135 habitantes), que pertence ao município de Arquata del Tronto, na região de Marche.

O Governo italiano e a Defesa Civil monitoram a área do epicentro para em busca de possíveis danos, disse um porta-voz do premiê Matteo Renzi pelo Twitter. O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso, à qual só é possível chegar de helicóptero ou a pé. Some-se a isso o corte das comunicações telefônicas.

O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso

Cerca de 100 tremores secundários, dos quais mais de metade com magnitude superior a 3 graus, foram registrados após o terremoto inicial de magnitude 6,2. A réplica mais forte ocorreu pouco antes das 5h (hora local) perto de Norcia, na região de Perugia. A Defesa Civil descreveu a situação como “severa” e confirmou que há danos materiais – como o desabamento de partes de edifícios – e um número não especificado de feridos.

Houve sérios danos materiais nas localidades da Norcia (5.000 habitantes) e Amatrice (2.600 habitantes), zonas de veraneio que recebem muitos turistas nesta época. O prefeito do Amatrice, Sergio Pirozzi, anunciou que há moradores desaparecidos e pediu ajuda para liberar as vias de acesso à pequena cidade e facilitar a chegada dos serviços de emergência. “Há pessoas debaixo dos escombros e há bairros que já não estão mais lá. Metade de Amatrice já não existe mais”, lamentou. “Há tantos mortos que nem consigo fazer uma estimativa. Deve haver dezenas de mortos”, relatou Pirozzi à televisão pública RAI.
Terremoto de magnitude 6,2 deixa pelo menos 38 mortos na Itália

Os danos nessa localidade foram muito graves, e a rua principal está devastada. Os moradores foram levados para ginásios esportivos, e a prioridade dos serviços de emergência é “salvar as pessoas que possam estar sob os escombros”. Os dois primeiros corpos foram resgatados ao amanhecer e, segundo o padre Fabio Gammarota, que colabora com as equipes de buscas, outras três pessoas morreram devido ao desmoronamento parcial de um imóvel.

Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”, porque quase 70% das casas caíram devido ao terremoto, que, segundo a medição do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, atingiu a magnitude 6,0.

Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”

Imagens aéreas feitas pelo Corpo de Bombeiros mostram um cenário de destruição completa no centro histórico de Amatrice, que era formado em sua maioria por antigas casas de pedra – das quais poucas permaneceram em pé.

Valerio, morador da localidade de Rieti (47.000 habitantes), relatou que “as casas velhas caíram todas, a rua principal é um desastre. Saí de casa correndo de madrugada, seminu. Agora estamos tentando ajudar os outros da cidade. Precisamos sair com o trator para retirar escombros das ruas e estradas”.

O prefeito de Accumoli (667 habitantes), Stefano Petrucci, relatou haver pelo menos seis mortos, sendo quatro de uma mesma família, incluindo duas crianças, além de outros dois corpos que foram recuperados sob os escombros.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, e o primeiro-ministro Matteo Renzi estão em contato direto com a Defesa Civil para acompanhar o desenrolar dos trabalhos. O Corpo de Bombeiros disse estar tendo dificuldades de acesso a Accumoli devido ao estado crítico das estradas. Enquanto isso, o presidente da Cruz Vermelha italiana, Francesco Rocca, afirmou à imprensa que a organização também está deslocando ambulâncias e profissionais para as áreas mais afetadas e acrescentou que doações de sangue seriam bem vindas nas próximas horas. A associação de voluntários italianos de doadores de sangue também fez uma convocação para que doadores de todos os grupos sanguíneos compareçam aos bancos de sangue.

As comparações com o terremoto de 2009 na localidade de L’Aquila, que deixou mais de 300 mortos e 1.500 feridos, são inevitáveis, já que há uma distância de apenas 60 quilômetros e a magnitude foi quase a mesma, de 6,3 graus. O porta-voz da Defesa Civil, Fabrizio Curcio, afirmou que “a intensidade foi semelhante, mas a diferença está na densidade populacional, já que este terremoto afetou zonas menos densamente povoadas”. Mais recentemente, em 2012, o norte da Itália sofreu outro terremoto, que deixou 16 mortos.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos