Vamos voar sobre o Maracanã com a garotada do futebol, ainda esperança de ouro nos Jogos do Rio2016.

BOA TARDE!

( Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

María Martín

O caso do assalto de quatro nadadores norte-americanos na madrugada deste domingo na Rio 2016 viveu uma reviravolta depois de virem à tona versões contraditórias sobre o suposto crime. A Justiça do Rio ordenou busca e apreensão dos passaportes dos atletas Ryan Lochte e Jimmy Feigen, que haviam declarado terem sido assaltados junto aos colegas Gunnnar Bentz e Jack Conger quando voltavam de táxi de uma festa.

A Polícia Civil do Rio apareceu, nesta manhã, na Vila Olímpica, onde se hospeda a maioria dos atletas, para cumprir uma ordem de busca e apreensão dos passaportes dos nadadores. A determinação veio da juíza Keyla Blank, do Juizado Especial do Torcedor e de Grandes Eventos, que decretou que os atletas não deixem o país por terem apresentado versões confusas sobre o caso. Lochte, no entanto, não se encontra mais no Rio, enquanto Feigen, segundo a imprensa, não estava na Vila.

Imagens das câmeras de segurança da Vila que mostram a chegada dos atletas com seus pertences e também a falta de evidências específicas que sustentem a versão dos americanos teriam levantado as suspeitas dos agentes. “A polícia ainda não tem elementos para dizer se eles estão mentindo ou não”, disse nesta quarta o delegado Ronaldo Oliveira, informa Felipe Betim. “As investigações continuam”, completou.

O caso foi divulgado após a mãe de Lochte contar à imprensa norte-americana que seu filho foi ameaçado com uma pistola apontada para a cabeça. Após a declaração do que parecia um possível assalto, o Comitê Olímpico Internacional declarou que as informações eram completamente falsas, enquanto o Comitê organizador desconversou alegando que elas eram vagas. Horas depois, o Comitê Olímpico dos EUA confirmou a notícia, mas especificou que era a versão dos esportistas.

Segundo a própria versão de Lochte, medalhista de ouro neste Jogos, os quatro voltavam de uma festa na zona turística da cidade por volta das 4 horas da madrugada quando um grupo armado com distintivos de policiais parou o veículo e os obrigo a sair. Segundo o nadador, eles teriam apontado uma arma na cabeça deles e roubado suas carteiras, deixando, no entanto, seus celulares e credencias com eles.

“Pararam nosso táxi e esses sujeitos saíram com um distintivo da polícia, sem o luminoso nem nada além desse distintivo da polícia, e nos tiraram do carro. Sacaram as armas e disseram aos outros nadadores que se deitassem no chão. Eles fizeram isso. Eu me recusei, não tínhamos feito nada errado, então não ia me deitar no chão”, relatou Lochte.

Imagens divulgadas pelo Daily Mail mostraram, no entanto, que os norte-americanos chegaram na Vila quase às sete de amanha, três horas depois do suposto assalto, o que levantou dúvidas sobre a versão inicial. Nas imagens de segurança da Vila Olímpica, eles aparecem tranquilos e sorridentes entrando na Vila dos Atletas com parte de seus pertences, como relógios e carteiras. A polícia apontou, ainda, que os dois nadadores que prestaram depoimento, Lochte e Feigen, mostraram contradições nas suas versões e reconheceu que, até agora, não conseguiu encontrar o motorista que teria levado os atletas nem imagens ou testemunhas que confirmem o episódio.


Vestismo substitui nudismo no verão francês

Os que são entrados nos anos, como se dizia antigamente com toda solenidade e respeito, possivelmente jamais imaginaram ver o que está acontecendo na França: um escândalo por causa de mulheres que se vestem dos pés à cabeça para ir à praia.

Foi nesse país que, já há uns bons 70 anos, estilistas tiveram a ideia propor a calcinha e sutiã como roupa de banho, batizando de biquíni o conjunto e revolucionando a história do maiô.

E foram as mulheres francesas, em seus míticos balneários, que tiveram a ousadia das exibições primaciais do corpo, exatamente o oposto do que permitem vestes puritanas que a lógica batizou de “burkini”.

A questão é complexa, não porque as feministas vejam nos macacões e gorros usados pelas muçulmanas uma ameaça à liberdade, mas porque a simbologia que lhes é imposta é a mesma das metralhadoras, homens-bomba e caminhões desgovernados.

A verdade nua e crua

Impossível esquecer a resposta de Leonel Brizola a César Maia, que concordava com frase de Roberto Campos segundo a qual as estatísticas, como os biquínis, mostram quase tudo, mas escondem o essencial. “César, você está trabalhando muito e não tem ido à praia ultimamente”.

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Posted on 17-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-08-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

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DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasilia
Dilma Rousseff lê a carta.

A presidenta afastada Dilma Rousseff (PT) decidiu jogar suas últimas fichas para manter-se no cargo e evitar que o impeachment seja aprovado pelo Senado no final deste mês. Dilma convocou a imprensa nesta terça-feira para ler a carta escrita aos senadores, garantindo que defenderá um plebiscito para consultar a população sobre a possibilidade de realizar uma nova eleição presidencial. “Entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas”, disse a presidenta no pronunciamento que durou pouco mais de 13 minutos, sem direito a perguntas dos mais de 50 jornalistas que compareceram à coletiva, realizada no Palácio da Alvorada.

Os repórteres foram convocados nesta mesma terça, um timing complicado em meio à Olimpíada: marcado para começar às 15h, a coletiva teve início pouco antes das 16h, pois a mandatária teve de concorrer com a seleção feminina de futebol do Brasil, que ainda enfrentava a Suécia pela semifinal da Olimpíada do Rio.

Antes de ler a carta, a petista distribuiu o documento aos 81 senadores. No documento, a petista repetiu assuntos dos quais têm tratado desde maio passado, quando foi afastada temporariamente do cargo. Afirmou, por exemplo, que é inocente e vítima de um processo ilegítimo iniciado por uma pessoa que é investigada por ter recebido propina e por ter contas ilegais no exterior. Não citou nomes, mas era novamente uma clara menção ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A presidenta e seus aliados consideram que o impeachment só começou porque Cunha não teria recebido o apoio do PT na representação por quebra de decoro parlamentar que ele respondia no Conselho de Ética da Câmara.

Sabendo que as chances de reverter o placar no Senado são reduzidíssimas, Rousseff tratou de escrever um ‘documento histórico’, segundo apurou o EL PAÍS. Seu objetivo era o de voltar a espalhar o discurso de que ela foi vítima de um golpe de Estado. “Se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta”.

Atualmente, ela é ré pelo crime de responsabilidade. As acusações contra a presidenta são de que ela assinou irregularmente três decretos de suplementação orçamentária sem a aprovação do Congresso Nacional e de que praticou pedaladas fiscais. Ainda que as denúncias atinjam diretamente o seu partido e vários de seus antigos aliados – e que acabam respingando nela – Dilma defendeu a manutenção do combate à corrupção. Afirmou, contudo, que não podem afastá-la pelo conjunto da obra e também não apenas por possíveis crimes de responsabilidade. “Não é legítimo, como querem meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo ‘conjunto da obra’. Quem afasta o presidente pelo ‘conjunto da obra’ é o povo, e só o povo, nas eleições”, afirmou.

O movimento melancólico de Dilma é acompanhado de longe por seus companheiros de partido, que não se pronunciam diretamente sobre as intenções da presidenta. “A carta será o pensamento dela, o sentimento dela. O certo é que ela fará uma defesa da democracia. A presidente não vai perder o apoio do PT se defender a posição do plebiscito. Dissemos isso a ela”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE) há poucos dias. Já o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, avaliou que a proposta da presidenta se trata de um “brincadeira de criança”, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. “Um plebiscito teria que passar por uma emenda e teria que ter sua constitucionalidade verificada pelo próprio Supremo”, lembrou ele nesta terça.

Dilma aproveitou a ocasião para voltar a defender a realização de uma ampla reforma política e eleitoral, algo que ela não conseguiu fazer nos quase cinco anos e meio em que esteve no poder. Ao fim de seu documento, a presidenta escreveu: a democracia há de vencer.

O pronunciamento da petista foi concorrido. Os ex-ministros da Jaques Wagner, Miguel Roseto, Ricardo Berzoini, Aloizio Mercadante e Eleronora Menicuci também estiveram no Alvorada, o local onde a presidenta se refugiou desde que perdeu o poder. O clima de que esse poderia ser o último ato público da presidenta antes de seu impedimento alimentou a curiosidade da imprensa, ainda que ninguém tenha tido direito a fazer qualquer questionamento.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A perna curta de Ryan Lochte

A versão do nadador Ryan Lochte, de que foi assaltado numa falsa blitz na Lagoa, começa a ser desmontada. Imagens das câmeras de segurança flagraram a chegada do atleta com os amigos, na Vila Olímpica, às 6h56.

No vídeo, ele aparece de relógio e com a carteira.

Lochte disse que deixou a festa na Hípica por volta das 4h. Outros atletas compartilham em grupos de Whatsapp a informação de que o americano, na verdade, deixou o local às 6h

Que a garra do lutador de ouro de Salvador sirva de inspiração também aos rapazes do Brasil logo mais no Maracanã.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

gar


Conceição disse esperar festa em Salvador pelo ouro.
PETER CZIBORRA REUTERS

DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

São Paulo

Robson Conceição desperdiçou duas olimpíadas antes de chegar ao pódio da Rio 2016 e escrever uma página inédita para o boxe brasileiro. Em Pequim 2008, aos 19 anos, era apenas um garoto iniciando a carreira. Em Londres, quatro anos depois, o baiano de Salvador já era realidade para o boxe brasileiro, mais um representando do ringue de elite instalado em seu Estado. Nas duas ocasiões, no entanto, decepcionou. Foi eliminado logo na primeira luta e deixou a sensação de que saiu das competições muito antes de onde realmente poderia chegar. Foi só no Rio de Janeiro que o resultado final fez jus ao talento do brasileiro. O foco que faltou antes sobrou agora para vencer, com facilidade, o venceu o francês Sofiane Oumahi na final da categoria leve (até 60 kg).

Aos 27 anos, Robson Conceição conquistou nesta terça-feira a inédita medalha de ouro para o Brasil na modalidade. “O que mudou agora é que eu estou com muito mais vontade de ser campeão. Eu era muito novo nas duas primeiras olimpíadas. Agora estou mais experiente, por isso hoje sou campeão olímpico”, disse.

A história de Robson com o boxe começou aos 13 anos. As constantes brigas nas ruas de Salvador levaram o jovem para o esporte com a única intenção de melhorar suas habilidades e, assim, nunca mais apanhar. Só que o efeito foi inverso, e o fato de morar na Bahia, o Estado que deu os os boxeadores mais exitosos dos últimos anos, provavelmente teve influência direta nisso. “A Bahia é a Cuba brasileira”, comparou ele ontem, em referência à potência caribenha no esporte.

Em vez de arrumar mais confusão nas rua, Robson passou a se interessar pelas lutas nos ringues. Nas mãos de um dos maiores treinadores do boxe brasileiro, Luiz Dórea, o garoto descobriu seu talento. Incentivado pelo sucesso de outros pupilos de Dórea, como Acelino Popó Freitas e Rodrigo Minotauro, Robson passou a levar a sério o esporte. E foi longe. Prata no Pan de 2011 e vice-campeão mundial em 2013, ele finalmente entra para a história do esporte brasileiro com o título no Rio.

A luta decisiva mostrou o tamanho da superioridade do brasileiro nesta Olimpíada. Ele mandou no combate desde o primeiro round e não deu chances ao francês. Venceu por decisão unânime dos juízes para a explosão da torcida no ginásio. “Eu nunca vi nada como isso aqui hoje, a energia dessa torcida. O Robson é um atleta que merece tudo isso. Ele foi nos Jogos de 2008 e 2012, e perdeu na primeira. Ele foi se desenvolvendo passo a passo e o resultado hoje foi esse”, disse ao Sportv um dos treinadores do brasileiro, Mateus Alves, ainda emocionado depois da luta.

A final para Robson, porém, parece ter acontecido antes da disputa pelo ouro. Na semifinal, ele bateu o cubano Lázaro Alvarez, tricampeão mundial e velho adversário do brasileiro. Nos dois encontros entre os dois antes dos Jogos, uma vitória para cada lado. Em 2013, Alvarez venceu Robson na final do Mundial do Cazaquistão. Dois anos depois, o brasileiro levou a melhor no Campeonato Continental. A rivalidade entre os dois ficou clara após a luta, quando Robson deixou claro o quanto aquela vitória significava para ele — uma vitória sobre talvez o maior rival que ele teria que enfrentar na Olimpíada.

“Cubano é muito bom, e ganhar em cima dele é muito gratificante”, disse o brasileiro após o combate. “Não gosto dele. Ninguém na galáxia gosta dele. É muito marrento. Os outros cubanos são humildes. Independentemente da situação, de vitória ou derrota, sempre falam com a gente, brincam. Ele é totalmente diferente. E hoje, teve o que merecia”, disse à Globo.com após a semifinal.

Ao final da luta, fez questão de agradecer à Petrobras, que o patrocina, e à Marinha, já que ele é terceiro-sargento. Assim como outros medalhistas brasileiros, Robson prestou continência à bandeira brasileira após ouvir o hino nacional durante sua premiação. Depois do ouro, a única coisa que Robson quer agora é ser recebido com festa em Salvador: “Estou chegando dia 18 e quero todos vocês comigo”.

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