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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

No tempo em que homicídio era coisa rara

O conceito elementar de notícia é o fato que sai do normal das coisas. Pode, portanto, ter vários graus de importância, da proverbial trivialidade até aquilo que envolve a vida.

Quase meio século atrás, na escola ou no jornal, a lição básica dizia que o cachorro morder uma pessoa é comum. A notícia seria quando alguém mordesse um cachorro.

A proximidade também era critério, e por acaso novamente envolvendo caninos: “Mais vale um cachorro morto na porta da Redação do que 20 mil mortos no Paquistão”.

A tese não é, como parece, absurda. Naquele tempo o Paquistão era distante. E dele só tínhamos notícia – olha ela aí! – por catástrofes naturais ou guerras comunicadas em frios telegramas.

Por outro lado, tirando as vítimas das chuvas, um cadáver em Salvador era raro, só com um ou outro acidente de trânsito ou de trabalho. Em caso de assassinato, a imprensa ficava em cima por meses e até anos, não a banalidade de hoje, com os corpos se amontoando nos necrotérios.

Uma página gráfica para a corrupção

Data: 11/08/2016
08:40:06

Essas reminiscências decorrem da evidente perda de sentido do noticiário sobre a corrupção no Brasil, indiciando políticos, dirigentes de empresas públicas, empresários, “operadores” e sabe-se lá que categorias mais.

Não há como o cidadão comum acompanhar o emaranhado de informações, pelo que a matéria jornalística perde o interesse. O leitor, na maioria dos casos, encontrará dados que mais lhe confundirão a mente do que o ajudarão a entender a situação.

Mais aconselhável seria que as editorias, sempre assessoradas pelas competentes equipes gráficas que ocuparam com toda justiça seu lugar, providenciassem um grande quadro da esculhambação generalizada para rápida compreensão pelo grande público.

Em colunas cuidadosamente arrumadas, poderíamos saber todas as empreiteiras participantes, as empresas públicas saqueadas, os volumes de dólares, euros e reais, os políticos, vá lá, beneficiados e os paraísos fiscais por onde transitou a grana antes do destino final.

Não mais se gastariam páginas e páginas com reportagens, entrevistas, longos textos, quando o que interessa, além de eventual cadeia para os “artistas”, é quem roubou, de que cofres e onde o dinheiro foi parar, na esperança quase vã de que o Erário possa reintegrá-lo.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 13 agosto, 2016 at 11:07 #

Caro Luís

Talvez falte um “Trabuco”. quem se lembra de Vicente Leporace, comentando os jornais do dia?
Talvez, sabe-se lá a razão, o motivo tenha sido a invasão de redações por “moderninhos a la Matinas Suzuki”, com as observações semânticas do tipo: viste o modelito desconstruído do terno do Matinas?

Ou será a velha confusão entre interesses e missão?

A verdade é que ater-se à uma ou outra erva daninha, não compromete ninguém, o problema é analisar o matagal.


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