DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O “engano” da imprensa é um engano

A TV e os jornais noticiam que Hélio Andrade, o soldado da Força Nacional morto com uma bala na cabeça, entrou “por engano” na favela onde foi alvejado.

Tratam “zonas proibidas”, tomadas por bandidos, como se fossem algo natural.

Esse, sim, é um engano.

Um salve especial para a pernambucana Bárbara, goleira da seleção.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


“Novo Chico”:Temer, Padilha, Renan e ministros, no retrato sem
retoque do ato de lançamento do plano no Palácio do Planalto.

ARTIGO DA SEMANA
“Novo Chico”: outro ataque político ao Velho Chico?
Vitor Hugo Soares

Para quem nasceu e passou anos inesquecíveis nas barrancas do Rio São Francisco, entre a Bahia e Pernambuco, é irresistível constatar: a imagem que ilustra a notícia sobre o lançamento, no Palácio do Planalto, esta semana, do “Plano Novo Chico” (há sinais evidentes de marqueteiro novo no pedaço!), assusta e preocupa. Mais que as cenas das conversas e arranjos do coronel Saruê com o deputado Carlos Eduardo, em suas maquiavélicas maquinações nos capítulos mais recentes da novela “Velho Chico” (TV Globo), enquanto o rio da minha aldeia míngua a céu aberto e segue agonizando a olhos vistos.

Na fotografia sem retoques de Beto Barata, que vejo publicada pelo portal G1 , o presidente interino Michel Temer (PMDB) exibe seu sombrio e indecifrável ar de sempre. Está sentado na cadeira de comando do palco da cerimônia, ao centro de uma fileira de ministros de seu governo e de um convidado especial. Do lado direito do mandatário, o Chefe da Casa Civil, Eliseo Padilha, novo “faz tudo” da corte. À esquerda, o presidente do Senado, Renan Calheiros, parece dizer: “com impeachment ou não, e mesmo que o São Francisco não desaguasse em Alagoas, eu estaria aqui”.

Antes da canetada presidencial, os arautos da vez, no poder, trombeteiam que o plano (saído do forno palaciano às vésperas do começo da campanha para as eleições municipais deste ano), prevê que serão distribuídos R$ 1,1 bilhão, nos próximos três anos, entre 217 municípios. Do total de investimentos previstos, R$ 805 milhões devem ir para a construção de sistemas de esgotamentos sanitários em 137 cidades ribeirinhas. Outros R$ 356,9 milhões deverão ser repassados para custear obras de abastecimento de água em mais 80 municípios. A chamada bacia hidrográfica do rio é formada por 505 municípios, onde atualmente vivem 16,5 milhões de pessoas.

Muita gente, muito abandono, múltiplos interesses, incontáveis necessidades. E carradas de votos à espera do primeiro aventureiro ou “salvador da pátria” que apareça. Um “coronel Saruê” ou um “deputado Carlos Eduardo” qualquer, para ficar com o exemplo da espúria e corrupta partilha de exploração política público privada, que o folhetim da televisão apresenta, magnificamente, a cada capítulo. Ainda assim, sinto-me tentado a repetir mais uma vez o ditado irônico dos franceses: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

Sob os olhos atentos e o riso meio zombeteiro, no canto dos lábios, do senador Calheiros, o presidente Michel Temer discursa entre amigos e aliados, durante a cerimônia palaciana, e parece que nada mudou. Ao melhor estilo da mandatária afastada – a um passo do impeachment – Temer diz que “a revitalização do São Francisco ajudará a preservar a vida humana, a vida animal e a vida vegetal. E registro aqui uma satisfação extraordinária ao lançarmos esse programa com o título que torna o Velho Chico o Novo Chico… Um Novo Chico cheio de vida para um novo Brasil”.

É preciso reconhecer: a afastada presidente petista Dilma Rousseff; o ex, também do PT, Luís Inácio Lula da Silva, (na vida real, como diz o meu irmão Genival); o coronel Saruê e seu genro deputado, (personagens da novela das nove, na TV) não teriam feito melhor. Nem mesmo o ex-ministro Delfim Neto, quando na sua melhor forma, no começo da gestão ditatorial do general João Batista Figueiredo, lançou o programa “Plante que o governo garante”: Mandou o agricultor plantar cebola, nas margens do rio, com garantia de compra da safra a bons e justos preços. Veio uma supersafra, o Governo de João não garantiu nada, e os lavradores foram levados a lançar cargas de cebola no leito do rio, ou a tocar fogo nas plantações, liberando terrenos férteis e irrigados na área onde surgiria, no ano seguinte, um dos maiores polos de plantação de “cannabis sativa” do País, no chamado Polígono da Maconha, entre a Bahia e Pernambuco.

Ninguém me contou. Eu sou de lá. Eu estava lá. Eu vi. E narrei vários episódios em reportagens que fiz para o Jornal do Brasil, na época.

Em junho do ano passado, a propósito das manifestações do Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco, escrevi um texto, neste espaço, com o título “Velho Chico: Jeito PT- Lula de governar e o rio que definha”. Peço licença aos leitores para reproduzir um trecho, antes do ponto final:

“Em 2004/05, período das vacas gordas, do primeiro mandato do governo petista (e de pesquisas de aprovação popular que só faziam crescer), com dinheiro de órgãos públicos de financiamento e de estatais “dando sopa”, para bancar todo tipo de megalomania aventureira, Lula decidiu bancar, de fato, a transposição.

Para encurtar esta história, que é longa e tem passagens impróprias para menores: no começo da execução do projeto, as obras foram orçadas em R$ 4,8 bilhões (2007). Atualmente pulou para R$ 8, 2 bilhões. Reajustes contratuais, em geral destinados a atender aos apetites insaciáveis de grandes empreiteiras, aumentaram em 30% o custo inicial, entre 2007 e 2012. Mas contribuiu decisivamente, no Nordeste, para o marketing eleitoral na conquista do segundo mandato de Lula e nas votações avassaladoras de Dilma no primeiro mandato e na reeleição recente.” Em favor do rio e da sua gente mais necessitada, até agora nada.

Mais não digo, nem precisa. Só peço julgamento severo, e o castigo mais duro, para todos os responsáveis e culpados, por ação ou omissão, pela morte, que parece inexorável, do Velho e do Novo Chico, o amado e generoso rio da minha aldeia.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia e Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Mariene: um show de interpretação na cena com Marco Palmeira, no capítulo de ontem,12, da novela Velho Chico. Bravissimo!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Bárbara: a heroína brasileira do jogo


DEU NO PORTAL TERRA BRASIL

O palco era o mesmo Mineirão, do trauma do 7 a 1 da Copa do Mundo da Seleção masculina. De novo, lotado. De novo, em mata-mata. Mas nesta sexta-feira, o final foi diferente para o Brasil. Com a equipe feminina, o time verde e amarelo não conseguiu sair do 0 a 0 com a Austrália no tempo normal e na prorrogação, mas conseguiu nos pênaltis a vaga à semifinal da Olimpíada do Rio de Janeiro. Marta errou sua cobrança, mas a goleira Bárbara pegou duas cobranças e garantiu a vitória emocionante por 7 a 6.

Os primeiros minutos do jogo foram marcados por bastante equilíbrio, com as brasileiras conseguindo evoluir e mostrar grande volume de jogo no decorrer da primeira etapa, mas sem conseguir desequilibrar, apesar de ter criado algumas chances. Já a segunda etapa foi totalmente da equipe verde-amarela: Mais posse de bola, mais criatividade, mais organização na defesa. A única coisa que faltava era o gol, que não veio e fez com que o embate fosse decidido na prorrogação.

Com o resultado, o Brasil garantiu vaga no confronto contra a Suécia, que eliminou as norte-americanas, principais favoritas, também nesta sexta. O duelo da semifinal será disputado no mesmo palco desta noite, na próxima terça-feira, às 13h (de Brasília).

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

No tempo em que homicídio era coisa rara

O conceito elementar de notícia é o fato que sai do normal das coisas. Pode, portanto, ter vários graus de importância, da proverbial trivialidade até aquilo que envolve a vida.

Quase meio século atrás, na escola ou no jornal, a lição básica dizia que o cachorro morder uma pessoa é comum. A notícia seria quando alguém mordesse um cachorro.

A proximidade também era critério, e por acaso novamente envolvendo caninos: “Mais vale um cachorro morto na porta da Redação do que 20 mil mortos no Paquistão”.

A tese não é, como parece, absurda. Naquele tempo o Paquistão era distante. E dele só tínhamos notícia – olha ela aí! – por catástrofes naturais ou guerras comunicadas em frios telegramas.

Por outro lado, tirando as vítimas das chuvas, um cadáver em Salvador era raro, só com um ou outro acidente de trânsito ou de trabalho. Em caso de assassinato, a imprensa ficava em cima por meses e até anos, não a banalidade de hoje, com os corpos se amontoando nos necrotérios.

Uma página gráfica para a corrupção

Data: 11/08/2016
08:40:06

Essas reminiscências decorrem da evidente perda de sentido do noticiário sobre a corrupção no Brasil, indiciando políticos, dirigentes de empresas públicas, empresários, “operadores” e sabe-se lá que categorias mais.

Não há como o cidadão comum acompanhar o emaranhado de informações, pelo que a matéria jornalística perde o interesse. O leitor, na maioria dos casos, encontrará dados que mais lhe confundirão a mente do que o ajudarão a entender a situação.

Mais aconselhável seria que as editorias, sempre assessoradas pelas competentes equipes gráficas que ocuparam com toda justiça seu lugar, providenciassem um grande quadro da esculhambação generalizada para rápida compreensão pelo grande público.

Em colunas cuidadosamente arrumadas, poderíamos saber todas as empreiteiras participantes, as empresas públicas saqueadas, os volumes de dólares, euros e reais, os políticos, vá lá, beneficiados e os paraísos fiscais por onde transitou a grana antes do destino final.

Não mais se gastariam páginas e páginas com reportagens, entrevistas, longos textos, quando o que interessa, além de eventual cadeia para os “artistas”, é quem roubou, de que cofres e onde o dinheiro foi parar, na esperança quase vã de que o Erário possa reintegrá-lo.

ago
13
Posted on 13-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-08-2016


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

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Patrícia Lelis, nesta terça, em São Paulo.
Fábio Pozzebom Agência Brasil

DO EL PAIS

Uma reviravolta no caso envolvendo o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) mudou os rumos das investigações sobre a suposta tentativa de estupro e cárcere privado denunciados pela militante do PSC, Patrícia Lelis, 22. Ela acusa Feliciano de tentativa de estupro e diz que membros do partido tentaram comprar seu silêncio, a ameaçaram e a mantiveram em cárcere privado.

Mas, de acordo com o delegado Luiz Roberto Hellmeister, responsável pelo caso em São Paulo, onde a jovem registrou um boletim de ocorrência no domingo, a polícia tem provas de que Patrícia Lelis não foi mantida em cárcere privado. “Ela hospedou o namorado no mesmo hotel em que disse que havia sido sequestrada”, disse o delegado, na tarde desta sexta-feira. “Temos vídeos mostrando ela em diversos restaurantes de São Paulo e passeando com o namorado pela cidade.” A partir das evidências, o delegado afirma que Patrícia Lelis será indiciada por denúncia caluniosa e extorsão. “Eu nunca vi gente ameaçada de morte ir fazer unha, cabelo e maquiagem. Temos provas de que ela foi fazer tudo isso”, diz o delegado. Patrícia esteve em São Paulo no dia 30 de julho. Três dias depois, começaram a circular áudios da jovem incriminando Feliciano por tentativa de estupro.

O advogado de Patrícia, José Carlos Carvalho, afirmou nesta sexta-feira que ela não tem recursos financeiros para ir a São Paulo prestar depoimento, como requer o delegado. “Ela não tem dinheiro pra ir a São Paulo, e ele [o delegado] sabia disso”, afirmou. “Ele pode enviar uma precatória para ela ser ouvida aqui em Brasília”, sugere. Já o delegado afirma que está “pleiteando” que Patrícia preste depoimento em São Paulo. “Se ela não vier, eu vou pedir a prisão temporária dela”, disse. Não há um prazo para que isso ocorra.

Se Patrícia, de fato, mentiu sobre a acusação de cárcere privado, isso enfraquece parte das denúncias feitas pela jovem contra o pastor Feliciano. Mas ainda não está provado que a suposta tentativa de estupro tenha sido inventada pela garota. São acusações diferentes, que fazem parte de uma história que já teve muitas idas e vindas.

Primeiro, começaram a circular áudios em que ela denuncia Marco Feliciano por tentativa de estupro. Patrícia afirmava que o deputado teria oferecido um salário de cerca de 15.000 reais caso ela aceitasse se tornar a amante dele. Depois disso, ela grava um vídeo dizendo que as notícias foram todas inventadas porque “está em época de eleição”. Ela diz que Feliciano é uma pessoa “íntegra” com quem ela tem um “contato muito bom”.

Na sequência, Patrícia afirma que está sendo ameaçada por Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano e que, por isso, foi forçada a gravar o vídeo desmentindo a acusação. Ela registra um boletim de ocorrência em São Paulo, onde presta depoimento. Bauer então é detido, mas liberado no mesmo dia – sexta-feira da semana passada – após prestar depoimento. À TV Globo, Bauer disse que tinha ido prestar esclarecimentos “sobre uma menina que veio fazer uma falsa comunicação de fatos”. No dia seguinte, Feliciano se pronuncia pela primeira vez sobre o caso, em um vídeo, e diz que Patrícia inventou o episódio do assédio, mas que perdoa a jovem.

Porém, no início desta semana, começaram a circular na Internet áudios e vídeos de supostas negociações entre Patrícia e Bauer. Em um deles, Patrícia diz que quer continuar no PSC e pergunta se querem oferecer dinheiro a ela pelo silêncio. Um outro vídeo mostra Patrícia dizendo um amigo que recebeu apenas 10.000 reais, e Bauer afirma que tinha dado 50.000 reais a ela.

É possível então concluir que houve negociações entre Patrícia e Bauer, em valores em dinheiro. Mas ainda não é possível saber por que razão. Se a acusação de tentativa de estupro é caluniosa, ao redor do que giram essas negociações?

No final da entrevista com o delegado Luiz Roberto Hellmeister, feita por telefone, ele levanta uma suspeita. “Ela pode inclusive ter problemas, pode ser imputável”. Mas não fala mais sobre isso. A reportagem tentou entrar em contato com Patrícia, mas, segundo seu advogado, ela estaria sem voz “após todas as entrevistas que ela deu nesta semana”.

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