Rio faz ardente abertura dos Jogos2o16…


…e Sabatella espalha brasa em Curitiba.

ARTIGO DA SEMANA

Brasas políticas no agosto olímpico: De Wagner a Sabatella

Vitor Hugo Soares

“Ouçamos o provérbio chinês: “Há três pontos de vista: o meu, o teu e o verdadeiro”

(Ulysses Guimarães)

Não há Jogos Olímpicos do Rio 2016 que abafem: Sobem de tom e ganham amplitude os ruídos e desavenças, decorrentes das manobras de todo tipo, nas fases mais agudas da Lava Jato e do impeachment da presidente Dilma Roussef. Da Bahia a Curitiba, de Natal a São Paulo, de Brasília a Genebra ou Madri, fatos e abalos políticos mexem com os nervos do país, em busca de saídas, e se multiplicam e afunilam acima das querelas de Eduardo Paes na Vila Olímpica ou de outros disfarces quaisquer.

A troca de presos nas operações seguem firmes à caça de corruptos e corruptores onde quer que se escondam. O ex-presidente Lula e o ex-ministro Paulo Bernardo, pilares do petismo em queda e rápida desagregação, viram réus emblemáticos no centro da babel. São grandes solavancos políticos da complicada transição julho-agosto, na hora em que se instala, também, a Olimpíada na “Atlântida” carioca – para usar a metáfora visionária dos versos do rock de Rita Lee e Roberto de Carvalho .

Vale um interlúdio para recordar e reproduzir no meio das linhas deste artigo semanal de opinião, a íntegra da profética composição, quando se olha para o Brasil destes dias.

“Atlântida, reino perdido/ De ouro e prata, misteriosa cidade/ Atlântida, terra prometida, dos semideuses, das sereias douradas./ Eu sou o pescador que parte toda manhã/ em busca dos tesouros perdidos no fundo do mar./ Desde o Oiapoque até Nova Iorque se sabe/ Que o mundo é dos que sonham/ E toda lenda é pura verdade”. Pura sabedoria!!!

Nesta encruzilhada de agosto pululam fatos, versões e opiniões por todo lado, em meio a ameaças e trocas de tabefes e agressões virtuais ou factuais de sempre, de uns tempos para cá. E o furdunço geral reaviva, igualmente, a memória de Ulysses Guimarães e a presença marcante e igualmente atual do seu pensamento, nesta quadra da vida nacional.

Na edição brasileira do jornal espanhol El Pais, a atriz Letícia Sabatella dá entrevista exclusiva em espaço generoso e de expressiva repercussão dentro e fora do país, ainda mais embalada por inflamados frequentadores das redes sociais, a favor ou contra. Na conversa com a repórter Camila Moraes, a atriz mineira, famosa pelos papéis de doce e ingênua mocinha que interpretava, nas novelas da Globo, agora se expressa como indignada militante, com a faca nos dentes.

A antiga musa que comoveu o País ao postar-se ao lado do bispo Dom Flávio Cápio, da diocese baiana de Barra, na luta contra a transposição do exangue Rio São Francisco (o rio da minha aldeia), tocada a ferro e fogo no governo petista de Lula, dá agora explicações sobre o bafafá em que se envolveu (ou teria provocado?), a exemplo do que asseguram inúmeras testemunhas do protesto pró Lava Jato e a favor do impeachment, na capital paranaense, domingo passado.

Sabatella, que se declara “de oposição ao governo Dilma”, prestou queixa na polícia de Curitiba, cidade onde reside atualmente, afirmando ter sido atacada verbal e fisicamente por manifestantes que a teriam cercado em uma praça no centro, enquanto ela registrava tudo em vídeo, apesar das advertências de policiais de estar cometendo “uma provocação”

No El País, a atriz nega qualquer ato provocativo da parte dela, e acusa: “Estamos vivendo um exercício de intolerância e autoritarismo muito grandes. As pessoas estão sendo incitadas a isso por vários discursos de ódio no nosso país. E acabam achando que esse é um modo cidadão de ser politizado. Como se fosse uma torcida ensandecida de futebol. É acreditar que para viver bem, o outro, diferente de você, não pode viver. Isso é o mais doloroso”, diz a artista.

Corte para Salvador, no ambiente esquentado da convenção do PC do B, que bateu o martelo pela aprovação da chapa oposicionista à prefeitura da capital, encabeçada pela deputada federal comunista Alice Portugal, tendo como vice a petista deputada estadual Maria Del Carmen. Terão pela frente, o encardido desafio de enfrentar ACM Neto, do DEM, disparado na aprovação das pesquisas, na campanha de reeleição.

A candidata Alice joga gasolina em seu discurso: “Quem não teve medo de enfrentar o avô (Antonio Carlos Magalhães), não vai ter medo de enfrentar o neto”. A petista Olívia Santana, derrotada por Neto, como vice do pleito passado, na chapa do deputado Nelson Pelegrino (PT), risca o fósforo: “Vamos ter de tirar o netinho do Palácio Tomé de Souza no pau!”. No fim, Jaques Wagner, ex- governador da Bahia, e ministro afastado da Casa Civil do governo Dilma, espalha a brasa: “o menino brilhantina e perfumaria (ACM Neto) não resolve a situação de vocês. É preciso ir para cima, para o cacete, nacionalizar a campanha em Salvador e mostrar que o prefeito foi um dos principais articuladores do “golpe” contra Dilma”. Ao lado, grita Alice: “Golpinho”, agressiva referência ao tamanho físico de ACM Neto, o que já custou caro a Dilma e Wagner na eleição passada, em Salvador.

Pura delicadeza! Ou não? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares, jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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