Maravilha da vegetação no Raso da Catarina


Raso da Catarina fora da Rio 2016

Janio Ferreira Soares

Leio nos jornais que uma empresária gaúcha lidera um movimento chamado “ O Sul é Meu País”, que tem como objetivo a separação do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do resto do Brasil. A ideia é aproveitar as eleições de 2 de outubro e fazer um plebiscito paralelo, quando os organizadores esperam contar com mais de 1 milhão de pessoas votando na proposta. Embora sem amparo legal, o grupo dissidente já avisou que, se o resultado for favorável ao rompimento, eles pretendem apelar à ONU para o reconhecimento do novo território. Beleza.

Velho sugestionado que sou por idiotices autenticadas pelas digitais dos cascos de quem as pratica, entrei na onda e também estou criando um país só meu, pautado por uma constituição que já está sendo escrita com a ajuda de uma meia dúzia de parceiros (e futuros ministros, claro!) que dividem comigo uma mesa sob um tamarineiro numa roça no Raso da Catarina, a propósito, local escolhido por unanimidade para sediar a futura sede dessa jurisdição que em breve se inicia.

Misto de democracia com algumas tendências anárquicas e uma ou outra prática ditatorial (Pokémon Go no meu terreiro, é o cacete!), um dos debates mais acalorados e até agora sem solução, diz respeito ao modelo de nossa bandeira. Entre doses de Germana e colheradas de sarapatel, neguinho teve até a ousadia de apresentar uma flâmula com a foto da mãe de Michelzinho nos tempos de Miss Paulínia, com a frase, num latim de boteco: “Libertatem a mulier de timere”, que um mais afoito traduziu como: “a mulher de Temer é muito gostosa!”.

Só sinto não ter concluído o processo de fundação da República do Raso da Catarina a tempo de alguns dos nossos valorosos atletas participar da Rio 2016, notadamente Dionizio, um caboclo torado e desdentado que treina há mais de ano correndo atrás de pequenos animais, e que já se considerava pronto para humilhar o velocista jamaicano Usain Bolt, com a seguinte teoria: “num tá com a peste dele ser mais ligeiro que um tatu!”. Boas Olimpíadas.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na porta de entrada do Raso da Catarina.

Vai para Janio, cronista brilhante do BP, futuro presidente da República do Raso da Catarina.Voto garantido de um saudoso filho ausente das bandas de lá. Ainda com o gosto inesquecível de muricí pisado com rapadura na boca.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Rio faz ardente abertura dos Jogos2o16…


…e Sabatella espalha brasa em Curitiba.

ARTIGO DA SEMANA

Brasas políticas no agosto olímpico: De Wagner a Sabatella

Vitor Hugo Soares

“Ouçamos o provérbio chinês: “Há três pontos de vista: o meu, o teu e o verdadeiro”

(Ulysses Guimarães)

Não há Jogos Olímpicos do Rio 2016 que abafem: Sobem de tom e ganham amplitude os ruídos e desavenças, decorrentes das manobras de todo tipo, nas fases mais agudas da Lava Jato e do impeachment da presidente Dilma Roussef. Da Bahia a Curitiba, de Natal a São Paulo, de Brasília a Genebra ou Madri, fatos e abalos políticos mexem com os nervos do país, em busca de saídas, e se multiplicam e afunilam acima das querelas de Eduardo Paes na Vila Olímpica ou de outros disfarces quaisquer.

A troca de presos nas operações seguem firmes à caça de corruptos e corruptores onde quer que se escondam. O ex-presidente Lula e o ex-ministro Paulo Bernardo, pilares do petismo em queda e rápida desagregação, viram réus emblemáticos no centro da babel. São grandes solavancos políticos da complicada transição julho-agosto, na hora em que se instala, também, a Olimpíada na “Atlântida” carioca – para usar a metáfora visionária dos versos do rock de Rita Lee e Roberto de Carvalho .

Vale um interlúdio para recordar e reproduzir no meio das linhas deste artigo semanal de opinião, a íntegra da profética composição, quando se olha para o Brasil destes dias.

“Atlântida, reino perdido/ De ouro e prata, misteriosa cidade/ Atlântida, terra prometida, dos semideuses, das sereias douradas./ Eu sou o pescador que parte toda manhã/ em busca dos tesouros perdidos no fundo do mar./ Desde o Oiapoque até Nova Iorque se sabe/ Que o mundo é dos que sonham/ E toda lenda é pura verdade”. Pura sabedoria!!!

Nesta encruzilhada de agosto pululam fatos, versões e opiniões por todo lado, em meio a ameaças e trocas de tabefes e agressões virtuais ou factuais de sempre, de uns tempos para cá. E o furdunço geral reaviva, igualmente, a memória de Ulysses Guimarães e a presença marcante e igualmente atual do seu pensamento, nesta quadra da vida nacional.

Na edição brasileira do jornal espanhol El Pais, a atriz Letícia Sabatella dá entrevista exclusiva em espaço generoso e de expressiva repercussão dentro e fora do país, ainda mais embalada por inflamados frequentadores das redes sociais, a favor ou contra. Na conversa com a repórter Camila Moraes, a atriz mineira, famosa pelos papéis de doce e ingênua mocinha que interpretava, nas novelas da Globo, agora se expressa como indignada militante, com a faca nos dentes.

A antiga musa que comoveu o País ao postar-se ao lado do bispo Dom Flávio Cápio, da diocese baiana de Barra, na luta contra a transposição do exangue Rio São Francisco (o rio da minha aldeia), tocada a ferro e fogo no governo petista de Lula, dá agora explicações sobre o bafafá em que se envolveu (ou teria provocado?), a exemplo do que asseguram inúmeras testemunhas do protesto pró Lava Jato e a favor do impeachment, na capital paranaense, domingo passado.

Sabatella, que se declara “de oposição ao governo Dilma”, prestou queixa na polícia de Curitiba, cidade onde reside atualmente, afirmando ter sido atacada verbal e fisicamente por manifestantes que a teriam cercado em uma praça no centro, enquanto ela registrava tudo em vídeo, apesar das advertências de policiais de estar cometendo “uma provocação”

No El País, a atriz nega qualquer ato provocativo da parte dela, e acusa: “Estamos vivendo um exercício de intolerância e autoritarismo muito grandes. As pessoas estão sendo incitadas a isso por vários discursos de ódio no nosso país. E acabam achando que esse é um modo cidadão de ser politizado. Como se fosse uma torcida ensandecida de futebol. É acreditar que para viver bem, o outro, diferente de você, não pode viver. Isso é o mais doloroso”, diz a artista.

Corte para Salvador, no ambiente esquentado da convenção do PC do B, que bateu o martelo pela aprovação da chapa oposicionista à prefeitura da capital, encabeçada pela deputada federal comunista Alice Portugal, tendo como vice a petista deputada estadual Maria Del Carmen. Terão pela frente, o encardido desafio de enfrentar ACM Neto, do DEM, disparado na aprovação das pesquisas, na campanha de reeleição.

A candidata Alice joga gasolina em seu discurso: “Quem não teve medo de enfrentar o avô (Antonio Carlos Magalhães), não vai ter medo de enfrentar o neto”. A petista Olívia Santana, derrotada por Neto, como vice do pleito passado, na chapa do deputado Nelson Pelegrino (PT), risca o fósforo: “Vamos ter de tirar o netinho do Palácio Tomé de Souza no pau!”. No fim, Jaques Wagner, ex- governador da Bahia, e ministro afastado da Casa Civil do governo Dilma, espalha a brasa: “o menino brilhantina e perfumaria (ACM Neto) não resolve a situação de vocês. É preciso ir para cima, para o cacete, nacionalizar a campanha em Salvador e mostrar que o prefeito foi um dos principais articuladores do “golpe” contra Dilma”. Ao lado, grita Alice: “Golpinho”, agressiva referência ao tamanho físico de ACM Neto, o que já custou caro a Dilma e Wagner na eleição passada, em Salvador.

Pura delicadeza! Ou não? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares, jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA E VIVA O RIO DE TODAS AS DIVERSIDADES!!!

(Vitor Hugo Soares


A bandeira içada no Maracanã
ANDREW BOYERS REUTERS

DO EL PAIS

David Alandete

Quando a popular atriz de cinema e televisão Regina Casé subiu ao palco do Maracanã esta noite para proclamar que o “Rio é diversidade”, já ficara claro que esse valor fundamental da nação brasileira seria o tema central e único da cenografia idealizada por Fernando Meirelles, o aclamado diretor de Cidade de Deus.

Tão angustiante foi a contagem regressiva dos Jogos para os desmoralizados brasileiros, temerosos de qualquer tragédia na organização, que segundos antes do início da cerimônia as redes sociais ainda fervilhavam de imagens do estádio em que se buscava de forma obcecada cadeiras vazias para mostrar um iminente fracasso.

Mas durante cerca de uma hora e meia o Brasil se permitiu um respiro. A crise política e a recessão econômica ficaram do lado de fora do Maracanã –certamente lotado—para dar lugar à celebração da heterogeneidade e vitalidade do país. Houve orgulho, muito orgulho de fato, por parte de um país que conheceu poucos motivos para isso nos últimos meses.

A evolução do evento se deu de uma forma estranhamente caótica, a anos-luz da coreografia industrial de Pequim de oito anos atrás ou da fleuma de Londres em 2012. Meirelles repassou a história do Brasil desde a sua antiguidade como um paraíso virgem até a construção do fascinante mar de concreto que é, hoje em dia, São Paulo. Viram-se alguns tópicos, é verdade, mas para poucos países esses tópicos caem tão como para este.

Houve um momento em que se demonstrou claramente que uma cerimônia como essa só poderia acontecer em um lugar como o Brasil: a top model Gisele Bundchen com um vestido de noite prateado desfilando no centro do estádio ao ritmo de Garota de Ipanema de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Porque, de fato a beleza e a bossa nova, assim como outras formas consagradas de arte que também foram contempladas, são essenciais para o Brasil.

A cerimônia, por exemplo, começou expondo mosaicos inspirados nos do artista Athos Bulcão, nascido no Rio e consagrado em Brasília, capital erguida do nada nos anos 50 do século XX. A bandeira nacional foi içada enquanto Paulinho da Viola cantava o hino nacional sobre uma plataforma que poderia muito bem ter sido desenhada pelo gigante da arquitetura Oscar Niemeyer, falecido no Rio em 2012.

Entre outras coisas, os Jogos podem significar um pretexto para que uma nação ganhe em autoestima e promova a sua imagem perante o mundo. Nesta noite, o Brasil demonstrou que tem motivos para alimentar o orgulho nacional. Só falta, agora, que esse espírito tão olímpico penetre para além destas competições. E isso é algo muito mais difícil.

ago
06
Posted on 06-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-08-2016


Jorge Braga, no jornal O Popular (GO)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Rui remete ao autoritarismo com acusação

Ninguém, em Salvador e na Bahia, jamais conseguirá, nem de longe, ter ao menos um terço do poder que alcançou o falecido senador Antonio Carlos Magalhães.

A razão é que ele estabeleceu seu domínio como um dos homens fortes da ditadura militar, estendendo-o por muitos anos no Estado mesmo após a redemocratização.

Para isso perseguiu adversários, numa cultura que ficou para trás. Não se concebe na sociedade moderna que o detentor de poder público vire-o contra a coletividade.

Por isso, é grave a acusação do governador Rui Costa de que a Prefeitura deliberadamente dificulta o andamento de obras estaduais em Salvador.

Conflito eleitoral à parte, é um governador dizendo muito mal de um prefeito de capital, o que convida ACM Neto a uma consideração que vá além das explicações de secretários.

O prefeito, como conduz a carreira, presumivelmente não se deixaria inocular pelo vírus do autoritarismo, o que estaria configurado pelo uso privado da estrutura oficial. É um canto de sereia ao qual não se deve sucumbir.

O felino eleitoral acuado reage

O governador tem intenção de perturbar ao máximo a reeleição do prefeito. Quis, na sua intervenção, despir-se de ranço ideológico ou político-partidário, tendo destacado o clima de entendimento com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, do mesmo DEM de ACM Neto.

Até a conotação pessoal foi afastada por Rui Costa, que não se referiu exatamente ao prefeito no seu ataque, mas à troca de Luiz Carreira por Moysés Andrade no secretariado municipal, debitando ao pessoal a situação, não a, digamos, orientação administrativa.

O governo do Estado investiu e continua investindo em Salvador, e isso necessariamente é matéria-prima para a propaganda e o convencimento do eleitor. Não será vital que vença, mas que os votos, pelo menos, venham em quantidade proporcional ao esforço empreendido.

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