DEU NO G1/ O GLOBO

A Comissão Especial do Impeachment aprovou em sessão nesta quinta-feira (4), por 14 favoráveis e 5 contrários, o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que diz que a presidente afastada Dilma Rousseff cometeu ilegalidades e recomenda que o caso seja levado a julgamento final.

Com a decisão, se encerraram os trabalhos da Comissão de Impeachment. A sessão durou quase três horas, e 22 senadores discursaram. O parecer do relator Anastasia será agora votado pelo plenário principal do Senado em sessão prevista para a próxima terça-feira (9). Se a maioria simples dos senadores também aprovar o relatório de Anastasia, Dilma será levada a julgamento final, com início previsto para o final deste mês.

Dos 21 integrantes da comissão, 20 tinham direito a voto, porque Raimundo Lira, presidente do colegiado, só votaria em caso de empate. No entanto, foram registrados somente 19 votos porque o senador Wellington Fagundes (PR-MT) não compareceu à votação por motivos pessoais e suplente dele, Eduardo Amorim (PSC-SE), também não estava presente.

No relatório apresentado na última terça (2), o senador tucano acolhe partes da denúncia elaborada pelos juristas Miguel Reale Júnior, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo; e diz que Dilma agiu em “atentado à Constituição” ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” (atraso de pagamentos da União a bancos públicos que controla para execução de despesas). Na visão do relator, “pedaladas” configuraram empréstimos, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Para Anastasia, a petista também desrespeitou o Legislativo ao editar três decretos de crédito suplementar – que impactaram a meta fiscal – sem autorização do Congresso.

Defesa de Dilma
A defesa de Dilma nega que a petista tenha praticado crime de responsabilidade e afirma que, no relatório, Anastasia não conseguiu se libertar da “paixão partidária”. Por isso, o tucano se sentiu “obrigado” a reproduzir a tese, defendida pelo PSDB, de que Dilma praticou ilegalidades.

Os advogados da petista também dizem que o processo de impeachment tem “motivação política” e foi aberto em um ato de desvio de poder do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de parlamentares insatisfeitos com o governo da presidente afastada.

A sessão
Antes de iniciar o encaminhamento dos votos na sessão desta quinta-feira, o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), disse que o processo no Senado acumula mais de 13 mil páginas. Ao todo, incluindo os volumes da Câmara, já são mais de 25 mil páginas.

“Todos esses dados dão dimensão da intensidade do esforço realizado, mas o verdadeiro alcance do significado de trabalho não se resume a estatísticas, vivemos momento histórico, de importância ímpar”, disse Raimundo Lira.

O presidente da comissão também disse que o amplo direito de defesa foi respeitado e que os trabalhos da comissão foram pautados pela “calma, equilíbrio e imparcialidade”.

Manifestações dos senadores
O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) foi o primeiro a encaminhar a votação. Favorável ao impeachment o parlamentar disse que Dilma Rousseff “não honrou” o voto do eleitor brasileiro.

“[Dilma] não atentou apenas contra as leis fiscais e orçamentárias, atentou contra a probidade administrativa, se valendo do dolo, da farsa, da fraude para governar. Permitiu que estatais, bancos, fossem arrombados pra financiar projeto de poder”, declarou.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) reconheceu que o processo de impedimento é “doloroso” ao país, mas disse que “ninguém está acima da lei” ao cometer ilegalidades e, por isso, Dilma deve ser afastada.

O senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, foi o primeiro a dizer que vai votar contra o relatório de Antônio Anastasia. Ele defendeu a presidente afastada Dilma Rousseff e disse que edição de decretos sem autorização do Congresso e “pedaladas” sempre aconteceram, mas nunca foram punidos.
“Isso aqui [o processo] é mero formalismo, o que estamos fazendo é dando ‘pedalada’ constitucional, passando por cima da Constituição para atender a um projeto político. Querem vencer no parlamento porque não conseguem vencer nas urnas”, disse o petista.

Amiga da presidente Dilma Rousseff, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) fez críticas ao partido à qual é filiada que, segundo ela, “lutou” para fazer parte do governo Dilma e, agora, diz que a gestão dela é ruim.

Abigail:

Neste 4 de agosto, data feliz de seu aparecimento no mundo, além de mandar parabéns e votos da mais completa felicidade para você, dedicamos esta canção de esperança que embalou a sua geração, junto aos votos de que cada verso represente a renovação das promessas de esperanças, alegrias, saúde e paz. Viva, maninha!!!

(Hugo e Margarida)

Equívoco

A coluna Tempo Presente, de A Tarde, na edição da anteontem, atribuiu erroneamente ao escritor Antonio Lins a autoria de um epigrama do falecido escritor Lafaiete Spínola.

Repetimo-lo, para deleite dos leitores: “O jornal, ao teu artigo,/ deu destaque singular/ com intuito, meu amigo,/ de te desmoralizar”.

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Epigrama

Prefeitáveis perdem a paz
E uma dupla crise temos:
Um, com vices demais,
Outra, com vices de menos.

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Branco no preto; preto no branco

Como há branco se passando por negro para ser beneficiado pela política de cotas, o “governo decidirá se candidato que se diz negro em concurso é negro”, de acordo com a manchete da Folha. Ou seja, uma comissão se encarregará de verificar se a aparência do candidato confere com a sua autodeclaração.

Ouvido pelo jornal, o diretor da ONG Educafro, frei David Santos, disse o seguinte: “Anos atrás, éramos uníssonos no apoio à autodeclaração. É grande o número de negros com vergonha de assumir a negritude, então seria um bom instrumento para fazê-los acordar. Mas notamos que brancos espertos acordaram antes”. Sim, você leu certo: “brancos espertos acordaram antes”.

A discussão, no entanto, foi acesa. Oscar Vilhena, da FGV, acha ilegal essa história de verificar se negro é mesmo negro, porque “a lei permite aferição só no caso de denúncia”. Floriano de Azevedo Marques, da USP, não acha que seja ilegal, mas afirma que a aferição pode resultar em “risco de racismo, ao criar um padrão de quem é negro, além de expor as pessoas ao constrangimento”.

Se você acha que tudo isso virou um samba do doido politicamente correto, ainda falta citar o lead da reportagem: “O governo federal passará a verificar se os candidatos que se declaram negros para disputar concursos públicos para cargos federais por meio do sistema de cotas são realmente pretos ou pardos”. Sim, o redator escreveu “pretos” para não repetir a palavra “negros” na mesma frase. Ele deve ter levado um puxão de orelha do ombudsman da Folha.

ago
04
Posted on 04-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-08-2016


Jarbas, no Diário de Pernambuco


Atletas olímpicas japonesas comem no McDonald’s da Vila Olímpica.
Robert F. Bukaty AP

DO EL PAIS

Eleonora Giovio

Rio de Janeiro

As torres dos edifícios da Vila Olímpica do Rio não são tão feias como parecem nas fotos. Para chegar à casa dos atletas, leva-se 10 minutos de ônibus a partir do centro de imprensa. As primeiras bandeiras avistadas são da Sérvia. São as maiores junto com as da Eslovênia, Cazaquistão, Cuba, Eslováquia e Azerbaijão. A torre dos atletas brasileiros está mais escondida, perto dos prédios da Austrália e da Espanha. Os italianos são reconhecidos pelos óculos de sol e porque levam as cores da sua bandeira até nos tênis.
Olimpíadas Rio 2016
Atletas olímpicas japonesas comem no McDonald’s da Vila Olímpica. Robert F. Bukaty AP

Há russos fazendo filas no banco, ucranianos tirando selfies –caso de não dê tempo de ir pessoalmente – diante de um gigantesco cartaz do Cristo Redentor e das praias de Ipanema e Copacabana. E há outros, muitos, fazendo fila para entrar no McDonald’s por volta de 12h. Assim que se chega à zona de recreação dos atletas na Vila, o cheiro é de hambúrguer e batata frita. Há um banco, uma agência dos Correios, uma tenda para tirar fotos curiosas com óculos coloridos, chapéus e outros objetos pitorescos – como nos casamentos. Há um salão de beleza, uma floricultura, uma lavanderia, uma sala de realidade virtual –alguns atletas, com óculos especiais, berram em suas poltronas –, um supermercado, uma agência que vende ingressos para as competições e, na parte final, uma zona com areia, espreguiçadeiras, guarda-sóis e uma quadra de vôlei de praia. Nesta manhã, está tomada por um grupo da delegação polonesa.

Ao longo de todo o passeio há grama artificial e banquetas coloridas. Respira-se – batatas fritas à parte – um bom ambiente. “De todas as Vilas nas quais estive, esta é a que mais gostei. Dentro há coisas inacabadas, mas tem muito verde, muitas áreas para passear, e cada edifício tem piscina”, conta Guillermo Molina, jogador espanhol de polo aquático, em sua quarta Olimpíada. Seu colega Daniel López e ele já marcaram hora no salão de beleza. “Na verdade é para cortar o cabelo. Não pudemos ir no dia 2, quando tínhamos hora, e agora está tão lotado que até o dia 12 não sobra nada”, diz López. Carlota Salvatella, Xantal Gine e Cristina Guinea, da equipe espanhola de hóquei sobre grama, também ficaram frustradas ao tentar marcar hora na manicure. “Também está muito cheio, porque nos disseram que muitas marcaram para fazer as unhas com as cores dos seus países e as exibir na cerimônia”, conta uma delas.

Neste centrinho há tudo o que atletas e treinadores podem precisar. O refeitório fica na outra parte. É uma tenda enorme, com mais de 200 metros de comprimento. “E mesmo assim se formam filas…”, dizem os rapazes do polo. “Se você se perder lá dentro e precisar encontrar alguém será impossível”, diz Cristina. As três se queixam de que há pouca variedade de comida e que todos os dias é sempre a mesma. O refeitório foi dividido por setores, segundo o tipo de cozinha: italiana, brasileira, asiática, chinesa, indiana. “Vamos à italiana pela pizza e pela massa. E à asiática – tem um yakissoba e um frango que são ótimos”, acrescenta. Já viram algum grande astro? “Umas colegas viram o Phelps. Nós, Nadal e Djokovic”, dizem. Acabam de perder Lochte passeando com seu novo cabelo prateado.

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