Geoffrey Robertson: o advogado australiano de Lula…


…e Paes :depois dos cangurus as desculpas com
os atletas da Austrália no Rio.

ARTIGO DA SEMANA
Paes, Lula e Cangurus: Itararé nos jogos do Rio

Vitor Hugo Soares

Entre um capítulo e outro da novela “Velho Chico”(o rio da minha aldeia), tenho acompanhado, também, com atenção, cada lance das presepadas (para usar uma expressão bem soteropolitana que o folhetim do coronel Saruê na TV repôs no dia a dia) do prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), nestes dias pré-olímpicos de julho no Brasil. A desta semana foi a “guerra dos cangurus”, declarada contra atletas da delegação da Austrália, que reclamaram contra precariedades dos alojamentos a eles destinados na Vila Olímpica dos Jogos do Rio.

Sigo tudo isso de Salvador, à beira da esplêndida Baia de Todos os Santos. Portanto, em cômoda posição de observador: a mais de mil e seiscentos quilômetros de distância da não menos espetacular Baia da Guanabara (apesar das toneladas de sujeiras, dos engodos e desenganos, que as duas preciosidades da natureza, tão generosa com o país, escondem nas suas profundezas. Ou que exibem, dramaticamente, em suas superfícies, depois de anos e anos de abandono e malfeitos de seus administradores públicos e aproveitadores privados.

Maldades e desvios históricos acumulados, que exigiriam uma Lava Jato – e um juiz Sérgio Moro à frente com a Polícia Federal no apoio decidido – para por cobro a tamanho descalabro. Enquanto algo assim não acontece, o histriônico prefeito carioca vai esgotando o seu estoque de manjadas malandragens. Fenômeno, aliás, bastante parecido com o que acontece com o seu notório aliado e amigo do peito – o ex-presidente Lula (os dois tarimbados especialistas na arte de morder para depois assoprar). À exemplo do que ficou demonstrado, também, na mais recente e patética passagem pelo Nordeste do ex-todo-poderoso mandatário do país, fundador do PT. O fraseado repetitivo e “dejá vu” não mais empolga. Dá sinais de ter perdido o velho charme.

Antigas piadas perderam a graça. As desgastadas mágicas não guardam mais segredos, não funcionam mais nem deslumbram o público como antes.

Provavelmente por estes motivos, ao tempo em que o MST e outros aliados e assessores anunciam novo périplo pelo Nordeste do ex-presidente (em palpo de aranha com a Lava Jato e outras operações policiais de investigação), Lula trata de reforçar seu repertório de apelos e truques políticos e pessoais. Vai testar nos palanques do novo tour nordestino, marcado para começar no dia 3 de agosto, em Porto Seguro, na Zona do Descobrimento, no sul baiano, com o propósito de reforçar candidatos petistas e “dos movimentos sociais”, na campanha municipal que se aproxima. E, evidentemente, defender-se a si próprio.

Esta semana, Lula conseguiu surpreender muita gente, ao recorrer na quinta-feira, 28, ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o que considera “violações da Operação Lava Jato” cometidas contra ele. Os advogados do ex-mandatário protocolaram petição em Genebra, na Suíça, na qual destacam “supostos abusos de poder cometidos pelo juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba”, conforme assinala o jornal espanhol El Pais. “Lula está recorrendo à ONU, porque ele não conseguiu Justiça no Brasil sob o sistema inquisitorial em vigor”, justifica o advogado anglo-australiano Geoffrey Robertson, um dos assinantes da petição, famoso por sua atuação na defesa do boxeador Mike Tyson e do ativista Julian Assange, do Wikileaks, atualmente refugiado na sede da embaixada do Equador, em Londres.

Sem dúvida, um lance internacional caro e de alto risco para Lula, ao buscar ressonâncias e respaldos fora do país, para os dilemas graves de ordem política e moral que ele enfrenta aqui dentro.

O juiz Sérgio Moro, de comprovada capacidade técnica e notório rigor ético e jurídico, hoje um nome de renome e reconhecimento mundial, seguramente não será uma presa fácil neste jogo. Mesmo estando à frente dos peticionários, em defesa do petista, o afamado advogado anglo- australiano. E estamos de volta à “guerra dos cangurus” do começo deste artigo. No caso de Eduardo Paes, o prefeito do Rio vai tentando levar na valsa as críticas severas, suspeitas e acusações que se acumulam contra ele às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos, com repercussão internacional. Ou na base do samba de breque, mais de acordo com o gosto dos antigos malandros das gafieiras do boêmio bairro da Lapa, onde praticamente tudo se resolvia em volta de alguns copos de cerveja ou entre goles de cachaça

Incomodado com as reclamações dos atletas quanto aod alojamentos, reagiu com uma “tirada” que, provavelmente, teria feito sucesso em outro tempo e em outras circunstâncias em terras cariocas. Disse que poderia “mandar buscar uns cangurus para ficar pulando na frente da Vila Olímpica, e assim agradar aos visitantes”. Pegou mal, muito mal, como se viu. A reação em cadeia, alertou o prefeito, amigo de Lula. para o perigo. E logo, Paes tratou de providenciar uma patética cerimônia midiática, para pedir desculpas públicas aos visitantes. E tudo terminou em pizza, ou, para ser exato, em troca de presentes e beijinhos no rosto de parte a parte. Uma espécie de Itararé, a batalha que não aconteceu.

O ex-governador Leonel Brizola, ao retornar do longo exílio político que enfrentou, costumava dizer que, em suas viagens pelo mundo, jamais encontrou país tão parecido com o Brasil quanto a Austrália, nem povo tão parecido com o brasileiro, quanto o australiano. Então até correu a frase (não tenho certeza se de autoria do ex-governador do Rio, notável frasista político): “A Austrália é o Brasil que deu certo”. Só sei que, esta semana, algumas semelhanças ficaram evidentes, embora não da forma mais apropriada, como Brizola preconizava em suas entrevistas e discursos. Vamos ver, agora, no caso do advogado australiano que irá defender Lula na ONU. Mas isto é outra história, na qual o oponente será o juiz Sérgio Moro. É bom tirar os cangurus do meio. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 30 julho, 2016 at 8:18 #

Caro VHS

A parasitologia nos leva à definição de patógenos fastidiosos, ou seja, aqueles que necessitam de condições e nutrientes específicos para seu desenvolvimento.

É o caso de Luís Inácio Lula da Silva.

Quantas loas e salamaleques inoportunos, indecentes, inconsequentes, foram servidas a este “molúsculo oportunista”?

Cardeais exuberantes, como Arns; políticos exaustos, como Pires; artistas “ídiodidatas”, como Abreu; viúvas, de todo gênero; carentes, de toda espécie; afoitos, de bares obscuros; aflitos, de bares senis; dândis, de bares midiáticos; entre outras vertentes de psicoses e psicóticos, formaram o séquito de garçons submissos, ávidos de sua liderança vil.

O caldo de cultura foi enriquecedor, o “namorado de Rose” locupletou-se a sorrelfa, fingindo ser o aculturado redentor.

Agora, nu e exposto, produz engulhos, causa disenteria em flácidas figuras, ditas éticas.

Seus apoiadores, avalistas, arautos, mistificadores de plantão, são menos nocivos?

Haveria o lulismo sem este caldo de cultura infecto e prestimoso?

Responda quem souber, ou melhor, responda quem quiser!

Tim Tim!!!
(com copo baixo e desinfectado)


luís augusto on 30 julho, 2016 at 8:27 #

Parabéns, Vitor, você faz um texto força de poesia, como na abordagem da poluição das baías, submersa ou não.

Dá, para mim, a mais sintética e perfeita definição da situação de Lula, que muitos ainda pensam poder voltar à presidência: “Antigas piadas perderam a graça”.

E o final com a lembrança de Brizola e as costumeiras referências à Austrália, que ele tinha como exemplo, me causa nostalgia.

Tantas bandeiras que ele defendia foram perseguidas, menosprezadas, agredidas e combatidas, até pelos petistas, que na guerra eleitoral e falsamente ideológica classificavam os Cieps de “pensões”.

Ainda outro dia tive esse sentimento justamente a partir da notícia de que os ingleses mandaram uma equipe estudar o projeto dos Cieps para adotar por lá.

Nem tive vontade de publicar ou comentar, faço-o agora por mais um desabafo irracional, porque é só tristeza que tenho em momentos assim.

Naquele tempo, quando nós e muitos outros brigávamos para mostrar e defender um novo tipo de educação no Brasil, não fomos ouvidos. Não é agora que, pequenininhos, seremos.

Sei que a tese é altamente contestável, mas, quando se trata do velho “caudilho”, tomo assim por pessoal.


luís augusto on 30 julho, 2016 at 8:36 #

Em tempo: quando vejo este que mantém a denominação de PDT, penso no que diria Brizola se visse o quadro atual do país, ele que rompeu com o governo de Lula três meses antes de morrer.


Taciano Lemos de Carvalho on 30 julho, 2016 at 8:57 #

Luís:
E Brizola rompeu com o governo Lula batendo forte (que saudade dos Tijolões de antigamente), inclusive apontando para possíveis processo de corrupção dentro do governo. Além, claro, do fato de lula ter se revelado um encabrestado (ou seria aliado?) pelas “zelites”.

Aliás, muito estranho que o PDT de Lupi (argh!) e Mané Dias tenha tirado rapidinho do site do PDT Nacional —depois da morte do Caudilho— os tijolaços em que Brizola batia no governo Lula. Na realidade não é estranho, é explicado pela ótica do grupo da boquinha. E da destruição do partido.


Taciano Lemos de Carvalho on 30 julho, 2016 at 10:09 #

Lula se especializou em ilusionismo. Mas é mestre mesmo em diversionismo.

Tornado réu sob acusação de obstrução da Justiça, dispara discurso de que não é dono de sítio e triplex. Visando confundir as pessoas. Como dizia o mensaleiro José Genoino: ‘Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa’.


luiz alfredo motta fontana on 30 julho, 2016 at 12:44 #

Sempre haverá, em cada província, candidatos a “Waldir Pires,” para servirem de arautos para pulhas como Lula. Faz parte deste grande estelionato nacional.

Conivência não é arte de santos e puros, é apenas desvio de caráter!

Aprender a lição?

Duvido!

Adotar e criar e mitos de barro! Carregá-los, em sua longa jornada de mistificação, é nosso pesadelo reincidente!

Acordar? Nem pensar!


luiz alfredo motta fontana on 30 julho, 2016 at 12:45 #

Algo tosco, como Lula, jamais se ergueria sozinho!


Taciano Lemos de Carvalho on 30 julho, 2016 at 16:00 #

Excelente, e certeiro, recado de um ex-guerrilheiro ao Lula que hoje recorre à ONU

RECADO AO LULA: NÃO ADIANTA UTILIZAR INSTRUMENTOS DE REVOLUCIONÁRIOS QUANDO NÃO SE É REVOLUCIONÁRIO

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/07/lula-sendo-libertado-do-deops-em-1980-d.html


Taciano Lemos de Carvalho on 30 julho, 2016 at 19:43 #

Interessante o texto do advogado carioca Jorge Béja, publicado hoje (30/7) na Tribuna da Internet”

Subscrevo, integralmente, as considerações do jornalista e advogado José Carlos Werneck, publicadas aqui na Tribuna da Internet, a respeito do esvaziamento do “mambembe discurso de Lula contra o juiz Sérgio Moro”. A ida de Lula ao Conselho de Defesa dos Direitos Humano da ONU já foi um gesto insensato, o que não significa dizer que de Lula se possa esperar sensatez e lucidez. Mas depois que o juiz federal de Brasília recebeu denúncia contra o ex-presidente e o colocou no banco dos réus, ou Lula retira a petição que entregou ao Conselho em Genebra ou lhe cumpre aditá-la para nela incluir também este outro juiz, dr. Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília. É uma providência que o ex-presidente precisa tomar de imediato:

“Agora, Lula precisa processar na ONU também o juiz de Brasília

O peticionamento-queixa (mais que isso, Lula ingressou no Conselho de Defesa dos Direitos Humano da ONU com uma ação contra o Estado Brasileiro) de Lula não preenche nenhuma das exigências que a própria instituição estabelece. A principal delas diz que cumpre à parte queixosa demonstrar que todas as instâncias judiciárias recursais do país do queixoso foram percorridas e esgotadas. E isso não aconteceu. É bem possível que o Conselho devolva a petição a Lula, após recusá-la liminarmente. Que vexame! Que fiasco!”


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