DEU NO JORNAL A TARDE

OPINIÃO

Tempos bicudos: Chauí, musa da Ufba

Luiz Mott

Aluno dando murro na cara de professora, deputado cuspindo em colega parlamentar, universitários impedindo professores de dar aulas, ex-pró-reitor defendendo que jogar uma galinha no meio de um concerto foi ato paradigmático pela sua “ousadia, criatividade e desobediência” (sic) – onde vamos parar?!

O convite e sucesso de público da filósofa Marilena Chauí em conferência no Teatro Castro Alves na abertura do Congresso Ufba 70 anos reflete a atual tendência partidarista e discutível de nossas universidades federais.

Comungo a mesma lúcida opinião do professor titular Amílcar Baiardi, pós-doutorado em história das políticas de ciência e tecnologia no IMSS de Firenze: “Nossa Ufba vem deixando de ser um ente do Estado para ser instrumento de partidos políticos”. Esta conduta se confirma no convite à professora Marilena Chauí para proferir a conferência de abertura dos 70 anos da universidade.

Chauí é hoje um símbolo nacional de intolerância e de adesão a teorias conspiratórias. Notabilizou-se por proclamar “eu odeio a classe média!” (youtube.com/watch?v=oxYq_yrc0tM).

Contudo, poucos dias atrás, superou-se com a estapafúrdia declaração de que a Operação Lava Jato tem apenas um objetivo: entregar o pré-sal aos americanos. O motivo alegado é que o juiz Sérgio Moro teria recebido treinamento do FBI!

Há muito que não se ouve uma estultice deste tipo, a qual gerou uma indignação nacional que vem reverberando em toda a mídia e suscita dúvidas quanto ao equilíbrio emocional e sobre a honestidade intelectual da declarante.

Um outro aspecto, mais delicado, que mereceria cuidado e apuração isenta por parte da Ufba, são as acusações de que Marilena Chauí cometeu dois plágios em obras de sua autoria, acusações das quais ela jamais se defendeu ou processou os que a acusaram…

Tempos bicudos!

Luiz Mott l Professor Titular de Antropologia da Ufba

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Comentários

Vanderlei on 27 julho, 2016 at 9:34 #

Não é à toa que o Brasil “preferiu” investir em Copa do Mundo e Olimpíadas, antes de investir em EDUCAÇÃO e “construir ” depois atletas olímpicos. O mesmo de sempre e ainda será por muito tempo: Pão e circo para o povo.


Daniel on 27 julho, 2016 at 11:54 #

Bendita lucidez de Luiz Mott. É um acinte homenagear figura que destila tanta intolerância e veneno!


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