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“Hoje, 98% das campanhas têm caixa 2”

João Santana encerrou seu depoimento com um discurso-manifesto, dizendo-se injustiçado por estar preso com sua mulher sob acusação de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

“Nos últimos meses, eu vi destruído um trabalho e uma imagem que construí com muito esforço por mais de 20 anos e entendo por que isso aconteceu.

Primeiro, porque assumi uma profissão fascinante, mas cheia de riscos e incompreensões; segundo, porque me tornei uma pessoa de destaque nessa atividade, nacional e internacionalmente. Terceiro, porque nos últimos anos, meu trabalho esteve vinculado a um grupo político que hoje está sob severo questionamento.

O que não entendo e não me conformo é que eu e minha mulher estejamos sendo acusados injustamente de corrupção, de organização criminosa, de lavagem de dinheiro e tratados como criminosos perigosos.

O marketing político não cria corrupção, não corrompe, não cobra propina. Não é a causa. Elas são geradas por esse sistema eleitoral distorcido e adulterado. Hoje, 98% das campanhas no Brasil têm caixa 2. Campanhas pequenas, médias, grandes. Isso envolve centenas de milhares, até milhões, de pessoas de todas as camadas sociais, que são e foram remuneradas.

Se tivessem o mesmo rigor com essas pessoas, teria uma fila daqui até Manaus, que teria de ser fotografada por satélite. Não estou aqui querendo piedade ou clemência. Quero proporcionalidade. Quero que esse juízo consiga resolver essa contradição de pesos.”

Moro respondeu assim: “Tá bom, senhor João.”

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 22 julho, 2016 at 0:18 #

Como diria o mais original dos meliantes:

“Excrusivis” sou primário!


Taciano Lemos de Carvalho on 22 julho, 2016 at 0:48 #

Empresário diz em delação que doações legais ao PT foram pagamento de propina

O engenheiro Zwi Skornicki, preso na 23ª fase da Operação Lava Jato, disse hoje (21) que as empresas Keppel Fels e Technip fizeram doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores (PT) como parte da propina acertada por contrato firmado com a Petrobras para construção da plataforma P-56. Skornicki prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, em acordo de delação premiada celebrado com o Ministério Público Federal (MPF).

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-07/empresario-diz-em-delacao-que-doacoes-legais-ao-pt-foram-pagamento-de-propina


Vanderlei on 22 julho, 2016 at 8:01 #

Coitadinho, se perdeu no caminho…que ingenuidade! Conta outra!


luiz alfredo motta fontana on 22 julho, 2016 at 19:44 #

Nada mais patético que malandro pego com as calças na mão e cueca com baton!


vangelis on 22 julho, 2016 at 23:24 #

Aos 27 minutos do depoimento do marketeiro, a fina ironia do Dr. Moro :
– Mas Sr.João Santana, convenhamos, não dá pra ser meio legal, meio ílicito… eu faço meio ilicitamente os meus trabalhos..

https://www.youtube.com/watch?v=Cm518ZoXmDA


Rosane Santana on 23 julho, 2016 at 9:42 #

Rezo todos os dias, incessantemente, para que a inveja não me contamine, tampouco a unanimidade burra, parafraseando Nelson Rodrigues. Isto mesmo, inveja e burrice são uma desgraça, entre as muitas pestes que assolam o Brasil de hoje.


luiz alfredo motta fontana on 23 julho, 2016 at 11:07 #

Onde jorram recursos, mesmo que ilícitos, malandragem costuma mimetizar expertise, e falcatrua adquire ares de engenhosidade.

Como corolário, sempre haverá uma certa reação blasée tingindo a oportunidade perdida.


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