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Postado em 14-07-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 14-07-2016 00:16


Deputadas protestam na Câmara. Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil

DO EL PAÍS

Gil Alessi

São Paulo

“Azarona”, “candidatura de protesto” e “ela não tem chance”. Essas foram algumas das reações ouvidas desde que a deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), 81, se apresentou no início da semana para disputar a presidência da Câmara, que será escolhida nesta quarta-feira. No páreo com ela na disputa, um balaio com pesos pesados do chamado centrão, apadrinhados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e favoritos do presidente interino Michel Temer, quase todos com um histórico de processos judiciais. “São dois projetos: os que estão com Cunha e o Governo Temer e do outro lado nossa candidatura”, afirmou Erundina. Para ela, as chapas ligadas a caciques do PMDB “são chapas do golpe e do retrocesso”.

Inicialmente o PSOL (cuja bancada tem seis deputados) esperava poder contar com o apoio do “campo progressista” da Câmara, com votos do PT e do PC do B. Mas às vésperas da eleição as legendas apresentaram candidatos próprios. Posteriormente os petistas se retiraram da disputa, mas quem os parlamentares da legenda irão endossar ainda não está claro. “Alguns companheiros desse partido viriam em apoio à nossa candidatura, alguns me declararam isso”, diz Erundina, que deixou o PT em 1998. Outra parte dos ex-colegas petistas, no entanto, se dispõe a apoiar Marcelo Castro (PMDB-PI) – o que despertou muitas críticas na militância, uma vez que o PMDB foi o grande artífice do afastamento da presidenta Dilma Rousseff.

Veterana da política – Erundina já foi vereadora, deputada estadual e prefeita de São Paulo -, a parlamentar lamenta o fato. “Existe uma fragmentação da esquerda, até hoje ela não foi capaz de construir um projeto político que pudesse catalisar todas essas forças”, diz. Para a candidata, “enquanto a esquerda não se unir, a direita levará a melhor”. “A direita luta entre si, mas conseguem se unir em torno de um pacto do conservadorismo, e se tornam invencíveis”, afirma.

Se no plenário da Câmara Erundina enfrenta um cenário desfavorável, nas redes sociais progressistas criou-se um clima de empolgação em torno de sua candidatura, com a proliferação de fotos de perfil com os dizeres “Eu apoio Erundina para a presidência” e mensagens de incentivo. A candidata angaria o apoio de militantes e pessoas insatisfeitas com os “políticos de sempre” e seus currículos maculados por inquéritos da Operação Lava Jato. Parte da população vê na octogenária deputada uma alternativa – ela tem apenas um processo judicial em sua vida política, foi condenada a ressarcir a prefeitura de São Paulo por ter usado recursos do Governo para pagar anúncio em jornais em apoio a uma greve nacional.

Em maio a candidata sentou temporariamente na cadeira de Cunha durante protesto da bancada feminista. Agora quer ficar até janeiro de 2017, quando uma nova mesa diretora será escolhida. Mas caso não saia vitoriosa, Erundina afirma que o PSOL “vai trabalhar para que nossas ideias sejam consideradas pela próxima mesa diretora da Casa”. De qualquer forma, essa é apenas o primeiro teste de fogo da parlamentar esse ano: ela também é pré-candidata à prefeitura de São Paulo.

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Comentários

Vanderlei on 14 julho, 2016 at 8:01 #

Esta senhora, que um dia votei para prefeita de São Paulo, a´té que não fez uma má gestão, minha vizinha, está desatualizada o tanto quanto está a esquerda brasileira.


Taciano Lemos de Carvalho on 14 julho, 2016 at 9:26 #

Esquerda? Qual esquerda? Restou um tantinho aqui. Outro tantinho ali. Mais um pouquinho acolá.

O maior crime cometido pelas lideranças maiores do PT, e de seus satélites, foi a desmoralização da esquerda. Lula e seu entorno conseguiram o que a direita vinha tentando há muito tempo.

Desmoralizaram por assumirem as bandeiras e os valores da direita, do neoliberalismo. Dos banqueiros nacionais e da banca internacional, dos latifundiários, dos empreiteiros, das ‘empresas campeãs’. Ao povo, apenas distribuíram migalhas de 0,5 a 1 ou 2 por cento do orçamento para algumas ações assistencialistas que, de projetos, foram transformados em programas (perenes).

E a corrupção generalizada, desenfreada, algumas já de conhecimento público (não necessariamente de análise pública) foi a bala de prata na nuca da esquerda do Brasil. Apesar da bala na nuca, milagrosamente ainda há um fio de vida.

Resta, agora, esperar um milagre. Que os verdadeiros seguimentos de esquerda —que são poucos atualmente, muito poucos— tomem consciência da importância histórica de se reestruturar em uma autêntica esquerda, não demagógica, não aliancista com seguimentos conservadores e reacionários.

Tá difícil? Tá! Mas tenho a esperança que ainda seja possível este trabalho hercúleo. Mas isto jamais acontecerá se liderado por aquelas mesmas pessoas que foram os responsáveis maiores pelo desgaste da esquerda brasileira.


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