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13


Universidade de São Paulo

DO EL PAIS

David Marcial Pérez
Cidade do México

A melhora dos sistemas educacionais é citada por todos os órgãos internacionais como uma das grandes questões `a espera de resolução para a
América Latina. A revolução demográfica que acompanhou o alargamento da classe média durante os últimos anos resultou, por sua vez, em uma maior demanda de planos de educação superior e de qualidade. A educação deve ser a fonte que nutre um tecido social e econômico mais inclusivo, próspero e produtivo. O Brasil, depois de mais de uma década de políticas e investimentos públicos destinados aos jovens, vai recolhendo os frutos. Suas universidades dominam de modo espantoso a lista dos melhores centros de ensino superior, elaborada pela primeira vez pela publicação britânica Times Higher Education, ainda que a crise econômica e das contas públicas ameacem esses ganhos.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Estadual de Campinas, ambas públicas, ocupam o primeiro e o segundo lugar, respectivamente, e um total de 23 instituições brasileiras aparecem na lista das 50 melhores. O Chile é o segundo país com maior representação (11 universidades), com a Universidade Pontifícia —terceira colocada— e a Universidade do Chile —quarta. O México coloca dois representantes entre as 10 primeiras: o Instituto Tecnológico de Monterrey e a Universidade Autônoma do México (UNAM), somando oito instituições na tabela geral.
As 10 melhores universidades

1. Universidade de São Paulo

2. Universidade Estadual de Campinas

3. Universidade Pontifícia de Chile

4. Universidade de Chile

5. Universidade Federal de Rio de Janeiro

6. Universidade Católica Pontifica de Rio de Janeiro

7. Universidade Federal de Minas Gerais

8. Instituto Tecnológico de Monterrey

9. Universidade Autônoma de México

10. Universidade de Los Andes (Colômbia)

No primeiro ranking regional, a Times Higher Education seguiu os mesmos critérios de avaliação que vem utilizando há anos para produzir sua prestigiada lista das melhores universidades do mundo: volume de trabalhos de pesquisa e o seu impacto acadêmico, qualidade do ambiente de estudo, reconhecimento internacional e penetração de estudantes no mundo do trabalho.
O caso da Venezuela

“O sucesso do modelo brasileiro reflete seu alto volume de trabalhos de pesquisa, bem como a produção de patentes e criações de propriedade intelectual”, afirma Carolina Guzmán, pesquisadora do centro de estudos avançados da Universidade do Chile, no relatório apresentado pela publicação britânica. Esses resultados são a materialização da aposta brasileira em políticas públicas de Inovação e Desenvolvimento (I+D). A proporção sobre o PIB dos investimentos nesse campo representa 1,1% no Brasil, superando o 0,4% mexicano e o 0,3% chileno.

O diretor do departamento de educação superior do Banco Mundial, Javer Botero Álvarez, destaca as duas cartas vencedoras das universidades públicas brasileiras: um investimento estatal acima da média e um rigoroso sistema de seleção de alunos.

A maioria dos países latino-americanos aumentou os recursos destinados à educação na passada década de bonança econômica. Chile, México e Brasil estão a ponto de se aproximar ou até mesmo superar alguns membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O aumento no investimento, porém, não significou sempre uma melhora substancial na qualidade da educação. Além de buscar conseguir uma maior eficiência no gasto, a região enfrenta agora também o desafio de manter o investimento em um contexto econômico menos favorável, marcado pela derrocada do preço das matérias-primas e as turbulências do mercado financeiro.

A Venezuela, que tem um representante na Universidade dos Andes, na 41ª. posição, é o exemplo mais claro. Mais da metade das receitas do Estado provém do petróleo e sofre uma aguda crise com a queda de 7% do PIB no ano passado. O desafio será pelo menos manter o formidável aumento na inclusão universitária que os Governos chavistas conseguiram. Segundo cálculos da Unesco, cerca de 80% dos jovens venezuelanos têm hoje acesso a estudos superiores, quando a cifra era de apenas 30% em 2000.

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