Dona Ceci: presença na confissão do filho.


CRÔNICA
Minha delação espontânea

Janio Ferreira Soares

Diante de um gravador, pigarreio um pouco, cumprimento as autoridades e abro aspas para dizer que “sim, meritíssimo, realmente faltei com a verdade naquela manhã, quando, excitado pela aragem que balançava tamarineiros bageados, eu disse a dona Bidinha que não podia assistir à aula porque iria ajudar minha mãe a lavar uma pilha de pratos acumulados desde a sopa da noite anterior. Se ela acreditou? Olha, doutor, atualmente minhas certezas mais falseiam que confirmam, mas me lembro de que ela sorriu aquele riso de vó quando a gente inventa uma desculpa para em vez de reza, rio, e em seguida passou a mão na minha cabeça e disse um irônico ‘vai, menino, que Ceci precisa de sua ajuda’. Então saí em disparada e fui logo pegando minha peteca escondida entre cartilhas e lapiseiras e mais tarde cheguei em casa com uns passarinhos nos bolsos, imediatamente assados e servidos justamente sobre a louça que nunca lavei.
Como, digníssimo? Sim, isso realmente aconteceu, mas minha intenção ao morder aquela hóstia foi para confirmar se padre Geraldo dizia a verdade ou não. Aí travei os dentes no aro e fiquei olhando se alguma lágrima corria pela face de Cristo, que do alto do altar da igreja de Santo Antônio da Glória também me olhava com uns olhinhos iguais aos dos peixes que eu fisgava no açude da roça do meu avô. E como ele não fez nenhum gesto de dor, nas missas seguintes mastiguei com mais força ainda e, diante da certeza de que nenhum pranto sagrado iria rolar, comecei a desconfiar de todas as crenças do mundo.
Se sou ateu? Veja bem, semana passada, num fim de tarde no Raso da Catarina, umas ararinhas passaram voando. Aí um cachorro latiu bem longe e Milton começou a cantar Sentinela numa rádio AM, enquanto bodes, vacas e bêbados placidamente dividiam as chamas de uma fogueira, desenhando ali uma perfeita lapinha real. Aí me lembrei do meu amigo Jessier Quirino e pensei: deve haver alguma ciência nessas bem-aventuradas coincidências. Estou dispensado ou vão me atar o mocotó?”.
Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, nas barrancas baianas do Rio São Francisco

Do leitor, ouvinte e amigo do peito do BP, que assina Vangelis, em postagem no Facebook, ao compartilhar na rede social o artigo sobre o boneco de Lewandowsky, publicado neste sábado no Bahia em Pauta, na Tribuna da Bahia (ediç~\o impressa) e no Blog do Noblat (O Globo).

“VHS-Vitor Hugo Soares – A pedido dos nossos ouvinte, o serviço de auto falantes MARABÁ PUBLICIDADE DE JUAZEIRO dedica essa canção à Anta do Cerrado… – hahahahaha.”.. (Vangelis)

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Boneco de Lewandowski na Paulista:STF quer PF no caso..


…e o goleiro Luna preso em São Paulo:
“sou inocente disso aí”.


ARTIGO DA SEMANA
Prisão de Luna, defesa de Dilma e o boneco de Lewandowski

Vitor Hugo Soares

Quarta-feira, 6 de de julho: As operações policiais determinadas pela justiça seguem céleres, apartidárias e implacáveis à caça de corruptos, corruptores e malfeitores, de vários tipos e quilates, públicos e privados, espalhados pelo País como vírus contagioso e letal, corroendo tudo. Da Petrobras dilapidada, aos pequenos times de futebol, cujos cartolas e jogadores, de São Paulo ao Nordeste, andam metidos nas trapaças internacionais das loterias, e são apanhados em casa ou nos clubes, às primeiras horas da manhã, com direito a transmissão quase instantânea nos primeiros noticiários do dia na TV.

À menos de um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, o ex-goleiro Luna, do obscuro América, de São José do Rio Preto, de dentro do camburão, onde é colocado antes de seguir para o exame de corpo de delito e a cadeia, grita para os jornalistas que pedem uma palavra sua: “Sou inocente. Nunca ganhei um real sequer com essa história aí”, diz o jogador, antes do agente da operação “Game Over” (Fim de Jogo) fechar a porta do bagageiro e mandar tocar o carro para a carceragem.

Enquanto isso, no Palácio da Alvorada, em Brasília, a presidente afastada, Dilma Rousseff, se debate em seu labirinto político e existencial, sem encontrar escapatória, à medida em que se aproxima a hora do acerto de contas na votação de seu impeachment pelo Senado. Comemora com o ex-ministro petista e braço direito, Jaques Wagner, o balanço da “vaquinha” que bate nos R$ 500 mil (ironia das ironias) para as suas viagens pelo país. E despacha, o também afastado ministro, José Eduardo Cardozo para ler, no Congresso, o documento de 30 laudas da sua defesa pessoal. Despreza, assim, outra oportunidade preciosa (para um chefe de governo em apuros e cercado de suspeitas) de falar frente a frente aos seus “juízes” ou com a sociedade que ela proclama acolher e acatar em seus discursos.

No arrazoado que Cardozo lê na Comissão do Impeachment – meio à moda maçante dos bêbados de comício ou de fim de festa (para usar uma expressão do grande Ulysses Guimarães) – as negativas e as desculpas de praxe: “eu não sabia de nada”; “não me avisaram nada disso”; “a culpa é do outro, de quem fez o malfeito”. A ex-mandatária procura abrigo no passado, de que sente orgulho, para tentar escapar do presente, do qual deveria sentir vergonha.

“O destino sempre me reservou grandes desafios. Alguns pareciam intransponíveis, mas eu consegui vencê-los. Já sofri a dor indizível da tortura, já passei pela dor aflitiva da doença e hoje sofro a dor igualmente inominável da injustiça”, recorda Dilma, pela voz de Cardozo. Alho misturado com bugalhos. A fé e os princípios da juventude, a entrega ideológica no combate a um tempo de sombras e arbítrio ou, mais recentemente, a luta contra infortúnios da saúde, são agora, tristemente, utilizados como salvo conduto da mandatária de um governo fracassado e de um partido corrompido, cercados de suspeitas e graves acusações por todos os lados – a partir do seu fundador e guia -, praticamente sem saída.

Sob os céus do Brasil, em protesto na Avenida Paulista, aparece o primeiro boneco inflado do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Agora, anunciam os jornais, a Corte pediu à Polícia Federal que investigue e responsabilize os manifestantes que inflaram os mamulengos alusivos ao mandatário do Supremo e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “de forma crítica”, nos recentes protestos na capital paulista.

Missão inútil, com evidentes sinais de desconformidade com o pleno regime de liberdades democráticas em que vive o País, além de claramente despropositada. Pior ainda é o “caráter de urgência”, para o resultado das investigações, determinado no ofício assinado pelo secretário de segurança do STF, Murilo Maia Herz e endereçado ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello.

“Nonadas”, diria provavelmente Guimarães Rosa, sobre este despropósito, se vivo estivesse. Além disso, praticamente não há o que investigar neste episódio, muito menos é preciso que a PF “empenhe todos os seus esforços para interromper nefasta campanha difamatória contra o Chefe do Poder Judiciário, de maneira a que esses constrangimentos não mais se repitam”, como escreve o burocrata do STF em seu ofício. Afinal, a coordenadora de projetos e porta-voz do movimento “Nas Ruas”, Carla Zambelli Salgado, já confirmou e assumiu a autoria. E revelou que, além dos bonecos de Lewandowski e de Janot, levou também às ruas bonecos dos ministros Zavascki e de Dias Toffoli, e um representando a presidente afastada Dilma Roussef. “Não tenho receio algum de responder pelas minhas atitudes, garantidas pela liberdade de expressão”, disse Carla Zambelli ao G1 (O Globo).

Melhor, portanto, não desviar os esforços da PF em relação aos trabalhos de investigação que a sociedade julga, efetivamente, urgentes e necessários: a operação Lava Jato e seus cruciais desdobramentos, por exemplo. Priorizar, agora, investigações sobre criadores de bonecos, pode parecer poeira lançada no ar para embaçar visões. Ou não? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

jul
09
Posted on 09-07-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-07-2016

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Blair chora lágrimas de Cunha

Tony Blair, ex-premiê inglês. O mundo gostaria de ter contado com seu descortino, não agora, mas quando detinha o poder e, no entanto, aliou-se incondicionalmente a George W. Bush.

Pouco antes da deflagração da guerra do Iraque, na verdade uma invasão seguida de massacre, multidões superiores a um milhão de pessoas saíram às ruas nas maiores cidades do mundo em protesto contra a truculência iminente.

A ONU, tantas vezes desrespeitada, por exemplo, quanto às decisões sobre a causa palestina e as árabes de modo geral, não aprovou o ataque, fundamentado em armas de destruição em massa que jamais existiram – e eles sabiam.

Blair não viu. Se estava cego, melhor faria agora permanecendo mudo. Como líder de uma potência mundial, ele contribuiu para a sandice usurária de Bush, embora em tese um oceano de formação e princípios os separasse.crocodilos

jul
09
Posted on 09-07-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-07-2016


Bruno Aziz, no jornal A Tarde (BA)

jul
09


Cunha na quinta-feira, quando renunciou.
UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAIS

Afonso Benites
Brasilia

A renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados tinha, em um primeiro momento, o objetivo de garantir que ele poderia eleger seu sucessor e manter o seu mandato. Um dia após a decisão ser anunciada, porém, o cenário é muito mais confuso do que ele ou qualquer analista político poderia prever. Há uma luta fratricida no Legislativo e uma extensa lista com nomes de possíveis candidatos. Na última contagem de lideranças partidárias, 25 nomes foram postos. Eles representam cinco grupos bastante heterogêneos: as siglas organizadas no centrão, o PMDB, a antiga oposição (PSDB e DEM, entre outros), a nova oposição (PT, PC do B e agregados), além do baixíssimo clero, desgarrados de todos os grupos anteriores, mas numerosos o suficiente para serem relevantes.

O fim de semana será de intensa negociação entre todos eles e entre os representantes do Governo interino de Michel Temer, que têm preferência por dois deles: Rogério Rosso (PSD-DF) e Osmar Serraglio (PMDB-PR).

O cenário atual é o seguinte: o centrão, uma confluência de partidos conservadores idealizada pelo próprio Cunha (entre eles PSC, PSD, PTB, PP, PR e PRB), é o mais rachado até o momento. Já lançou ao menos sete nomes e demonstrou pouco interesse em fortalecer uma candidatura única. O Solidariedade, por exemplo, já abandonou esse grupo político do qual era um dos principais membros, e lançou um nome próprio.

O PMDB, por sua vez, tenta não interferir diretamente no pleito porque entende que seria o momento de fortalecer partidos aliados e recuperar a presidência da Câmara em 2017, quando o mandato não será tampão – quem for eleito apenas complementará o que falta desde período, que termina em fevereiro. Os peemedebistas, contudo, ameaçam que, se não houver um consenso entre a base do presidente interino Michel Temer (PMDB), podem lançar um nome. Quatro peemedebistas estão entre os possíveis candidatos.

Entre a antiga oposição (PSDB, PPS, PSB e DEM) que hoje possui cargos importantes na gestão Temer, há oito pretensos concorrentes. O discurso deles, no entanto, é que de que formam o grupo mais unido entre os cinco que tramitam na Casa e estimam que até segunda ou terça-feira apenas um nome será apresentado.

Do lado da nova oposição, formada pelos apoiadores do mandato da presidenta Dilma Rousseff – como o PT, o PCdoB e o PDT – ou de legendas consideradas independentes – como PSOL e REDE – há ao menos dois nomes postos. Ambos já admitem que poderiam abrir mão de candidaturas, caso haja um consenso de não eleger um aliado de Cunha e que esse candidato tenha um perfil conciliador, não de desagregador, como era o ex-presidente. A situação está tão embaralhada na Câmara que um incomum acordo entre tucanos e petistas pode ocorrer, se não no primeiro turno da disputa, ao menos no segundo. “É difícil fazer acordo com petistas, mas como não temos um nome que seria de consenso, como um Ulysses Guimarães, não podemos correr o risco de ter um preposto do Cunha aqui”, disse ao EL PAÍS um deputado do PSDB se referindo ao ex-presidente da Câmara, morto em 1992, que era quase uma unanimidade entre os legisladores brasileiros.

A confusão é tanta que o baixíssimo clero pode ser o fiel da balança na eleição. No parlamento são chamados do bloco do eu sozinho e ressuscitaram após a morte política de Cunha – antes eles haviam se aglutinado no centrão. Agora, o grupo, o mesmo que elegeu Severino Cavalcanti para a presidência em 2005, está de volta. São deputados que não necessariamente respeitam as orientações de suas legendas e fazem o jogo político pensando apenas em causa própria. “São os que só querem receber ‘bombons”, brincou um experiente deputado. Os bombons citados por ele são cargos em comissões e indicações para funções públicas principalmente em suas bases eleitorais. É o velho grupo que atua de maneira mais direta com o toma-lá-dá-cá.

Nas contas de alguns parlamentares, essa congregação tem entre 80 e 100 votos. Cinco de seus membros já ameaçam concorrer ao cargo de presidente da Câmara. Um sexto, o atual presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA), chegou a cogitar essa hipótese, apesar de sua passagem sofrível pelo cargo, humilhado pelos colegas e vetado na presidência das sessões. Alheio a isso, Maranhão até se reuniu com Temer para saber se teria o seu apoio. Ouviu um sonoro não, sob a justificativa (ainda que nem tão verdadeira) de que o Executivo não vai interferir no processo do Legislativo.
A revolta de Maranhão

Não seria o único ato de resistência de Maranhão. Rompido com Cunha, ele resolveu fazer valer sua autoridade e atrapalhar os planos do antigo aliado. O resultado é que nem a data da eleição para a presidência da Câmara está clara. Maranhão diz que ocorrerá no dia 14, quinta-feira, e assinou dois atos com essa decisão. Já parte das lideranças partidárias dizem que será no dia 12. Em tese, o que vale é o que diz o presidente.

A disputa sobre o tema começou na quinta-feira. Capitaneados pelas lideranças do centrão, um grupo tentou agilizar a escolha do novo presidente da Câmara. Em uma reunião de última hora após a renúncia de Cunha, decidiram que passariam por cima da decisão do presidente interino Maranhão e que a eleição ocorreria na próxima terça-feira.

A intenção era beneficiar Eduardo Cunha. A ideia era marcar a eleição no mesmo dia em que estava prevista votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que decidirá se o processo de cassação de Cunha aprovado no Conselho de Ética é nulo ou não. Se o plano funcionasse, a sobreposição de agenda acabaria, possivelmente, por empurrar a nova sessão da CCJ só para agosto.

A cereja do bolo para rebeldia de Maranhão foi ter sido chamado por Cunha de “bizarro”. O ex-presidente da Casa também que a Câmara estava “acéfala”. Maranhão impôs, como raras vezes no cargo, sua autoridade e mandou recolher todas as urnas que os líderes partidários haviam mandado instalar no plenário da Câmara. “Vou cumprir o regimento e a Constituição, teremos eleição na câmara. Está mantida para quinta-feira”, disse o deputado.

Além disso, demitiu o servidor público Silvio Avelino do cargo de diretor da Secretaria Geral da Mesa. Avelino fora empossado na função por Cunha e foi exonerado porque participou da reunião de líderes que queria impor a data da eleição a contragosto do presidente interino. Seu substituto deve ser um ex-funcionário de um deputado petista. “Concordemos com o Maranhão ou não, nós não podemos humilhá-lo, como fez o Eduardo Cunha. Agora, temos de dar suporte e garantir que ele consiga conduzir ao menos o processo eleitoral da Casa”, disse um deputado petista.

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