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Postado em 05-07-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 05-07-2016 01:22

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lídice, um inegável talento para a articulação

Na senadora Lídice da Mata (PSB) concentra-se, mais uma vez, uma instância de peso nas eleições de Salvador, e isso acontece porque se trata, desde o tempo estudantil, de uma das políticas mais hábeis do Estado.

Jovem vereadora, constituinte de 1988, primeira prefeita da capital e, também, primeira senadora baiana, não foi à toa que galgou tantos mandatos importantes, tendo-os obtido fruto de perspicácia e senso de oportunidade.

Alguns momentos de sua trajetória bem o atestam. Em 1990, à frente de uma chapa feminina ao governo, puramente simbólica, decolou para a vitória à Prefeitura dois anos depois, não sem antes renegar o “radical” PCdoB pelo palatável PSDB.

Terminada uma gestão municipal das mais infelizes, não se arriscou, em 1998, como seria natural, a uma eleição majoritária ou mesmo a retornar à Câmara dos Deputados, preferindo reunir a tropa esfarrapada e garantir, na rabada, uma cadeira na Assembleia Legislativa, já pela atual legenda, o PSB.

Senado veio após negociação com Wagner

Ainda na quarentena de dois mandatos de deputada estadual, vislumbrou nas eleições de 2004 o momento de dar a volta por cima, candidatando-se a prefeita para chegar em quarto lugar, mas credenciando-se na TV a recuperar o mandato federal em 2006 com estrondosa votação.

Não a preocupou naquela época a “unidade da esquerda”, embora os números tenham provado que, caso ela se aliasse ao PT, seria o deputado Nelson Pelegrino, e não o ex-governador César Borges, a disputar o segundo turno contra João Henrique, que acabou eleito.

Certamente não será agora que isso a fará queimar neurônios. A tendência é que repita o comportamento de 2008, quando apoiou Pelegrino ante o compromisso de participar da chapa majoritária do governador Jaques Wagner à reeleição.

Projeto de reeleição é a real preocupação

Lídice vê chegada a hora de negociar novamente. Se a desgosta enfrentar a antiga correligionária “comunista” Alice Portugal, também não quer perder a chance de carimbar o passaporte para permanecer Senado, para o que pode ajudá-la tanto a força do governador Rui Costa como nova candidatura a prefeita.

Temos aí um aumento da confusão no quadro: Rui luta pela pulverização da oposição municipal no pleito, pois uma aliança ampla daria à disputa uma natureza plebiscitária que apenas favoreceria o prefeito ACM Neto.

A questão é que, muito provavelmente, a chapa majoritária de 2018 já tem os ocupantes definidos. Além do governador e do vice, João Leão, não se pode negar a precedência do próprio Wagner ao Senado e a do senador Walter Pinheiro, fortalecido com a Secretaria da Educação e sondando o partido que substituiria o PSB na aliança.

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