DO JORNAL DO BRASIL

Fernando Cavendish, Cláudio Abreu, Carlos Augusto Ramos – o Carlinhos Cachoeira – e Marcelo Abub, presos em Bangu 8, tiveram as cabeças raspadas, de acordo com as regras de identificação do sistema penitenciário. Além disso, eles foram fotografados usando os uniformes de presidiários.

Os quatro foram detidos na Operação Saqueador, com mandados de prisão preventiva em regime fechado. A prisão foi convertida a prisão domiciliar, por decisão do Tribunal Regional Federal. Mas como há falta de tornozeleiras eletrônicas, eles continuaram no presídio Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a situação deve ser normalizada na quinta-feira.

Eles são acusados de integrar esquema que desviou R$ 370 milhões de obras públicas feitas pela Delta. No sábado, eles foram transferidos do presídio Ary Franco, em Água Santa, para Bangu 8, porque comprovaram ter diploma de curso superior.



BOA TARDE!!!


A presidenta do Chile, Michelle Bachelet.

DO EL PAIS

Carlos E. Cué

Puerto Varas

Michelle Bachelet caminha para se tornar a última moicana da esquerda latino-americana. Cercada por países com governos cada vez mais liberais –Argentina, Peru, Brasil, Paraguai, e com um Evo Moráles, na Bolívia, em plena baixa –, ela resiste com sua social-democracia moderada, que aposta no livre comércio, embora também passe por dificuldades nas pesquisas, como quase todos os presidentes da região. Bachelet é a anfitriã da Cúpula da Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru, Chile e 49 países observadores), que se realiza em Puerto Varas, que ratifica essa virada política com a chegada de Mauricio Macri –a Argentina quer entrar na Aliança e levá-la a convergir com o Mercosul—, um acordo que antes representava um insulto para a esquerda bolivariana. Bachelet defende o livre comércio, mas também apoia as políticas de esquerda como contrapeso diante dos custos da globalização e para evitar que se caminhe para novos fenômenos como o do Brexit ou de Donald Trump.

Pergunta. Esta cúpula da Aliança do Pacífico marca uma guinada regional ao livre comércio?

Resposta. A Aliança foi criada em 2011 por quatro governos que compartilham valores. Isso foi antes do meu Governo, mas também os compartilhamos. Acreditamos na democracia, nos direitos humanos, na inclusão e no valor de uma economia aberta. O Chile percebeu há muitos anos que somos 17 milhões de pessoas, não podemos depender de nosso mercado interno. Saímos pelo mundo, temos acordos com países que representam 80% do PIB mundial. Tentamos, em meu Governo anterior, fazer o arco do Pacífico, mas eram muitos países, e não entrávamos em acordo, não avançávamos.

P. Porque havia ideologias diferentes, Bolívia e Equador estavam lá.

R. Sim, por muitas razões. Mas finalmente entraram em acordo México, Colômbia, Peru e Chile, e começaram a avançar. Confesso que enquanto fazia campanha perguntava: O que é esta Aliança do Pacífico? Preocupava-me que fosse vista como um movimento ideológico que desse as costas ao resto da região. Mas na primeira reunião no México a que fui como presidenta me dei conta de que ele é uma acordo comercial com livre trânsito de pessoas, de produtos, muito pragmático.

P. A vinda de Macri consolida a guinada política da região?

R. Nós dissemos “não queremos que a Aliança dê as costas ao resto da região”. Cremos na convergência na diversidade. Não para fundir, e sim para ver o que podemos fazer. Convidamos a Argentina, Uruguai, Brasil. A Aliança deu resultados positivos, por isso temos 49 países observadores.

P. Imaginam o Mercosul dentro da Aliança?

R. Sim, mas convergência não significa fusão. Há determinada regulamentação interna no Mercosul que fez com que o Chile não seja um membro pleno, e sim um membro associado. Para alguém fazer qualquer coisa no Mercosul precisa pedir permissão a todos os demais. Alguns quiseram fazer tratados de livre comércio com outros países, e não foram autorizados.

P. Argentina, Brasil, Venezuela, são países com muita tradição protecionista. Agora a região vai desviar para o livre comércio?

R. O Chile tinha uma experiência diferente, acreditava e acredita que a saída para o exterior é muito importante e que o protecionismo não é a solução. Mas entendemos que podemos encontrar pontos em comum com o Mercosul. Há muitos países observadores que querem ser membros da Aliança, mas têm que aceitar as regras. No momento temos a Costa Rica e o Panamá. Macri está nesta cúpula, vamos ver, e o Brasil. A presidenta Dilma tinha manifestado seu interesse, mas agora o Brasil está em outras questões, não creio que essa seja sua prioridade hoje.

P. A senhora continua com baixa avaliação nas pesquisas. É algo que acontece com a maioria dos presidentes da região, sem distinção de ideologia. O que estão fazendo de errado os políticos latino-americanos?

R. Tenho a impressão de que a crise da política é universal. Na Europa acontece o mesmo. Os partidos todos temos que nos repensar. A democracia representativa por si só não responde mais aos anseios das pessoas de ser parte construtora da sociedade. Por isso nós no Chile estamos fazendo um projeto constituinte de baixo para cima.

P. É possível governar com essa avaliação tão baixa?

R. Primeiro é preciso cumprir com os compromissos assumidos. E enxergar como restabelecer a confiança. A desconfiança é com a política, mas também com o mundo empresarial, com as instituições religiosas. Há um questionamento à elite. As elites latino-americanas precisam se reenxergar, requestionar o que estamos fazendo e se reinventar para continuar fazendo o papel que cabe aos partidos políticos, a única organização que pode oferecer a uma nação uma ideia coletiva. Precisamos de uma política próxima, limpa, preocupada com as pessoas.

P. A senhora, que viveu em seu mandato anterior o auge da esquerda latino-americana, como vive a virada da região para o liberalismo?

R. Nós respeitamos as decisões de cada país. O Chile sempre acreditou no livre comércio e o defende com força. Muitos países com presidentes de esquerda nos pediram no passado apoio para fazer tratados de livre comércio, para ver nossa experiência, trabalhamos com muitos deles. Sempre explicamos por que para o Chile isso foi positivo, e não negativo.

P. Muitas pessoas na América Latina, nos EUA, em todo o mundo, pensam que o livre comércio traz redução de salários, mais desigualdade, menos direitos para os trabalhadores. O que lhes diz?

R. Não é verdade. Pelo menos não para o Chile. Há tratados e tratados. Nós firmamos alguns que nos exigem muito em termos de padrões trabalhistas ou ambientais. O Chile precisou melhorar, por exemplo para entrar na OCDE, em questões também de paraísos fiscais.

P. Rejeita essa ideia da esquerda de que a globalização gera mais desigualdade?

R. Não a rejeito. Por trás do Brexit e do sucesso de Donald Trump há algo claro, e isto é mais velho que andar para a frente, soubemos disto sempre: a globalização aumentou as desigualdades. Mas a globalização é um fato, não vai desaparecer porque não gostem dela. Estamos conectados por todos os lados. Temos desafios enormes, que os países não conseguem resolver sozinhos. Uma das conclusões que tiramos do Brexit e da ascensão de Trump é que temos que introduzir políticas para que o que os acordos de livre comércio trazem de positivo resulte em prosperidade compartilhada, que se possam gerar políticas de inclusão, que as pessoas não fiquem fora do que tem êxito. Quem vota pelo Brexit? Os de mais de 50 anos, regiões rurais com pior educação, pessoas cujas fábricas não conseguiram competir devido à globalização e tiveram que fechar. Isso é um aviso para que o livre comércio seja usado para políticas de desenvolvimento e para não deixar ninguém fora do progresso.

P. A esquerda latino-americana tem futuro nesse ambiente de guinada liberal?

R. A luta pela justiça social, por sociedades mais integradas, mais solidárias, mais justas, sempre tem sentido e vai encontrar seu espaço.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lídice, um inegável talento para a articulação

Na senadora Lídice da Mata (PSB) concentra-se, mais uma vez, uma instância de peso nas eleições de Salvador, e isso acontece porque se trata, desde o tempo estudantil, de uma das políticas mais hábeis do Estado.

Jovem vereadora, constituinte de 1988, primeira prefeita da capital e, também, primeira senadora baiana, não foi à toa que galgou tantos mandatos importantes, tendo-os obtido fruto de perspicácia e senso de oportunidade.

Alguns momentos de sua trajetória bem o atestam. Em 1990, à frente de uma chapa feminina ao governo, puramente simbólica, decolou para a vitória à Prefeitura dois anos depois, não sem antes renegar o “radical” PCdoB pelo palatável PSDB.

Terminada uma gestão municipal das mais infelizes, não se arriscou, em 1998, como seria natural, a uma eleição majoritária ou mesmo a retornar à Câmara dos Deputados, preferindo reunir a tropa esfarrapada e garantir, na rabada, uma cadeira na Assembleia Legislativa, já pela atual legenda, o PSB.

Senado veio após negociação com Wagner

Ainda na quarentena de dois mandatos de deputada estadual, vislumbrou nas eleições de 2004 o momento de dar a volta por cima, candidatando-se a prefeita para chegar em quarto lugar, mas credenciando-se na TV a recuperar o mandato federal em 2006 com estrondosa votação.

Não a preocupou naquela época a “unidade da esquerda”, embora os números tenham provado que, caso ela se aliasse ao PT, seria o deputado Nelson Pelegrino, e não o ex-governador César Borges, a disputar o segundo turno contra João Henrique, que acabou eleito.

Certamente não será agora que isso a fará queimar neurônios. A tendência é que repita o comportamento de 2008, quando apoiou Pelegrino ante o compromisso de participar da chapa majoritária do governador Jaques Wagner à reeleição.

Projeto de reeleição é a real preocupação

Lídice vê chegada a hora de negociar novamente. Se a desgosta enfrentar a antiga correligionária “comunista” Alice Portugal, também não quer perder a chance de carimbar o passaporte para permanecer Senado, para o que pode ajudá-la tanto a força do governador Rui Costa como nova candidatura a prefeita.

Temos aí um aumento da confusão no quadro: Rui luta pela pulverização da oposição municipal no pleito, pois uma aliança ampla daria à disputa uma natureza plebiscitária que apenas favoreceria o prefeito ACM Neto.

A questão é que, muito provavelmente, a chapa majoritária de 2018 já tem os ocupantes definidos. Além do governador e do vice, João Leão, não se pode negar a precedência do próprio Wagner ao Senado e a do senador Walter Pinheiro, fortalecido com a Secretaria da Educação e sondando o partido que substituiria o PSB na aliança.



BOM DIA!!!

jul
05

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Boa viagem!

Jaques Wagner está comemorando, na internet, o fato de Dilma Rousseff ter “superado a meta” da vaquinha para ela viajar pelo país.

Nós também ficamos felizes.

Com o nosso dinheiro, não, dona Dilma.

jul
05
Posted on 05-07-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-07-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

jul
05


Destroços em um dos escritórios do jornal ‘Tiempo Argentino’.

DO EL EL PAÍS

Federico Rivas Molina

Buenos Aires

Na madrugada desta segunda-feira, em meio a uma forte tempestade, um grupo de 20 encapuzados entrou na redação do jornal Tiempo Argentino, expulsou os jornalistas, destruiu a golpes as instalações e destroçou os registros contábeis e trabalhistas. Um dos agressores se apresentou como Mariano Martínez Rojas, empresário que afirmou ser o proprietário do jornal depois da compra das ações do kirchnerista Sergio Szpolski. Szpolski e seu sócio Matías Garfunkel deixaram de pagar os salários em dezembro e abandonaram o edifício. Desde então, os jornalistas organizaram uma cooperativa de imprensa e, com o amparo da Justiça e do Ministério do Trabalho, relançaram Tiempo Argentino em formato semanal.

“Martínez Rojas e os capangas que contratou, armados com navalhas e encapuzados, colocaram os trabalhadores que estavam nas instalações para fora, cobriram as janelas e portas e começaram a destruir o lugar, as ferramentas de trabalho e a documentação da cooperativa ‘Por más tiempo’”, denunciou o Colectivo de Trabajadores de Prensa (CTP) em um comunicado. Segundo explicou Javier Borelli, presidente da cooperativa, o bando entrou na redação no bairro de Colegiales, em Buenos Aires, e expulsou os trabalhadores com o argumento de que tinham um contrato de aluguel. “Dizem ser os donos do imóvel, mas esse contrato foi rescindido. Estou na delegacia com as provas necessárias para mostrar a verdade”, disse Borreli. “O Ministério do Trabalho colocou os bens e as ferramentas do jornal sob nossa custódia, por isso estamos trabalhando lá”, disse.
e dezenas de jornalistas e policiais do lado de fora. Enquanto nas redes sociais se convocava as pessoas a se aproximarem local, os encapuzados tentavam fugir pelo teto. Finalmente abandonaram o edifício escoltados pelas forças de segurança.

As imagens divulgadas pelos jornalistas do Tiempo Argentino mostraram a violência do ataque: paredes destruídas, documentos esparramados pelas salas e o pó dos extintores de incêndio cobrindo todas as instalações.

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