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Postado em 02-07-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 02-07-2016 13:50


Fernando Cavendish ao chegar no Instituto Médico Legal (Foto: Pedro Figueiredo)

DO G1/ O GLOBO

O dono da Delta, Fernando Cavendish, recebeu voz de prisão assim que desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, como mostram, com exclusividade, imagens do RJTV 1ª edição. No início da tarde deste sábado (2), o plantão judiciário negou o recurso dos advogados para que Cavendish e os empresários Adir Assad, Marcelo Abbud e Cláudio Abreu saiam da prisão sem as tornozeleiras eletrônicas. Segundo informações obtidas com exclusividade pela TV Globo, a previsão é que essas tornozeleiras cheguem apenas na próxima quinta-feira (7).

Na sexta (1°), o Tribunal Regional Federal da 2ª Região transformou a prisão dos suspeitos em prisão domiciliar. Nesta manhã, a Justiça Federal também determinou que os presos com curso superior sejam transferidos para o presídio de Bangu 8, na Zona Oeste. Enquanto as tonozeleiras não chegam, eles não podem deixar o sistema penitenciário.

Imagens feitas no momento da prisão de Cavendish mostram o momento em que os agentes informam que ele está preso, às 4h57. Cavendish carregava apenas uma mochila e informou aos policiais que não estava com nenhum celular. O empresário deixou o aeroporto escoltado por agentes da PF e de lá foi levado diretamente para realizar exames no Instituto Médico Legal e depois para o presídio Ary Franco. Cavendish veio de um voo da Europa, onde estava desde o dia 22 do mês passado.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária informou que ainda não recebeu o pedido para a soltura, mas, no momento, não possui tornozeleiras eletrônicas para serem colocadas. A secretaria esclareceu que vem se esforçando para honrar seu compromisso junto ao fornecedor para que a entrega e manutenção das tornozeleiras seja normalizada.

A decisão sobre a prisão domiciliar vale também para outros quatro réus: Carlinhos Cachoeira, e os empresários Adir Assad, Marcelo Abbud e Cláudio Abreu, que assim como Cachoeira foram presos na quinta.
Aaeroporto Tom Jobim por volta das 5h deste sábado (Foto: Fernanda Rouvenat / G1)

a 18 empresas de fachada, fazendo contratos fictícios. Depois, tudo era sacado em dinheiro vivo para fazer pagamentos de propina a agentes públicos, inclusive políticos.

A denúncia cita casos já investigados como prova do desvio de dinheiro público. Entre eles, fraudes em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para obras em rodovias no Ceará e no Maranhão; a transposição de um rio que nunca aconteceu no estado do Rio; e a contratação da Delta sem licitação para obras no Parque Aquático Maria Lenk, construído para o Pan e que vai ser usado na Olimpíada.

O MP diz que além do empresário Fernando Cavendish, diretores e até funcionários administrativos participavam do esquema pelo lado da empreiteira e que as empresas e os contratos eram criados por Carlinhos Cachoeira e os operadores financeiros Adir Assad e Marcelo Abbud.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o uso de trechos da delação de executivos da Andrade Gutierrez. O MPF diz que não pode falar sobre o conteúdo, mas o Jornal Nacional mostrou no mês passado que os delatores contaram que o ex-governador Sérgio Cabral cobrou propina das empresas que faziam parte do consórcio que reformou o Maracanã. A cobrança teria sido de 5% do valor total do contrato. A obra custou R$ 1,2 bilhão, R$ 480 milhões além do valor previsto, que era de R$ 720 milhões.

As investigações sobre quem foi beneficiado e quanto recebeu no esquema de lavagem de dinheiro vão continuar. O MPF pediu a condenação de todos os envolvidos pela prática de lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da reparação dos danos causados em duas vezes o valor desviado.

A defesa de Fernando Cavendish declarou que tomará as providências judiciais contra o que chamou de “ilegalidade”, e que, num inquérito que tramita há mais de três anos, Cavendish sempre atendeu às solicitações da autoridade policial.

O advogado do ex-diretor da Delta Cláudio Abreu preferiu se pronunciar depois que tiver mais detalhes sobre as denúncias.

A Construtora Andrade Gutierrez declarou que mantém o compromisso de colaborar com as autoridades sobre os assuntos pertinentes à Lava Jato e que a empresa tem prestado todos os esclarecimentos devidos.

O ex-governador Sérgio Cabral disse que desconhece qualquer envolvimento do nome dele na Operação Saqueador e que jamais solicitou qualquer tipo de contribuição ilegal a qualquer empresa. Cabral disse ainda que o nome dele sequer foi citado na CPI de que decorre dessa investigação.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 2 julho, 2016 at 20:31 #

Tomara que as tornozeleiras não cheguem nunca.


Taciano Lemos de Carvalho on 3 julho, 2016 at 19:30 #

Uma ideia melhor: Se não tem tornozeleira eletrônica, que tal bola de ferro e corrente?


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