DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasilia

Se um delator da Justiça coloca um político contra a parede, o melhor é encampar a proposta para se mudar a lei da delação premiada. Se um procurador pede sua prisão, dá-se o aviso que cinco pedidos de impeachment do magistrado serão analisados. E se alguém disser que não há isenção para fazer essa análise, você cria um fato e diz que três procuradores do grupo de trabalho da operação Lava Jato não têm condições de investigar o caso, por isso, também deveriam se declarar impedidos. Esta foi a maneira que um dos investigados no esquema criminoso investigado pela força tarefa, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), reagiu às últimas denúncias feitas por um dos delatores do esquema, o ex-senador, ex-presidente da Transpetro e ex-amigo do próprio Calheiros, Sérgio Machado.

As reações do senador alagoano ocorreram na quinta-feira, um dia após a divulgação da delação de Machado, e tiveram um tom de como se nada tivesse ocorrido. O peemedebista conversou tranquilamente com a imprensa por quase meia hora – o que é incomum – e não fugiu de nenhuma pergunta. Citado em onze ocasiões nas investigações, o tom dado por Calheiros só reforçam uma ofensiva política que desde o início das apurações dos desvios bilionários na Petrobras tem crescido. Atualmente, oito projetos tramitam no Legislativo pedindo alterações na atual lei da delação premiada, uma legislação aprovada pelo Congresso no ano de 2013 e, que após garantir ao menos 50 acordos de colaboração, deixou o meio político em desespero.

Os principais pontos reclamados por Calheiros, que já constam de uma das oito propostas de alteração (a assinada pelo deputado petista Wadih Damous), é a de que réu preso não poderia fazer delação e de que se o termo de colaboração vazasse, ele seria anulado. A lógica de Calheiros se baseia em seu próprio caso, que foi gravado pelo então amigo Machado criticando a Lava Jato e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “No desespero, ele [o delator] envolve até a mãe, quanto mais um amigo”, afirmou a jornalistas na tarde de quinta-feira.

Suas palavras ganham atenção depois que as gravações divulgadas do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado mostraram a cúpula do PMDB se articulando por um pacto que estancasse a investigação. Um levantamento feito pelo Ministério Público Federal, no entanto, prevê que menos de 30% das delações premiadas são firmadas por réus encarcerados. Ainda assim, o grupo que luta pela aprovação da mudança nas regras de colaboração diz que esse número causa uma falsa sensação de Justiça. Recentemente, Damous disse que os outros 70% dos delatores seriam pessoas com menor grau de influência no esquema criminoso. Ou seja, na sua avaliação seriam os familiares ou secretários dos peixes-grandes do esquema, os empreiteiros, executivos da Petrobras, políticos e doleiros que teriam sido presos antes de assinarem o termo de delação. Quando Damous apresentou o projeto de lei, Machado, que em nenhum momento esteve detido pela polícia, ainda não havia delatado boa parte da classe política brasileira.
Os projetos que querem mudar a lei da delação

PL 4372/2016, de autoria do deputado Wadih Damous (PT-RJ)

PL 223/2015, de autoria do deputado André de Paula (PSD-PE)
PL 275/2015, de autoria do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) — este deputado foi um dos citados como receptor de propina por parte de Machado, o que ele nega.
PL 4078/2015, de autoria de Hugo Motta (PMDB-PB) e Luiz Sérgio (PT-RJ). O petista é citado por Machado em sua delação premiada.
PL 4082/2015, de autoria de Hugo Motta (PMDB-PB) e Luiz Sérgio (PT-RJ).
PL 4081/2015, de autoria de Hugo Motta (PMDB-PB) e Luiz Sérgio (PT-RJ).
PLS 283/2014, de autoria do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) — hoje ministro do TCU, ele também foi citado por Machado em sua delação premiada.
PL 8079/2014, de autoria de Marco Maia (PT-RS)

As possíveis mudanças na legislação deixaram o Ministério Público em alerta. “Há meros três anos o Brasil passou a ter essa lei da delação. Não há razão para mudar a lei que é tão recente. Quem quer mudá-la só pensa na hipótese dos crimes de colarinho branco e se esquece que ela também vale para os casos clássicos de mafiosos. Como um matador, membro de uma quadrilha iria delatar o chefe do grupo se não houvesse nenhuma garantia para ele?”, diz o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti.

Apesar da tentativa de mudança nas regras, Calheiros reforçou que seu objetivo é “aperfeiçoar” a delação, não alterar a Lava Jato. No mês passado, quando seu nome apareceu nas gravações de Machado, o senador disse que a investigação era intocável. Esse discurso dele ressoa também no Palácio do Planalto. Na quinta-feira, em evento com empresários na cidade de São Paulo, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, aproveitou para elogiar as investigações: “O Brasil será outro depois da operação”. No entanto ele disse “ter certeza” de que as autoridades responsáveis pela investigação saberão concluir seu trabalho, “para evitar que aconteça aqui o que ocorreu na Itália, com a operação Mãos Limpas”. No caso italiano, houve uma contraofensiva do Legislativo, que acabou anulando algumas das conquistas da operação.
“Chance de Governo Temer ser prejudicado é zero”, diz ministro
Temer e Padilha no dia 8 de junho.
Temer e Padilha no dia 8 de junho. UESLEI MARCELINO REUTERS

Gil Alessi I São Paulo

Em evento com empresários na cidade de São Paulo o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, saiu em defesa do Governo, e disse que a chance de o Planalto ser prejudicado pela Lava Jato é “zero”. Três ministros indicados pelo presidente interino já caíram, todos por incidentes relacionados à operação, e ontem a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado resvalou em Temer. “A citação ao Temer é gratuita, aquela conversa não aconteceu, não existe Temer nesse negócio”, afirmou.

Questionado, o peemedebista evitou falar sobre o caso específico do presidente do Senado, Renan Calheiros, que também foi mencionado por Machado, e disse que cabe “ao Ministério Público Federal julgar se acha oportuno aprofundar as investigações”. O ministro criticou também o delator Sérgio Machado por “partir do pressuposto de que os políticos todos sabiam que as doações oficiais eram propina”.

“O PMDB tem mais de 2 milhões de filiados, gostaríamos que nenhum tivesse que deixar a vida pública por causa da Lava Jato, mas caso o partido sofra perdas teremos pessoas novas que irão substituí-las”, afirmou. Padilha também não quis comentar a possível ofensiva de Calheiros contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pediu a prisão preventiva do senador – posteriormente negada pelo ministro do STF Teori Zavascki. O parlamentar criticou abertamente a PGR, e estaria propenso a dar encaminhamento a um pedido de impeachment de Janot encaminhado à Casa.

Em outro sentido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também age para tentar desacreditar a Lava Jato. Nesta semana sua defesa e de seus familiares que são investigados na operação entraram com uma representação para que a Procuradoria investigue se o juiz Sergio Moro cometeu abusos na condução dos processos.Os defensores da família Lula acusam o magistrado responsável pela Lava Jato de ter cometido ao menos três supostas irregularidades: conduzir coercitivamente o ex-presidente para prestar depoimento, autorizar mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados a ele, e concordar com interceptações telefônicas por um período superior a 15 dias. Pedem que Moro seja investigado por violação à Convenção Interamericana de Direitos Humanos por crimes de abuso de autoridade na condução da Lava Jato na primeira instância. Não há nenhuma decisão sobre a abertura de investigação contra Moro.

A ofensiva contra a operação, porém, é um imbróglio para o presidente interino Michel Temer que além de enfrentar a desconfiança nacional, tem aparecido na mídia estrangeira mais pelos casos de corrupção que afetam o seu Governo, e que implicaram seu nome, do que pelas medidas que tem tomado desde que assumiu há um mês. Qualquer movimento contrário à Lava Jato afundaria sua imagem. Nesta quinta, ele optou por um pronunciamento para desqualificar Machado que o mencionou em sua delação por pedir 1,5 milhão de reais para a campanha de Gabriel Chalita para a campanha a prefeito em 2012. Os recursos seriam ilegais, saídos do caixa de uma das empreiteiras fornecedoras da Transpetro. As declarações de Temer não impediram que ele perdesse seu terceiro ministro, Henrique Alves do Turismo, que teve seu nome implicado na Lava Jato.
Impeachment de Janot

Se a Lava Jato seria impossível de mudar, o mesmo não se pode dizer sobre quem a comanda no Ministério Público. Calheiros prometeu analisar até a próxima quarta-feira cinco pedidos de impeachment do procurador-geral, Janot. Segundo ele, nove deram entrada na Casa e quatro foram arquivados por serem ineptos. A divulgação sobre esses pedidos de impedimento, porém, só vieram à tona agora, quando a cúpula do PMDB é colocada no meio do turbilhão das investigações. Apesar de ser um dos alvos da operação, o peemedebista diz que só vai se declarar impedido de dar andamento aos processos caso seja citado em um deles. “Ainda não li. Se me sentir impedido, não vou decidir”, afirmou.

Logo após essa fala, Calheiros tentou colocar em xeque a atuação de três procuradores da República que já tiveram nomeações para o Conselho Nacional do Ministério Público rejeitadas pelo Senado e, segundo ele, estariam no grupo de trabalho criado por Janot para atuar junto aos processos envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça.

O senador citou os procuradores Vladimir Aras, Nicolao Dino e Wellington Cabral Saraiva. Ocorre que nenhum deles está diretamente vinculado ao grupo de 17 procuradores cedidos especificamente para cuidar da Lava Jato. Dino é o vice-procurador-geral eleitoral. Saraiva é o assessor de Janot para tratar de assuntos constitucionais. Aras é o que mais se aproxima dessa investigação porque é o responsável pelo departamento de relações internacionais da procuradoria, mas atua em todas as apurações que envolvem termos de colaboração com outros países, não só os que são alvos dos desvios da Petrobras.

Em nota pública, seis associações de procuradores repudiaram a tentativa de desacreditar o trabalho de Janot à frente da PGR. “O postulado republicano de que todos são iguais perante a lei diz respeito tanto à proteção dos direitos fundamentais quanto ao dever de toda e qualquer pessoa responder por suas condutas ilícitas e criminosas”, diz trecho do documento.

Com informações de Gil Alessi

jun
19

Da jornalista e amiga do peito do Bahia em Pauta,Ana Maria Vieira, o editor recebeu o seguinte e-mail: “Oi .primo.
Veja a criatividade de meu irmão Mário passeando no texto com os anões de.Branca de Neve no caso Dunga.Da para vc divulgar? Achei mto interessante.bjão
Sua prima”
Ana
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O BP agradece, e compartilha o texto cocom seus leitores.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo)
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FUTEBOL PEQUENO

Mário Vieira

Dunga, o símbolo da austeridade, aquele não que nunca foi dengoso com os jogadores, foi demitido da seleção brasileira. Já tinha passado da hora. Afinal, o futebol apresentado pelo time canarinho era pífio e de deixar zangado qualquer amante do esporte bretão. Inclusive, ultimamente, grande parte da torcida preferia tirar uma soneca a assistir aos jogos da Copa América.

Para o lugar de Dunga, entra Tite, considerado por muitos da crônica esportiva um Mestre do futebol. Sua principal virtude é se comunicar facilmente com os jogadores. Fala-se que se o treinador der um simples “atchim”, a mensagem é assimilada rapidamente pelos seus comandados.

Quem não ficou feliz com a ida de Tite para a seleção foi a torcida corintiana.

Tomara que a substituição do comando técnico tire o Brasil da pequenez futebolística.

Mário Vieira

jun
19
Posted on 19-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-06-2016


Fernandes, hoje, no Diário do ABC (SP)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A delação e as delações

O Antagonista continua desconfiado da maneira como foi feita a delação de Sérgio Machado na PGR e sua homologação pelo STF.

Lauro Jardim disse que a delação de Danielle Fonteles, da Pepper, subiu no telhado após as revelações, muito mais importantes, de Benedito de Oliveira, sobre o esquema corrupto gerenciado por Fernando Pimentel.

A exigência por informações relevantes para a investigação fez com que o MPF em Curitiba, por exemplo, recusasse a proposta de delação de Renato Duque.

Da mesma forma, o MPF vem cobrando informações fortes de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro.

Está clara a diferença de parâmetro no caso de Machado, cuja delação parece servir mais para constranger a cúpula do PMDB e o governo de Michel Temer.

Maria Bethania, hoje, 18/6, aos 70, e sempre. Para recordar a primeira vez -inesquecível- que a vi no Palco do Teatro Castro Alves, em Salvador. Parabéns, Maria de Santo Amaro.
(Vitor Hugo Soares)


Depois da pressão, Tia Eron ri por último…


…E Dunga:sem coragem de atravessar seu Rubicon

ARTIGO DA SEMANA
Tia Eron e Dunga: diferenças na hora decisiva

Vitor Hugo Soares

Nestes dias incríveis de junho de 2016 – incluindo a quinta-feira da desconjuntada e cômica cerimônia petista, de entrega do título de cidadã baiana à presidente afastada Dilma Rousseff, em Salvador, e da divulgação dos pormenores da arrasadora delação premiada de Sérgio Machado (Transpetro) à Lava Jato, que alcançou a asa do presidente em exercício Michel Temer, e feriu gravemente outros maiorais da República em transe – , é inevitável, outra vez, recordar palavras e ações do falecido deputado Ulysses Guimarães.

Lembrar do audaz timoneiro da política brasileira em difíceis e tenebrosas travessias passadas. Memorável sempre, e cada vez mais, à medida que o tempo passa, as crises se renovam e se ampliam, e o País se vê cada dia mais pobre e carente de modelos e bons exemplos de líderes políticos, sociais, empresariais e governamentais. Deserto de personagens valorosos e de ideias e ideais que realmente mereçam a denominação.

Dois personagens da semana – a deputada Tia Eron e o técnico Dunga – podem parecer, para muitos, irrelevantes e sem os méritos necessários para as comparações. Mas, dois momentos marcantes e aparentemente opostos justificam a recordação, para este jornalista, nas circunstâncias que atravessamos e diante dos personagens que temos.

O primeiro (cronologicamente falando), o técnico Dunga da humilhante derrota de 1 a 0 para o Peru (gol de mão), seguida da merecida desclassificação dos “pintassilgos” do ex-craque e ex-treinador dos pampas(afastado do cargo depois da vergonha em Boston), na primeira fase da histórica Copa América do Centenário, em disputa nos Estados Unidos.

O segundo, a deputada baiana Tia Eron, do aguardado voto – e suas circunstâncias – na sessão histórica da Comissão de Ética da Câmara, que decidiu pela abertura do processo de cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, que, até a hora decisiva “da nega baiana em quem ninguém manda”, aparecia em praticamente todas as citações e referências, como o todo poderoso e imbatível manda-chuva do Congresso e da política no Brasil.

Os dois episódios demonstraram, com notável expressividade e nitidez, a atualidade das palavras de Ulysses. Segundo ele, na política, como no futebol e na vida, há horas terríveis para decidir. “Mas, há que decidir, mesmo com riscos dramáticos”. Todo político tem o seu Rubicon – o rio dos heróis romanos – assinalava, em seus discursos e escritos, o padroeiro da constituição cidadã de 1988. Todo técnico de futebol também, ouso acrescentar. “Atravessa-o e se consagra, ou estanca na margem, com medo, e se liquida. Ninguém vai ao Rubicon para pescar, advertiu Malraux. Acrescento: ninguém vai ao Ipiranga para beber água. Se Dom Pedro I o fizesse, não ganharia estátua. Ninguém ganha estátua porque bebeu água”. Grande e verdadeiro Ulysses, exemplar parlamentar e inesquecível; torcedor do Santos e do futebol brasileiro, em tempos de grandes decisões e vitórias nacionais e mundiais. Na mosca!

Estes são os fatos: Suas Excelências, os fatos. Sobre eles, multiplicam-se conjecturas e opiniões divergentes. No caso do ex-jogador e ex-treinador da seleção há mais convergências que desacordos, quanto aos traços definidores do perfil de Dunga: um futebolista “raçudo”, do tipo do personagem descrito pelo pernambucano Ascenso Ferreira, no antológico poema “O Gaúcho”. Atleta burocrático, carimbador de praticamente uma jogada só. Técnico mais conservador e limitado ainda. Cabeça dura, enfezado, e contraditoriamente apático e inoperante quando a derrota se desenha (a exemplo do jogo contra os fregueses peruanos) e cobra atitude do líder: é preciso buscar alternativas, fazer mudanças, enfim, decidir. No fim, o desastre anunciado.

Quanto à deputada Tia Eron, há mais riqueza no debate e mais controvérsias salutares, provavelmente em razão do imprevisível e do inusitado da situação que sai do controle das ideias postas e consolidadas. No perfil traçado pelo jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, está escrito: “Fiel da Igreja Universal de Reino de Deus, com uma pauta parlamentar ligada aos direitos das mulheres e da população negra, a congressista foi a mulher mais votada entre os deputados federais eleitos pela Bahia, nas eleições de 2014, após três mandatos consecutivos como vereadora de Salvador. Por ter, supostamente, cometido improbidade administrativa, ela é ré em uma ação civil pública que tramita na 5ª Vara de Fazenda Pública da capital baiana e teve sua prestação de contas de campanha contestada pelo Ministério Público Eleitoral”.

Mais prático, e mais próximo da personagem política desta semana de junho, o jornal Tribuna da Bahia escreveu assim em sua bem informada coluna política Raio Laser: “Ninguém duvide: a deputada Tia Eron deixou a Comissão de Ética da Câmara Federal consagrada. Virou nome nacional, ampliou a visibilidade local, e mostrou que sabe, como poucos ou poucas, jogar politicamente. Tem direito de sonhar alto. Há quem a veja com potencial de almejar até o Palácio Tomé de Souza. Mas, por hora, pode ser alçada à condição de vice do prefeito ACM Neto (disparado nas pesquisas para a reeleição). A conferir.

No meio do campo, pontuou o jornal espanhol El Pais sobre Tia Eron na hora decisiva: “O suspense se arrastaria até a votação, quando a pressionada “nega baiana em quem ninguém manda” afirmou que não poderia absolver Cunha e que votaria “sim” ao parecer do relator. Houve comemoração na sala e o seu voto fez com que Wladimir Costa (PSD), que minutos antes dissera haver “provas cabais” de que não houve mentira de Cunha, votasse pela cassação.” Precisa dizer mais?

Antes do ponto final, digo eu: Ulysses vive! Salve a memória e o pensamento de Ulysses Guimarães!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br



BOM DIA!!!

Espaço na TV é bom e todo mundo gosta

O PT lançar candidato a prefeito de Salvador, a não ser que fosse um nome bombástico, que sacudisse o processo sucessório, é coisa impensável.

Por isso, fica cada vez mais incompreensível o impasse no bloco oposicionista municipal, no qual só prevalece um consenso: já se perdeu tempo demais.

O governador Rui Costa, a quem se atribui a articulação de uma chapa com a senadora Lídice da Mata (PSB) na cabeça, recusa a responsabilidade, atendo-se a suas “obras e ações” e deixando o pepino com os “dirigentes partidários”.

Deve ter se referido somente aos petistas, pois estaria em curso uma disputa cruel pelo espaço na mídia e no programa eleitoral, e a cidade e seus habitantes que se lixem.

O intérprete do centralismo democrático do PCdoB, deputado Daniel Almeida, foi enfático: “Já fizemos [pela unidade da ‘esquerda’] o que foi possível”, e confirmou para amanhã o lançamento da deputada Alice Portugal.

Há, assim, três vertentes “esquerdistas”: Alice, que enfim vislumbra a chance real de seu partido exercer alguma autonomia, Lídice, interessada em mais um upgrade majoritário, e o PT, cheio de anônimos doidos para aparecer.

Como íamos dizendo…

Sem fazer pesquisa, deixando a tarefa ao Instituto Paraná, Por Escrito matou a charada em postagem de ontem: o governador Rui Costa tem 61% de avaliação positiva no eleitorado de Salvador.

Mas nem isso o fará renunciar para disputar a Prefeitura. A “esquerda” tem de se virar com o que tem, pois até o ex-governador Jaques Wagner, segundo informação vigente, foi se domiciliar lá para as bandas de Andaraí.


Governador Dornelles, Paes e Temer no Rio.
Foto:Beto Barata/PR

DO EL PAIS

O Estado do Rio de Janeiro decretou “Estado de Calamidade Pública no âmbito da administração financeira” devido à crise econômica, o que na prática deve permitir a adoção de medidas excepcionais para reduzir gastos e serviços públicos essenciais com vistas à realização dos Jogos Olímpicos, que começam no próximo dia 5 de agosto. Nem o decreto, publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira, nem os assessores do Governo estadual ou o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), especificaram, porém, o principal: que medidas serão tomadas. Especialistas consultados por EL PAÍS concordam que a hipótese mais provável é que o decreto sirva, além dos cortes, para pressionar por uma injeção extra – e legalmente mais rápida – de recursos do Governo Federal, em plena restrição fiscal.

Em entrevista coletiva, o governador em exercício Dornelles (PP) disse que “o decreto tem o objetivo de chamar a atenção de toda a sociedade do Rio de Janeiro para os problemas que vive o Estado e abre caminho para que tomemos medidas muito duras no campo da administração”. Disse ainda que conversou com o presidente em exercício, Michel Temer, sobre a situação, mas que “ninguém discutiu valor ou tivemos decisões definitivas”. Segundo Dornelles, foi marcada para a segunda-feira uma reunião em Brasília de Temer “com todos os governadores”, quando a grave crise financeira dos Estados será debatida.

No texto, o Estado admite que a crise econômica que assola o Estado compromete “o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”. A situação, segue o texto, “pode ocasionar ainda o total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental” e considera para a publicação do decreto a iminente chegada das delegações estrangeiras à cidade. O decreto vago e com frases contundentes lança mais sombras sobre os Jogos num momento de intenso noticiário negativo internacional para o Brasil, mergulhado em uma crise política e lidando com a epidemia de zika.

Com a maior parte dos equipamentos destinados aos Jogos concluídos, o principal dos compromissos olímpicos ameaçado é hoje a ampliação do Metrô, para cuja conclusão o Estado pediu para o Governo Federal ainda mais 500 milhões de reais. Dependeria também da União um repasse de cerca de três bilhões de reais, segundo publicou Ancelmo Gois em O Globo, para ajudar no pagamento dos servidores públicos e evitar, de passagem, manifestações durante o grande evento.

O Comitê Rio 2016 afirmou que decreto não tem impacto nos preparativos dos Jogos, porque a organização “não depende de nenhuma classe de fundos governamentais”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anfitrião principal do evento, usou o Twitter para dizer que o texto “em nada atrasa as entregas olímpicas e os compromissos assumidos pelo Rio”. A administração municipal está em situação mais saudável do que o Estado, que é considerado inadimplente com operações de crédito internacional e não pode obter novos empréstimos.
Preocupação com a segurança

O Estado do Rio reconhece oficialmente que se encontra à beira do colapso econômico após meses de descumprimento das suas obrigações e quando seu déficit estimado no orçamento já atinge os 19 bilhões de reais. Com a queda dos royalties do petróleo, a arrecadação de impostos e o contexto nacional de crise, Rio de Janeiro está atrasando parte do pagamento dos salários dos seus servidores públicos e adiando o repasse de verbas para, entre outros equipamentos, os hospitais, que chegaram a colapsar no começo do ano. Na área de segurança pública, um setor com impacto potencial maior no evento, o pagamento das horas extras dos policiais também tem sido interrompido e faltam materiais básicos nas delegacias como papel higiênico, o que se traduziu na desmotivação dos agentes e em um aumento dos índices de criminalidade no Estado nos últimos cinco meses.

O estado de calamidade, considerado uma medida “excepcionalíssima” pelo economista Claudio Frischtak, costuma ser decretado em situações de catástrofes naturais para poder realocar recursos em caráter extraordinário ou assinar contratos em caráter de urgência e sem licitação. “O problema concreto do Estado é que sua capacidade de entregar os serviços de segurança, saúde e educação, está comprometida com a crise fiscal. A saída até o momento tem sido adiar os pagamentos, mas o governador deve ter chegado a conclusão de que a única maneira de continuar pode ser cortar salários e demitir pessoas, racionalizar serviços públicos, medidas que a legislação não permite em situações normais”, afirma Frischtak, em uma avaliação preliminar.

jun
18
Posted on 18-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-06-2016


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

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