O cabaré de Sérgio Machadão

Janio Ferreira Soares

Em julho de 2008, quando Daniel Dantas foi preso pela operação Satiagraha, escrevi um texto para o Terra Magazine sugerindo que o banqueiro baiano fizesse igual ao seu xará, Daniel Boone, que na abertura de seu seriado que passava na tevê nos anos 70, arremessava uma machadinha numa árvore abrindo-a ao meio. A ideia era a de que Dantas cortasse, não algarobas de raízes rasas ou mandacarus de fáceis cortes, mas algumas das velhas cabeças coroadas da República, que à época vergavam, vergavam, mas sempre sobreviviam diante dos obscenos acordos firmados nos calabouços bolorentos das malocas brasilienses. Quando é agora, oito anos depois dessa sugestão ao descendente do Barão de Jeremoabo, eis que meu sonho se materializa através da delação de um homem que traz no sobrenome a alcunha da ferramenta de grosseiro corte.

Tipo asqueroso, Sérgio Machado, com seu sotaque carregado, cintura roliça e tinturas corrompendo as melaninas do tempo, é a mais clássica tradução do político brasileiro. Recentemente, com autoridade de um cafetão que sabe como funcionam os puteiros governamentais, ele declarou que a Petrobras é a madame mais honesta desse imenso lupanar chamado Brasil, numa clara insinuação de que as demais estatais – Eletrobras à frente – são rameiras profissionais se comparadas àquela que durante anos foi sua generosa rapariga de aluguel. Diante disso, e observando-o com um pé entre o perfume de gardênia e o grená do tafetá, ele me lembra um daqueles coronéis que viviam beijando a mão de Maria Machadão (inesquecível personagem interpretada por Eloisa Mafalda na primeira versão de Gabriela), interessado apenas em ser o primeiro a coitar com alguma virgem recém-chegada ao Bataclã. A propósito, pelo sobrenome, biótipo e conhecimento de causa, não dá para não imaginá-lo com uma saia rodada estilo vovó Mafalda, recebendo na porta do seu cabaré Sarney, Renan, Aécio e Temer, enquanto Lula, já lá dentro, toma um Dreher ouvindo Waldick cantando que a noite, por enquanto, está calma.
Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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