DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIZ AUGUSTO GOMES)

As pesquisas que desestabilizaram o planeta

O mundo está de cabeça para baixo, com diversos sinais de incerteza, por causa da decisão popular que tirou, ontem, o Reino Unido da União Europeia.

Até o dia anterior, essa perspectiva era inexistente – pelo menos se acreditava ou se fingia que o status quo seria mantido, apesar do equilíbrio anunciado entre as duas opções.

Agora, são vários os problemas a resolver, e ligeiro, como já disse a França: imigração, comércio, câmbio, mercados, política fiscal e até o trânsito europeu dos súditos de Elizabeth II.

Mais graves, porém, são a desestabilização da União Europeia e a desagregação do próprio Reino Unido – neste caso com propostas de plebiscito já lançadas por Escócia e Irlanda do Norte, que querem continuar “europeias”.

A que se creditar a mudança de consequências imprevisíveis que gera essa ressaca de proporções continentais? Às pesquisas, não há, infelizmente, outra resposta.

Uma delas, na reta final da campanha, feita pelo You Gov, um instituto que é referência internacional na matéria, previa o placar de 52% a 48% pela permanência britânica na aliança, para um resultado exatamente inverso.

Está claro que a preocupação de derrota não passou pela cabeça dos partidários da saída, sensação alimentada por números incorretos, cujos efeitos estão apenas começando a se produzir.

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O Brasil ficaria

Se a solução coubesse ao eleitorado brasileiro, o Reino Unido ainda estaria na União Europeia.

O povo por aqui não gosta muito de “perder o voto”, isto é, votar no lado que, segundo as pesquisas, será derrotado.

Reino Unido dá show de política

de dar inveja a observação do jogo político no Reino Unido, como, em geral, acontece nos principais países da democracia europeia – permita-se a adjetivação.

O primeiro-ministro David Cameron não queria abandonar a União Europeia, mas concordou em fazer o plebiscito, concessão que o ajudou no ano passado na reeleição, aliás, contra o que diziam as pesquisas.

No interregno, esforçou-se para mudar as condições das relações dentro da União Europeia, e não conseguindo foi, agora, derrotado pelo voto.

Cameron não regateou um minuto sequer. Seu primeiro pronunciamento público foi para anunciar a renúncia de quem foi desautorizado pela soberania popular.

Na Escócia e na Irlanda do Norte, o voto pela permanência na União Europeia foi majoritário. Por isso, no caso escocês, o partido derrotado em referendo em 2014 pelo rompimento com o Reino Unido cumpre o compromisso de nova consulta caso ocorresse o que ontem se consumou.

Temos aí um sistema partidário autêntico, com programas, ideias, mas também vivendo o debate interno em suas legendas, a exemplo da divisão no próprio Partido Conservador, que faz emergir a liderança de Boris Johnson, ex-prefeito de Londres.

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