Maria Bethania, hoje, 18/6, aos 70, e sempre. Para recordar a primeira vez -inesquecível- que a vi no Palco do Teatro Castro Alves, em Salvador. Parabéns, Maria de Santo Amaro.
(Vitor Hugo Soares)


Depois da pressão, Tia Eron ri por último…


…E Dunga:sem coragem de atravessar seu Rubicon

ARTIGO DA SEMANA
Tia Eron e Dunga: diferenças na hora decisiva

Vitor Hugo Soares

Nestes dias incríveis de junho de 2016 – incluindo a quinta-feira da desconjuntada e cômica cerimônia petista, de entrega do título de cidadã baiana à presidente afastada Dilma Rousseff, em Salvador, e da divulgação dos pormenores da arrasadora delação premiada de Sérgio Machado (Transpetro) à Lava Jato, que alcançou a asa do presidente em exercício Michel Temer, e feriu gravemente outros maiorais da República em transe – , é inevitável, outra vez, recordar palavras e ações do falecido deputado Ulysses Guimarães.

Lembrar do audaz timoneiro da política brasileira em difíceis e tenebrosas travessias passadas. Memorável sempre, e cada vez mais, à medida que o tempo passa, as crises se renovam e se ampliam, e o País se vê cada dia mais pobre e carente de modelos e bons exemplos de líderes políticos, sociais, empresariais e governamentais. Deserto de personagens valorosos e de ideias e ideais que realmente mereçam a denominação.

Dois personagens da semana – a deputada Tia Eron e o técnico Dunga – podem parecer, para muitos, irrelevantes e sem os méritos necessários para as comparações. Mas, dois momentos marcantes e aparentemente opostos justificam a recordação, para este jornalista, nas circunstâncias que atravessamos e diante dos personagens que temos.

O primeiro (cronologicamente falando), o técnico Dunga da humilhante derrota de 1 a 0 para o Peru (gol de mão), seguida da merecida desclassificação dos “pintassilgos” do ex-craque e ex-treinador dos pampas(afastado do cargo depois da vergonha em Boston), na primeira fase da histórica Copa América do Centenário, em disputa nos Estados Unidos.

O segundo, a deputada baiana Tia Eron, do aguardado voto – e suas circunstâncias – na sessão histórica da Comissão de Ética da Câmara, que decidiu pela abertura do processo de cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, que, até a hora decisiva “da nega baiana em quem ninguém manda”, aparecia em praticamente todas as citações e referências, como o todo poderoso e imbatível manda-chuva do Congresso e da política no Brasil.

Os dois episódios demonstraram, com notável expressividade e nitidez, a atualidade das palavras de Ulysses. Segundo ele, na política, como no futebol e na vida, há horas terríveis para decidir. “Mas, há que decidir, mesmo com riscos dramáticos”. Todo político tem o seu Rubicon – o rio dos heróis romanos – assinalava, em seus discursos e escritos, o padroeiro da constituição cidadã de 1988. Todo técnico de futebol também, ouso acrescentar. “Atravessa-o e se consagra, ou estanca na margem, com medo, e se liquida. Ninguém vai ao Rubicon para pescar, advertiu Malraux. Acrescento: ninguém vai ao Ipiranga para beber água. Se Dom Pedro I o fizesse, não ganharia estátua. Ninguém ganha estátua porque bebeu água”. Grande e verdadeiro Ulysses, exemplar parlamentar e inesquecível; torcedor do Santos e do futebol brasileiro, em tempos de grandes decisões e vitórias nacionais e mundiais. Na mosca!

Estes são os fatos: Suas Excelências, os fatos. Sobre eles, multiplicam-se conjecturas e opiniões divergentes. No caso do ex-jogador e ex-treinador da seleção há mais convergências que desacordos, quanto aos traços definidores do perfil de Dunga: um futebolista “raçudo”, do tipo do personagem descrito pelo pernambucano Ascenso Ferreira, no antológico poema “O Gaúcho”. Atleta burocrático, carimbador de praticamente uma jogada só. Técnico mais conservador e limitado ainda. Cabeça dura, enfezado, e contraditoriamente apático e inoperante quando a derrota se desenha (a exemplo do jogo contra os fregueses peruanos) e cobra atitude do líder: é preciso buscar alternativas, fazer mudanças, enfim, decidir. No fim, o desastre anunciado.

Quanto à deputada Tia Eron, há mais riqueza no debate e mais controvérsias salutares, provavelmente em razão do imprevisível e do inusitado da situação que sai do controle das ideias postas e consolidadas. No perfil traçado pelo jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, está escrito: “Fiel da Igreja Universal de Reino de Deus, com uma pauta parlamentar ligada aos direitos das mulheres e da população negra, a congressista foi a mulher mais votada entre os deputados federais eleitos pela Bahia, nas eleições de 2014, após três mandatos consecutivos como vereadora de Salvador. Por ter, supostamente, cometido improbidade administrativa, ela é ré em uma ação civil pública que tramita na 5ª Vara de Fazenda Pública da capital baiana e teve sua prestação de contas de campanha contestada pelo Ministério Público Eleitoral”.

Mais prático, e mais próximo da personagem política desta semana de junho, o jornal Tribuna da Bahia escreveu assim em sua bem informada coluna política Raio Laser: “Ninguém duvide: a deputada Tia Eron deixou a Comissão de Ética da Câmara Federal consagrada. Virou nome nacional, ampliou a visibilidade local, e mostrou que sabe, como poucos ou poucas, jogar politicamente. Tem direito de sonhar alto. Há quem a veja com potencial de almejar até o Palácio Tomé de Souza. Mas, por hora, pode ser alçada à condição de vice do prefeito ACM Neto (disparado nas pesquisas para a reeleição). A conferir.

No meio do campo, pontuou o jornal espanhol El Pais sobre Tia Eron na hora decisiva: “O suspense se arrastaria até a votação, quando a pressionada “nega baiana em quem ninguém manda” afirmou que não poderia absolver Cunha e que votaria “sim” ao parecer do relator. Houve comemoração na sala e o seu voto fez com que Wladimir Costa (PSD), que minutos antes dissera haver “provas cabais” de que não houve mentira de Cunha, votasse pela cassação.” Precisa dizer mais?

Antes do ponto final, digo eu: Ulysses vive! Salve a memória e o pensamento de Ulysses Guimarães!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br



BOM DIA!!!

Espaço na TV é bom e todo mundo gosta

O PT lançar candidato a prefeito de Salvador, a não ser que fosse um nome bombástico, que sacudisse o processo sucessório, é coisa impensável.

Por isso, fica cada vez mais incompreensível o impasse no bloco oposicionista municipal, no qual só prevalece um consenso: já se perdeu tempo demais.

O governador Rui Costa, a quem se atribui a articulação de uma chapa com a senadora Lídice da Mata (PSB) na cabeça, recusa a responsabilidade, atendo-se a suas “obras e ações” e deixando o pepino com os “dirigentes partidários”.

Deve ter se referido somente aos petistas, pois estaria em curso uma disputa cruel pelo espaço na mídia e no programa eleitoral, e a cidade e seus habitantes que se lixem.

O intérprete do centralismo democrático do PCdoB, deputado Daniel Almeida, foi enfático: “Já fizemos [pela unidade da ‘esquerda’] o que foi possível”, e confirmou para amanhã o lançamento da deputada Alice Portugal.

Há, assim, três vertentes “esquerdistas”: Alice, que enfim vislumbra a chance real de seu partido exercer alguma autonomia, Lídice, interessada em mais um upgrade majoritário, e o PT, cheio de anônimos doidos para aparecer.

Como íamos dizendo…

Sem fazer pesquisa, deixando a tarefa ao Instituto Paraná, Por Escrito matou a charada em postagem de ontem: o governador Rui Costa tem 61% de avaliação positiva no eleitorado de Salvador.

Mas nem isso o fará renunciar para disputar a Prefeitura. A “esquerda” tem de se virar com o que tem, pois até o ex-governador Jaques Wagner, segundo informação vigente, foi se domiciliar lá para as bandas de Andaraí.


Governador Dornelles, Paes e Temer no Rio.
Foto:Beto Barata/PR

DO EL PAIS

O Estado do Rio de Janeiro decretou “Estado de Calamidade Pública no âmbito da administração financeira” devido à crise econômica, o que na prática deve permitir a adoção de medidas excepcionais para reduzir gastos e serviços públicos essenciais com vistas à realização dos Jogos Olímpicos, que começam no próximo dia 5 de agosto. Nem o decreto, publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira, nem os assessores do Governo estadual ou o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), especificaram, porém, o principal: que medidas serão tomadas. Especialistas consultados por EL PAÍS concordam que a hipótese mais provável é que o decreto sirva, além dos cortes, para pressionar por uma injeção extra – e legalmente mais rápida – de recursos do Governo Federal, em plena restrição fiscal.

Em entrevista coletiva, o governador em exercício Dornelles (PP) disse que “o decreto tem o objetivo de chamar a atenção de toda a sociedade do Rio de Janeiro para os problemas que vive o Estado e abre caminho para que tomemos medidas muito duras no campo da administração”. Disse ainda que conversou com o presidente em exercício, Michel Temer, sobre a situação, mas que “ninguém discutiu valor ou tivemos decisões definitivas”. Segundo Dornelles, foi marcada para a segunda-feira uma reunião em Brasília de Temer “com todos os governadores”, quando a grave crise financeira dos Estados será debatida.

No texto, o Estado admite que a crise econômica que assola o Estado compromete “o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”. A situação, segue o texto, “pode ocasionar ainda o total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental” e considera para a publicação do decreto a iminente chegada das delegações estrangeiras à cidade. O decreto vago e com frases contundentes lança mais sombras sobre os Jogos num momento de intenso noticiário negativo internacional para o Brasil, mergulhado em uma crise política e lidando com a epidemia de zika.

Com a maior parte dos equipamentos destinados aos Jogos concluídos, o principal dos compromissos olímpicos ameaçado é hoje a ampliação do Metrô, para cuja conclusão o Estado pediu para o Governo Federal ainda mais 500 milhões de reais. Dependeria também da União um repasse de cerca de três bilhões de reais, segundo publicou Ancelmo Gois em O Globo, para ajudar no pagamento dos servidores públicos e evitar, de passagem, manifestações durante o grande evento.

O Comitê Rio 2016 afirmou que decreto não tem impacto nos preparativos dos Jogos, porque a organização “não depende de nenhuma classe de fundos governamentais”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anfitrião principal do evento, usou o Twitter para dizer que o texto “em nada atrasa as entregas olímpicas e os compromissos assumidos pelo Rio”. A administração municipal está em situação mais saudável do que o Estado, que é considerado inadimplente com operações de crédito internacional e não pode obter novos empréstimos.
Preocupação com a segurança

O Estado do Rio reconhece oficialmente que se encontra à beira do colapso econômico após meses de descumprimento das suas obrigações e quando seu déficit estimado no orçamento já atinge os 19 bilhões de reais. Com a queda dos royalties do petróleo, a arrecadação de impostos e o contexto nacional de crise, Rio de Janeiro está atrasando parte do pagamento dos salários dos seus servidores públicos e adiando o repasse de verbas para, entre outros equipamentos, os hospitais, que chegaram a colapsar no começo do ano. Na área de segurança pública, um setor com impacto potencial maior no evento, o pagamento das horas extras dos policiais também tem sido interrompido e faltam materiais básicos nas delegacias como papel higiênico, o que se traduziu na desmotivação dos agentes e em um aumento dos índices de criminalidade no Estado nos últimos cinco meses.

O estado de calamidade, considerado uma medida “excepcionalíssima” pelo economista Claudio Frischtak, costuma ser decretado em situações de catástrofes naturais para poder realocar recursos em caráter extraordinário ou assinar contratos em caráter de urgência e sem licitação. “O problema concreto do Estado é que sua capacidade de entregar os serviços de segurança, saúde e educação, está comprometida com a crise fiscal. A saída até o momento tem sido adiar os pagamentos, mas o governador deve ter chegado a conclusão de que a única maneira de continuar pode ser cortar salários e demitir pessoas, racionalizar serviços públicos, medidas que a legislação não permite em situações normais”, afirma Frischtak, em uma avaliação preliminar.

jun
18
Posted on 18-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-06-2016


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

NÃO HOUVE TRAIÇÃO

O Antagonista está convencido agora de que Tia Eron e Wladimir Costa não traíram Eduardo Cunha. Tiveram de cassá-lo justamente para evitar que fosse preso por obstrução.

Se o peemedebista escapasse da cassação, Rodrigo Janot teria razão em seu argumento de que ele continuava interferindo na Câmara e só restaria a Teori Zavascki determinar a sua prisão.

Cunha entregou os anéis para ficar com os dedos.

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