DEU NO G1/ O GLOBO

Filipe MatosoDo G1, em Brasília

Após ser citado no acordo de delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como beneficiário de propina, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão do cargo na tarde desta quinta-feira (16), informou a assessoria do Palácio do Planalto. O peemedebista é alvo de um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga políticos suspeitos de envolvimento na Lava Jato.

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro relatou ter repassado a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.

Em pouco mais de um mês de governo Michel Temer, esta é a terceira demissão de ministros em razão de envolvimento no esquema de corrupção que agia na Petrobras investigado pela Lava Jato. Antes de Alves, havia sido demitidos os ministros Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).

De acordo com Sérgio Machado, a propina foi paga ao ministro do Turismo da seguinte forma: R$ 500 mil em 2014; R$ 250 mil, em 2012 e R$ 300 mil em 2008. Os valores foram repassados, segundo ele, pela Queiroz Galvão. Outros R$ 500 mil foram pagos em 2010 a Alves, pela Galvão Engenharia, de acordo com a delação.

Os recursos eram entregues por meio de doações oficiais, mas eram provenientes, conforme o delator, de propina dos contratos da subsidiária da Petrobras. Sérgio Machado detalhou que Henrique Alves costumava procurá-lo com frequência em busca de recursos para campanha.

Por meio de nota, Henrique Alves afirmou nesta quarta que todas as doações para as campanhas dele foram oficiais, e as prestações de contas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O peemedebista ressaltou ainda que, nas eleições de 2008 e 2012, como presidente de partido, os “eventuais pedidos de doações foram para as campanhas municipais, obedecendo a lei vigente, sempre com registro na Justiça Eleitoral”. Por fim, o ministro disse que estava à disposição da Justiça, “confiante que as ilações envolvendo o seu nome serão prontamente esclarecidas”.

Procurada nesta quarta-feira (15), a Galvão Engenharia diz que não vai se pronunciar sobre as suspeitas.

Demissão por telefone

Segundo o G1 apurou, Temer se reuniu na noite desta quarta-feira (15) com o ministro do Turismo, dia em que foi tornado público o conteúdo da delação de Machado.

Na tarde desta quinta, relataram assessores palacianos, Henrique Alves telefonou para o presidente em exercício para comunicar sua decisão de deixar o comando do Ministério do Turismo. Mais tarde, ele enviou uma carta na qual formalizou o pedido de demissão.

No documento encaminhado a Temer, o ministro demissionário afirmou “que o momento nacional exige atitudes em prol do bem maior”.

“O PMDB, meu partido há 46 anos, foi chamado a tirar o Brasil de uma crise profunda. Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional. Assim, com esta carta entrego o honroso cargo de Ministro do Turismo”, escreveu.

r o Ministério do Turismo, nesta quinta (16) (Foto: Reprodução)

OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga esquema de corrupção

Henrique Alves é alvo de dois pedidos de investigação na Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator dos processos, ministro Teori Zavascki, ainda não autorizou a abertura dos inquéritos para investigar o peemedebista.

Num dos pedidos, a Procuradoria Geral da República quer apurar se, junto com Eduardo Cunha, Alves beneficiou a construtora OAS em propostas legislativas na Câmara. A suspeita surgiu de trocas de mensagens com Léo Pinheiro, presidente afastado da construtora.

O outro pedido busca incluir Henrique Alves dentro do maior inquérito da Lava Jato, que investiga toda a organização criminosa que desviou recursos da Petrobras. A suspeita é que o ex-ministro tenha sido beneficiado com pagamentos de propina desviada de contratos da estatal.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que há elementos da participação do agora ex-ministro do Turismo em irregularidades apuradas pela Lava Jato e suspeita de recebimento de propina “disfarçada de doações oficiais”.

A informação consta de pedido de abertura de inquérito enviado ao Supremo no fim de abril. O teor estava sob sigilo, mas foi revelado em reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”. A TV Globo também obteve acesso aos dados.
saiba mais

Perfil

Henrique Alves tem 67 anos e é deputado federal há 11 mandatos consecutivos, de 1971 a 2015, todos pelo PMDB do Rio Grande do Norte. Entre 2013 e 2015, foi presidente da Câmara dos Deputados.

Em 2014, concorreu ao cargo de governador do Rio Grande do Norte. No primeiro turno, teve 78.582 votos a mais que seu adversário Robinson Faria. No segundo turno, no entanto, houve a virada, e o peemedebista foi derrotado, com 45,58% dos votos.

No início de 2015, quando a presidente Dilma Rousseff tomou posse no segundo mandato, havia a expectativa de que ele fosse convidado para ser ministro. Mas isso não se confirmou.

Em abril daquele ano, ele foi chamado para substituir Vinícius Alves no Ministério do Turismo. No discurso de nomeação, Dilma afirmou que Henrique Alves desenvolveria “ainda mais” o turismo no Brasil e reforçou a importância do cargo, devido à proximidade da Olimpíada.

Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, elogiou o companheiro de partido. “É um orgulho para qualquer governo ter o Henrique em seu ministério”, disse.

Alves pediu demissão a Dilma em março deste ano, um dia antes de o PMDB anunciar o rompimento com seu governo.
[USAR MATÉRIA] Combinação de fotos mostra, da esquerda para a direita: Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento, Fabiano Silveira, ex-ministro da Transparência e Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo; Geraldo Magela/Agência Senado; Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Combinação de fotos mostra, da esquerda para a direita: Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento, Fabiano Silveira, ex-ministro da Transparência e Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo; Geraldo Magela/Agência Senado; Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Demissões do governo Temer
Em 35 dias do governo provisório de Michel Temer, três ministros já tiveram de deixar o primeiro escalão em razão do impacto das investigações da Operação Lava Jato: Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência) e Henrique Alves (Turismo).

Jucá caiu da Esplanada dos Ministérios uma semana e meia após ser nomeado para o comando do Planejamento. Investigado na Lava Jato e em outro processo no Supremo, o senador do PMDB foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro propondo um “pacto” para barrar as investigações de irregularidades na estatal do petróleo.

Fabiano Silveira foi flagrado em conversas gravadas por Sérgio Machado criticando a Lava Jato e dando orientações de defesa ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao próprio ex-presidente da Transpetro, ambos investigados por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras. As gravações foram exibidas em reportagem exclusiva do Fantástico.

DO G1/O GLOBO/CORREIO24HORAS

Da Redação, com Alexandro Mota (redacao@correio24horas.com.br)

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) foi recebida por militantes na chegada à Assembleia Legislativa no início da tarde desta quinta-feira (16), para a entrega o título de cidadã baiana. Ela chegou acompanhada do governador Rui Costa (PT). Os deputados Zé Neto e Rosemberg Pinto, autor do projeto que concede o título também estavam presentes na chegada.

Cercada de seguranças, Dilma subiu a rampa da Assembleia e acenou para militantes, que gritavam “fica, querida” e outras frases de apoio à presidente.

Após a cerimônia, estava previsto um ato cultural no Pelourinho em protesto contra o governo interino de Michel Temer (PMDB). O ato, porém, foi cancelado em função das chuvas na capital baiana. Um novo ato deverá ocorrer em julho com a presença da presidente afastada Dilma Rousseff.

O título de cidadania baiana foi aprovado em 2011, e foi proposto pelo líder da bancada do PT na Assembleia, deputado estadual Rosemberg Pinto. A petista é natural de Belo Horizonte (MG), mas aos 23 anos se mudou para Porto Alegre (RS), onde cursou Economia e iniciou sua carreira política.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Sorria!

Lindbergh, que esbraveja agora na comissão do impeachment, disse ao Correio Braziliense que “de um mês pra cá, a situação melhorou muito: sou parado na rua para selfies”.

O Globo traz uma amostra de como O Antagonista acha que são esses selfies.

“Balanço Zona Sul “, de Tito Madi, na voz de Wilson Simonal, na véspera do dia de São João Gilberto!!!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

jun
16
Posted on 16-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-06-2016

Lula tem agora preocupação em duas instâncias

A proverbial “teoria conspiratória” mais uma vez se manifesta – nas interpretações da decisão do ministro Teori Zavascki transferindo ao juiz Sérgio Moro a ação que investiga atos atribuídos ao ex-presidente Lula.

Zavascki fez retornar à “república de Curitiba” a parte relativa ao tríplex de Guarujá e ao sítio de Atibaia, imóveis cuja propriedade Lula teria ocultado, e manteve no STF gravações que sugerem uma tentativa de atrapalhar a Operação Lava-Jato.

Isso seria livrar o ex-presidente da acusação aparentemente mais grave e mais provável. Entretanto, é altamente duvidoso que o ex-presidente esteja festejando essa medida “salomônica” do ministro.

Muitos reagem com sinceridade, desejosos de que a verdade seja apurada da forma mais rápida, e por um magistrado, efetivamente, de grande confiança pública.

Outros o fazem por interesses políticos, o que por si só os torna escusos, mas, para que a democracia e a normalidade se imponham, é preciso compreender a existência do tempo da nação e do tempo da Justiça.

O ministro do Supremo atentou-se à técnica jurídica, considerando o princípio vigente da prerrogativa de foro e desconhecendo provas obtidas sem cobertura da lei. Ademais, repreendeu Moro por “usurpação de competência” e quebra de sigilo, pelo que o juiz até já se desculpou.

Fato é que, quem quer que tenha razão nessa polêmica nacional, há dois focos com que preocupar-se a partir de agora: a leitura que o juiz federal fará do material que tem nas mãos e o acompanhamento, especialmente quanto a prazo, da parte que ficou em Brasília.


BOM DIA!!!

jun
16

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Agência Brasil

DO EL PAIS

Carla Jiménez

São Paulo

23 de fevereiro de 2016. Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, segue para um encontro com o senador Renan Calheiros munido de um dispositivo escondido para gravar a conversa com seu interlocutor. A decisão de trair o antigo aliado foi tomada poucos meses antes, em dezembro, depois de conversa com seu filho, Expedito Machado. Jogou sujo com Renan, a quem conhecia desde 1991, para salvar sua própria pele. As informações que ele coletasse seriam repassadas à força tarefa da Lava Jato no âmbito do acordo de delação premiada, o que poderia reduzir sua pena por praticar crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

No dia 23 e 24, Machado esteve com Renan, e também com José Sarney. Os encontros se repetiriam nos dias 10 e 11, quando ele também gravaria as conversas com Romero Jucá. O executivo seduziu os caciques do PMDB com a sua conversa informal, provocando-os a fazer um diagnóstico sobre a Lava Jato. Foi assim que ele obteve as gravações, cujo conteúdo se tornou público nesta quarta-feira por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Opiniões sinceras da cúpula peemedebista sobre Rodrigo Janot – um mau caráter, segundo Renan –, a vulnerabilidade de Aécio Neves (“o primeiro a ser comido”, segundo Romero Jucá) e as tentativas de fechar um “pacto de Caxias” com diversos parlamentares que estavam na Lava Jato. Machado foi indicado pelos quatro políticos traídos ao cargo na Transpetro, explicou ele em sua delação. A indicação para a presidência da empresa de logística de combustíveis, porém, cobrava um preço: 100 milhões de reais, a título de “vantagens ilícitas”, foram depositados na conta de caciques do partido entre 2004 e 2014, período em que o executivo ocupou a presidência da empresa de logística. Um suborno mensal para facilitar os negócios da Transpetro e seus fornecedores com a Petrobras.

A traição de Machado é apenas uma das muitas que aparecem no enredo contado em capítulos pela operação Lava Jato que revela, de maneira nua e crua, a política brasileira. Delcídio do Amaral, ex-senador petista, sentiu uma faca nas costas quando foi deixado à míngua pelo seu antigo partido e por virtuais aliados no Senado. Flagrado numa gravação oferecendo dinheiro a Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Amaral foi preso em 25 de novembro do ano passado. No mesmo dia em que foi levado por agentes da Polícia Federal para Curitiba, viu o presidente do PT, Rui Falcão, soltar uma nota anunciando que o partido não lhe prestaria solidariedade.

Sentiu-se traído, também, por dois terços do Senado a quem prestou diversos favores, conforme contou em entrevista à revista Piauí, e que o abandonou quando votou por sua cassação em maio deste ano. Pelo ex-presidente Lula, que o teria chamado de “imbecil” por deixar-se gravar, apesar de ter sido flagrado num momento em que seguia suas orientações, segundo ele. Traído também pela família de Cerveró, que aceitou primeiramente dinheiro das mãos de Amaral para custear suas despesas enquanto o patriarca estava preso. Achava que o silêncio do executivo estava sendo comprado em eventual delação premiada. Mas foi o filho de Cerveró, Bernardo, quem gravou a conversa com o ex-senador em que ele oferece dinheiro a sua família, com aval do banqueiro André Esteves, ex-BTG. A gravação de Bernardo acabou levando Amaral para a prisão no ano passado, onde ficou por quase três meses.

A cada nova delação fica claro que as negociatas entre o público e o privado vem de velhos carnavais, e não só na Petrobras, “a madame mais honesta do cabaré”, segundo o ex-presidente da Transpetro. Isso porque a petroleira de capital aberto conta com uma estrutura organizada e disciplinada, segundo ele. Bancos públicos e autarquias também seriam ninhos de negociatas. Machado e Amaral contaram que a hidrelétrica de Furnas abasteceu o caixa de Aécio Neves. O executivo da Transpetro explicou, também, que desde 1946 o Brasil cobra o chamado “custo político” que moldava os orçamentos das empresas que negociavam com estatais, como a Petrobras. Um custo medido em “percentual de qualquer relação contratual entre empresa privada e poder público a ser destinado a propinas”, explanou Machado. Um percentual de 3% em nível federal, de 5 a 10% no nível estadual e de 10% a 30% no nível municipal.

Diante da ameaça de que a Lava Jato trouxesse esses esquemas à luz, dezenas de políticos tentaram usar seu poder de influência onde lhes cabia. Nos bastidores de Brasília todos conversavam com todos para encontrar um meio de paralisar a avalanche das investigações. Houve pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal também fica evidente a cada gravação clandestina ou delação que vem a público. Do ex-ministro Aloizio Mercadante (“em política tudo pode”, disse ele em conversa gravada pelo assessor de Amaral), a Delcídio do Amaral, passando por Romero Jucá e Renan Calheiros, todos citam eventuais conversas com o Supremo para, de alguma forma, insinuar que os rumos da investigação podem ser modificados com sua interferência.

No caso de Teori Zavascki, relator da Lava Jato do STF, a tentativa de interferir parece ter ultrapassado as reuniões no cafés no Supremo. O jornal O Estado de São Paulo publicou um post do filho de Teori, Francisco Zavascki,no Facebook, em que aponta como Brasília se move para manter as coisas como estão: “É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil imaginar que não há, isto é, que criminosos do pior tipo (conforme o MPF afirma) simplesmente resolveram se submeter à lei!”, diz ele para depois alertar: “Se algo acontecer com a minha família, vocês já sabem onde procurar…! Fica o recado!” Com as ameaças, chantagens e traições reveladas na Lava Jato, vai ser difícil encarar a política da mesma forma no Brasil.

jun
16
Posted on 16-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-06-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

jun
16
Posted on 16-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-06-2016

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Entidades do MP defendem Janot

As entidades de classe do Ministério Público declararam apoio a Rodrigo Janot. Em nota conjunta, disseram que “é natural a reação adversa dos chamados a se explicar” quando “um membro do Ministério Público move o sistema de Justiça para responsabilizar faltosos”.

A nota diz ainda que Janot e o Ministério Público “agem sempre com total imparcialidade, de acordo com a lei, sem olhar a quem”.

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