Dez!

Gilson Nogueira

A vinheta com o grito de Brasil nos gols do Brasil contra o Haiti,na TV Globo,quarta-feira passada, soou-me nota musical fora do tom..O time de Dunga é fraco.Tão fraco quanto o país que ele representa.Nem de leve lembra a outrora Seleção Canarinho, aquela que empolgou o planeta pela qualidade do futebol que praticava..Em lugar da vinheta global,a seleção ( merece minúscula,mesmo ) poderia rceber um sonoro e interminável gongo. Ao ouvir o bordão da emissora do Jardim Botânico estava eu conversando com um colega jornalista,aqui,no Rio, sobre a supremacia americana no basquete mundial.Veio-me,então, com o assunto, a idéia de perguntar aos responsáveis pela gestão do esporte amador na Bahia se existe algum projeto visando incentivar a prática de esportes olímpicos no estado que viu nascer João Gilberto, o criador da batida da Bossa Nova no violão.
No embalo, ocorreu-me, também, voltar a dizer que considero um absurdo o Estádio Octávio Mangabeira ser chamado de Arena Fonte Nova, legendária praça esportiva do Norte e Nordeste do país, onde, um dia, no final dos anos 60 do século passado, entrevistei Pelé, dentre outros carques que deveriam servir de referência para esses jogadores que driblam pouco, quando sabem, dão chutões a cada ninuto e esquecem que o futebol, antes de constituir-se em modalidade esportiva, é uma arte. Pelo menos, para a torcida que viu Pelé, Zico,Nilton Santos,Garrincha,Gérson, Rivelino,Pinguela, Ademir da Guia, pai e filho, Mário Sérgio, Mário, um dos heróis do Bahia na conquista da primeira Taça Brasil, em 1959, contra o Santos de Pelé e Companhia, no Maracanã, e outros gênios da pelota, representantes legítimos do melhor futebol do mundo, até o placar de 7×1 imposto pelos germânicos ao time da CBF, na última Copa do Mundo.
Falei no Rei. Portanto, como um dos seus milhares de fãs no Universo, Deus Incluído,contento-me em registrar, aqui, saber que o ídolo mundial, como Cassius Clay, seu amigo até a morte, acaba de doar parte dos R$ 17 milhões arrecadados com o leilão de alguns de seus objetos históricos,como jogador de futebol, para um hospital pediátrico, em Curitiba. Mais um gol de placa do Atleta do Século.Que emoção, Rei, você, que foi criticado pelos boçais de plantão, no dia em que, no Maraca, ao assinalar seu milésimo gol como profissional, de pênalti,contra o Vasco do goleiro Andrada, após beijar o balão de couro, carregado pela torcida, pediu, aos microfones das emissoras de rádio que o rodeavam, que os brasileiros lembrassem das criancinhas abandonadas! Pelé é Dez!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

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