BOA TARDE!!!

jun
11


A tocha olímpica em Paulo Afonso


A Chama Olímpica na terra da luz

Janio Ferreira Soares

Assim que meu velho amigo Sabiá começou a cruzar os céus de Paulo Afonso com faíscas brotando dos pés como se fora um Corisco lampejando raios no entardecer do sertão, o menino gritou: “lá vem a Tocha voando, mãe!”. Na folia do momento, cheguei a pensar em pegá-lo nos braços e dizer: “não, meu garoto, aquilo são fogos de artifício. A verdadeira Tocha vem presa no seu peito e só será acesa quando ele pousar bem aqui, ó!”, e aí apontaria para o círculo onde o nosso homem-pássaro aterrissou com o requinte dos avoantes, mas o tempo é breve e a vida, ah!, a vida é mais vupt ainda para desfazer fantasias infantis com explicações desnecessárias, que só iriam lhe impedir de contar aos seus filhos e netos que num anoitecer de maio de 16, ele viu o Fogo Olímpico voando sobre sua cabeça e depois descendo de Rapel sobre as águas iluminadas do São Francisco; e depois dentro de um barco com 20 canoeiros coreografando remadas; e depois suavemente deslizando sobre o espelho centelhado pelo brilho de um lume que, como o amor de Vinicius, logo apagará – posto que é chama – mas continuará eternamente aceso na lanterna da memória de milhares de ribeirinhos apaixonados por um Rio que segue infinito e ainda com forças para clarear um pedaço do Brasil.

E enquanto o Fogo iluminava sorrisos e arrepiava peles, lembrei das primeiras reuniões com Rian e Filippo, gerentes da Rio 2016 e figuras essenciais para a concretização dessas loucuras. Lembrei também do acaso, outro velho parceiro sempre presente quando o astral é bom, que conspirou à perfeição para que Sabiá estivesse por aqui no dia de uma reunião. E sabe como tudo foi decidido? Entre brindes, Beatles e boas risadas no quintal de minha casa, que coisas que envolvem emoções não devem ser discutidas em reuniões com cafezinhos nas mãos e falas burocráticas nas bocas.

Missão cumprida, abro uma latinha, seguro a aba do chapéu que o vento açoita e sigo de mãos dadas com o invisível que me protege desde o dia em que Cecília me deu ao sertão.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco


Lula, segunda-feira, 6 na Fundição Progresso (Rio)…


…e Balzac:um pensador que enxerga longe.

ARTIGO DA SEMANA

Chicana no Rio: Lula na Fundição Progresso (e na pesquisa)

Vitor Hugo Soares

“É hora de discutir sobre estes homens medíocres que ocupam um lugar importante em sua época e que mobilizam uma imprensa comparável em produção à edição de livros”.

(Honoré de Balzac, em citação da antologia “Contra la Prensa” (Contra a Imprensa), do jornalista e pesquisador argentino Esteban Rodriguez, composta de textos críticos de grandes autores, em diferentes épocas, sobre a imprensa e a política).

Estranho, muito estranho, para dizer o mínimo, os mais recentes movimentos pessoais e políticos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva – fundador do PT, padrinho e fiador da presidente afastada Dilma Rousseff, em situação bem mais complicada que a do japonês da Federal, nas suspeitas das investigações da Operação Lava Jato -, apontado em pesquisa divulgada na quarta-feira, 8, como o nome que encabeça a relação dos preferidos até aqui (21%) entre prováveis candidatos à presidência da República, em 2018, incluindo o senador Aécio Neves (PSDB) e a dona da Rede, Marina Silva.

O mais engraçado de tudo isso (ou suspeito seria a palavra mais correta para definir a situação?) é que Lula transfigurou-se, se comparado há menos de dois meses, quando apareceu com ar destroçado no ato dos petistas e aliados no Palácio do Planalto e imediações, no bota fora da mandatária – manhã seguinte à fragorosa derrota no Senado. Desde então, passou a ser citado e apresentado, piedosamente, como um ser praticamente em “estado vegetativo”, pessoal e politicamente falando. Em silêncio, afastado dos holofotes, macambúzio, dizia-se nas falas e escritos de certos nichos da imprensa nacional (e estrangeira também): “Lula está de saco cheio”. “Lula entrou em depressão profunda”. “Lula não consegue pegar no sono, preocupado com familiares em seu apartamento de São Bernardo (SP)”.

O burburinho começou, segundo as fontes e os veículos, quando o criador e principal líder do PT, começou “a demonstrar alheamento e desinteresse pelo futuro de seu próprio partido, deixando de comparecer não só às tertúlias do Instituto Lula, em São Paulo, mas, principalmente, à reunião da cúpula partidária, em Brasília, que discutiu a sobrevivência e o discurso do PT, “até Dilma ser julgada pelo Senado”.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diriam os irônicos franceses. Quem sabe assim pensaria também, se vivo fosse, o velho e sábio escritor Honoré de Balzac, citado na abertura deste artigo? Responda quem souber.

O que sei e o que afirmo é: o ex-presidente petista retornou com a corda toda (ou quase), no começo desta semana junina, mês de Santo Antonio, São João e São Pedro, de grandes festejos nordestinos. Mas a volta do dirigente petista, encrencado com as firmes e cada vez mais definitivas investigações, interrogatórios e sentenças do juiz Sérgio Moro, em Curitiba, se deu no palco da Fundição Progresso. A mais famosa gafieira carioca, localizada no centro do Rio de Janeiro, a poucos metros de um dos mais representativos cartões postais da Cidade Maravilhosa.

No mesmo local onde, há menos de dois meses, comandara (ao lado de Chico Buarque e do então ministro da Cultura, Juca Ferreira), o constrangedor e desastroso ato denominado “Cultura pela Democracia”, com a casa lotada de dirigentes sindicais e estudantis, intelectuais e artistas (neste caso, gente, em geral, bafejada pelas graças e pela grana da Lei Rouanet). Seguido da manifestação “popular e artística” pró-Dilma, nos Arcos da Lapa, na noite da humilhante derrota do PT e aliados, na Câmara, em Brasília, que prenunciava a queda inapelável de Dilma Rousseff, em seguida afastada pelo Senado das funções presidenciais que ela praticamente jamais exerceu em seu segundo mandato. Tudo transmitido ao vivo e à cores pela TV Brasil e “afiliadas”da Televisão Educativa no país inteiro, na festa do “jornalismo chapa branca” patrocinado pelos governos Lula e Dilma.

No ato desta segunda-feira, 6, a TV Brasil (em guerra intestina por mudança desde o começo do governo Temer (PMDB), não fez cobertura ao vivo. Mas ainda assim foi simbólico e revelador o ato de reaparecimento de Lula – “contra as privatizações de Temer, Meireles e Serra”- batizado de “Se é Público, é para Todos”. Emblemático das manifestações do PT e suas linhas auxiliares, não? Desta vez, no entanto, marcado por indisfarçável tom provocativo de desafio e chacota. De chicana mesmo, para usar o jargão jurídico do julgamento de corruptos condenados no processo do Mensalão. Cada dia mais presente nesta fase de denúncias, prisões, julgamentos e condenações de malfeitores do conluio público e privado, envolvidos na Lava jato.

A Fundição Progresso tinha menos artistas desta vez, mas de novo ficou coalhada de sindicalistas, políticos, estudantes ligados à UNE, representantes dos chamados “movimentos sociais”, em volta de Lula, “com objetivo de propor um debate sobre temas de natureza pública”, segundo seus organizadores. A estrela principal da festa, no entanto, parecia mirar em outros alvos em seu discurso “de comício”. Desconsiderou velhos “companheiros e aliados” e os desqualificou: de Temer, vice de Dilma, a Meireles, seu ex-ministro do peito. Sem esquecer a imprensa, que atacou dura e irresponsavelmente, mais uma vez.

“É o ministério de Eduardo Cunha,- provocou, enquanto o público gritava:”Volta, Volta, Volta”!- Os coxinhas agora estão com vergonha, foram para a rua em busca de um risoto, e o que caiu na panela que eles batiam foi Temer”. Lembrou da companheira Dilma e falou: Não estou dizendo que a Dilma não cometeu equívocos. Ela cometeu. E queremos que ela volte exatamente para corrigir os erros que nós cometemos”. E terminou com uma resposta aos apelos da “turma do volta Lula”.

“É cedo para pensar nas eleições presidenciais de 2018. Mas temos gente boa e nova para isso. Eu estou na idade para me aposentar”. Em seguida, sem dar sinais de depressão alguma, foi para Brasília se dedicar a “articulações” na terça-feira. Depois voou a São Paulo, para esperar o resultado da pesquisa que saiu na quarta-feira. Mais não digo, a não ser que Balzac pode estar, mais uma vez, com a razão. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Rui articula a chapa Lídice-Solla

Está previamente acertada, embora ainda não decidida, a formação da chapa Lídice da Mata-Jorge Solla para disputar a Prefeitura de Salvador. “Está 95% encaminhada”, informa fonte de Por Escrito muito próxima da negociação.

O anúncio não foi feito porque falta uma conversa final entre a senadora Lídice e o governador Rui Costa, principal mentor da aliança. O PSB quer, na estrutura do Estado, algo mais do que a Superintendência de Defesa Civil e a Junta Comercial, “o que não vai ser difícil resolver”.

O governador, diante da existência, na base, das candidaturas da deputada Alice Portugal (PCdoB) e do deputado Sargento Isidório (PDT), busca acrescentar à disputa mais uma concorrente que ajude a evitar a vitória do prefeito ACM Neto já no primeiro turno.

A estratégia tem dois objetivos: obviamente, tentar vencer no segundo turno, contando com o trabalho de porte que Rui tem, efetivamente, realizado na capital, e impedir que o prefeito “fique solto” para ajudar seus candidatos em Feira de Santana e Vitória da Conquista.

Ex-secretário e sucessor voltam às boas

A presença do deputado Jorge Solla na chapa, como representante do PT, além de envolver o ex-governador Jaques Wagner, de quem foi anos secretário por oito anos, tenta compensar as dificuldades que o governo enfrenta na saúde em Salvador.

Por outro lado, a fonte garante que “estão aparadas as arestas” entre Solla e o atual secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas, de forma que a harmonia e a participação geral vão prevalecer na campanha.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O patético fim de Dilma

Afonso Florence, líder do PT na Câmara, discordou do que defendeu Dilma Rousseff em entrevista à TV Brasil. Ele disse que não trabalha com a hipótese de plebiscito para novas eleições.

“Eu não trabalho com essa perspectiva, trabalho com a perspectiva de ela voltar”, afirmou, segundo o Estadão.

Papo furado, o que torna tudo ainda mais patético.

jun
11
Posted on 11-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2016


Rice, no portal de humor gráfico A Charge Online

jun
11
Posted on 11-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2016


Lula na av. Paulista nesta sexta. Paulo Pinto/ Agência PT/El Pais

DO EL PAIS

Marina Rossi

São Paulo 10 JUN 2016 – 23:21 BRT

“Quanto mais me provocarem, mais eu corro o risco de voltar em 2018”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrando um discurso de pouco mais de meia hora para uma avenida Paulista gelada nesta sexta-feira em São Paulo. No ato, convocado por movimentos sociais para pedir a volta de Dilma Rousseff e a saída do presidente interino Michel Temer, Lula voltou a falar de sua possível candidatura à presidência nas eleições presidenciais de 2018. Não se animou, porém, a defender um plebiscito para antecipar a votação, ideia defendida publicamente pela presidenta afastada como parte de negociação para salvá-la do impeachment.

Enquanto discursava, o petista viu-se de novo sob os holofotes por causa da Operação Lava Jato. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que as investigações relativas a ele e ao senador Delcídio do Amaral sejam remetidas ao juiz Sergio Moro, que julga os casos na primeira instância em Curitiba. Em maio, Lula foi denunciado por Janot no Supremo sob acusação de atuar com Delcídio para obstruir as investigações. Como Delcídio foi cassado, a Procuradoria entendeu que o caso deveria ir para Moro. O relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, ainda vai decidir o que fazer. É de Zavascki também a decisão de enviar ou não de volta para Curitiba outras investigações sobre Lula, paralisadas no STF desde o imbróglio em torno da posse de Lula como ministro e a controversa divulgação, por Moro, das gravações de conversas do ex-presidente com Dilma Rousseff, em março.

Por meio de nota, o Instituto Lula informou que “já esclareceu ao Ministério Público, em depoimento no dia 7 de abril, que são falsas as afirmações do réu confesso Delcídio Amaral. E já respondeu a essa falsa denúncia, perante o Supremo Tribunal Federal, no dia 27 de maio”. Na nota, enviada originalmente ao Jornal Nacional, da TV Globo, a defesa afirma que “Lula sempre agiu dentro da lei”. “A repetição dessa notícia, velha, requentada, no momento em que o Governo golpista de Michel Temer é repudiada pela população brasileira, reflete apenas a intenção da Rede Globo em difamar o ex-presidente Lula e o projeto político que ele representa.”

Lula também usou o palanque na avenida Paulista para se defender das acusações: “Ninguém tem o direito de dizer que o PT é uma organização criminosa. Eu estou com o saco cheio de ouvir todos os dias que o dinheiro que financia a campanha do PT é dinheiro sujo”, disse. “Só falta dizer que o dinheiro dos tucanos é da sacristia. Eu estou esperando que alguém aponte um real de desvio na minha vida pública”, seguiu o ex-presidente durante o discurso para 100.000 pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar disse que não divulgaria números. Na última manifestação com a presença de Lula na Paulista, em 18 de março, foram 95.000 pessoas, segundo o instituto Datafolha. Naquela data, 11 quadras da avenida estavam fechadas. Nesta sexta, foram quatro quadras.

O ex-presidente afirmou que não falaria em “fora Temer”, porque para ele “não ficaria bem”, mas pediu para o presidente em exercício devolver a presidência a Dilma Rousseff. “Você é um advogado, você sabe que você não agiu corretamente assumindo a presidência”. Aos militantes, lembrou novamente os programas sociais do PT na presidência, criticou o corte de ministérios realizado por Temer. “Se a solução deste país fosse cortar ministérios, meus amigos…”, disse, em tom de ironia. Afirmou que os participantes das manifestações a favor do impeachment estão com “vergonha de dizer que querem o Temer” na presidência. E mandou mais um recado: “Eu não estou doente”, sobre os boatos que volta e meia circulam de que ele estaria novamente com câncer. O ex-presidente lidera as pesquisas recentes de cenários para 2018, num panorama, no entanto, que não se repete nas projeções para segundo turno.

A manifestação pelo fora Temer praticamente terminou após o discurso de Lula. Além do ex-presidente, participaram lideranças de movimentos sociais, como Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Gilmar Mauro, do Movimento dos Sem Terra (MST), o presidente do PT, Rui Falcão, além de outros quadros políticos.

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