jun
05


Muhammad Ali em Nova York

O texto abaixo foi postado por Vangelis na área de comentários do Bahia em Pauta, sobre a notícia da morte de Muhammad Ali. Permanece lá, mas o BP, agradecido, compartilha a narrativa comovente, sensível e bem humorada, em seu espaço principal de informação e opinião. Bravo e obrigado, Vangelis. (Vitor Hugo Soares, editor)

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Muhammad Ali, encontro em Nova York

Vangelis

Em 1984 nas minhas férias de trabalho fui conhecer a cidade de New York, pois era um sonho de infância já visto nas projeções de filmes assistidos no Cine São Francisco em Juazeiro.

Fiquei hospedado no Hotel Doral Inn, hoje se chama de W Hotel, situado na Avenida Lexington.

Durante a minha estadia no Doral ocorreu uma Convenção Internacional de Boxe promovida pela FIB-Federação Internacional do Boxe, cujo encerramento se daria com um grande evento no Madison Square Garden.

No trânsito de hospedes e convivas no lobby do Doral tive a oportunidade de conhecer muitos campeões de várias categorias do boxe. Especialmente o campeão panamenho Roberto Durán o Mano de Piedra, que por me perguntar a minha nacionalidade ficou contente em saber ser brasileiro. Tendo em vista que, ele tinha como ídolo o brasileiro campeão mundial Éder Jofre.

No sábado, véspera do encerramento da Convenção, estava conversando com Mano de Piedra que me deu ingresso para o encerramento no Madison. E pediu-me para aguardar a chegada do Campeão de todos os tempos.

Não demorou muito para aparecer na porta do Doral uma daquelas enormes limousine preta muito comum em NYC. Logo desceu o motorista todo paramentado de uniforme preto e luvas brancas abrindo as portas do veículo.

Primeiro desceu um sujeito de pequena altura vestido em terno e chapéu brancos, que parecia muito com aqueles abre alas de escola de samba, caminhando em ritmo de samba em direção ao lobby do hotel.

Surpreso e achando que era gozação do Mano Roberto Durán, disse:

– Roberto esse nem de longe se parece com o Campeão…

Durán respondeu:

– Calma garoto, ele está no carro…

Em seguida desceu duas enormes negras, olhei para o Mano e ele disse:

– São as irmãs de Ali…

Então por último surge o Campeão com um sorriso enorme, dirige-se ao lobby do hotel onde se encontrava um burburinho com a sua chegada.

No lobby encontra com dois jovens casais de mulçumanos os quais foram os primeiros a serem cumprimentados pelo Campeão.

Depois de saudar outros presentes, dirige-se ao Mano-Roberto Durán e aperta-lhe a mão. Logo em seguida Roberto me aponta e diz:

– O brasileiro me disse que no Brasil é o seu fã número 1…

O Campeão estende o enorme braço, cujo diâmetro era maior do que a minha coxa, com a mão aberta:

– Feliz também em conheço-lo e lembre-se no Brasil também há um grande Campeão, Éder Jofre…

Fiquei embaraçado, estendi e mão e supliquei a Todos os Santos que ele não apertasse e muito menos sacudisse junto, pois seria uma tragédia para o pequeno mortal.

Como ainda havia muitos nos cumprimentos, seguiu a rotina de toda Grande Estrela saudando os súditos admiradores.

Fiquei com a eterna lembrança que me cabe na parte dessa história do Século XX que se esvai…

Fecha o pano, que o GRANDE CAMPEÃO SE FOI!
R.I.P.

Vangelis , o autor da crônica, nascido em Juazeiro (BA), no vale do Rio São Francisco. é colaborador e amigo do peito do BP, que agradece por este comovente depoimento.

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