O saudoso Nelson Gonçalves interpreta “Carlos Gardel”, de Herivelto Martins e David Nasser, um tango brasileiro definitivo!

BOA TARDE!

(Gilson Nogueira)

jun
04
Posted on 04-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-06-2016

Dilma e Marcelo na reportagem de capa da Isto É desta semana. Chapa quente! Confira! Já nas melhores bancas de jornais e revistas do País.

(Vitor Hugo Soares)

DO G1/O GLOBO

O lendário Muhammad Ali, ex-boxeador e ex-campeão dos pesados, morreu nesta sexta-feira (3), aos 74 anos, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, informou um porta-voz da família. Considerado um dos maiores lutadores de todos os tempos, ele havia sido internado na quinta (2), com problemas respiratórios

“Após 32 anos de luta contra o Mal de Parkinson, Muhammad Ali morreu aos 74 anos”, disse seu porta-voz, Bob Gunnell. “A família Ali gostaria de agradecer a todos por seus pensamentos, orações e pede privacidade neste momento”, diz um comunicado.

O ex-campeão deixa a mulher, Lonnie Williams, e nove filhos.

Quando estava em atividade, Ali se proclamou “o maior, mais ousado e mais bonito” lutador do mundo. No auge da carreira como pugilista, dizia que “podia flutuar como uma borboleta, mas picar como uma abelha”.

Ali foi o primeiro boxeador a ganhar o mundial dos pesados três vezes. No ringue, foram 57 vitórias, sendo 37 delas por nocaute, e 5 derrotas. Como amador, conquistou a medalha de ouro olímpica aos 18 anos, mas vítima de racismo em um restaurante, jogou a medalha no Rio Ohio..

Ali nasceu em Louisville, Kentucky, em 17 de janeiro de 1942, como Cassius Marcellus Clay Jr. Mais tarde, ele mudou seu nome para Muhammad Ali, após se converter ao Islã.

Nos anos 60, falou contra o racismo e contra a Guerra do Vietnã. Em 1967, se recusou a servir o exército americano na Guerra do Vietnã e criticou o envio de militares para o conflito. Acabou perdendo o título mundial e ficou afastado do boxe por três anos.


Regina Duarte e Lucas Mendes: noite de gala no Manhattan Connection

ARTIGO DA SEMANA

Regina política Duarte: uma senhora entrevista no Manhattan Connection

Vitor Hugo Soares

Mesmo apresentado tarde da noite, o melhor e mais recomendável do domingo na televisão brasileira, opino, é o programa Manhattan Connection (na Globo News, às 23h), onde o inesperado, sempre à espreita, pode fazer uma aparição em qualquer intervalo, mesmo neste tempo temerário (grato pela expressão ao saudoso mestre do Direito Constitucional da UFBA e escritor Nestor Duarte) quando praticamente nada mais surpreende no Brasil.

Foi o que se deu domingo passado, no segundo bloco do programa do canal privado de TV, cujos realizadores tiveram a feliz ideia de convidar Regina Duarte – a profética atriz do medo ao PT e a Lula – para uma entrevista. Foram 15 minutos de conversa provocativa, reveladora e desassombrada (sem perder o humor, jamais). Para quem pegou no sono mais cedo, recomendo um dos vídeos que correm e seguem causando polêmica política e cultural acirrada pelas redes sociais.

A primeira grata surpresa da noite: o ar de harmônica combinação de serenidade com altivez crítica da entrevistada, mesmo diante das questões mais sensíveis e delicadas, antigas ou atuais. Isso depois de tantos anos, desde que, em 2002, (na campanha em que Lula se elegeu presidente da República), a porta se abriu e ela, sem prestar atenção no aviso “verifique se o elevador está parado no andar”, entrou de cara. “A sensação é de que eu entrei, o elevador não estava, e eu caí no vácuo, despenquei e fui parar no fundo, que medo!”.

É isso, exatamente – o ar jovial, digno, sorridente, de gente bem resolvida e sem ressentimentos ou mágoas intransponíveis, apesar de ter “apanhado tanto” e por tão longo tempo – o que primeiro chama a atenção do âncora Lucas Mendes.

Sentado em sua bancada no estúdio principal de New York, – quando a atriz aparece ao lado do jornalista Ricardo Amorim, na bancada do programa em São Paulo, – Lucas Mendes, o apresentador e jornalista sagaz e elegante (mas sempre sarcástico e crítico) vai direto ao ponto, depois de dar as boas vindas à convidada e assinalar a alegria do reencontro depois de muito tempo (a última vez fora em um espetáculo na Broadway.

“Regina, eu estou observando o seu rosto daqui, e não vejo nenhuma escoriação, nenhuma marca de violência: você apanhou muito lá dos defensores do MINC?”. A entrevistada entende a metáfora e o elogio elegante, dá um sorriso expressivamente irônico e marca em seguida o tom que embalaria a conversa inteira: “virtualmente foi uma sova, eu era para estar de cama”, responde com outra metáfora acentuada pelo inconfundível sotaque paulista da maior estrela da teledramaturgia brasileira. E pela expressividade que empolga e emociona milhões de pessoas no mundo inteiro.

A entrevistada e seus entrevistadores apresentavam assim, logo na largada, a embalagem bem humorada, sofisticada e inteligente para as informações relevantes e de interesse político, artístico e cultural – e igualmente na narrativa dos momentos de apuros, tensão e de fortes pressões pessoais que Regina Duarte precisou enfrentar desde a noite da dramática declaração que fez,em 2002, no segundo turno da campanha presidencial, quando, segundo ela, sentiu “o perigo do momento” que iria levar Lula e o PT ao comando do País: “Eu estou com medo”.

Era o gancho jornalístico da entrevista, em torno do qual giraria praticamente a conversa inteira. Com a participação ainda (além dos já citados) dos demais integrantes da bancada do “Manhattan”, que falam de muitos assuntos de diferentes partes do mundo: Diogo Mainardi (de Veneza), Pedro Andrade e Caio Blinder ao lado do apresentar em NY. Uma ceia noturna rica e saborosa, servida altas horas do domingo, 29, a espectadores notívagos do tipo em que se transformou, de uns tempos para cá, o jornalista e blogueiro que assina este artigo semanal de opinião.

Anunciada na abertura do programa como “palpiteira política”, a Raquel da novela Vale Tudo – ainda lembrada nas conversas em Cuba, como “aquela atriz que não gosta de Lula, Dilma e Fidel”,- contou Pedro Andrade, que esteve recentemente em Havana, em um dos mais hilariantes e marcantes momentos da entrevista. Mas Regina Duarte foi muito mais que isso: brilhante, verdadeira e convincente em cada detalhe da sua participação.

Quando fala do passado ou do presente, a mesma intensidade de vibração na arte de falar da vida, da arte, da cultura e da profissão. Mesmo quando trata das sovas e quedas que levou. Sobre a política, vê o lado positivo no momento de crise e radicalizações ideológicas agressivas: o debate e as grandes manifestações públicas. “Voltamos a fazer reflexões sobre o País”, pontua.

Provocada por Lucas Mendes, no final do programa, a atriz brasileira premiada internacionalmente, responde que não representaria o papel da presidente afastada, Dilma Rousseff, na TV, no cinema ou no teatro, se fosse convidada: “Não me sinto capaz de interpretar um personagem tão complexo e tão misterioso. Precisaria ter entendimento daquele ser humano”. Mais não digo, a não ser que foi uma noite da TV para não esquecer tão cedo (confira, quem não viu, os videos que circulam na internet, com a íntegra da entrevista). Aplausos à turma do Mannhattan Connection. Bravíssimo, Regina Duarte!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

No berço da Palavra

Tia Eron, Tia Eron,
Por que não vais
Pregar em Hebron?

jun
04


CPI da Petrobras ouve depoimentos de executivos da Odebrecht, em Curitiba, em setembro de 2015. Luiz Medeiros Câmara dos Deputados


DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

São Paulo

A delação das delações da Operação Lava Jato avança lentamente, como um gigante, na direção de Brasília. Prometida em março pela empreiteira Odebrecht, a “colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato” chegou ao nível de negociação formal e levou o juiz Sérgio Moro, que cuida do caso em Curitiba, a suspender as ações penais do caso. “Diante de informações de que estaria em andamento a negociação de alguma espécie de acordo de colaboração entre as partes, suspendo este feito por 30 dias”, escreveu o juiz em despacho.

Preso desde o dia 19 de junho do ano passado, o herdeiro da empresa, Marcelo Odebrecht, já foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Agora, em vias de a maior construtora do Brasil revelar tudo o que sabe em troca de um acordo de leniência, Brasília aguarda apreensiva o estrago que deve alcançar partidos como PT, PMDB, PP e PSDB. Como Sérgio Moro já disse que espera trabalhar na Lava Jato até dezembro, é de se esperar que a potente delação de Marcelo Odebrecht seja o desfecho apoteótico da operação.

As notícias sobre o acordo, que é sigiloso e cuja existência o Ministério Público Federal não confirma oficialmente, dão conta de que o ex-presidente da empresa Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, também pode ser convocado para prestar informações. Estão em questão principalmente as contribuições da empresa para campanhas políticas majoritárias. Segundo nota divulgada pela empresa em março, a intenção é tratar de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”. Um dia depois de a Odebrecht informar sobre suas intenções de fechar a delação, vazou uma lista com os nomes de quase 300 políticos de 22 partidos ligados à construtora. Nas eleições de 2014, 15 partidos receberam doações da empreiteira.

Após o vazamento, Moro decretou o sigilo da planilha, que não deixava claro se a relação dos políticos com a Odebrecht era ilícita. A quantidade de nomes mencionados ficou como amostra, contudo, da amplitude de relações políticas da construtora, que atua no exterior desde os anos 70. Nos anos do PT no poder, expandiu suas atividades para países africanos e pela América Latina. Atua no setor público desde os tempos da ditadura. Foi a Odebrecht quem construiu o edifício sede da Petrobras em 1969, por exemplo.

Não por acaso, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que também fechou um acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato, se refere a Marcelo Odebrecht em uma de suas gravações vazadas nos útimos dias como “o dono do Brasil”. A relação estreita de Odebrecht e de seu pai com o poder nunca foi segredo para ninguém.

Também nos áudio vazados de Machado, que já levaram à queda de dois ministros do Governo interino de Michel Temer, o ex-presidente da República José Sarney menciona a presidenta afastada Dilma Rousseff em possível irregularidade com a empreiteira: “A Odebrecht (…) eles vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula e vão pegar a Dilma. Porque foi com ele. Quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela”. Segundo Sarney, a delação da Odebrecht seria uma “metralhadora de ponto 100”, de tão devastadora para o mundo político.

“Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor”, diz a Odebreht na nota divulgada em março, quando anunciou que pretendia colaborar com a Justiça. Depois que a delação da Odebrecht for homologada, a construtora poderá buscar um acordo de leniência. Isso pode lhe dar um fôlego e permitir voltar a contratar com o Estado futuramente, e facilidade para buscar crédito com os bancos. Atualmente, tenta se desfazer de ativos bilionários no Brasil e no exterior para pagar dívidas que se avolumam enquanto seu presidente está preso, e funcionários da empresa são mandados embora.

Segundo o jornal Valor, o grupo acumula uma dívida de quase 100 bilhões de reais, que pode colocar a empresa em recuperação judicial. Só a divisão de agricultura tem 13 bilhões de reais em dívidas. A companhia tem negócios na área petroquímica, logística, infraestrutura, entre outros. Um acordo poderia ajudar a empreiteira, mas deve significar o ocaso da elite política na qual a construtora apoiou seu sucesso na última década.

jun
04
Posted on 04-06-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-06-2016


Sinovaldo, no jornal NH (RS)

jun
04

DO EL PAIS

Ana Carolina Cortez

São Paulo

Ao mesmo tempo que o presidente interino Michel Temer obteve uma importante vitória para o seu Governo na Câmara, aprovando, por maioria qualificada, um projeto de desvinculação de receitas que lhe dará mais fôlego para administrar o rombo das contas públicas, um mal estar se instalou pela contradição entre outras medidas aprovadas na mesma leva e as promessas de austeridade do novo Governo. A aprovação ocorreu na mesma sessão que autorizou o reajuste salarial de servidores do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, uma medida que deve tirar 52,9 bilhões de reais do caixa do Governo até 2018, um terço do cheque especial dos cofres públicos. Na sequência, a Câmara aprovou ainda a criação de 14.419 cargos públicos federais, três vezes mais do que ele prometeu cortar em cargos comissionados como indicativo da disposição da gestão de cortar na própria carne.

O Ministério do Planejamento insiste que nenhuma dessas medidas terá impacto para as contas públicas. O reajuste, segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do órgão, “já estava previsto no orçamento”. Já os novos cargos não aumentariam os gastos públicos porque serviriam para substituir postos vagos nos últimos anos. Entretanto, eles não estavam previstos no orçamento de 2016, o que significa que haverá, sim, um custo extra para as contas deste ano caso os concursos públicos para os postos sejam abertos. Diante da repercussão negativa, a gestão Temer diz que os concursos estão suspensos.

Para economistas, o recado dado nas sessões da Câmara foi bastante claro: Temer está preso em uma “camisa de força” do Congresso, o que pode, além de irritar a opinião pública convidada a fazer “sacrifícios” por causa da crise, afetar um ativo caro a gestão: a confiança do mercado financeiro. “O país está na UTI. Dada a gravidade da situação das contas públicas, o mercado passa a olhar o Governo com mais ressalvas. Todo ajuste fiscal é uma prova de resistência com obstáculos, mas não temos hoje muita margem para erros”, afirma Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.

“Parece que o Temer não tem escolha a não ser fazer concessões para manter sua base, ainda mais porque o próprio processo do impeachment não terminou”, diz ela. Alguns dos senadores que se diziam favoráveis ao impeachment de Dilma estão voltando atrás, o que ameaça a permanência de Temer na presidência e reduz seu poder de barganha no Congresso. A fragilidade potencial por causa da Operação Lava Jato parece levar o Planalto a preferir pagar o preço político das medidas a tentar possíveis bombas, como greve do funcionalismo.

O economista André Nassif, da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Federal Fluminense, pondera que esse “pacote de bondades do Temer” desemboca num efeito cascata perigoso para a contenção dos gastos tanto em esfera federal quanto estadual e municipal. “Quando se aumenta o teto do funcionalismo público, medido pelo salário dos juízes federais, você dá poder de negociação para categorias que estavam próximas a esse teto nas esferas estaduais e municipais também. Os governadores e prefeitos, inclusive, já estão ensaiando a moratória de suas dívidas com a União, pois não têm dinheiro para cumprir nem com os gastos que já estão dados”, destaca o economista.

O reajuste dos servidores federais começará a valer em julho deste ano. Ainda estão na mesa negociações reajustes para outras categorias, como os auditores da Receita Federal, delegados da Polícia Federal, médicos do INSS, entre outros com forte poder de pressão. Os impactos de um eventual aumento para esses profissionais ainda não são possíveis de mensurar.

Pior do que a mensagem de que a contenção dos gastos públicos não estaria realmente no topo da lista de prioridades do Governo, é a mensagem que fica para o resto da sociedade. “As medidas aprovadas têm um simbolismo muito pesado para a sociedade. Ao mesmo tempo que o Governo defende cortar gastos com saúde e educação por intermédio da DRU, ele aumenta o salário de uma camada da população que não precisa desse reajuste agora, já que ganha mais de 30 mil reais por mês”, afirma Nassif. “O timing não poderia ter sido pior para esse reajuste”, complementa. Ele lembra que o acordo com as categorias beneficiadas pelos projetos da Câmara nesta quinta começou no Governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, mas não havia sido concluído. Nesse sentido, sob o argumento do ajuste fiscal, o presidente interino poderia ter renegociado com os servidores um reajuste posterior.
Déficit elástico

“Os valores financeiros são o que menos importa. A atitude do Governo nos levou a questionar se o próprio déficit de 170 bilhões é legítimo”, alega. Segundo o economista, as primeiras declarações que Temer deu ao mercado logo que assumiu a presidência interinamente davam o recado de que o tombo projetado pela equipe de Dilma Rousseff era irreal e subestimado e, por isso, precisava ser reajustado para cima. “Agora, começamos a nos perguntar se esse déficit, elevado de 96 bilhões para 170,5 bilhões, já não incluem uma espécie de ‘licença para gastar’ com a conta do impeachment”, diz.

Alexandre Motta, ex-diretor da Escola de Administração Fazendária, do Ministério da Fazenda, concorda. “O reajuste é um contrassenso ao discurso de austeridade. A mensagem que fica é a de que o controle dos gastos será feito pela base, ou seja, só a sociedade pagará”, afirma. Para o economista, especialista em finanças públicas, tanto a aprovação da DRU quanto o reajuste do teto dos servidores públicos prejudicam a população mais pobre. “Você tira da sociedade, por meio da DRU, serviços públicos dos quais ela depende muito, como saúde e educação e, ao mesmo tempo, reduz a margem para elevar gastos com programas sociais, aumentando gastos com o funcionalismo, um setor que é, sabidamente há muitos anos, um vilão das contas públicas”, analisa.

Além disso, Motta ressalta que o “efeito multiplicador” do reajuste do teto salarial dos servidores federais é limitado e insuficiente para ajudar na retomada do crescimento econômico. “Quando uma pessoa que ganha muito recebe um aumento, esse adicional não irriga em nada o consumo, ainda mais em tempos de crise. O que multiplica consumo em país em desenvolvimento é educação, emprego, renda”, justifica.
Lua de mel com o mercado

As medidas aprovadas na Câmara deixam o mercado receoso em relação à capacidade do presidente interino em resolver a crise econômica, mas ainda não azedaram a “lua de mel” entre eles. Zeina Latif, da XP Investimentos, “o timing da política e da economia são diferentes. Mas o reajuste poderia ter sido negociado de maneira diferente. Ninguém está negando aumento. Ele só não poderia ocorrer agora”, pondera a economista.

Para André Nassif, mudanças estruturais são imprescindíveis para o país, como a reforma da Previdência, mas não deveriam estar na pauta de um Governo interino. “Seria melhor esperar o cenário político se definir e ir aprovando medidas de menor impacto social”, afirma. “Congelar os gastos públicos pela inflação é sandice. Não faz nenhum sentido mudar a Constituição, pois você não consegue estabilizar aumento de despesa sem mexer nos gastos obrigatórios previstos em lei, se o problema da economia é transitório”, complementa.

O mercado, na visão de Nassif, ainda não perdeu totalmente a confiança no governo, mas esse cenário não está longe de acontecer caso a conduta atual permaneça. “O presidente interino é muito instável para tomar decisões. Corta ministério e volta atrás. Congela despesa social e volta atrás. Nomeia um ministro e no dia seguinte aparece um áudio relacionando o político à Lava Jato. Tem que demitir. Aprova medidas na calada da noite. Tudo o que você espera de um Governo é confiança”, pondera. Para a consultoria de risco Eurasia Group, o principal risco continua sendo a Lava Jato, mas a base de apoio de Temer passou no primeiro teste: “Nossa avaliação é relativamente construtiva. A passagem da DRU, uma emenda constitucional, é o primeiro indicador do tamanho da base de Temer”.

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