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Postado em 01-06-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-06-2016 01:12

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Demissão de ministro “faz parte” do plano

Em toda essa nova confusão que se estabelece no país, com a queda do segundo ministro do governo Temer em sete dias, o aspecto mais importante foi a nota emitida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, responsável pela indicação de Fabiano Silveira para o Ministério da Transparência.

É que houve um evidente mal-estar pelo fato de Renan ser uma peça fundamental na condução política da fase atual do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff , e nessa condição poderia ser considerado ou mesmo julgar-se intocável em suas nomeações.

Realmente, os ministros chegaram aos cargos pela lógica indireta dos votos da Câmara e do Senado, dos quais depende Temer, tanto por causa da futura validação do mandato precário como também – condição básica do sucesso – pela aprovação, nos dias atuais, de medidas que possam salvar a economia ou sabe-se lá o quê.

Uma verdade definitiva, no entanto, se impõe: sem presidente, não haverá outros ministros. Sem presidente, não haverá perspectiva – que já é quase nenhuma – de escapar a operações policiais em curso e em gestação e, sobretudo, sem presidente, haverá eleições diretas muito em breve. A Renan não restava senão refrescar.

Assim, recusar a prerrogativa de “indicar, sugerir, endossar, recomendar” ou mesmo “opinar” sobre a escolha de auxiliares de Temer, atribuindo tal postura à “independência entre os Poderes da República”, não representa nenhum ameaça de Renan, apenas um jogo de cena para a tarefa inútil de realçar a autoridade e a idoneidade.

O presidente Temer tem este trunfo, de ser a tábua de salvação de muitos que boiam por aí. Sobra-lhe espaço para prestar atenção à opinião pública e reforçar-se para a consagração final, caso não sucumba sob acusação pessoal incontestável, como tantas que têm ocorrido no Brasil moderno, e isso venha a determinar uma cassação “política” de sua chapa pelo TSE.

Em contrapartida, Renan, Jucá, Cunha e outros de igual jaez estarão plenamente conscientes da “cota de sacrifício” que precisam dar para a preservação de Temer, para que tudo não se esboroe antecipadamente, porque, afinal, enquanto há vida, há esperança.

Dois governos que começaram despencando
a presidente afastada Dilma Rousseff inaugurou o uso da palavra “malfeito” para definir a velha corrupção, isso no primeiro ano de mandato, em 2011. No período de seis meses, demitiu seis ministros, digamos, suspeitos.

Não adiantou. Teve de amainar o ímpeto por uma questão de “governabilidade”, mesmo tendo sido uma recordista na República, trocando 86 ministros em cinco anos e quatro meses, um por intervalo de 22 dias.

Refrescando a memória sobre os que, pela ordem, dançaram de junho a dezembro daquele ano: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi.

Temer até pode superar esse número, material humano é o que não falta. Mas a tendência dos aliados será sempre acochambrar, porque ninguém está ali para brincadeira. Mesmo na cabeça dos senadores aos quais se atribui uma “revisão” do voto, a visão de Dilma no Planalto é um horror.

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