Congresso: Renan comanda sessão na madrugada


DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasilia

Governo interino de Michel Temer passou pelo seu primeiro teste no Congresso Nacional. A meta fiscal que prevê um rombo de 170,5 bilhões de reais nos cofres públicos foi aprovada de maneira simbólica pelos senadores e deputados federais na madrugada desta quarta-feira. A “prova de fogo” mostra que a gestão do peemedebista inicia com uma base que aprovará com relativa tranquilidade as principais medidas enviadas pelo Poder Executivo. Nem a queda do senador Romero Jucá (PMDB-RR) do ministério do Planejamento ou o anúncio de duras medidas fiscais interferiram no apoio dado por deputados e senadores.

A mudança na meta antes do próximo dia 30 de maio – que é quase duas vezes maior do que a prevista pela gestão Dilma Rousseff (PT) – era necessária para evitar que o Governo cometesse qualquer irregularidade na manipulação do orçamento. A oposição, formada por pouco mais de cem deputados e de 20 senadores, tentou obstruir de várias maneiras a votação. Esvaziou o plenário em alguns momentos, alongou discursos, deu orientações em um sentido e depois os alterou apenas com o objetivo de protelar a votação. Antes de votar a meta, os congressistas precisavam analisar 24 vetos presidenciais que trancavam a pauta do Legislativo. A sessão, poderia ser rápida, mas os debates se estenderam das 11h de terça-feira até as 4h desta quarta-feira.

A nova oposição, formada principalmente por legendas como PT, PDT e PCdoB,
reclamou da celeridade na votação. A mudança na meta chegou ao Congresso na segunda-feira à tarde e no dia seguinte já passou a ser analisada pelos parlamentares sem passar pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Uma alteração feita por Rousseff (que trocava a o superávit de 30 bilhões de reais para um déficit de 97 bilhões) tramitava na Casa desde março, mas não fora votada nem pela CMO. “Não tivemos nenhuma explicação tanto do ministro da Fazenda quanto do Planejamento. Ninguém respondeu por que um déficit que era de 97 bilhões passou para 170 bilhões de reais. Onde vai ser gasto esse dinheiro?”, reclamou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Os governistas ressaltaram a urgência na votação da proposta. “Se não aprovássemos a mudança de meta, o Governo teria de paralisar todas as suas ações porque há um superávit de 30 bilhões e a realidade é que nosso déficit é de 170 bilhões de reais. O superávit é impossível de fazer”, disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-ministro que elaborou a proposta nos 11 dias que passou no Governo Temer.
Novas medidas

Mais cedo, antes da sessão legislativa, os parlamentares se estenderam nas análises sobre as medidas econômicas anunciadas pelo presidente em exercício Michel Temer, que preveem, entre outros, um limite de gastos com saúde e educação, o fim do fundo soberano, a antecipação de dívidas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o congelamento dos gastos públicos.

O líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que as propostas de Temer são “pífias” e representam “cortes de direitos”. “São medidas pífias, que não expressam o que está acontecendo no país. É um governo que não tem condição de governabilidade, porque foi produto de um golpe parlamentar que não encontra ressonância na sociedade brasileira. Nós não podemos jogar a crise nos ombros dos trabalhadores. É o oposto do que íamos fazer”.

Os governistas, como o líder do DEM, o deputado Pauderney Avelino, elogiaram as medidas. “São anúncios que visam recuperar a credibilidade do Governo junto à sociedade. Além disso, buscam retomar a confiança de investidores, tanto internos como externos”.


Samba da Benção, por Pierre Barouh

CRÔNICA/CINEMA

Amor e música no filme inesquecível

Maria Aparecida Torneros

Artigo primoroso me traz a lembrança de um filme francês de 1966. No site Bahia em Pauta leio sobre o inesquecível filme de amor dirigido por Claude Lelouch. Recordo quantas tardes fui com as colegas de escola normal todas na faixa dos 16 anos encantadas com as imagens e cenas de amor renunciado.
Atores excelentes. História comum e passível de acontecer com todos nós. Torcida para que o casal protagonista se reencontrasse um dia.

Isso aconteceu 20 anos depois. Filmaram com os mesmos atores uma continuidade do tema. Os protagonistas finalmente se amaram mas o novo filme passou desapercebido.

O mundo tinha mudado muito nos anos 80.

Amores passaram a ser descartáveis e menos sofridos.
Aventuras inundaram as telas e os romances de um homem e uma mulher perderam o glamour das nossas adolescências. .

Em 50 anos é bom saber que já se viveu amores assim. Intensos e respeitosos. Capazes de renúncias e honrados.

O artigo do Bahia em Pauta me trouxe a cena da viúva vivida por Anouk Aimée recordando seu marido cantando Samba de Bênção e falando do Brasil.

Cida Torneros é jornalista e escritora, colaboradora da primeira hora do BP, mora no Rio de janeiro, onde edita O Blog da Mulher necessária.

Daquele Amor Nem Me Fale, Martinho e Donato, para sacudir no BP,na quarta-feira de maio com previsão de chuva e frio em Salvador por Majú no JN!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo)

maio
25

O conflito original

Informa-se que, pela primeira vez, há um aborrecimento entre o ministro Geddel Vieira Lima e o deputado Lúcio Vieira Lima.

É que, para atestar o temperamento amadurecido do irmão, Lúcio disse que o pavio de Geddel continua curto, mas agora “demora mais para acender”.

maio
25


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

TEORI HOMOLOGA DELAÇÃO DE SÉRGIO MACHADO

O Valor informa que Teori Zavascki homologou há pouco a delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Significa que as gravações de Machado passam a ter valor jurídico.

Além de Romero Jucá, Machado gravou Renan Calheiros, seu padrinho político, e José Sarney.

maio
25
Posted on 25-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-05-2016


Clayton, no jornal O Povo (CE)


O ator cumprimenta os curiosos do lado de fora do tribunal de Montgomery, na Pensilvânia. MARK MAKELA

DO EL PAÍS

Beatriz Barral
Nova York

Bill Cosby compareceu na terça-feira a um tribunal da Pensilvânia (Estados Unidos) para participar de uma audiência preliminar na qual a juiz Elizabeth McHughse determinou que o ator irá a julgamento pela primeira vez por um caso de abuso sexual, já que existem provas suficientes contra ele. Das dezenas de mulheres que acusaram o comediante de supostos abusos e estupros nos últimos meses, só a acusação de Andrea Constand foi levada aos tribunais.

Atravessando dezenas de câmeras de televisão Cosby, de 78 anos, compareceu ao tribunal. A autora da acusação, por outro lado, que hoje vive no Canadá, não foi à audiência. Os promotores do Condado de Montgomery, cidade próxima a Filadélfia, começaram a apresentar provas para respaldar as acusações contra Cosby por drogar e abusar de Constand quando ela o visitou em sua casa em 2004. O norte-americano, por sua parte, afirma que o encontro foi consensual. Em dezembro do ano passado, foi emitida uma ordem de prisão contra o ator, mas após se apresentar às autoridades e pagar um milhão de dólares (3,6 milhões de reais) de fiança ele pôde continuar em liberdade.

Após essa decisão, Cosby terá que voltar aos tribunais no dia 20 de julho para a leitura das acusações. Se for declarado culpado durante o julgamento, o ator pode ser condenado a 10 anos de prisão, uma multa de pelo menos 22.000 euros (87.772 reais) e precisará constar em uma lista pública de agressores sexuais.
Andrea Constand

A audiência de terça-feira na Pensilvânia ocorre após os advogados de Cosby tentarem sem sucesso que o juiz indeferisse as acusações. Constand e o ator se conheceram na Universidade de Temple, na qual ele fazia parte do conselho e ela treinava a equipe feminina de basquete. Em 2005 Constand denunciou Cosby por abusos sexuais, mas o promotor do distrito à época, Bruce Castor, decidiu que não existiam provas suficientes para formalizar a acusação. Além disso, fechou um acordo de imunidade para não acusar Cosby se este testemunhasse em uma demanda judicial pública apresentada por Constand.

Constand foi a primeira mulher a acusá-lo publicamente de abuso em 2005. Na ocasião, os promotores não formalizaram as acusações e o caso se encerrou com um suposto acordo econômico cujos detalhes não são conhecidos. Após dezenas de mulheres realizarem acusações semelhantes, o caso de Constand foi reaberto em 2015, quando a agência Associated Press teve acesso aos arquivos da primeira demanda. Os documentos, de uma década atrás, incluem um interrogatório no qual o antigo ídolo norte-americano admitiu drogar mulheres com as quais queria manter relações sexuais. Em fevereiro, um juiz do Condado de Montgomery decidiu que o acordo de imunidade com Castor não desqualificava o testemunho de Cosby à polícia em 2005. O’Neil considerou que as revelações obtidas pela Associated Press eram razão suficiente para reabrir a investigação.

Agora, a agência teve acesso a novos trechos nos quais Cosby, sob juramento, descreve um encontro sexual com Constand no qual lhe deu três comprimidos e “não pediu (verbalmente) seu consentimento”. Na declaração, o ator que ficou famosos nos anos oitenta com a série The Bill Cosby Show também fala de suas relações com Therese Serignese (uma das quase 60 mulheres que o acusaram). Serignese tinha 19 anos quando conheceu o comediante. Ele estava com quase 40.
Bill Cosby
Bill Cosby passa pelo detector de metais do tribunal. DOMINICK REUTER AFP

As relações do ator com adolescentes são mencionadas várias vezes na declaração. Cosby diz que a agência costumava enviar “cinco ou seis modelos” por semana enquanto gravava uma de suas comédias. Admite ter mantido relações com uma delas, que tinha somente 17 anos, em 2000. Os advogados de Cosby estão tentando fazer com que esse depoimento não seja admitido no julgamento.

Mais de 50 mulheres acusaram o ator de abusos sexuais. A maioria dos casos ocorreu nos anos sessenta e prescreveram judicialmente, com exceção do caso que agora abriu o primeiro julgamento contra o ator. Ainda assim, as acusações destruíram a reputação de Cosby, que chegou a ser o ator mais bem pago da televisão dos EUA, no papel de pai de família em The Bill Cosby Show, exibida entre 1984 e 1992. Cosby perdeu o apoio não só do público, mas também de colegas de profissão, e teve canceladas as turnês pelos teatros dos EUA e a continuação de sua série.

Bahia em Pauta estende o tapete vermelho nesta terça-feira de maio (24), para orgulhosamente receber Lúcia Jacobina Mesquita entre seus olaboradores.Bravo!!! ( Vitor Hugo Soares)

ARTIGO/ CINEMA

Cinquentenário de “Um Homem, uma Mulher”

Lúcia Jacobina Mesquita

Já se anuncia nas telas o próximo Festival Varilux do Cinema Francês, trazendo a imagem de um casal que se desloca em um conversível vermelho, ao som do famoso “chabadabada” de Francis Lai,certamente uma alusão e uma homenagem ao cinqüentenário do inesquecível filme de Claude Lelouch, “Um homem, uma mulher”.
Em 1966, Claude Lelouch ganhava em Cannes, a Palma de Ouro de Melhor Filme e de Melhor Fotografia. Com apenas vinte e oito anos de idade, era até então o mais novo diretor de cinema a receber a premiação. No ano seguinte, lograria também o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original. Desde logo seu nome se tornou conhecido e filmes se sucederam em sua longa carreira com a mesma temática do amor, contudo sem rivalizar com o sucesso alcançado pela dupla Jean Louis Trintignant e Anouk Aimée.
Não obstante tantas premiações, o filme é esnobado pelos críticos que jamais o colocaram entre os maiores na arte cinematográfica, tampouco Lelouch faz parte da lista dos grandes realizadores mundiais. Pouco importa se a grande crítica não o incluiu entre os mais importantes do cinema. Nem seria preciso, o público já o consagrou.
É curioso assinalar que o filme se insere perfeitamente dentre os paradoxos da década de sessenta, pois ao lado do desprezo pelos preconceitos e da proclamação do amor livre, exalta em contrapartida o romantismo nas relações amorosas. Temos no Brasil, concomitantemente, o exemplo da bossa-nova que se caracterizava pelo culto da mulher novamente galanteada em versos ternos e apaixonados. Para nós, este filme possui ainda um apelo especial por incluir em sua trilha sonorao “Samba da Benção”, de Baden Powell e Vinicius de Morais, na voz de Pierre Barouh.
Projeto de pequeno orçamento e equipe reduzidíssima, rodado em curto espaço de tempo, com sequências coloridas e outras em branco e preto por razões de economia, tendo o próprio diretor como cameraman, “Um homem, uma mulher” conseguiu reunir todos os ingredientes para atrair o público: uma envolvente história de amor, atores jovens e bonitos, locações na costa da Normandia, além da divina música de Francis Lai, autor de memoráveis trilhas sonoras de filmes como “Mayerling”, “Love Story”,“O Passageiro da Chuva” e“Viver a Vida”, entre outros.
Filmado após “Os Amantes”, de Louis Malle,1958, e “Jules et Jim”, de Truffaut, 1962, dois emblemáticos representantes da sétima arte que retrataram a ruptura dos costumes, Lelouch retoma a fórmula romântica ao enfocar o envolvimento de um casal de viúvos,ambos com filhos pequenos, sem conflitos interiores ou condenações externas, tanto que o filme mereceu ainda o prêmio do Ofício Católico de Cinema. Como contraponto ao encanto do amor que se refaz, narra em flashback os desaparecimentos precoces e violentos dos respectivos cônjuges e a aventura como ingrediente essencial e fascinante de suas existências calcadas no risco sempre presente da morte. Justamente a mesma peripécia amorosa que Homero estabeleceu como ponto de ligação entre o épico e o romântico tanto na Ilíada como na Odisséia, elegendo com os casais Páris e Helena, Ulisses e Penélope, arquétipos que até hoje presidem o imaginário do homem ocidental. Essa a explicação que tenho para a permanência deste filme na memória do grande público e o sucesso conseguido desde seu lançamento até os dias atuais.
Em Salvador, estreou no Cine Popular no segundo semestre de 1967, onde foi exibido durante doze semanas mais ou menos, um feito raramente suplantado. Desde aquela época, a polêmica se instaurou. Lembro-me que nosso professor de literatura portuguesa, no Colégio Central, deixou de lado os temas do seu magistério e dedicou toda uma aula para desmerecer o filme,classificando-o como uma película banal cheia de clichês, reduzida a mera propaganda do Mustang da Ford. Devo confessar que nenhuma influência negativa demoveu minha admiração e as incontáveis vezes que o revi no seu lançamento e posteriormente em VHS e DVD. Continua sendo um de meus predileto se detém um local privilegiado na minha estante de cinéfila, justamente por constituir um prazer para os olhos e um presente para a sensibilidade.
Já nos primeiros anos desta nossa década, tive a grata satisfação de ler alguns comentários elogiosos.André Setaro, de saudosa memória, em seu livro“Escritos sobre Cinema” dedica-lhe artigo intitulado “Claude Lelouch é um poeta”, no qual destaca a sequência na qual Trintignant treina no autódromo como “excepcional, com os objetos (os carros capotados, os prédios, as pessoas) adquirindo, na mise-em-scène, uma outra significação – como um artista plástico que se aproveita da sucata para “sugerir” e fazer sua arte”. Em Giusy Pisano, professora e crítica de cinema, que conheci em Montmartre, leio em seu “L’Amour Fou au Cinéma”,lançado em 2010 e ainda sem tradução para o português, a inclusão do filme entre aqueles que enfocam o caso de amor como um conto de fadas, mas noticia algo muito importante que é a forma como repercutiu na política francesa dando o nome à previsão dos partidos de elaborarem as listas “Chabadas” que devem propor alternadamente um homem e uma mulher, tendendo a favorecer o igual acesso dos dois sexos aos mandatos eleitorais e funções eletivas. E para confirmar o acertodessa fórmula, atualmenteHollande decidiu estender essa paridade aos conselhos municipais nas cidades com população superior a 3.500 habitantes.
Quem se der ao trabalho de pesquisar no Google,vai verificar que na França o termo “chabada” apresenta uma variedade de empreendimentos, desde pousadas, programas televisivos, restaurantes, etc. E o sucesso da denominação já ultrapassou as fronteiras francesas para surgir no Brasil no título do livro do jornalista e escritor Chico Sá “Chabadabadá, Modos de Macho e Modinhas de fêmea”, divulgado na mais recente edição da Revista da Livraria Cultura.
Meus votos são os de que mais se faça para a oportuna celebração de “Um homem, uma mulher”.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “A Aventura da Palavra”.

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O pacto sinistro bota a cara de fora

Para quem não acreditava em “fatos novos” na política, pelo menos nesta semana mais curta e de forte apelo religioso, eis que a segunda-feira raia trazendo uma fortíssima impressão: o Tribunal Superior Eleitoral não tardará a cassar a chapa Dilma-Temer, o que equivale a dizer que teremos eleições presidenciais diretas no fim do ano.

Há apenas dez dias, este blog, no texto “Temer deverá ser efetivado em julho”, duvidava de tal ocorrência, “capaz de gerar forte instabilidade social ante o clima instalado”, e especulava: a permanência do presidente obedeceria a um amplo pacto do establishment – “a classe política, o setor econômico e as cúpulas do Judiciário”.

Sem pretensão ao papel de pitonisa, não foi outra coisa que revelou o diálogo entre o ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a necessidade então imediata de afastar a presidente Dilma Rousseff e substituí-la pelo vice-presidente para “estancar a sangria” da Operação Lava-Jato.

A solução, para alcançar tal objetivo, seria, como disse Machado, “um grande acordo”, tendo Jucá completado: “com o Supremo, com tudo”. A não ser verdade, ou não havendo prova de que a maioria dos ministros da corte está envolvida na farsa, só restará ao STF, à semelhança do que fez com o ex-senador Delcídio Amaral, prender Jucá.

Delcídio citou nomes de dois ou três ministros que poderiam ajudá-lo na, digamos, Operação Cerveró. Jucá, ao contrário, referiu-se apenas ao “fechado” Teori Zavascki, deixando, portanto, em aberto, para a imaginação agora pública, os nomes dos que eventualmente colaborariam, ou seja, ficam os dez integrantes restantes do colegiado sob inominável suspeita.

A chance para Temer “examinar”

O longo bate-papo vazado pela Folha de S. Paulo expõe, de forma clara, pela boca dos próprios interlocutores, o risco corrido por toda a alta cúpula da política brasileira: além de Temer, que, pelo visto (ou ouvido), comandaria a porcalhada, também Renan Calheiros, Aécio Neves, José Serra e Aloyzio Nunes Ferreira. De fora, só Eduardo Cunha, que “está morto”, segundo Jucá.

Temer nomeou Jucá pela sua “competência”, como afirmou ao Fantástico, da Rede Globo, quando prometeu também que “examinaria” o caso se o auxiliar ficasse mais enredado ainda nas malhas da Lava-Jato. Agora, com as bombásticas revelações, terá não só de examinar, como de exonerar o ministro.

Se não agir assim, será porque tem fortes motivos para recear que seu nome também desça a correnteza, e se mantiver Jucá, seguramente, seu incipiente governo perderá todas as condições de transmitir à sociedade a confiança indispensável à recuperação econômica do país.

Palavreado mostra que estamos lenhados

Chamou a atenção na transcrição do áudio o extremo realismo com que os dois amigos abordaram a questão. Se Sérgio Machado “descer”, isto é, cair no foro curitibano do juiz Sérgio Moro, “aí fodeu para todo mundo”.

Da mesma forma, Jucá descartou – isto ainda no mês de março – a capacidade do ex-presidente Lula de contornar os problemas ao passar a chefiar a Casa Civil, porque só seria ouvido pela CUT e MST, já que “o resto, ninguém dá mais crédito a ele porra nenhuma”.

Ante o temor de Machado de que não ficasse “pedra sobre pedra” se o impeachment não saísse, Jucá aquiesceu, defendendo “uma coisa política e rápida”, mas desaconselhando um encontro de ambos com Renan Calheiros e José Sarney. Não chegou a verbalizar, mas deixou no ar a ideia de que pareceria uma reunião de quadrilha.

O rei em xeque

De perfil, Temer se assemelha muito às imagens clássicas do cavalo do jogo de xadrez. E o pior é que está se movendo em L.

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