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Postado em 31-05-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-05-2016 01:11

OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Imprensa desvencilha-se da acusação de golpe…

Depois da divulgação de conversas de altos próceres da política brasileira expondo a trama, aparentemente nascida no PMDB, de fazer o impeachment, surgiu entre os apoiadores da presidente afastada Dilma Rousseff a esperança de reverter o processo, e ao fim do julgamento no Senado ela voltar ao cargo.

Sem entrar no mérito da questão – embora seja de acreditar que nem com a revelação do motivo espúrio de barrar a Operação Lava-Jato Dilma consiga escapar –, um aspecto é importante ressaltar: esvaziou-se no PT e aliados o discurso da participação da imprensa num suposto golpe institucional para derrubar a presidente.

No presente momento, os dois maiores veículos de comunicação do país – a Rede Globo e a Folha de S. Paulo -, levando com eles o resto da mídia, atuam em sentido exatamente oposto ao que levou os dilmistas a acusarem a existência de um “partido da imprensa golpista” funcionando a todo vapor.

Essa postura foi objetivo de especulação de Por Escrito, que em texto intitulado “Novo presidente terá ‘crédito de confiança’”, publicado no último dia 12, imaginava um grande acordo para livrar o presidente Michel Temer de uma cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Considerando que a classe política, o empresariado e o Poder Judiciário estariam envolvidos, o blog dizia que o êxito da articulação iria “depender apenas do papel a ser jogado pela imprensa tendo em vista seu patrimônio de credibilidade”.

Pois se nota agora que a mídia não cessou em sua cruzada, e, à medida que as baterias dos subterrâneos se voltam para os adversários do petismo, igualmente o noticiário exibe as mazelas da outra facção criminosa, a ponto de enfraquecer o próprio Temer – pela denúncia de seus auxiliares e até pelo questionamento do encontro com o presidente do TSE.

…e continua defendendo os próprios interesses

Mas aparentemente não é o caso de nos darmos por satisfeitos com o desempenho daquela que, para Rui Barbosa, é “a vista da nação”. Os grandes conglomerados de comunicação apenas se pautam pelo que é melhor para eles, como atividade em si e como pontas de lança do setor econômico.

Há 50 anos, imediatamente após o golpe militar que acabou a democracia e inutilizou grande parte dos melhores cérebros do país, surgiu a Rede Globo como um dos pilares do controle social pelo regime, num mundo bipolarizado ideologicamente, em que, no cenário brasileiro, valia tudo para reprimir o “perigo comunista”.

O mundo mudou radicalmente, entretanto, a partir do marco histórico da queda do Muro de Berlim e, por complemento, com a revolução digital, que socializou parte substancial da informação. O Brasil “modernizou-se”, a função do Estado reduziu-se e não mais cabia a sombra do militarismo.

A Globo, como emblema do poder midiático, viu que se iniciava a era de ela própria exercer a manipulação integral, por isso transitando da crítica aos “anos de chumbo” em sua programação até o mais recente e discreto mea-culpa pela ditadura, no que se pode dar discrição a um evento desses.

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Comentários

Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 10:19 #

Caro Luís. Desculpe-me. Acompanho sistematicamente o noticiário em diversas mídias, sei que você deve fazer o mesmo. Mas cumpre ressaltar: a imprensa norte-americana e europeia, a alemã por unanimidade, acusam o impeachment de golpe branco. O Jornal Nacional vinha sofrendo queda acentuada de audiência. Num mundo de comunicação globalizada já não é possível agir manipulando aas escâncaras sem pagar um preço. Nem a Justiça, nem a mídia. As manobras ficam mais difíceis. O que fez a Globo? Alterou radicalmente sua cobertura, passando a dar tudo. Acabaram-se as interpretações melodramáticas, teatrais. Observe que até a leitura de documentos está mais jornalística no JN. A Folha também fez mea culpa e voltou atrás, após a revelação de que o afastamento de Dilma fez parte de um plano do PMDB/MSDB para sabotar a LavaJato. O Estado no velho estilo, não recuou um passo. E ontem fez editorial atacando os correspondentes estrangeiros. A história não se constrói linearmente. As forças agem em todas as direções, e em conflito. Sempre foi assim em toda a história real. Só nas histórias de TV e da carochinha e’ que as tramas são lineares.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 10:30 #

Aliás, nem nas de TV, quando os novelistas são grandes escritores. Linearidade e’ sinal da falta de verossimilhança que toda ficção deve ter, como ensinou Aristoteles. É o público que não é bobo, percebe a falta dela, o engodo. É o que aconteceu com o Jornal Nacional.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 10:31 #

Acabou-se a ideia absurda de que a corrupção era cosa só do PT.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 10:32 #

PSDB e furnas estão na mira!


luis augusto on 31 Maio, 2016 at 12:45 #

Sintetizando minha resposta, não havia a ideia de que a corrupção era coisa só do PT, tanto que o PT foi eleito para tentar acabar com ela.


vitor on 31 Maio, 2016 at 12:57 #

Rosane/Luis

O artigo de Moro, publicado pelo Estadão na edição de hoje, 31, lança luzes na discussão sobre este tema de grande relevância: para o jornalismo e para o momento político e institucional que atravessamos.


Luis augusto on 31 Maio, 2016 at 15:46 #

Vitor, estou na rua. A PF pediu o indiciamento do presidente do Bradesco.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:39 #

Vitor, a priori, não acredito em Moro. Pode até ter formação técnica. Mas falta-lhe formação política e humanística. Adora holofotes e tem pendores hitlerianos. Age politicamente para o vazamento de delações. Não suporto, e’ a palavra. Acho que faz um mal terrível aa democracia brasileira.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:43 #

Observações:
1- Tem conhecimento da história brasileira acima da média comum;
2- Trabalho com fontes primárias. conheço-as. Não trabalho com o que a mídia diz ou faz.
3- A corrupção é uma cultura. Moro e eu estamos embutidos nela. O que não significa que somos corruptos, claro. Mas estamos embutidos nela. A imprensa e’ corrupta e o Judiciário brasileiro e’ o mais correto entre os poderes da República.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:44 #

Correção: Tenho.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:45 #

Correção: o Judiciário brasileiro e’ o mais corrupto. Moro tem salário de mais de 70 mil reais. Acima do teto permitido.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:52 #

Caro Luís, ultimamente havia sim. Todas as manipulações da imprensa tenderam a isso. E não me diga que não há manipulações, porque posso lhe indicar literatura especializada nesse assunto.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 17:54 #

Vitor Hugo: acabo de ler o artigo de Moro. Não mudou nada as minhas impressões sobre ele. Espero viver mais 30 anos para conhecer os bastidores da LavaJato em profundidade.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 18:11 #

Vamos. OMestre a faxina de casa: Moro recebe R$ 77 mil reais, salário acima do presidente da República e do presidente do STF. Poderia. Impeçam a moralização por ele próprio. Cuidado, Vítor, com os rígidos em matéria de moral. São falso moralistas na maioria das vezes.


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 18:12 #

Poderia começar a moralização por ele próprio. ( o teclado inteligente do IPad e’ um perigo. É o Brasil precisa começar a varrer do mapa os salvadores da pátria como Moro. Cuidado com eles!


Rosane Santana on 31 Maio, 2016 at 18:26 #

E por falar em salvadores da pátria, cadê Protogenes Queiroz?


luis augusto on 1 junho, 2016 at 16:49 #

Ró-Ró, em nova síntese, devo dizer que a imprensa internacional não me fará deixar de acreditar que o governo Dilma e o lulismo não poderiam mais prevalecer, por serem extremamente danosos ao Brasil, seja lá o que venha depois. Vamos depurando.

Vitor, li o artigo de Moro. Para mim, esclarece a natureza da delação premiada, colocando o interesse coletivo acima de questões individuais.

Abraços generalizados. Tenho passado pouco por esta praça.


Rosane Santana on 1 junho, 2016 at 17:15 #

A questão não é ser bom ou ruim, minha gente! Onde estamos? É um governo eleito, minha gente! Na democracia contemporânea existem regras e princípios a serem obedecidos. Do contrário, estamos em qualquer outra coisa, mimos numa democracia. As regras da democracia representativa estabelecidas constitucionalmente, baseada em conquistas da Revolução Francesa, preveem eleições de quatro em quatro anos, salvo em caso de crime de responsabilidade do mandatário, que deve ser punido do com impeachment. Não houve crime da presidente da República. Não é à toa que o mundo civilizado vê o Brasil hoje tudo isso com desprezo, como se fora República das Bananas. Por certo, aluis Augusto, se Brizola fosse vivo não compactuaria com esse golpe branco, ele que era um legalista. E não me venha alegar corrupção. Até prove em contrário quem desmontou a CGU, quem tramou contra a LavaJato não foi Dilma.


vitor on 1 junho, 2016 at 19:18 #

Rosane:
Protógenes está na Suiça. Há poucos dias lançou um comunicado pelas redes sociis, dizendo-se um perseguido político no Brasil , agora sob proteção do governo suiço.É o que sei, se vc souber de algo mais, diga. Ah, ele diz ser perseguido “pelo banqueiro bandido”.


Rosane Santana on 1 junho, 2016 at 19:27 #

Sabido! Casou-se com filha de banqueiro de dupla nacionalidade. Golpeou duas vezes.


vitor on 1 junho, 2016 at 19:50 #

Rosane:

Brizola dizia: desconfie de gente com dois passaportes!!!


Rosane Santana on 1 junho, 2016 at 19:51 #

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