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Postado em 31-05-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-05-2016 17:17

Paulinho da Viola, amigo do saudoso Gildo Alfinete, defensor da primeira hora da Capoeira Angola, na Salvador de todos os abraços e beijos!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

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Tempo de recordar: ouvi Paulinho cantar esta maravilha pela primeira vez em um show no Teatro Castro Alves, nos anos 70, acompanhado pelo pai. Emoção para sempre.

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

Vanderlei on 31 Maio, 2016 at 18:27 #

Paulinho da Viola acompanhou a atmosfera da década que o lançou. Desde os anos 60, ele traça novos caminhos sem fugir da sua sutileza peculiar. Não faltam resultados bem-sucedidos que merecem uma seção à parte.

Sinal Fechado é um bom exemplo dessa face. Sinal Fechado, por diversos aspectos, já tomou tempo de acadêmicos que tentaram desvendar o seu exato sentido. Sinal Fechado é um evento raro. Fundiram-se nesse ponto de 1969 a música erudita moderna e o samba. Não é difícil imaginar que Paulinho da Viola ouvia obras de compositores como Malcon Arnold, como ele nos confirma, mas Sinal Fechado não é apenas uma experimentação ou uma fusão bem sucedida de concertos modernos com a música brasileira. É algo mais.

Muitos pensam que a letra dessa música é um retrato da vida urbana na época da ditadura militar brasileira, que no ano anterior tinha realizado o seu pior evento até então ao suprimir os direitos constitucionais do cidadão através do AI-5. A ditadura acabou há tempos e um novo olhar nos mostra que esta obra não foi superada na forma, no conteúdo, na experiência estética e na abrangência de sua letra. Sinal Fechado faz mais sentido hoje do que quando foi composta. A estética fria e tensa não nos é mais tão estranha. É o hino do desencontro, do mundo contemporâneo, das cidades movimentadas, dos sinais fechados sempre presentes que nos forçam a observar as pessoas por dentro dos carros, da vida urbana, da necessidade de se buscar um lugar no futuro. Sinal Fechado já buscava seu lugar no futuro quando foi composta e certamente conseguiu.

Fonte: http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_musica/lk.asp?cat=4

Roendo as Unhas é outra experiência do mesmo período. Em sua forma nada é fixo, não há chão, há apenas os deslocamentos. É impossível determinar a nota dominante, ela não existe. O que vemos é uma sucessão de momentos que se envolvem e criam um ciclo de inúmeras possibilidades. O sambista ganha um olhar profundo, filosofa sobre sua relação com a música e caminha pelas ruas com sua “flor nenhuma”. A angústia de um momento de transformação da nossa história não poderia estar melhor representada.

Esse espírito inovador é marcante em toda a obra de Paulinho. Poucos conhecem os desdobramentos desse lado do artista. Seja fazendo música, como em Sarau para Radamés, ou fazendo letra, como em Crotalus Terrificus, parceria com Arrigo Barnabé, Paulinho da Viola surpreende com a vontade de inovar.
Fonte: http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_musica/lk.asp?cat=4


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