DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Cientistas contra os Jogos não defendem “golpe”

Se a presidente Dilma Rousseff ainda estivesse no cargo, é possível que a carta aberta de cientistas de todo o mundo à OMS e ao COI, propondo o adiamento ou a transferência dos Jogos Olímpicos do Rio, fosse tomada como mais uma etapa da conspiração internacional que teria sido encetada pelo impeachment.

Como não é o caso, é preciso refletir: as considerações feitas por 125 destacados membros da comunidade científica, entre cientistas, médicos e especialistas, inclusive de universidades respeitáveis, como Harvard e Oxford, apenas dão uma espécie de cunho oficial a uma convicção largamente difundida no país.

Como a Copa do Mundo, os Jogos vieram para o Brasil para a euforia de muitos, mas também despertando em outros pelo menos a preocupação com o grande dispêndio a ser feito por um país pobre, cuja população, em sua grande maioria, nem mesmo tinha acesso razoável aos mais elementares direitos, como saúde e educação.

Prevaleceram, no entanto, enfunados pelo interesse político indissociável de eventos desse tipo, os argumentos do fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, da criação de empregos e, sobretudo, do “legado” que ficaria em obras públicas, apesar da evidente e consensual suspeita, enfim confirmada, de alta corrupção.

Da zika cidadã à falta de vacina contra a gripe

Mesmo com a consumação da indicação do Rio e o início dos trabalhos, a dúvida quanto à realização dos Jogos era levantada a cada episódio da tradicional criminalidade violenta reinante na cidade. Por último, incorporou-se o colapso da saúde no Estado, fruto óbvio da virtual falência financeira que compromete todos os serviços públicos.

Os custos reconhecidos pela assim chamada Autoridade Pública Olímpica chegam aos R$ 40 bilhões, contra previsão inicial de R$ 29 bilhões, com as cifras definitivas ainda dependentes de atualizações, uma até junho e outra programada para depois dos Jogos. Só a “estrutura temporária” de arquibancadas e energia, somadas este ano, atingiu R$ 400 milhões.

O que mais dói no orçamento é a mentira do “legado”. Fora as obras que atrasaram ou não se concretizaram, como na Copa, o maior parte dos equipamentos não configura um investimento social compensatório, e em pouco tempo estará até deteriorada e abandonada pela previsível falta de manutenção.

Nações civilizadas tratam a saúde de outra ótica. No caso específico, autoridades na matéria consideram “desnecessário” que 500 mil pessoas de todo o planeta corram o risco de contrair e levar para seus países o vírus da zika, que adotou a cidadania fluminense. Mas vale lembrar a gripe H1N1, matando pessoas de norte a sul e sem vacina suficiente.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos