Césare Lombroso

CRÔNICA

Lombroso analisa Jucá

Janio Ferreira Soares

Os poucos que me dão a honra nestes escritos quinzenais sabem da minha simpatia por Lombroso (criminologista italiano nascido no século 18),um apaixonado defensor da tese que pregava que certas características físicas do ser humano eram determinantes para o ofício da delinquência. Assim, suspeitos com mandíbulas avantajadas, nariz adunco e maçãs do rosto proeminentes – entre outros aspectos – já entravam no julgamento praticamente condenados, sem qualquer presunção da inocência. Pois muito bem.Depois de pouco mais de um ano em que descrevi alguns personagens das primeiras listas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot,pela ótica lombrosiana (só pra lembrar: Edison Lobão: “aspecto de homem mosca com ancestralidade transilvânica”; Renan Calheiros: “jeitão manso de gato capado com bochechas em forma de tangerina temporã”; Eduardo Cunha: “risinho de hiena prestes a devorar filhotes de guarás planaltinos”…), eis que o seu fantasma puxa meu dedão do pé e diz: “vai, seu velho do São Francisco, use novamente minha tese e expurgue essas recentes assombrações que atormentam sua madorna que lhe prometo sonhos de um outono na Toscana”. Bem mandado que sou, aproveito o termo da moda e fá-lo-ei somente por fazer, sem nutrir nenhuma esperança de receber em troca quimeras magistrais com garrafas de Brunello na minha mesa numa pracinha em Montalcino, pois promessa de fantasma é pior do que compromisso de candidato em época de campanha. Em frente.
Assim que vi as fotos dos ministros de Temer (ele próprio um gêmeo sem bigode do Amigo da Onça, genial personagem que habitava as páginas de O Cruzeiro), logo percebi que alguns deles carregam em suas carapuças os imutáveis vestígios da culpa, a exemplo de Jucá, a bola da vez dessa nova e complicada jornada. Fala, Lombroso!
“Cabra com sotaque peculiar de quem comeu muito bode no sertão pernambucano, seu conjunto facial transita entre Nigel, a cacatua má do desenho animado, Rio, com Zeca Urubu, o vilão que vive atrapalhando a vida do Pica-Pau. Perdeu, Kakai!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do vale do Rio São Francisco.

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