DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lula não sabia, Dilma não sabia, Temer não sabia

É com certa candura que os defensores do governo Michel Temer, ante a tempestade que sobre ele começa a desabar, destacam a “grande diferença” para o tempo do PT: agora, os ministros flagrados em crimes são imediatamente demitidos, enquanto antes eram protegidos a unhas e dentes pelos correligionários.

O argumento é tão raso quanto a vã tentativa de Romero Jucá de, primeiramente, permanecer ministro, depois, “licenciar-se”, e somente quando “caiu a ficha”, para usar expressão constante em seu colóquio fatal, compreender enfim que não tinha mais o que fazer na cena.

O que se ressalta nesse emaranhado de conversas, discursos e articulações é que Jucá sempre teve estreita ligação com Temer, que lhe delegou a presidência do PMDB quando precisou afastar-se e o nomeou entre seus ministros mais importantes, tanto que até cochichos em público lhes eram permitidos.

Na transcrição da fita do alçapão em que Sérgio Machado o apanhou, Jucá afirma textualmente que “Michel é Eduardo Cunha” – o que no Brasil de hoje poderia até ser capitulado como crime – e, por cima, acolhe todos os conceitos emitidos por Machado envolvendo o presidente, como “a solução mais fácil é botar o Michel”.

Recordemos que tudo isso transcorreu há mais de dois meses, constituindo-se numa clara evidência de que, sem questionar o merecimento do governo Dilma Rousseff, estava em curso uma trama para concretizar o seu impeachment.

A exemplo do que se disse do suposto alheamento do ex-presidente Lula ao que se passava no seu governo, desde o mensalão, e também da ignorância de Dilma sobre os desmandos na Petrobras, pode-se afirmar agora que seria desabonador para a inteligência policial de Michel Temer desconhecer, quando nada, o potencial delituoso de pessoa que lhe era tão próxima.

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Comentários

Daniel on 26 Maio, 2016 at 9:12 #

O comentarista mistura alhos com bugalhos. Uma diferença fundamental entre Temer e o petismo é que ele ainda não era presidente quando houve a escuta dos peemedebistas. A linha argumentativa de que “deveria saber” é frágil e não se sustenta.

Outra distinção flagrante é a reação diante do fato exposto. Enquanto um criticava a “ilegalidade” da escuta, o segundo se atem ao conteúdo e “corta na carne”.

É mais do que evidente que há diferenças fundamentais entre as situações!


Taciano Lemos de Carvalho on 26 Maio, 2016 at 9:51 #

A única carne que vejo cortada, deste os tempos dos tempos, é a carne do povo. A carne dos grampeados a cada dia que passa fica maior. Cresce.


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