DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O pacto sinistro bota a cara de fora

Para quem não acreditava em “fatos novos” na política, pelo menos nesta semana mais curta e de forte apelo religioso, eis que a segunda-feira raia trazendo uma fortíssima impressão: o Tribunal Superior Eleitoral não tardará a cassar a chapa Dilma-Temer, o que equivale a dizer que teremos eleições presidenciais diretas no fim do ano.

Há apenas dez dias, este blog, no texto “Temer deverá ser efetivado em julho”, duvidava de tal ocorrência, “capaz de gerar forte instabilidade social ante o clima instalado”, e especulava: a permanência do presidente obedeceria a um amplo pacto do establishment – “a classe política, o setor econômico e as cúpulas do Judiciário”.

Sem pretensão ao papel de pitonisa, não foi outra coisa que revelou o diálogo entre o ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a necessidade então imediata de afastar a presidente Dilma Rousseff e substituí-la pelo vice-presidente para “estancar a sangria” da Operação Lava-Jato.

A solução, para alcançar tal objetivo, seria, como disse Machado, “um grande acordo”, tendo Jucá completado: “com o Supremo, com tudo”. A não ser verdade, ou não havendo prova de que a maioria dos ministros da corte está envolvida na farsa, só restará ao STF, à semelhança do que fez com o ex-senador Delcídio Amaral, prender Jucá.

Delcídio citou nomes de dois ou três ministros que poderiam ajudá-lo na, digamos, Operação Cerveró. Jucá, ao contrário, referiu-se apenas ao “fechado” Teori Zavascki, deixando, portanto, em aberto, para a imaginação agora pública, os nomes dos que eventualmente colaborariam, ou seja, ficam os dez integrantes restantes do colegiado sob inominável suspeita.

A chance para Temer “examinar”

O longo bate-papo vazado pela Folha de S. Paulo expõe, de forma clara, pela boca dos próprios interlocutores, o risco corrido por toda a alta cúpula da política brasileira: além de Temer, que, pelo visto (ou ouvido), comandaria a porcalhada, também Renan Calheiros, Aécio Neves, José Serra e Aloyzio Nunes Ferreira. De fora, só Eduardo Cunha, que “está morto”, segundo Jucá.

Temer nomeou Jucá pela sua “competência”, como afirmou ao Fantástico, da Rede Globo, quando prometeu também que “examinaria” o caso se o auxiliar ficasse mais enredado ainda nas malhas da Lava-Jato. Agora, com as bombásticas revelações, terá não só de examinar, como de exonerar o ministro.

Se não agir assim, será porque tem fortes motivos para recear que seu nome também desça a correnteza, e se mantiver Jucá, seguramente, seu incipiente governo perderá todas as condições de transmitir à sociedade a confiança indispensável à recuperação econômica do país.

Palavreado mostra que estamos lenhados

Chamou a atenção na transcrição do áudio o extremo realismo com que os dois amigos abordaram a questão. Se Sérgio Machado “descer”, isto é, cair no foro curitibano do juiz Sérgio Moro, “aí fodeu para todo mundo”.

Da mesma forma, Jucá descartou – isto ainda no mês de março – a capacidade do ex-presidente Lula de contornar os problemas ao passar a chefiar a Casa Civil, porque só seria ouvido pela CUT e MST, já que “o resto, ninguém dá mais crédito a ele porra nenhuma”.

Ante o temor de Machado de que não ficasse “pedra sobre pedra” se o impeachment não saísse, Jucá aquiesceu, defendendo “uma coisa política e rápida”, mas desaconselhando um encontro de ambos com Renan Calheiros e José Sarney. Não chegou a verbalizar, mas deixou no ar a ideia de que pareceria uma reunião de quadrilha.

O rei em xeque

De perfil, Temer se assemelha muito às imagens clássicas do cavalo do jogo de xadrez. E o pior é que está se movendo em L.

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