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Postado em 24-05-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 24-05-2016 00:26

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Pivô do primeiro escândalo que sacode o Governo interino de Michel Temer, Romero Jucá teve de deixar o Ministério do Planejamento horas depois de Folha de S. Paulo divulgar gravação em que ele sugere articulação para conter a Operação Lava Jato tendo como uma das estratégias o impeachment de Dilma Rousseff. Jucá, homem-forte de Temer e investigado por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, primeiro anunciou que pediria licenciamento, mas terá que se demitir para reassumir o cargo de senador por Roraima.

Temer emitiu uma nota em que agradece Jucá por seus serviços prestados e diz querer contar com a ajuda do aliado no Congresso Nacional. “Registro o trabalho competente e a dedicação do ministro Jucá no correto diagnóstico de nossa crise financeira e na excepcional formulação de medidas a serem apresentadas, brevemente, para a correção do déficit fiscal e da retomada do crescimento da economia.”

Com o afastamento do ministro, Dyogo Oliveira ficará interinamente no cargo até que o presidente em exercício consiga convencer alguém de sua confiança a assumir a função. Oliveira era secretário-executivo de Nelson Barbosa no Governo de Dilma Rousseff. Para o ministério o principal candidato é o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Para o cargo dele iria Moreira Franco, o atual secretário-executivo do Programa de Parcerias e Investimentos.

A queda de Jucá vem apenas horas depois de ele afirmar a jornalistas que sua conversa com o ex-presidente da subsidiária da Petrobras Transpetro Sérgio Machado não era motivo para que ele deixasse o cargo. “Não tenho nada a temer, não devo nada a ninguém”, disse. No áudio de pouco mais de uma hora, Jucá concorda com Machado e diz que o processo de afastamento de Dilma Rousseff levaria Michel Temer ao poder e proporcionaria um acordo amplo, “com o Supremo (Tribunal Federal), com tudo” e “delimitaria a Lava Jato” e poderia proteger até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também investigado. A gravação, provavelmente feita por Machado para negociar delação premiada, está em poder do Ministério Público Federal.
Protestos no Senado

A saída do peemedebista, um dos principais articuladores do rompimento do PMDB com o Governo e do impeachment, foi decidida no encontro que Temer teve com o presidente do Senado, Renan Calheiros, na tarde desta segunda. Jucá chegou ao Congresso como ministro e saiu como senador após parlamentares de vários matizes pressionarem por sua renúncia. Governistas como Ana Amélia (PP-RS) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) e até opositores, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) cobravam o desfecho.

A chegada do Jucá junto com a comitiva presidencial foi conturbada. Deputados petistas e funcionários de gabinetes do Congresso hostilizaram Temer e seus ministros Geddel Vieira Lima (Governo), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Henrique Meirelles (Fazenda), além de Jucá, assim que eles chegaram para apresentar a nova meta fiscal para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O principal grito ouvido era de “golpistas”.

Enquanto o ainda ministro do Planejamento dava uma entrevista coletiva, a deputada Moema Gramacho (PT-BA) segurava um cartaz atrás dele com os dizeres Delcídio = Jucá, Prisão e Conselho de Ética Já”. A frase fazia alusão ao ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) que foi preso depois que uma gravação em que ele tentava obstruir a Lava Jato foi divulgada. O PT e o PDT devem fazer uma representação contra Jucá no conselho. Os protestos foram caracterizados por Jucá como uma babaquice. Ao fim da entrevista, Gramacho disse a Jucá que ele deveria ir para a prisão. Como resposta ouviu: “Eu vou botar todos vocês na cadeia”.

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