OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Cantanhêde sai do esquadro e dá uma de vivandeira

A jornalista Eliane Cantanhêde é admirada no meio político e na imprensa política desde os tempos difíceis do regime militar, em que corajosos articulistas assinavam textos na página 2 da Folha de S. Paulo usando apenas as iniciais. Ela era, naturalmente, E.C., mas havia também o V.B.C. – Villas Bôas-Corrêa, mestre de gerações, entre outros nomes de expressão.

Conhece-se e respeita-se, no trabalho que hoje desempenha, também, na Globonews, seu antipetismo, que não seja de muito tempo, como dizem, mas pelo agora, quando o partido nascido dum sonho no ABC paulista exibe completa dissintonia com o que imaginava a sociedade ao corroborá-lo, elegendo Lula presidente da República em 2003.

O que não parece muito lógico e plausível no raciocínio da jornalista ultimamente é sua fixação por indispor o PT com o Exército, por duas razões fundamentais: a primeira é que o PT e o petismo, Lula e o lulismo, não representam quase nada, pouquíssimo deixarão de herança, a não ser o mais raso engodo em nome de uma luta visceral da humanidade pela dignidade social.

Pior, porém, é a evidente convalidação histórica, absolvendo-a, de uma força armada que, junto com as demais, é autora de uma intervenção desastrosa na história brasileira, sendo, portanto, apesar de liderar “pesquisas de credibilidade” ao lado da Igreja Católica, responsável pelo quadro de desgraça que se sucedeu no país.

“PT irrita o Exército”, disse a jornalista em sua coluna de sexta-feira, reproduzida na Bahia por A Tarde, ao referir-se a uma autocrítica furada e barata do PT por não ter “modificado o currículo de academias militares” e promovido “oficiais com compromisso democrático e nacionalista”. Ora, no poder, o PT não teve moral nem para publicar documentos da ditadura.

A sugestão do surgimento de “antipetismo no Exército” já seria uma densa demonstração de espírito submisso, mas Cantanhêde não deu trégua. Hoje, na mesma coluna, gaba-se de conversa sobre o tema com o comandante do Exército, que “não resistiu”, mesmo com o “silêncio e distância” dos militares “da crise política, econômica e ética”.

A mudez e a distância são mais que obsequiosas. Aeronáutica, Marinha e Exército só devem ser citados caso ameacem extrapolar de seu dever constitucional ou sejam convocados legalmente a cumpri-los. Fora disso, é bajulação que atinge as fronteiras do açulamento.

Ao regime militar de 21 anos que sofremos nada devemos em matéria de ética ou democracia. A lamentar, do ponto de vista mais elementar, temos os assassinatos, a tortura, a prisão, o banimento, o exílio de brasileiros, de simples operários aos cérebros mais privilegiados nas várias ciências. Queremos os militares nos quartéis, e fora deles as “vivandeiras impenitentes” citadas até pelo general Castello Branco.

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