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Postado em 19-05-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-05-2016 00:14


Fim do Ministério da Cultura: Zé Celso no ato do Teatro Oficina
contra o Governo Temer. Fábio Braga Folhapress

DO EL PAIS

Camila Moraes

São Paulo

Uma semana depois da admissão do impeachment de Dilma Rousseff no Senado e de sua substituição por Michel Temer como chefe do Executivo brasileiro, a resistência ao Governo interino já ganhou corpo – e na área da Cultura. O setor, o primeiro a sentir o golpe do machado que Temer empunha para controlar gastos públicos, é tradicionalmente visto no país como enfraquecido diante de outros melhor articulados, mas demonstrou engajamento suficiente para criar uma resistência que pretende nublar o panorama dos que acabam de chegar ao poder. Com isso, o país viveu nesta terça-feira, 17 de maio, uma jornada de protestos e ocupações promovidos pelo meio cultural em várias cidades do país – e inclusive no exterior.

O levante se deu, em primeiro lugar, pela extinção do Ministério da Cultura – seguida de outros anúncios impopulares –, mas pretende ir além. Menos de 24 horas após o afastamento de Dilma, o presidente interino anunciou um Ministério mais enxuto, composto apenas de homens e que defende fusões como a que implica o meio cultural – agora uma secretaria sob o chapéu do Ministério da Educação. Surgiram críticas diversas, e, diante delas, Temer cogitou dar à Cultura o status de secretaria ligada à Presidência, mais independente, e saiu à caça de uma nomeação feminina para chefiá-la. Com isso, esperava apaziguar os ânimos opositores, esquentados pelo fim da pasta e pela ausência generalizada de mulheres, mas não conseguiu: desistiu de criar uma secretaria à parte da Educação, mais onerosa para o Estado, e patinou na busca de uma mulher para o cargo.

Acabou fechando, nesta quarta-feira, com um representante do mundo masculino: Marcelo Calero, atual secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Isso depois de cinco mulheres declinarem do convite para assumir a secretaria nacional que substituirá o MinC. A última delas foi a cantora Daniela Mercury, que disse não à senadora Marta Suplicy, do PMDB, assim como o fez nesta terça a atriz e diretora de cinema Bruna Lombardi. Por meio de sua assessoria de imprensa, a atriz divulgou uma nota agradecendo o convite e justificando a negativa com sua falta de “pretensões políticas” e de tempo, já que está “envolvida com projetos profissionais”.

No entanto, de maneira geral, o que houve foi uma clara rejeição do setor – e das mulheres – aos movimentos da atual administração. A falta de tato com uma área que luta para se fazer respeitada, e a ausência feminina na equipe do Governo interino, teve uma péssima repercussão. Com essa justificativa, também recusaram a oferta duas outras mulheres reconhecidas no meio cultural, a antropóloga Cláudia Leitão e a consultora Eliane Costa, abordadas no começo da semana. “Respondi com um sonoro não! Espero que nenhuma mulher aceite esse convite e dessa forma não contribua para a transfiguração do MinC num apêndice do MEC”, escreveu Cláudia em seu Twitter. Eliane adotou o mesmo tom no Facebook: “Não trabalho pra governo golpista, nem serei coveira do MinC”.

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Comentários

Vanderlei on 19 Maio, 2016 at 7:41 #

Feliz é o país, Brasil, que tem as questões de saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e por aí vai, resolvidas e pode perder um tempo danado discutindo as questões culturais. Aliás, fez uma Copa do Mundo e vai fazer uma Olimpíada e tem uma contabilidade organizada e muito dinheiro em caixa. Viva o Brasil, que pode gastar uma verba imensa em publicidade!


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