maio
17
Postado em 17-05-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-05-2016 00:18

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Temer desliza entre perguntas da Globo

Muito além de “exclusiva”, a entrevista do presidente Michel Temer à Rede Globo teve toda pinta de muito bem armada, não sendo de excluir-se que, admitida a seriedade da jornalista Sônia Bridi, ele tenha conhecido previamente o script – e mesmo assim teve dificuldade.

Temer respondeu mal à pergunta sobre mulheres no ministério, pois prometeu o segundo escalão, depois da má repercussão da unanimidade masculina, e ainda patinou quando citou uma das áreas a serem ocupadas, “a chamada igualdade racial”.

Não foi melhor ao explicar a nomeação do ministro Romero Jucá, que, embora sob inquérito no STF, “ainda não é réu”. Elogiou as artes do auxiliar com orçamento e articulação, do que ninguém duvida, e impôs-se uma limitação para o caso de piorar a situação de Jucá: “Vou examinar”.

Estranhou-se na repórter apenas a ressalva prévia de que, na citação do próprio Temer na Operação Lava-Jato, “o procurador-geral não viu razões” para indiciá-lo, levantando-lhe a bola para defender-se da pecha de indicação de diretor corrupto para a Petrobras e recebimento de propina.

Defesa da ilegalidade em causa própria

O presidente, visivelmente, aplicou o “golpe do constitucionalista” para explicar por que pleiteia a isenção no processo corrente do Tribunal Superior Eleitoral para cassar a chapa que formou com Dilma Rousseff em 2014. “A pena não passa da pessoa do acusado”, disse.

Certamente, mas a questão é que não houve uma acusação à pessoa da presidente afastada, e sim à unidade jurídica por ela encabeçada, cuja eleição beneficiou-a e também a ele, diretamente, como prova sua presença no cargo, em detrimento, diga-se, dos demais concorrentes.

Hesitou muito o presidente Temer sobre a possibilidade de candidatar-se à reeleição. Primeiro, garantiu que não. Depois, indagado se “em nenhuma hipótese”, afirmou ser essa “uma pergunta complicada”, pois, “de repente, pode acontecer”. Finalmente, negou, em explanação mais elaborada.

Compromissos a serem cobrados

Temer assumiu diante de todo o Brasil compromissos importantes, todos de muito fácil cobrança. Anunciando a preservação dos programas sociais, garantiu: “Se for necessário, cortarei de outros setores, não cortarei daqueles mais carentes no país”.

Sobre pontos já adiantados por dois ministros da pretendida reforma da Previdência, foi enfático “Eu prezo muito o texto constitucional, e direito adquirido está previsto no texto constitucional. Se vulnerar direito adquirido, não faremos”.

Após ter dito que punirá com demissão ministros que cometam “equívocos administrativos” ou “irregularidades administrativas”, afiançou: “O Executivo não tem o direito, no sentido constitucional, de interferir numa questão que está sendo levada pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pelo Judiciário”.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 17 Maio, 2016 at 16:48 #

Enquanto isto Geddel alucina!

É possível aquinhoar Geddel como detentor da “inocência ébria” dos que se perdem em comemorações alongadas?

Vide o artigo de José Nêumanne:

———————–

José Nêumanne: Se Lula bebe, quem fica tonto é o GeddelAmigo da onça de Temer, Geddel informa que estenderá a Lula mão que pode afundar chefe: é tolo ou traíra?

Publicado no Blog do Nêumanne
O ministro da Secretaria de Governo e responsável pela articulação politica de Michel Temer, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), informou que vai procurar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que este ajude o governo a buscar saídas para a atual crise política e econômica do país. Em entrevista a Erich Decat, publicada domingo pelo Estadão, Geddel, que foi ministro do petista, disse: “Não tenho nenhuma dificuldade de diálogo com o ex-presidente e tenho certeza de que, passado esse momento de emoção, o Lula, na condição de ex-presidente, haverá de dar sua contribuição para o distensionamento”.
A proposta do articulador do novo governo é uma ideia de jerico e a entrevista, um desastre do começo ao fim. Demonstra, acima de tudo, completo desconhecimento da alma do ex-chefe e atual adversário, da natureza humana em geral e, em particular, da estratégia de combate político dele. O ex tem dado diariamente provas de que não merece mais a definição de gênio – nem mesmo de craque – da política com que já foi designado, inclusive pelo autor destas linhas, várias vezes. Ao contrário, a forma como tem atuado, principalmente ao longo do segundo governo de sua afilhada, escolhida e protegida, tem desmanchado fio a fio a teia em que enredou seu presente, as chances de seu Partido dos Trabalhadores (PT) e, sobretudo, o futuro de todos os que lhes estão próximos. Dar a mão de vencedor ao derrotado, neste momento, é se oferecer ao abraço do afogado. Por inabilidade ou sede de protagonismo, que terminou demonstrando que não merece, o baiano só pode é criar embaraços para o novo chefe, do qual deveria receber dura reprimenda. Caso não o desautorize publicamente, o presidente em exercício dará sinais de falta de comando sobre a própria equipe, o que na atual conjuntura poderá tornar-se até fatal para ele.
Uma aulinha banal de História precisa ser dada ao ministro, que, inebriado pelo poder, ao que parece, nem se lembra de fatos recentes, que se tornarão o epílogo de um relato que já começa por mostrar a falta de equilíbrio, oportunidade e sensatez do palpite infeliz.
Quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, hoje do ABC, nos anos 70, e depois das greves que liderou na virada para os 80, foi sugerido a Lula um gesto de conciliação que lhe daria, ainda antes de começar sua carreira política, uma chance de ouro de entrar para a História do país pelo portão da frente. O general Golbery do Couto e Silva, então chefe da Casa Civil do último governo da ditadura militar, sob a chefia do general João Figueiredo, mandou o então presidente do diretório paulista do partido do governo em São Paulo, Cláudio Lembo, pedir o apoio do arcebispo dom Paulo Evaristo cardeal Arns e de Lula à anistia dos exilados políticos brasileiros. Dom Paulo estendeu a mão, mas o dirigente sindical recusou-se a imitá-lo.
Seu gesto foi tão brusco e surpreendente que o presidente Figueiredo imaginou que o bruxo da “Sorbonne” – como então era conhecida a Escola Superior de Guerra (ESG) – podia estar mentindo. Pediu ao maior adversário de Golbery no Palácio do Planalto, o chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general Octavio Aguiar de Medeiros, que mandasse um agente a São Paulo só para conferir. O então major Gilberto Zenkner encontrou-se com o líder operário num apartamento do jornalista Alexandre Von Baumgarten, na Liberdade, e ouviu dele próprio a confirmação de que não apoiaria a anistia porque não admitia, depois, obedecer a ordens dadas por asilados que estavam no “bem bom” enchendo a cara da melhor produção de vinho francês, em Paris.
Lula, que já atendera a pedido mais difícil de ser atendido de Golbery ? de desalojar seu arqui-inimigo Leonel Brizola das bases sindicais ?, manteve-se alheio aos ex-guerrilheiros até que estes aceitaram fundar sob seu comando o Partido dos Trabalhadores. O PT nasceu da fusão desses militantes desarmados com católicos de esquerda (que Nelson Rodrigues chamava de “padres de passeata”) e sindicalistas independentes em relação a comunistas ou pelegos do PTB. Mas sob a égide de um líder acima de todos – ele mesmo, claro.
Foi nesta condição que participou da campanha pelas diretas já e da construção dos alicerces da Nova República, depois da derrota da emenda Dante de Oliveira na Câmara. No entanto, expulsou do partido três deputados da bancada petista – Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes – que ousaram desobedecer à sua ordem de não votar em Tancredo Neves. Porque, a seu ver, este e o adversário, Paulo Maluf, seriam “iguais”. Isso não o impediria de, depois, levar seu ungido para a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, aos jardins da casa daquele que chamava de “filhote da ditadura”, na disputa política para fazer de seu “poste” prefeito paulistano.
Tancredo morreu, o vice, José Sarney, assumiu a Presidência e Lula foi eleito constituinte. Participou das sessões, teve seus votos computados, mas resolveu proibir que os constituintes petistas assinassem a Constituição dita “cidadã”, presidida por Ulysses Guimarães. Depois, convencido pelo presidente da Constituinte, do PMDB e da Câmara dos Deputados à época, além de eminência parda de Sarney, assinou a Carta tão discretamente que até hoje há quem diga e escreva que ele não o fez. Também nunca fez questão de confirmar nem desmentir esse recuo, do qual ele parece não se ter arrependido, apesar de hoje, na luta para manter na Presidência a sua sucessora, Dilma Rousseff, defendê-la com empenho que o próprio dr. Ulysses nunca teve. Ou pelo menos nunca o demonstrou.
Derrotado por Fernando Collor de Mello na primeira eleição presidencial direta após 31 anos, participou ativamente da deposição dele, mas ficou na oposição ao mandato-tampão do mineiro nascido em águas do mar baiano. E condenou ao expurgo do PT a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que aceitou chefiar o órgão que cuidava da administração pública no governo que o partido ajudou a tornar viável, mas ao qual não quis dar sustentação. Há uma explicação para isso: só lhe interessava chegar ao topo da República por qualquer razão, sem ter de se aliar com ninguém, mas podendo se reservar o poder de fazer vassalos em vez de aliados e inimigos no lugar de adversários.
Nada há que indique que ele tenha mudado agora. Depois de seus dois mandatos e de ter escalado a substituta para mais dois, enquanto a maior organização criminosa da História pilhava os cofres públicos, e flagrado por descuido, ambição e arrogância, ele tenta emergir do naufrágio da grei, agarrado à tábua de salvação do mito do melhor presidente da História do Brasil. Construiu o muro da vergonha que divide os “brancos opressores da elite” e os “pardos pobres e oprimidos”. Destilou ódio, fragmentou a Nação, as famílias e as instituições apenas para tentar reconstruir a própria utopia pessoal nas ruínas da maior crise moral, econômica e política de todos os tempos. Inventou o golpe “parlamentar e jurídico” da burguesia, que estão depondo sua protegida. Seus compadres também falidos da Sul-América bolivariana fingem que acreditam nele, até porque também levaram os próprios povos à bancarrota.
Içado do poço lulodilmista por Temer, Geddel promete puxar o ex-presidente encrenqueiro pra cima. Isso na certa implicará afundar o chefe bonachão. Dizem que Lula bebe. Mas é Geddel quem fica tonto. Será tolo ou traíra?

——————

Nesta batida até atabaque desafina!


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos