DO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Juscelino governou com 13 ministérios

A vida inteira bradou-se, na imprensa e nas casas de família, contra o excesso de ministérios no Brasil, tidos em geral, com razão, como cabides de emprego para clientelismo político e ralo por onde se esvaem os sofridos recursos dos nossos impostos.

Agora, a grita inverteu-se devido à incorporação de umas áreas por outras de maior abrangência, para obter um número de ministérios que ainda é alto, racionalizando o serviço público e certamente extinguindo quantidades inúteis de cargos, veículos e diárias, entre outros itens que comem dinheiro.

Sem entrar no mérito, e recorrendo apenas à imagem histórica convencionada, foi o do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) o governo ao mesmo tempo mais desenvolvimentista e mais democrático que já teve o Brasil, e eram apenas 13 ministérios, ou menos, pois os militares, então muito poderosos, existiam isoladamente.

Ao longo dos anos, houve, efetivamente, certo crescimento de pastas, para compreender atividades incorporadas pela modernização da sociedade, mas não ao ponto a que chegou o governo Lula, que, das 21 que recebeu, chegou a 34 no primeiro mandato e a 37 ao final dos oito anos.

Barganha política foi o móvel da proliferação

A presidente Dilma foi, digamos, parcimoniosa, criando mais dois ministérios, até que, no final do ano passado, premida pela crise, promoveu a extinção de oito. Agora, através da acomodação de funções correlatas, o presidente Michel Temer fixou o número nos 20 atuais.

O “equilíbrio fiscal” de que o ministro Henrique Meirelles já avisou que vai atrás não poderia dispensar este avanço importante. Afinal, não há razão para a existência de ministérios para portos e aviação civil quando o dos Transportes é o receptáculo adequado a ambos.

Da mesma forma, por mais feminista que se seja, não cabe um ministério para a mulher, além do fato de que a cultura, historicamente, sempre foi ligada ao Ministério da Educação, que até manteve, após a separação promovida pelo presidente Sarney, a sigla MEC.

A proliferação patrocinada a partir de 2003 visou basicamente a atender às barganhas político-eleitorais, sem garantia de melhor funcionamento da máquina pública. Não houve, como se constata hoje, preocupação efetiva com resultados, tendo sido essa uma das causas da situação pré-falimentar do país.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 16 Maio, 2016 at 16:58 #

Não é naftalina, não é, mas este governo apresenta, sem ainda ter começado, um cheiro de velho, que inspira cansaço e desânimo.


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