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BOA TARDE!!!

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Posted on 16-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-05-2016


Sante Scaldaferri, Adeus!!!


Florisvaldo Mattos

Da jornalista Maria Olívia Soares, em seu endereço no Facebook:

” Luto profundo. Sem palavras, Florisvaldo Mattos disse tudo.
Adeus, Sante Scaldaferri.
Ontem, estive até à noite no hospital ao lado da sua amada e companheira de vida Marina, um abraço afetuoso, querida.

LUTO NOS CÉUS DA GRANDE ARTE BAIANA

Florisvaldo Mattos

Mal acordo, recebo a triste notícia do desaparecimento do artista plástico Sante Scaldaferri, um dos maiores destaques de minha geração, compondo o seu grupo nuclear com Glauber Rocha, Calasans Neto (o Mestre Calá), Paulo Gil Soares, Fred Souza Castro, Carlos Anysio Melhor, todos hoje também saudosos, e os ainda vivos Fernando da Rocha Peres, João Carlos Teixeira Gomes (Joca, o Pena de Aço), Antônio Guerra Lima e o também artista plástico Ângelo Roberto. Pessoa cordial e afável, um símbolo de amizade real, sincero e solidário, repito aqui o entendimento que desde muito manifestei sobre Sante e sua arte, o de ser ele o maior representante da estética expressionista na Bahia, como pintor, desenhista e praticante de outras soluções estéticas, inclusive virtuais. Tive a sorte de ser seu amigo e o tenho como um exemplo de fraternidade sincera.
Apresento meus pêsames e meu sentimento solidário de afeto a Marina, sua mulher e companheira de toda a vida. Que o nosso querido Sante descanse em paz.
Faço minhas as sentidas e fidedignas palavras que aqui postou a jornalista e escritora italiana Antonella Tita Roscilli, repercutindo essa triste perda para a cultura baiana.
Aproveito para reproduzir texto que escrevi sobre ele e sua arte expressionista, mas já numa perspectiva de transvanguardismo, publicado em edição do também saudoso Caderno Cultural de “A Tarde”, que vai abaixo, ilustrado com fotos do querido artista e de obra sua intitulada “Mulher Pensativa”.

SANTE SCALDAFERRI TRANSVANGUARDISTA

Florisvaldo Mattos

Seja por impulso afetivo e geracional, seja por juízo crítico quanto à obra do artista, a personalidade de Sante Scaldaferri sempre suscitou definições. Atado por laços de cotidiana e sincera amizade, Paulo Gil Soares viu no moço quieto, franco, prestativo e sorridente um “coração aberto a todas as dores do mundo que não deviam ser suas”. Com olhar ativo e perscrutante de cineasta ainda por estrear, Glauber Rocha percebeu na linguagem de sua pintura uma “cor Bahia”, que a um só tempo concentrava atmosfera, luz e “pathos bahianos”, a denotar um fundamento de raízes distante do figurativismo decorativo de fácil transposição, síntese que, à época, de tão precisa e inventiva, para o crítico Clarival do Prado Valladares, dispensava explicações.
Em mais de uma apreciação, Wilson Rocha viu na aparência fantástica e na visão dramática do mundo biomórfico de Sante uma prova de “honradez pictórica”; uma visão poderosa de artista maior “que acompanha a aventura do homem no mundo e observa os absurdos da existência humana”, cuja deformação se impunha pela dura verdade do conteúdo, expressa por “uma dramaticidade de acentos irônicos e brutais”.
Para Ferreira Gullar, pela “atitude irreverente e corajosa”, Sante era “o boca do inferno da pintura baiana”, fiel a uma arte de desmistificação que punha “a nu todas as hipocrisias e pretensões, tanto sociais, quanto artísticas”, enquanto José Roberto Teixeira Leite reconheceu na “dura realidade” geográfica que seus quadros espelhavam “o severo cotidiano de muitos milhões de brasileiros”. Além de atestar “um modo próprio de organizar o universo visual”, a um mesmo tempo carregado de significações, Gullar encara os personagens de Scaldaferri, como “saídos de uma iconografia que a cultura urbana submete e marginaliza”; contrariamente ao belo, refinado e transcendente, apontam para baixo, para o popular, que, na obra do artista, “se identifica com a feiúra e a rudeza das figuras e das cenas”.
Já numa clave que o desvia dos acenos da circunstância, Walmir Ayala não titubeia em descrevê-lo como “um pintor próximo da massa, do sofrimento indefeso dos desfavorecidos”, refletindo o universo cultural de um povo, mas, consciente das suas contradições, “onde a pobreza canta e dança nas ruas”, realizando “uma pintura que contesta a diluição provocada pelo consumo turístico”.
Eu próprio, ao deparar-me com seus vaqueiros e cangaceiros de fundas e vastas olheiras, seus rebanhos de bois e beatos – signos que chamaria de cor-Nordeste, projetando intensos verdes, vermelho, ocre e sépia -, recriados e tratados com humanidade sobre tela ou madeira, tomei-os em lavra poética como “cintilação campestre” de um universo patriarcal, que aprisionava o tempo e colhia “a rosa alvaçã”, na “pelagem do incontemplado”.
Foi justamente esta predominante fixação na figura humana, já agora construída com elementos de deformação, decomposição e desarticulação, segundo Teixeira Leite, “com evidentes intenções expressivas”, que irá representar um salto na arte de Sante Scaldaferri. Embora confesse, por mais de uma vez, em depoimentos e entrevistas à imprensa, ter evitado vincular-se a escolas ou correntes pictóricas, não resta dúvida de que o impulso e a espontaneidade com que desde jovem abraçou a arte moderna, livrando-se das peias do receituário acadêmico, levaram-no a descobrir a fecunda trilha da cultura popular.
Aferra-se com seriedade e responsabilidade à essência de signos populares e, daí, a uma nova atitude artística em relação à figura – principalmente a figura humana -, que abre seu espírito à estética do expressionismo, tantas são as identidades com as suas propostas e intenção revolucionária de olhar o mundo “por trás da aparência das cores” – um de seus ditames. Assim, opta por um vocabulário plástico de deliberada simplificação, formas reduzidas ao
essencial, corpos distorcidos, até se confrontar com certa obsessão pelo grotesco, o satírico e o caricatural, sem com isso estar traindo – muito pelo contrário – aquela representação do pathos baiano que Glauber Rocha de início nele identificou.
Quanto a isto anota Teixeira Leite: “Essa tendência a pintar o ser humano como é por dentro não permite dúvidas: Sante é um expressionista, e sua arte, como toda arte expressionista, resvala para a sátira e para a farsa, para a caricatura e a imprecação”. E, pela perspectiva do não convencional e do grotesco, não se recusa a suscitar um parentesco com o alemão Hieronymus Bosch (1450-1516), a que se poderia acrescentar o Goya dos Caprichos (1799), a série de 82 gravuras que retrata um universo de pesadelos e ataques ferozes aos costumes, isto é, à hipocrisia da circunstância. O crítico descreve-o como um “pessimista incorrigível” descrente da nobreza do homem, encarando-o “como um animal depravado e imperfeito”, cujo exterior grotesco apenas reflete o seu interior deformado pelas paixões, os vícios e
a ânsia de prazer e poder. Assim, o artista vê o ser humano no seu trânsito social.
Nesse aspecto, há clara similitude entre o baiano e personagens de proa do expressionismo alemão, a exemplo de Franz Marc, na sua opção conceitual por uma pintura animalista, sob o argumento de que a impureza dos homens que o rodeavam não lhe despertava os verdadeiros sentimentos, pois, enquanto via só feiúra nas pessoas, os animais lhe pareciam mais belos e mais puros, como diz numa carta à mulher (1915), enviada do teatro da Primeira Guerra Mundial (1914-18), na qual veio a morrer.
Embora suponha que nenhum deles “importou vanguardas estrangeiras”, nem se submeteu a modismos internacionais, não há como negar que é também pelo visor expressionista que o poeta e crítico de arte Theon Spanudis mira Scaldaferri, ao unir sua arte, pela originalidade e autenticidade temáticas, à de dois outros baianos, Rubem Valentim e Raimundo de Oliveira. No primeiro, o misticismo e o simbolismo religioso de fundo afro-brasileiro; no segundo, o catolicismo popular bíblico, focado na ingenuidade. “Sante se interessa pelo povo nordestino, seus dramas, paixões e vitalidade”, sublinha Spanudis, agarrando-o pela geografia. Com variações de temas – no caso de Valentim, o construtivismo simbólico das crenças de origem afro -, arrisco-me a dizer que os três são tributários daquele despojamento rude e elementar de cores fortes e saturadas, aplicadas com pincel grosso, para sugerir ou definir figuras num espaço repleto de vibração interior, marca do expressionismo – lógico que mais acentuado no caso de Scaldaferri, cujo parentesco artístico na Bahia, a meu ver, o alinha com Mário Cravo e, no Brasil, com Iberê Camargo.
Sem ser um especialista, mas insistindo na tecla da codificação pictórica do expressionismo, que, pela violenta deformação da figura, o elemento fisiológico, o corporal e a obsessão pelo corpo humano – e, porque não dizer, por um ainda persistente vínculo com a cultura européia -, o aproxima da arte de Munch, Kirchner, Egon Schiele, Heckel, Ensor e, mais recentemente, Francis Bacon, sou tentado a ver em Sante, principalmente no que vem construindo desde a segunda metade dos anos 80, que culmina nestas obras expostas pela Galeria Paulo Darzé, a buscar inter-relação de sua arte com a representativa dos movimentos de pós-vanguarda ou transvanguarda, que vicejaram, persistem e se desdobram na Alemanha, Itália, Estados Unidos e outros países.
Não tenho dúvidas de que é nesta saga estética de ousadias figurativas que se encaixa confortavelmente Sante Scaldaferri. A refinada afetação (roçando o excessivo e o vulgar), o gosto por efeitos espaciais desconcertantes, a intensidade emocional derivada das formas distorcidas, as desproporções, a maestria no manejo das técnicas da pintura, as excitantes e eróticas alusões, a tendência à exuberância e ao monumental, a marca de desespero e manifesto horror, a secreta irracionalidade – enfim, toda uma arqueologia visual da transvanguarda, que, segundo a crítica, evoca o maneirismo de Pontormo, Parmigianino, Bronzino e El Greco, sendas do barroco, e, cogito – porque não? -, do romantismo libertário, de Goya, e visionário, de William Blake. Pela tendência à narração insubmissa e satírica, pejada de ironia, a habilidade e variação no uso das técnicas da pintura, recorrendo entre outras até à
quase pré-histórica encáustica, de suportes e materiais (madeira, borracha, pano, plástico), além da vitalidade e independência do vigoroso desenho -, com a propositada malícia que levou Umberto Eco a vislumbrar em quadros seus “uma sombra pop”-, vejo em Sante um artista mais identificado com a rebeldia estética de alemães, como Georg Baselitz, Anselm Kiefer, Jörg Immendorff. A. R. Penck, Sigmar Polke, Walter Dahn; os italianos Sandro Chia, Francesco Clemente, Enzo Cucchi, Mimmo Paladino; os americanos Julian Schnabel, David Salle, Cindy Sherman e, em certo sentido, por indícios mais recentes, com a rudeza de
desenho e grafismo de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat, e outros mais, todos legítimos representantes do que desde os anos 80 se passou a chamar de transvanguarda, pelos laços com as vanguardas de inícios do século passado e suplantação de seus processos e desdobramentos.
Como eles, sem se recusar até mesmo ao apelo à caricatura (afinidade possível com o traço satírico de George Grosz), em essência, Scaldaferri pinta visões, as suas, de um mundo torto, execrável, no seu secreto ou exposto horror. Gostaria de reformá-lo; não podendo, escarmenta-o, denuncia, ironiza, satiriza. Como? Pela distorção, pela vigorosa e contundente expressão do grotesco, contra o totalitarismo subliminar da sociedade em que vive, a sua desigualdade, a miséria explícita e invencível. Muitos se recusariam a pôr um quadro dele na parede da sala-de-estar, não por alegada feiúra, mas por outras obsessões, uma delas a hipocrisia.
Conheci Sante por volta de 1956 (não sou forte em datas), pela mão de Glauber Rocha, no instante mesmo em que um punhado de jovens de mente lúcida e febril começava a agitar o meio cultural baiano (entre os quais, além dele e GR, Paulo Gil, Fernando da Rocha Peres, Calasans Neto, Fred Souza Castro, João Carlos Teixeira Gomes, Carlos Anísio Melhor, Ângelo Roberto), a partir das sessões de poesia dramatizada, levadas no auditório do então Colégio da Bahia (depois Central), sob o mítico e lúdico nome de Jogralescas, no movimento que depois
se rotularia vagamente de geração Mapa, seguindo um hábito do tempo. Acostumei-me, a partir daí, a conviver com este monumento de fraternidade, que já ostentava o sorriso largo, o bigode mexicano, a barba à época acastanhada e a luminosa e irrefreável calvície. Acostumei-me também a admirar um artista cuja obra se afirma, em suas várias fases, na busca de horizontes mais amplos, de essência perdurável, em conteúdo e forma, rumo à universalidade que lhe apontam suas inquietações interiores, sua visão de mundo e suas emoções.
Acompanhei essa árdua prova de fidelidade a um sacerdócio, de incontestável amor à arte.
Por isso, mesmo ante uma crítica mais purista, higiênica e depilada, atuante no Rio e São Paulo, que, no dizer de Frederico Morais, exerce uma ditadura no país, torcendo o nariz a exemplos de sinceridade e imaginação como este, de Sante Scaldaferri, ele segue impávido seu caminho, sua devoção. E, ante tais mostras de covardia e intencional descaso, a cada exposição, catálogo ou livro de arte que publica, ao sair de cada um desses eventos, esse grande artista baiano ostenta no rosto e no riso uma expressão de radiante e sonora felicidade, que é uma lição de bravura, para a arte e para os artistas, e de vida, para todos os que o conhecem, cuja obra não se desmerece ante nenhum grande pintor brasileiro.

Florisvaldo Mattos é poeta e jornalista, com livros de poesia e ensaios publicados; integra a Academia de Letras da Bahia.

DEU NO G1/ O GLOBO

O corpo do cantor Cauby Peixoto está sendo velado no salão nobre da Assembleia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera, Zona Sul da capital, na manhã desta segunda-feira (16). O corpo chegou ao local às 8h45.

Cauby morreu na noite de domingo (15), aos 85 anos. Ele estava internado devido a uma pneumonia desde segunda-feira passada, dia 9 de maio, no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, em SP.

O enterro está previsto para acontecer às 16h30 no Cemitério Congonhas, no Jardim Marajoara.

Amigos foram ao velório

Daniel D’Ângelo, marido da cantora Angela Maria, amiga e parceira de Cauby, disse ao G1 que estava no hospital ao lado de Cauby às 23h30, na hora da morte. “Estávamos ao lado dele na cama, fizemos uma oração, um grupo de amigos, e assim que dissemos ‘amém’, ele morreu. Coisa de artista”, afirmou D’Ângelo.

Ele disse ainda que Cauby havia sido internado para tratar um problema rotineiro de diabetes. “Mas se agravou, a imunidade estava baixa, vieram essas bactérias oportunistas, e aconteceu.”

Nancy Lara, empresária e secretária de Cauby há 17 anos, não quis falar por estar muito abalada. Silvia Scaciota, irmã de Nancy, disse que três parentes do cantor foram avisados de sua morte: a irmã Andiara Peixoto, que está muito idosa e por isso não é certeza que irá comparecer ao velório, e duas sobrinhas que moram no Rio, que são aguardadas.

Último show foi no Rio

“Nós somos a família dele”, disse Silvia. “Cauby morreu feliz graças a Deus porque conseguiu fazer o último show dele lá no Rio.”

Cauby estava em turnê pelo Brasil com Angela Maria e se apresentou ao lado dela no dia 3 de maio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A turnê comemorava 60 anos da carreira de cada um dos artistas.

Cauby será enterrado vestindo um paletó branco acetinado, escolhido pelos amigos. “Não tem nada de paetê. Cauby era muito modesto”, afirmou Silvia. “É um traje até bem simples e sereno porque o brilho hoje é ele”, disse D’Ângelo.

Dono de uma voz marcante – famosa em sucessos como “Conceição” e “Bastidores” –, e conhecido ainda pelo figurino extravagante, Cauby Peixoto foi um dos cantores mais populares da música brasileira. Ao longo de uma carreira de seis décadas, gravou mais de 40 discos.



DO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Juscelino governou com 13 ministérios

A vida inteira bradou-se, na imprensa e nas casas de família, contra o excesso de ministérios no Brasil, tidos em geral, com razão, como cabides de emprego para clientelismo político e ralo por onde se esvaem os sofridos recursos dos nossos impostos.

Agora, a grita inverteu-se devido à incorporação de umas áreas por outras de maior abrangência, para obter um número de ministérios que ainda é alto, racionalizando o serviço público e certamente extinguindo quantidades inúteis de cargos, veículos e diárias, entre outros itens que comem dinheiro.

Sem entrar no mérito, e recorrendo apenas à imagem histórica convencionada, foi o do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) o governo ao mesmo tempo mais desenvolvimentista e mais democrático que já teve o Brasil, e eram apenas 13 ministérios, ou menos, pois os militares, então muito poderosos, existiam isoladamente.

Ao longo dos anos, houve, efetivamente, certo crescimento de pastas, para compreender atividades incorporadas pela modernização da sociedade, mas não ao ponto a que chegou o governo Lula, que, das 21 que recebeu, chegou a 34 no primeiro mandato e a 37 ao final dos oito anos.

Barganha política foi o móvel da proliferação

A presidente Dilma foi, digamos, parcimoniosa, criando mais dois ministérios, até que, no final do ano passado, premida pela crise, promoveu a extinção de oito. Agora, através da acomodação de funções correlatas, o presidente Michel Temer fixou o número nos 20 atuais.

O “equilíbrio fiscal” de que o ministro Henrique Meirelles já avisou que vai atrás não poderia dispensar este avanço importante. Afinal, não há razão para a existência de ministérios para portos e aviação civil quando o dos Transportes é o receptáculo adequado a ambos.

Da mesma forma, por mais feminista que se seja, não cabe um ministério para a mulher, além do fato de que a cultura, historicamente, sempre foi ligada ao Ministério da Educação, que até manteve, após a separação promovida pelo presidente Sarney, a sigla MEC.

A proliferação patrocinada a partir de 2003 visou basicamente a atender às barganhas político-eleitorais, sem garantia de melhor funcionamento da máquina pública. Não houve, como se constata hoje, preocupação efetiva com resultados, tendo sido essa uma das causas da situação pré-falimentar do país.

Henry Mancini, para sonhar com a Bahia em ritmo de felicidade!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


Protesto contra Temer na Paulista, nesse domigo.
Carlos Villalba R EFE

DO EL PAIS

María Martín

São Paulo 16 MAI 2016 – 00:07 BRT

Enganavam-se os que pensaram que os panelaços eram coisa da era Dilma Rousseff. Neste domingo à noite, durante a primeira intervenção televisiva do presidente interino Michel Temer, as panelas trocaram de mãos.

Durante uma extensa entrevista de Temer ao programa dominical Fantástico, na TV Globo, moradores de vários bairros de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília pegaram as panelas e entoaram gritos de “golpista” e “Fora Temer”.

Os protestos, que popularizaram-se desde março de 2015 durante os discursos de Dilma na televisão e durante as propagandas do PT, alcançaram o presidente interino e escutaram-se nos bairros de classe-média de Moema, Pinheiros, Santa Cecília e Perdizes, em São Paulo; nas redondezas do Flamengo, Laranjeiras, Copacabana e Barra da Tijuca, no Rio; e na Asa Norte e Sul, em Brasília.

Moradores do bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, por exemplo, questionavam perplexos no Facebook o motivo de tal barulho, uma combinação de rojões, apitos, panelas e gritos. Os próprios vizinhos responderam com o sticker da rede social vomitando – recurso usado amplamente na página do PMDB pelos contrários ao impeachment de Dilma Rousseff nos últimos dias – ou explicavam com frases como: “É pelo o ex-vice decorativo e atual interino”.

Temer respondeu a várias perguntas na entrevista, como a ausência de mulheres nos seus ministérios. O presidente afirmou que a intenção dele é trazer para varias secretarias, como a de Cultura ou Ciência e Tecnologia, “representantes do mundo feminino”. O presidente interino, inclusive, afirmou que convocará sua mulher Marcela Temer para “exercer toda a área social” do seu Governo. “Se acontecer alguma coisa e eu vier a ocupar a presidência [não mais como interino], ela virá para exercer toda a área social. Vai trabalhar intensamente. Ela é advogada e tem muita preocupação com as questões sociais”, disse.

As perguntas indagaram também sobre a composição do seu gabinete, formado por aliados citados nas investigações da Operaçacao lava-Jato, concretamente sobre Romero Jucá, novo ministro de Planejamento, colega de Temer no PMDB e com seis investigações abertas pelo suposto recebimento de propinas provenientes da Petrobras e da Eletrobras. Questionado sobre o que faria se Jucá virasse reu, Temer respondeu: “O Juca é uma figura, permita-me o elogio, ele é de uma competência administrativa extraordinária”.

Ele reafirmou a manutenção de programas sociais como o Bolsa Família, mesmo com a necessidade de corte de gastos para reajustar as contas públicas do país. E disse que, se precisar reduzir despesas, será de outras áreas. “Se for necessário [redução de gastos] cortarei de outros setores, não cortarei daqueles mais carentes no país.”

Questionado sobre sua intenção de se apresentar como candidato nas próximas eleições presidenciais de 2018, Temer negou qualquer interesse. O negou repetidas vezes, obviando que, mesmo querendo, é inelegível por oito anos por determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo por ter feito doações de campanha acima do limite legal em 2014.

Temer também disse que o principal legado que pretende deixar ao país é a redução do desemprego, além de unificar o Brasil, hoje profundamente dividido com o decorrer da crise política. Enquanto um protesto contra ele e liderado por mulheres se diluía na Avenida Paulista, em São Paulo, Temer afirmava: “Posso ser impopular desde que produza benefício para o país é suficiente para mim”, disse.

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Posted on 16-05-2016
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Marco Aurélio, no jornal Zero Hora (RS)

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O artigo do jornalista Augusto de Franco foi publicado na imprensa de Brasília e selecionado e sugerido para publicação pelo ex-repórter do Jornal do Brasil, amigo do Bahia em Pauta, Antonio Jorge Moura.BP agradece ( Vitor Hugo Soares)

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O governo Temer será um governo ordinário. Ainda bem!

Augusto de Franco

Michel Temer cuidou, até agora, de fazer alianças com os partidos para ter governabilidade no parlamento. É claro que isso implicaria fazer concessões ao fisiologismo. Só porque Dilma saiu, isso não significa que o nosso velho sistema político tenha se renovado por milagre. Não! Com algumas exceções, são os mesmos atores – que estavam até ontem na base do governo do PT – que agora estão na base do governo Temer. Dilma tinha 9 ministros investigados pela Lava Jato. Temer tem 3. Sabem o que isso significa? Nada!

O velho sistema político apodreceu e continuaria podre com Dilma, assim como continuará podre com Temer. A convocação de novas eleições gerais, neste momento, não consertaria isso, como propagam os oportunistas do tipo de Marina. Alguém tem dúvidas de que seriam eleitas (com algumas exceções) pessoas muito parecidas com as que estão aí?

Antes de qualquer coisa porque não é um problema dos indivíduos. As pessoas envolvidas com a política são, basicamente, as mesmas que existem em todo lugar (são parecidas com as pessoas que você encontra nas empresas e em outras organizações, ainda que o Estado atraia, em maior número, sociopatas e até psicopatas; muitos – a imensa maioria – não têm a menor noção do que é democracia e alguns têm tendências claramente autocráticas). Foi o sistema – do modo que está organizado e funciona – que apodreceu, não os indivíduos (supostamente por falta de berço, de religião, de educação – quer dizer, de disciplinamento via ensino – e de outras patifarias autocráticas). Não há um contingente de irmãs Carmelitas Descalças (ver foto) só esperando uma oportunidade para entrar na política, purificá-la e renová-la. Não é assim que funciona. Não se trata de excluir as maçãs podres. As maçãs ficam podres (mesmo que não tenham chegado à política nesta reconhecida condição) porque o sistema funciona de modo a incentivar a corrupção (inicialmente para financiar a reeleição e em seguida para o locupletamento individual), o conchavo contra os interesses da maioria, o jeitinho, o levar vantagem, a privatização do público et coetera. É por isso que há sempre uma dose de corrupção endêmica na política, inclusive na política democrática (e isso é assim desde Péricles, o principal expoente da nascente democracia ateniense no século 5 AEC).

Mas as pessoas têm imensa dificuldade de entender que os democratas não estamos preocupados, nem apenas, nem principalmente, com a corrupção de Péricles (que foi acusado – entre outras coisas, de conspirar com uma pessoa tida por prostituta, Aspásia, que nem cidadã de Atenas era, posto que natural de Mileto – de desviar dinheiro da construção do Partenon arruinando as contas da cidade e de ter nomeado irregularmente um filho para um cargo público). O que nos assusta é a honestidade de Leônidas (o autocrata espartano, conquanto ele fosse um verdadeiro varão de Plutarco, com certeza muito mais honesto individualmente do que Péricles). Mas se você não entendeu por que a honestidade de Leônidas é infinitamente pior do que a corrupção de Péricles, você não entendeu nada da democracia.

Ademais, as pessoas em geral não entendem que essa corrupção endêmica é tão diferente da corrupção sistêmica quanto um batedor de carteira da esquina é diferente da Máfia; ou quanto um tradicional populista latino-americano, como Lázaro Cárdenas (o político do PRI mexicano), é diferente de um Vladimir Putin (o representante do governo de assassinos da FSB, ex-KGB); ou, ainda, quanto um Rafael Caldera é diferente de um Hugo Chávez.

O problema para a democracia é quando a corrupção endêmica da política realmente existente é aproveitada (ou instrumentalizada) para autocratizar o regime político, criando condições para que uma organização consiga privatizar partidariamente a esfera pública com o fito de tomar o poder e retê-lo em suas mãos por tempo indeterminado de sorte a nunca mais sair do governo.

É claro que é melhor ter pessoas honestas. Mas não é uma questão de anjos x demônios. Uma multidão de pessoas honestas não faz um governo honesto se o sistema político como um todo – na sua estrutura e na sua dinâmica – não for alterado. Mil clones de Mohandas Gandhi organizados hierarquicamente e regulados autocraticamente em um exército, não tornariam essa força militar mais cooperativa ou mais preparada para a paz do que para a guerra. Vejam a falta que faz a compreensão das redes e da democracia!

Portanto, não se espere de Temer um governo de santos. Será um governo como outro qualquer (com sua dose “normal” ou habitual de corrupção no Brasil), exercido nos marcos da nossa democracia representativa (que, como se sabe, é bastante flawed). Não se espere dele, também, um governo ultra-eficiente. Não será o governo dos sonhos de ninguém. Não será o governo das novas democracias mais interativas, mais distribuídas, mais diretas e mais substantivas que queremos ver emergir no terceiro milênio. Mas ser um governo como outro qualquer, um governo ordinário, já é infinitamente melhor do que ser um governo extraordinário à serviço de um projeto autocratizante de poder. Não queremos – e não podemos pretender – ter um governo que faz milagres e, nem mesmo, um governo escandinavo nas condições do Brasil.

Atenção! É muito difícil entender o que vai ser dito agora, considerando a cultura política predominante sobre nós. Um bom governo é aquele que a gente nem conhece direito, mas está seguro de que ele está cumprindo o seu papel (você sabe os nomes dos governantes da Suíça, da Noruega e da Finlândia? Pois é). Não é aquele que tem um líder com alta gravitatem, que perturba todo o campo social, polariza as atenções, nos transforma em seus fãs para – ao final – nos conduzir como gado. Não é aquele que nos arregimenta para nos comandar em uma guerra contra inimigos imaginários. Não é aquele que mesmeriza as massas e vive trepado em palanques. Um bom governo é um governo de simples funcionários públicos: quanto mais anonimamente trabalharem, quanto mais discretamente se comportarem, melhor. Um governo exercido por nossos empregados (pois somos nós que pagamos seus salários), não um governo de nossos patrões. Governos existem – nas democracias realmente existentes – para servir a sociedade e não para servirem-se dela transformando-nos de cidadãos em súditos.

Por tudo isso, governos ordinários – que façam seu trabalho e nos deixem trabalhar, que cuidem de seus assuntos e não queiram ficar toda hora se metendo nos nossos – são sempre preferíveis a governos extraordinários, que querem salvar a humanidade, reformar a sociedade e o ser humano e nos tanger para qualquer paraíso que imaginaram. Quando um governo assim aparece, o melhor é fugir para as montanhas.

O governo ordinário de Temer não vai conseguir fazer – em pouco mais de 2 anos e muito menos em 180 dias – tudo que precisa ser feito no Brasil. Imaginar o contrário é se iludir para – como torcem os que foram apeados ontem do poder – depois se desiludir (só pode se desiludir quem se iludiu). Talvez este governo não consiga fazer nem 20% do que imaginou ser capaz de realizar. Mas é preciso que ele entenda as circunstâncias que lhe deram origem. É um governo que assume em razão dos descalabros produzidos pelo projeto do PT. Seu papel principal é criar condições para que os autocratas que reinaram sobre nós – e nos infelicitaram tanto na última década – nunca mais voltem ao poder (não, pelo menos, enquanto não se converterem à democracia).

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