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Posted on 15-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-05-2016

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

CPMF: o teste inaugural da atual democracia

A proposta de volta da CPMF pela então presidente Dilma Roussef, quando viu que o tacho estava quase raspado, foi rejeitada liminarmente no meio político e na classe empresarial, tendo sido até objeto de campanha da Fiesp, presidida pelo prestigiado peemedebista Paulo Skaf.

Diziam – e todos concordávamos – que era um imposto inflacionário e que tudo que a economia menos precisava era de uma elevação da carga tributária. Isso não faz muito tempo, de sorte que aguardamos para breve a manifestação daqueles que não se dispunham a “pagar o pato”.

A tentativa de fazer retornar o rejeitado “imposto do cheque”, hoje mais apropriadamente rotulável de “imposto do cartão”, bate no mesmo nível de estelionato eleitoral atribuído a Dilma quando mentiu sobre indicadores econômicos e medidas que seu governo não tomaria nem – para lembrar outro bicho – que “a vaca” tossisse.

Primeiro, foi o ministro do Planejamento, Romero Jucá, após dizer que “não, a meta é reduzir gastos”, a prever que “pode ser necessário elevar [os tributos] por causa do equilíbrio fiscal”, não mais o “ajuste”, que era palavra para o governo Dilma.

Em seguida, na primeira entrevista à imprensa, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirma que, diante do quadro da dívida pública, pior do que se imaginava, a CPMF será “aplicada” – sentença depois corrigida para “proposta”, já que o Senado e a Câmara ainda estão no meio.

A CPMF será, seguramente, o primeiro teste da “democracia” e da “liberdade de imprensa” sob o governo Michel Temer. O povo foi às ruas, também, contra essa escorcha, e foi muito saudado por isso, pelos políticos e pela mídia. Vejamos como será, desta vez, a “reação da sociedade”.

“Se eu tivesse rosas, mil rosas te daria/ Se fosse meu o dia, eu o daria a ti.” Viva a paixão do Passodoble, o canto espanhol que empolga o mundo. Com Rocio Durcal mais ainda.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Temer vai criar Secretaria Nacional de Cultura

Michel Temer decidiu mesmo criar uma Secretaria Nacional de Cultura, ligada à Presidência, noticia O Globo.

Adriana Rattes, ex-secretária de Cultura e ligada ao PMDB do Rio de Janeiro, é uma das cotadas.

Temer arregou.

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Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

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Lula ouve o discurso de Dilma Rousseff, após a presidenta ser afastada do Governo no dia 12 de maio. UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAIS

Talita Bedinelli

Brasília

Quando na tarde de 1º de janeiro de 2003 o torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva se dirigia ao Congresso Nacional para seu primeiro discurso como presidente, oito de cada dez brasileiros acreditavam que seu Governo seria ótimo ou bom. O nível de esperança, palavra que havia se tornado seu lema na campanha, era o mais alto já visto em um início de mandato presidencial desde a volta da democracia. Depois de circular em um carro aberto cercado por simpatizantes e de ser agarrado até quase cair do automóvel, Lula deixava claro em sua fala seu objetivo pelos próximos anos: “Se ao final do meu mandato todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida”, afirmava, diante dos parlamentares e de milhões de brasileiros que acompanhavam pela TV a chegada do primeiro operário ao topo do poder federal.

O Brasil de 2003 estava em crise e queria mudanças. Fernando Henrique Cardoso, padrinho da estabilidade econômica vinda com o Plano Real, deixava um país com uma inflação de 12,53% acumulada no ano e um crescimento econômico que, às vésperas das eleições, mal passava de 1% no ano. Quase 30% dos brasileiros viviam na pobreza.

Lula chegava ao poder após três tentativas frustradas de vencer a disputa presidencial. Beneficiou-se não só do mau momento que a crise econômica trouxe para a oposição, mas de uma guinada na forma como o partido decidiu tratar a política. Primeiro, propôs ao empresariado, que temia a esquerda, um pacto que assegurava para o mercado um continuísmo na área econômica. Mergulhou no pragmatismo político, que antes condenava, para costurar as alianças que precisava para vencer. E se apoiou no fisiologismo do PMDB para obter maioria no Congresso e poder governar. Aliou suas habilidades de negociador adquiridas quando liderava as históricas greves sindicais da década de 70 com a expertise de políticos petistas como José Genoino e José Dirceu –nove anos depois, condenados no escândalo do mensalão, de compra de votos no Parlamento. O PT estava no auge. As pesquisas mostravam que o partido era o preferido dos brasileiros. O carisma de Lula em seus discursos inflamados agradavam o povo. Surfando na popularidade, ele conseguiu governar sem maiores sobressaltos no Congresso e pode começar a mudança social que prometeu.

Em 2010, último ano de seu Governo, os mais entusiastas se referiam a seu período na presidência como a “década da inclusão”. Por causa de políticas de distribuição de renda como o Bolsa Família, em 10 anos o país conseguiu reduzir em 45% o número de pobres e em 47% o número de extremamente pobres, segundo dados compilados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). No mesmo período, o Programa Luz para Todos, criado para levar energia elétrica para as áreas mais remotas do país, quase universalizou o acesso à luz elétrica no Brasil, tirando do escuro cidades como Queimada Nova, no rincão do Piauí, onde apenas 12,62% das casas tinham energia em 2000 –em 2010, eram 96%. Entre 2002 e 2012, a taxa real de aumento do salário mínimo ao ano foi de 5,26%, diante da redução anual de 0,22% ocorrida na década anterior, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

A política anticíclica adotada na economia ajudou o país a passar sem sobressaltos pela crise econômica internacional. Estimulou a indústria nacional com a redução de impostos. Com isso, reduziu as taxas de desemprego e inundou o mercado com produtos. Facilitou o acesso ao crédito pessoal e impulsionou o consumo de uma nova classe média que surgia, alçada para fora da pobreza, especialmente no Nordeste do país. Entre 2001 e 2011, o número de domicílios com geladeira, por exemplo, havia subido 12% no país –no Maranhão, 52%; o dos que tinham máquina de lavar, 51% -190% em Alagoas; e o dos que tinham TV a cores, 16% – 51% no Piauí.

Diante da boa aceitação a seu Governo e do impacto positivo gerado pelo boom das commodities na economia, não foi difícil para Lula, reeleito em 2006, emplacar sua sucessora, em 2010. Dilma Rousseff, sua ex-ministra, ganhou do padrinho político o apelido de mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um conjunto de obras de infraestrutura posta em prática pelo Governo. Em seu primeiro mandato, Rousseff conseguiu manter e ampliar as conquistas do antecessor. Em 2014, a ONU retirou o país do mapa da fome. Lula conseguia, assim, cumprir sua promessa inicial. Em dezembro deste mesmo ano, a taxa de desemprego atingia o menor índice histórico no mês.

Mas já em 2015, começou o lado B do projeto petista. A economia começaria a dar sinais de que as políticas anticíclicas foram mantidas por muito tempo. No final do ano, o dólar batia recordes e a inflação começava a voltar aos patamares do fim do Governo Cardoso. O desemprego já começava a voltar para a pauta brasileira, depois de uma década sem notícias dele.
Gestão petista, em números

Uma comparação dos principais indicadores e políticas publicas, desde antes do início das gestões petistas (2002), ao final da gestão Lula (2010) e agora

Inflação (IPCA-IBGE)

2002: 12,53%

2010: 5,91%

2016 (últimos 12 meses): 9,28%

Desemprego (IBGE)

2002: 10,5% (dezembro)

2010: 5,3% (dezembro)

2016: 10,2% (trimestre encerrado em fevereiro)

Produto Interno Bruto (PIB) em US$

2002: 508 bilhões

2010: 2.209 trilhões

2016: 1.768 trilhões

% de pobres (linha do Governo federal)*

2002: 24,3%

2010: 15,20%

2016: (não disponível)

*indivíduos com renda domiciliar per capta inferior a 140 reais

A difícil campanha que levou à reeleição de Rousseff, em 2014, aconteceu em meio a um cenário já tumultuado. A vida do brasileiro havia melhorado da porta de casa para dentro, mas a população exigia serviços públicos à altura dos impostos que pagava, como mostraram os protestos de 2013, que, já no fim, pediam condições melhores de saúde e educação. A condução econômica, vista como desastrosa por especialistas, desagradava o mercado, que rompeu o pacto feito com Lula anos antes. E a base petista nas ruas se encontrava combalida, depois de anos de paciência com um Governo que, em nome da governabilidade, não foi além na implementação das políticas progressistas –para agradar a bancada ruralista na Câmara, deixou de demarcar terras indígenas e de fazer reforma agrária; para agradar os aliados evangélicos, não defendeu o aperfeiçoamento da legislação sobre o aborto. Era o caldeirão perfeito para que o Congresso, que nunca tolerou a falta de tato político da presidenta, se rebelasse.

Nesta quarta-feira, ao sair do Palácio do Planalto com a presidenta mais impopular da história democrática do país, o PT fechou um ciclo de 13 anos, mesmo número de sua legenda, no poder federal. Sai envolvido em um novo escândalo de corrupção, ainda em plena investigação, tratado como o maior de que já se tem história no país. Terá que se reconstruir como partido se quiser ganhar, novamente, a confiança de parte da esquerda que se sentiu traída. Sua principal estrela, Lula, terá que conviver com o fantasma da prisão trazido pela Lava Jato, sem grande parte do capital político que já teve. E a população terá como legado um país que nos últimos anos se tornou socialmente mais justo, mas que ainda espera viver em uma nação melhor e mais ética.

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