DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Pinheiro equilibra-se em muro alto

Não se conheciam os dotes de mestre de obras do senador Walter Pinheiro, mas o fato é que, nos últimos tempos, ele veio construindo um muro no qual se instalou, pois seus posicionamentos recentes caracterizam-se pela falta de clareza.

O senador desfiliou-se do PT após cerca de 30 anos, fazendo objeções ao partido e ao governo da presidente Dilma. Entretanto, na Bahia, prepara-se para ser secretário do governo petista de Rui Costa, o que o deixará, pelo menos, numa situação insólita.

É possível – e isto seria de certa forma decepcionante para seus admiradores – que o tenha feito para, em tempos difíceis que se prenunciam, ter o conforto de uma Secretaria da Educação para o embate eleitoral, para ciúme de antigos companheiros que não disporão de tão farto maná.

A declaração de voto contra o impeachment, na madrugada de quinta-feira, foi uma proeza de Pinheiro para tentar encaixar-se na moldura: “Votar pela admissibilidade seria premiar um ou outro, sendo que os dois são responsáveis”, disse, referindo-se a Temer, quando é Dilma a única responsável por tudo. E foi fraca a imagem do “casal que se separa”.

Discurso inconsistente atinge Senado

Insistindo na ideia de marcar novas eleições através de PEC, Pinheiro atacou duplamente o Senado, ao apontar a agilidade da Casa na aprovação da “janela” da troca partidária e, mais remotamente, na concessão de “mais um ano para Sarney”.

Esquecendo a inconstitucionalidade da proposta, pois seria cassar os mandatos da presidente e do vice sem julgamento e com menos votos do que exige a Constituição, a remissão ao distante ano de 1988 traz uma imprecisão que pode confundir.

Na verdade, ao vencer no Colégio Eleitoral o pleito indireto de 1985 a chapa Tancredo Neves-José Sarney, o compromisso da Aliança Democrática, como se chamava o movimento que a lançou, era governar por quatro anos.

Ocorre que o mandato de presidente da República era de seis anos, tendo sido o último general-presidente, João Figueiredo, o único a exercê-lo nesses moldes.

Tancredo, de fato, tinha o compromisso da redução para quatro anos. Morto o presidente eleito, coube a Sarney conduzir o processo, e foi a Constituinte “livre e soberana”, pela qual tanto o país lutou, a reduzir-lhe o mandato para cinco anos.

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