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DA TRIBUNA DA BAHIA

Rodrigo Daniel Silva

Os senadores baianos Lídice da Mata (PSB), Otto Alencar (PSD) e Walter Pinheiro (sem partido) votaram contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) na sessão, que começou ontem e entrou na madrugada de hoje e abriu o processo de impeachment da petista na Casa Legislativa. O afastamento tem prazo máximo de 180 dias, mas a previsão é que o Senado julgue a presidente pelas “pedaladas fiscais” (atraso de repasses a bancos públicos pela execução de despesas do governo) e créditos orçamentários sem autorização antes disso. Em seu voto, a senadora Lídice da Mata disse que ninguém foi capaz de comprovar de forma “cristalina e juridicamente incontestável” que a presidente tenha cometido crime de responsabilidade.

Para ela, o processo de impeachment chegou ao Senado “contaminado” por “ter sido urdido, iniciado e conduzido, num gesto de vingança pessoal” do presidente da Câmara afastado, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). “Assistimos a um espetáculo dantesco de traição em que ministro, ainda ontem no governo Dilma, e parlamentares que integravam a chamada base do governo desde sempre apareciam em plenário com discursos inflados e indignados por atos dos quais eles mesmo foram autores ou partícipes. Nunca um governo foi tão sordidamente traído como esse”, criticou a senadora, avaliando que o impeachment entrará para história como um “golpe jurídico-parlamentar-midiático”.

Lídice disse ainda que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) terá dificuldade de conduzir o país, “seja pela ausência da legitimidade que só o voto popular pode conferir, seja pela sua citação e de alguns de seus parceiros de governo nas denúncias da Operação Lava Jato”.

Na mesma linha, o senador Otto Alencar também criticou o deputado federal Eduardo Cunha. Para ele, o peemedebista foi um “adversário” e foi culpado pelo governo não conseguir aprovar sequer um projeto. “Ele engavetou tudo”, disse. Na avaliação do senador, o Supremo Tribunal Federal (STF) demorou para afastar Cunha e o Conselho de Ética da Câmara “não teve competência” para cassar o mandato do peemedebista. Otto afirmou ainda que Dilma foi afastada por “erros administrativos e políticos” e por crimes que começaram em outras gestões, mas respingaram na presidente.

Em entrevista à Tribuna, o senador destacou que não há um “sentimento” hoje para a volta da presidente ao Palácio do Planalto, mas tudo vai depender do desempenho do vice-presidente Michel Temer no governo. Otto defendeu uma mudança na legislação no que concerne ao prazo máximo para o Senado julgar o mérito do processo de impeachment de um presidente. No entendimento dele, 60 dias são suficientes.

O senador Walter Pinheiro (sem partido), que manteve o suspense sobre o seu voto até um dia antes da sessão, também votou contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Pinheiro foi o último dos baianos a subir à tribuna para defender o seu voto. Anteontem, o ex-petista já tinha dito que se manifestaria contrariamente porque não queria “ser responsável por colocar um biônico interinamente na Presidência”. Para o senador, Temer não foi capaz de unificar nem o próprio partido dele, o PMDB, quanto mais a nação. Os senadores baianos são defensores de novas eleições para presidente e vice já em outubro deste ano.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 12 Maio, 2016 at 12:19 #

Lídice, a fidelidade quase canina a Jaques Wagner, a tribuna do senado é testemunha.

Walter Pinheiro, um poste em busca de um fio, na dúvida, amém ao antigo dono.

Otto, a eterna imagem de perdido na mudança, ACM não lhe deixou o mapa.

A tautologia baiana
Toda unanimidade é burra porque os 3 senadores baianos votaram contra ou seria exatamente o contrário?


luiz alfredo motta fontana on 12 Maio, 2016 at 12:20 #

A Bahia será o puxadinho do Alvorada nestes tempos de velório?


luiz alfredo motta fontana on 12 Maio, 2016 at 14:27 #

Uma pausa para admirar o “conhecimento jurídico” de Lídice!

Diz a senadora do PSB:
-ninguém foi capaz de comprovar de forma “cristalina e juridicamente incontestável” que a presidente tenha cometido crime de responsabilidade.

A senadora seria perfeita, em sua análise, especialmente se a fase processual fosse outra, nesta, a da admissibilidade, são necessários indícios, estes, podem ser turvos, meios sujos, nublados, afinal são indícios e não provas cabais e definitivas.

A nobre senadora coloca o carro à frente dos bois, ou seriam burros?

Esta é Lídice, em busca da desculpa palatável, não será desta vez que a encontrou.


Rosane Santana on 12 Maio, 2016 at 20:29 #

Esclarecendo: Othon sempre foi um político ligado a ACM, mas totalmente independente. Sua ligação era com Luís Eduardo. Othon é médico e grande cirurgião ortopedista. Nunca esteve perdido. É um político que goza de grande prestígio no interior da Bahia. Um homem de bem com a vida. Foi leal a Wagner que o acolheu na chapa para o governo, contrariando todo o PT baiano.


Rosane Santana on 12 Maio, 2016 at 20:33 #

Lidiane da Mata é uma mulher de trajetória política admiravel. Nunca esteve envolvida em maracutaias. Tem uma história com mais altos do que baixos. Já entrou para a história. Também foi leal a Wagner e a Dilma, honrou sua história pessoal de lutas. Não podia compactuar os brucutus da política que impuseram uma farsa política e jurídica contra a presidente.


Rosane Santana on 12 Maio, 2016 at 20:34 #

Lidice da Mata


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