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DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

O primeiro muçulmano a ser eleito prefeito de uma capital da Europa Ocidental escolheu uma catedral anglicana para a cerimônia de tomada de posse, que incluiu uma celebração ecumÊnica. A mensagem é clara: Sadiq Khan quer ser o mayor de todos os londrinos. “Estamos aqui em Southwark porque queria começar como faço intenções de continuar. Queria tomar posse aqui no coração da nossa cidade, rodeado dos londrinos de todas as origens”, afirmou o trabalhista, filho de imigrantes paquistaneses que cresceu num bairro social.

“Olá, o meu nome é Sadiq Khan e sou o novo prefeito de Londres”, disse depois de ter sido apresentado pela baronesa Doreen Lawrence, mãe de um adolescente que foi morto num ataque racista no sudeste da capital em 1993. “Prometo que farei tudo o que estiver ao meu alcance para tornar a nossa cidade melhor. Vou ser um prefeito para todos os londrinos”, acrescentou, dizendo que em criança “nunca sonhou” que um dia seria o mayor de Londres.

Um dos oito filhos de um motorista de ônibus e de uma costureira, ambos imigrantes paquistaneses, Sadiq Khan nasceu e cresceu em Tooting. Depois de ter feito carreira como advogado de direitos humanos, foi eleito em 2005 deputado por essa circunscrição (deixará agora o cargo e haverá eleições intercalares) e tornou-se ministro dos Transportes de Gordon Brown em 2008. “Só estou aqui hoje por causa das oportunidades e da mão amiga que a nossa cidade me deu a mim e à minha família”, disse ontem. “A minha maior ambição para a nossa cidade, que vai guiar o meu mandato, é garantir que todos os londrinos tenham as oportunidades que a minha cidade me deu”, acrescentou.

Prioridades para Londres

As apostas de Khan para o seu mandato são quatro: habitação (a principal preocupação dos londrinos), transportes, ambiente e segurança. O novo prefeito, que sucede ao conservador Boris Johnson, prometeu ainda liderar “a mais transparente, comprometida e acessível administração que Londres já conheceu”.

Khan espera lidar com a crise habitacional garantindo que 50% das novas casas que vão ser construídas terão preços acessíveis. Na área dos transportes, prometeu não aumentar os preços nos próximos quatro anos e criar um novo bilhete válido por uma hora que permite “saltar” de um ônibus para o outro. Também quer continuar a desenvolver o uso de bicicletas na cidade, aumentando os percursos seguros.

Outra prioridade é o ambiente, com Khan querendo restaurar a qualidade de ar na capital. Uma das apostas é tornar só para pedestres a Oxford Street, uma das mais conhecidas ruas da cidade, e dificultar a entrada de veículos poluentes no centro. O novo prefeito é também contra a construção de uma terceira pista no aeroporto de Heathrow e promete empreender uma campanha para plantar árvores em Londres.

A última prioridade é tornar a cidade mais segura e Khan quer fazê-lo apostando no policiamento de vizinhança, no combate às gangues e aos crimes com arma branca. O novo mayor quer ainda evitar a proliferação do extremismo – depois de na campanha ter sido acusado pelo adversário conservador, o milionário Zac Goldsmith, de dar “oxigênio” aos extremistas por aparecer em eventos ao lado deles (quando era advogado). Várias vozes dentro do partido criticaram a campanha.

“Esta eleição teve alguma polêmica e fico orgulhoso por Londres ter escolhido a esperança em vez do medo e a união em vez da discórdia”, disse Khan no discurso após ser declarado vencedor, às primeiras horas da madrugada de ontem. Em palco estavam todos os adversários, incluindo Paul Golding, o líder e candidato do Britain First (extrema-direita), que virou as costas ao prefeito enquanto este discursava.

A contagem dos votos prolongou-se mais do que o esperado devido a “pequenas discrepâncias”, mas no final Khan venceu com 56,8%, contra 43,2% de Goldsmith (quando contabilizadas as segundas escolhas, isto é, as segundas opções dos eleitores que na primeira não tinham votado em nenhum desses candidatos). Foram 1 310 143 votos contra 994 614, naquele que é o maior mandato pessoal de sempre no Reino Unido. A participação foi de 45,6%, a mais alta de sempre.

Líder do Labour ausente

Jeremy Corbyn foi uma ausência notada na tomada de posse de Khan, que disse desconhecer porque é que o líder do Labour não esteve presente, apesar de ter sido convidado. “Temos de descobrir o que aconteceu”, afirmou aos jornalistas. Corbyn esteve na tomada de posse do novo prefeito de Bristol, Marvin Rees, que derrotou o independente que estava à frente da cidade.

A verdade é que o novo mayor de Londres fez uma campanha totalmente independente de Corbyn – que não recebeu o voto de Khan na disputa para a liderança partidária. Ao contrário de Corbyn, o ex-líder trabalhista Ed Miliband esteve na Catedral de Southwark – Khan foi seu diretor de campanha quando ganhou a liderança do Labour.

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