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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Enfim, Cunha caiu antes de Dilma

Entre tantas previsões e especulações que cabe ao jornalismo político fazer, umas são erradas e outras terminam não se consumando, o que é natural, ante a natureza dinâmica e incerta da atividade, especialmente no caso brasileiro.

Este blog, no entanto, sente-se aliviado por não ser desmentido pelos fatos nesta ocorrência fundamental na vida do país que é a suspensão do mandato do deputado Eduardo Cunha por decisão do ministro Teori Zavascki, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Referimo-nos a texto publicado em 9 de dezembro sob o título “Dilma não pode cair antes de Cunha”, com a ponderação de que “antes dela, necessariamente, é preciso tirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e do próprio mandato parlamentar”.

Foi uma reação à sessão daquele mesmo dia no Conselho de Ética da Câmara em que se identificou, conforme a matéria, “a disposição de evitar a qualquer custo que a letra da lei alcance Cunha”, além de “discriminação odiosa e injusta que clamaria por um cerco” popular à Casa.

“Impeachment” viria sob qualquer presidente

É certo que Cunha ficou no cargo o tempo suficiente para encaminhar o impeachment, mas se engana quem pensa que sua substituição mais antecipada o evitaria, pois se trata de uma nítida vontade da classe política, legalmente embasada e que seria cumprida com qualquer presidente.

A liminar é da manhã de hoje, portanto o quadro ainda não está depurado o suficiente para avaliações mais incisivas, mas salta aos olhos que a provocação de Janot foi feita em dezembro e que Zavascki esperou quase cinco meses para manifestar-se justamente no dia em que o Supremo Tribunal Federal apreciará o pedido de afastamento de Cunha, bem mais recente, feito pelo Rede.

Não se sabe que explicação terá essa coincidência, se foi ditada pelo ritmo normal de trabalho do Judiciário e de seus magistrados-príncipes ou se, por proverbial exemplo, decorreu apenas de mera idiossincrasia de Zavascki, que não gostaria de ser “atravessado” pelos pares em tão ruidosa questão.

Temer, um vencedor ainda a ser confirmado

Hoje, o Supremo poderá não decidir nada, nem a ação já constante da pauta nem a liminar de Zavascki, se ele a levar ao conhecimento dos pares. De qualquer forma, Cunha seria mantido distante do cargo, atendendo à aspiração de praticamente toda a nação brasileira.

Vale recordar que Janot, na representação de dezembro, apontou 11 situações em que o presidente da Câmara usou seu poder para “constranger, intimidar parlamentares, réus, colaboradores, advogados e agentes públicos”, em obstrução à Operação Lava Jato, terminando por definir o deputado como “delinquente” – gângster cairia melhor.

Para finalizar, a queda de Cunha parece obedecer à concertação do establishment que temos sistematicamente citado, para chegar à troca definitiva de guarda no Palácio do Planalto. Claro que o grande vencedor é o presidente entrante, Michel Temer, a menos que Cunha, como não se estranharia, resolva disparar seu arsenal de informações.

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Comentários

luís augusto on 6 Maio, 2016 at 7:08 #

Cometi um equívoco evidente no primeiro texto. O certo é “Dilma não pode cair antes de Cunha”.


luis augusto on 6 Maio, 2016 at 8:05 #

Misturei tudo: o título original, de dezembro, é “Cunha não pode cair depois de Dilma”.


luiz alfredo motta fontana on 6 Maio, 2016 at 18:54 #

Enquanto isto:

Lula imita Rose, virou Greta Garbo!


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