DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Na quarta-feira, o Brasil vai se livrar do PT”

Eduardo Cunha avisou que não renunciará ao mandato e recorrerá da decisão do Supremo.

Ele aproveitou para dizer que espera ansioso pela quarta-feira, data prevista para o impeachment de Dilma, quando o Brasil “vai se livrar dessa era do PT”.

DO G1/O GLOBO

Nathalia Passarinho e Renan RamalhoDo G1, em Brasília

Por unanimidade (11 a 0), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta-feira (5) manter a suspensão do mandato parlamentar e o afastamento por tempo indeterminado do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara.

A decisão ratificou liminar proferida nesta madrugada pelo ministro Teori Zavascki, ao analisar pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

O órgão apontou o uso do cargo, por Cunha, para prejudicar investigações da Operação Lava Jato e o processo de cassação ao qual ele responde no Conselho de Ética da Câmara. Antes da decisão, a assessoria de Cunha informou que ele iria recorrer.

Acompanharam o relator os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cámen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. Quase todos afirmaram se tratar de uma medida “excepcional”.

Em seu pedido, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o afastamento era “fundamental” para o garantir o “regular funcionamento das instituições sem embaraços ou condutas espúrias”, ante o risco do deputado praticar “novos ilícitos”.

O afastamento foi submetido ao plenário do ministro por afetar o presidente da Câmara. Daí a necessidade de ratificação ou rejeição pelo plenário do STF, formado por 11 ministros.

O pedido da PGR não inclui a cassação do mandato de Cunha, decisão que só pode ser tomada pelo plenário da Câmara, formado por 513 deputados.

O afastamento pedido, no entanto, vale por tempo indeterminado, até o procurador-geral e o ministro considerarem que já não existe mais risco de interferência do deputado no caso.

Com o afastamento de Cunha, assumiu a presidência da Câmara o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Casa e aliado do peemedebista.
O exercício do cargo, nas circunstâncias indicadas, compromete a vontade da Constituição, sobretudo a que está manifestada nos princípios de probidade e moralidade que devem governar o comportamento dos agentes políticos”
Teori Zavascki, relator do pedido de afastamento.

Posição de Teori

A sessão teve início com a leitura, por Teori Zavascki, da decisão, de 73 páginas, de suspender o mandato de Cunha e afastá-lo da presidência da Câmara.

Para o ministro, há “ponderáveis elementos indiciários” a apontar que Cunha “articulou uma rede de obstrução” às investigações.

“Além de representar risco para as investigações penais sediadas neste Supremo Tribunal Federal, [a permanência de Cunha] é um pejorativo que conspira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada”, escreveu Teori.

O relator afirmou ainda que Cunha “não tem condições pessoais mínimas” para ser presidente da Câmara, pois “não se qualifica” para eventualmente substituir o presidente da República, já que é réu de ação penal, acusado de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato.

“O exercício do cargo, nas circunstâncias indicadas, compromete a vontade da Constituição, sobretudo a que está manifestada nos princípios de probidade e moralidade que devem
governar o comportamento dos agentes políticos”, afirmou também o ministro.

Demais ministros

Primeiro a votar após Teori Zavascki, o ministro Edson Fachin defendeu que o Supremo “enfrente”, em outra oportunidade, o cabimento de prisão preventiva para parlamentar. Fachin falou de forma genérica e não se referia especificamente ao caso de Cunha, já que não há pedido de prisão do peemedebista formulado pelo procurador-geral da República.

Ao acompanhar Zavascki, o ministro Luís Roberto Barroso disse que recentemente ouviu de um presidente de centro acadêmico que não queria viver em outro país, mas em outro Brasil. “Vendo esse voto do ministro Teori, essa frase me veio à cabeça. De modo que acompanho o voto do relator”, disse o ministro.

Em um voto que durou 11 segundos, a ministra Rosa Weber disse apenas que subscreve “todos os fundamentos do relator”.

Luiz Fux, também favorável ao afastamento, disse que a decisão não representa interferência de um poder sobre o outro. “Há inclusive uma previsão constitucional, que mutadis mutandis, se aplica analogicamente, que quando há o recebimento da denúncia ou queixa contra titular do poder Executivo central, há obrigatoriamente suspensão do exercício das funções políticas”, disse.

Dias Toffoli, por sua vez, afirmou que a decisão de afastar um político do mandato é excepcional e não pode servir de “empoderamento” ao Poder Judiciário. “Essa atuação de suspender um mandato popular por circunstâncias fundamentadas há de ocorrer em circunstâncias que sejam realmente as mais necessárias. As mais plausíveis possíveis. […] Não é desejo de ninguém que isso passe a ser instrumento de valoração de um poder sobre o outro”, destacou.

Para Cármen Lúcia, “o Supremo Tribunal Federal nesta decisão não apenas defende e guarda a Constituição, como é da sua obrigação, como defende e guarda a própria Câmara dos Deputados para resguardar todos os princípios e regras que têm de ser aplicadas. Uma vez que a imunidade do cargo não pode ser confundida com impunidade”.

Em sua manifestação, Gilmar Mendes também ressaltou o caráter expecional da medida e descartou interferência indevida em outro poder. “O respeito à institucionalidade exige que também haja um respeito por parte dos órgãos e das instituições em relação a esses valores éticos que subjazem ao Estado de Direito”, afirmou.

O ministro Marco Aurélio Mello destacou que a imunidade parlamentar não pode servir para tornar o político “inalcançável” às leis. “A imunidade visa o exercício. E eu costumo dizer que o cargo é ocupado para servir ao semelhante, e não para que este ou aquele inadvertidamente ou não, mas se sentindo inalcançável, se beneficie desse mesmo cargo”.

Ao proferir seu voto, Celso de Mello, ministro com mais tempo de atuação no STF, destacou que o presidente da Câmara hoje “ostenta condição de réu criminal”. Ele afirmou que as investigações da Operação Lava Jato relacionadas a Cunha revelam que a corrupção “pode ter se impregnado no aparelho estatal, transformando-se em método de ação governamental e caracterizando-se como uma conduta endêmica”.

Último a votar, o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, rebateu críticas de que a decisão de afastar Cunha é “tardia”. Nesta quinta (5), a presidente Dilma Rousseff reagiu à notícia da suspensão do mandato do peemedebista com um comentário: “Antes tarde do que nunca”.

“Esse julgamento demonstra que o Poder Judiciário está atento aos acontecimentos que ocorrem no país e tem ofertado a sua prestação jurisdicional àqueles que o procuram em seu devido tempo. O tempo do Judiciário não é o tempo da política e não é o tempo da mídia. Temos ritos, procedimentos e prazos que devemos observar”, afirmou.

Lewandowski também destacou que eventual “cassação do mandato” de Cunha só pode ser tomada pela Câmara dos Deputados. “Eventual cassação do mandato continua sob a competência da Câmara dos Deputados, a quem caberá ser tomada se for necessária.”

11 motivos

No pedido de afastamento, Janot listou 11 motivos que, segundo ele, justificam a medida:

1 – Eduardo Cunha fez uso de requerimentos para pressionar pagamento de propina do empresário Júlio Camargo e o grupo Mitsui. Já havia casos de requerimento para pressionar dirigentes de empresas de petróleo;

2 – Eduardo Cunha estava por trás de requerimentos e convocações feitas a fim de pressionar donos do grupo Schahin com apoio do doleiro Lúcio Funaro. Depoimentos de Salim Schahin confirmam isso. Lúcio Funaro pagou parte de carros em nome da empresa C3 Produções Artísticas, que pertence à família de Cunha;

3 – Eduardo Cunha atuou para convocar a advogada Beatriz Catta Preta na CPI da Petrobras para “intimidar quem ousou contrariar seus interesses”;

4 – Eduardo Cunha atuou para contratação da empresa de espionagem Kroll pela CPI da Petrobras, “empresa de investigação financeira com atuação controvertida no Brasil”;

5 – Eduardo Cunha usou a CPI para convocação de parentes de Alberto Youssef, como forma de pressão;

6 – Eduardo Cunha abusou do poder com a finalidade de mudar a lei impedir que um delator corrija o depoimento;

7 – Eduardo Cunha mostrou que retalia quem o contraria com a demissão do diretor de informática da Câmara, Luiz Eira;

8 – Eduardo Cunha usou cargo de deputado para receber vantagens indevidas para aprovar parte de medida provisória de interesse do banco BTG;

9 – Eduardo Cunha fez “manobras espúrias” para evitar investigação na Câmara com obstrução da pauta com intuito de se beneficiar;

10 – Eduardo Cunha fez ameaças ao deputado Fausto Pinato (PRB-SP), ex-relator do processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara;

11 – Eduardo Cunha teria voltado a reiterar ameaças a Fausto Pinato;
saiba mais

Decisão de Teori Zavascki é ‘violação do mandato’, dizem aliados de Cunha
Teori defende afastamento de Cunha da Câmara no plenário do STF
Mesmo afastado, Cunha manterá privilégios de presidente, diz secretaria
‘Antes tarde do que nunca’, diz Dilma sobre afastamento de Cunha
Base e oposição dizem que Teori acertou ao suspender Cunha
Cunha vai recorrer de decisão que suspendeu o mandato, diz assessoria
Ministro do STF afasta Cunha do mandato e da presidência da Câmara

Pedido da Rede

Ao final da sessão desta quinta, os ministros adiaram o julgamento de uma ação da Rede Sustentabilidade que, além do afastamento de Cunha, pedia que qualquer réu seja impedido de assumir a Presidência da República.

Relator do caso, o ministro Marco Aurélio disse que já não havia mais urgência de decidir sobre o caso, com o afastamento determinado a pedido da PGR. Também disse que já não existe mais o risco de algum sucessor na Presidência assumir o cargo, ao lembrar que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não teve denúncia recebida pelo STF.

Consulta ao TSE
No último dia 26, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) fez uma consulta ao TSE sobre a possibilidade de alguém que é réu em processo no Supremo assumir a Presidência da República. A consulta foi distribuída ao ministro Henrique Neves, que ainda não deu uma decisão.

Na consulta, o deputado menciona o artigo 86 da Constituição Federal, segundo o qual o presidente da República deve ser suspenso das funções se tiver denúncia por crime comum recebida pelo Supremo ou se tiver contra si processo de impeachment aberto pelo Senado.



BOA TARDE!!!


DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, determinou o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de seu mandato de deputado. Com a decisão em caráter liminar (temporária), anunciada na manhã desta quinta-feira, o peemedebista também é afastado do cargo de presidente da Câmara dos Deputados. Com o afastamento, quem assume interinamente a presidência da Casa é o primeiro-vice, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), aliado de Eduardo Cunha.

Teori Zavascki acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República, feito em dezembro do ano passado, no qual o procurador Rodrigo Janot alegava que o parlamentar não podia exercer o cargo porque usava de sua função para se defender do processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética. Cunha é réu na Operação Lava Jato, que apura desvios de recursos na Petrobras.

O deputado já foi notificado da decisão e pode recorrer dela. Oficiais de Justiça foram à residência oficial do presidente da Câmara, em Brasília, e tiveram de insistir para que ele recebesse a notificação. Os advogados do peemedebista não se manifestaram até o momento.

Na tarde desta quinta-feira, o plenário do Supremo, formado por 11 ministros, deve analisar um outro pedido de afastamento de Cunha, feito pelo partido Rede Sustentabilidade. A decisão de Zavascki, de 73 páginas, é uma liminar. O mérito dela ainda deverá ser analisado pelo plenário do STF. Como só foi afastado dos cargos, e não cassado, Cunha não perde o foro privilegiado. Por enquanto só pode ser investigado pela Procuradoria-Geral da República com a autorização da suprema corte. Desde o início da Lava Jato, Cunha se tornou alvo de cinco inquéritos e é réu em uma outra ação. Ele é suspeito de crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na sua decisão, o magistrado justificou que qualquer agente político pode ser afastado de suas funções, inclusive juízes e deputados. “Os demais agentes políticos, não investidos de mandato eletivo, poderão ser judicialmente afastados da função até mesmo fora do âmbito do processo criminal, como ocorre em ações civis de improbidade administrativa (…) Nessa perspectiva, não há razão para conferir tratamento diferenciado aos parlamentares, imantando-os contra qualquer intervenção preventiva no exercício do mandato por ordem judicial”, ressaltou. “Assim, é inteiramente cabível, por certo que em circunstâncias excepcionais devidamente justificáveis e justificadas, o pedido de afastamento temporário do exercício do mandato parlamentar.”

Quando analisou o afastamento da presidência da Câmara, o ministro entendeu que Cunha estava com poderes muito amplos, que “interferem sensivelmente na gestão dos diversos serviços daquela Casa Legislativa”. Zavascki ressaltou ainda que para dirigir uma das casas do Congresso Nacional é necessário ter “escrúpulos” compatíveis com a honorabilidade da instituição. “A ascensão política do investigado à posição de Presidente da Câmara, além de não imunizá-lo de eventuais medidas penais de caráter cautelar, concorre, na verdade, para que o escrutínio a respeito do cabimento dessas medidas seja ainda mais aprofundado”.

Na decisão, o ministro citou que as trocas de mensagens entre Cunha e os empreiteiros José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, e Otavio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, em que ressaltam a existência de pagamentos ilícitos feitos ao deputado. Os dois executivos foram presos na operação Lava Jato. No documento foram destacados também o envolvimento de Cunha com outros investigados pela Polícia Federal como os empresários Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior que admitiram terem pago propina para o deputado em contas dele no exterior.

Zavascki ressaltou que era necessário afastar Cunha da presidência porque ele poderia continuar obstruindo as investigações. “Está claro, pelos elementos trazidos, que há indícios de que o requerido, na sua condição de parlamentar e, mais ainda, de Presidente da Câmara dos Deputados, tem meios e é capaz de efetivamente obstruir a investigação, a colheita de provas, intimidar testemunhas e impedir, ainda que indiretamente, o regular trâmite da ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal, assim como das diversas investigações existentes nos inquéritos regularmente instaurados.”

Outra razão que interferiu na decisão do ministro do STF foi a possibilidade de Cunha se tornar presidente da República, já que será o primeiro na linha sucessória, caso a presidenta Dilma Rousseff sofra impeachment nas próximas semanas. “Não há a menor dúvida de que o investigado não possui condições pessoais mínimas para exercer, neste momento, na sua plenitude, as responsabilidades do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, pois ele não se qualifica para o encargo de substituição da Presidência da República, já que figura na condição de réu no Inq. 3983, em curso neste Supremo Tribunal Federal”.

Zavascki ressalta ainda que o ideal era que Cunha fosse afastado por seus pares, conforme prevê o regimento da Câmara dos Deputados, porém, ele entendeu que no Legislativo o deputado estava se tornando um intocável. “Em situações de excepcionalidade, em que existam indícios concretos a demonstrar riscos de quebra da respeitabilidade das instituições, é papel do STF atuar para cessá-los, garantindo que tenhamos uma república para os comuns, e não uma comuna de intocáveis”.

maio
05
Posted on 05-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-05-2016


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Temer, Lula e a “salvação nacional”

Informa-se que, assumida a presidência da República, Michel Temer vai procurar o ex-presidente Lula em busca da “estabilidade” para o governo prestes a iniciar-se.

Longe de parecer mais uma dessas notícias sensacionalistas de “colunistas” que pululam na imprensa brasileira, pode-se considerá-la uma previsão plausível.

Memórias mais atiladas hão de ter anotado que no final de março, quando o essencial era desviar-se de qualquer negociação ou acordo que atenuasse a situação da presidente Dilma, o mesmo Temer recusou encontros e telefonemas de Lula.

Hoje, a opção pode ser oposta, pois a posse se aproxima e, embora o novo presidente reúna votos suficientes para lhe assegurar alguma tranquilidade, digamos, nos primeiros 180 dias, amaciar o PT seria um estado onírico, mesmo porque não haveria interface administrativa nas relações.

Temer mostraria, assim, sua arte de político, fazendo valer os fatos a seu favor, ainda que em aparente contradição. Lula, por outro lado, sem condições de enfrentamento, com pouco terreno, poderia alimentar a esperança de alguma vantagem na quadra que vive.

A isso se some a indiscutível amplitude das forças congregadas em torno de Temer – políticas e econômicas –, que contribuirão, necessariamente, como estratégia, para um upgrade do país num momento particularmente incerto e ameaçador.

Nesse cenário, uma oposição cerrada do PT poderia soar “impatriótica” ante o esforço de “recuperação” dos indicadores econômicos, ficando claro que o partido, depois de falhar, “quer atrapalhar”.

A tese não combina muito com a forma agressiva como petistas de todo o Brasil, a começar pela presidente da República e pelo próprio Lula, sustentam o discurso do “golpe” e do “atentado à democracia”, em postura inflexível.

A realidade próxima, porém, deverá ajudá-los a clarear os conceitos. Não se conhecem os limites dos benefícios de que Lula poderá usufruir nesse escambo que já nasceria precário, pois até o presidente Temer, salvo melhor juízo, continuará tendo alguém “atrás da porta”.

Preparem o bolso que o ingresso é caro

Sob a direção de Rodrigo Janot, grande estreia de “As mil e uma falcatruas”, com Ali Babá e os 400 ladrões.

BOM DIA!!!


DO EL PAÍS

Gil Alessi

São Paulo

Quando o mensalão se tornou público, em 2005, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu algumas vezes que “não sabia de nada” sobre o esquema de corrupção que envolvia a compra de apoio parlamentares pelo Governo. Ele escapou ileso do escândalo e conseguiu não só se reeleger, como formar uma sucessora no Planalto. Com a investigação que se seguiu durante o seu segundo mandato, entrando no Governo Dilma, o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apontou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como sendo o “chefe da quadrilha” na denúncia apresentada em 2011 ao Supremo Tribunal Federal. Dirceu acabou condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento da Corte em 2013. Um ano depois, logrou reverter a pena por formação de quadrilha, mas não por corrupção.

Agora, Rodrigo Janot, maior autoridade do Ministério Público Federal (MPF), indicado em 2011 pela presidenta Dilma, e reconduzido ao cargo neste ano, pede investigação sobre a tentativa da presidenta de obstruir a Justiça, e denuncia Lula pela mesma razão. Junto com José Carlos Bumlai, que está preso, e seu filho Mauricio Bumlai, Lula teria atuado com o objetivo de tentar “comprar o silêncio” do delator Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.

Janot denuncia Lula

A PGR pede investigação do ex-presidente por ser partícipe da organização criminosa responsável pelos crimes investigados na Lava Jato. “A organização criminosa [que atuou na Petrobras] jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do Governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”, escreve Janot.

Especialistas reconhecem que a denúncia de Janot e o pedido de investigação feito por ele envolvendo o ex-presidente ainda precisam ser aceitos pelo Supremo e posteriormente embasados com provas. Os pedidos do procurador-geral têm como principal esteio a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido). Pelas informações que têm sido vazadas para a imprensa, o parlamentar ainda não apresentou nenhum indício concreto do envolvimento de Lula ou dos outros citados por ele no esquema de corrupção da Petrobras. Mas a denúncia apresentada por Janot acende a luz vermelha na cúpula petista.

Isso porque começa a se desenhar um cenário jurídico complexo, no qual Lula pode enfrentar julgamento por vários crimes. Num paralelo com outro grande juízo que envolveu o PT, começam as bolsas de apostas sobre o risco de o ex-presidente ter o mesmo destino de outros figurões do PT, como Dirceu e José Genoino: a prisão. O petista é o líder histórico da legenda, e grande esperança do partido para disputar uma eventual eleição antecipada ou o pleito de 2018. À semelhança do escândalo de 2005, o PT está novamente no olho do furacão. Mas agora, sem o colchão da prosperidade econômica daquela época para atenuar os efeitos sobre o juízo popular.

Se a denúncia e o pedido de investigação contra ele forem aceitos, ele corre o risco, ainda, de encontrar uma Corte Suprema arisca. Para o professor de direito penal da Universidade de São Paulo Gustavo Badaró, o STF tem, desde o mensalão, sinalizado um entendimento amplo de “co-autoria” em casos de corrupção como esse. De acordo com ele, o tribunal considera “difícil” que em uma “estrutura vertical” como o Governo e suas ramificações “certas ações tenham se desenvolvido sem participação efetiva dos altos escalões ou sua ciência e conivência”. Badaró, no entanto, diz não acreditar que a corte irá aceitar ou não a denúncia contra Lula apenas com base no fato de que ele estaria na presidência.

Há um elemento que pode não definir, mas prejudicar Lula perante a corte. O ex-presidente se indispôs com o Supremo ao dizer, durante conversa telefônica grampeada pela Justiça, que a corte estaria “acovardada” frente aos procuradores da Lava Jato. Nos áudios divulgados com a autorização do juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos de investigação na Petrobras, Lula também disparou contra Janot, ao dizer que ele seria “ingrato”.

Se dependesse dos procuradores do MPF no Paraná provavelmente o petista já estaria nas mãos de Moro – e possivelmente já julgado e condenado. Em março a força-tarefa da operação apontou que Lula seria “um dos principais beneficiários dos delitos” investigados envolvendo a corrupção na Petrobras. “Surgiram evidências de que os crimes o enriqueceram, financiaram campanhas eleitorais e o caixa de sua agremiação política”, dizia o despacho dos procuradores. O núcleo paranaense da Lava Jato foi responsável pelo pedido de condução coercitiva de Lula para depor sobre as acusações envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia.

No final da noite de terça, o Instituto Lula reagiu duramente às ações da procuradoria geral. Segundo a nota, “a peça (…) indica apenas suposições e hipóteses sem qualquer valor de prova”. Para o petista, “trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso”, diz em referência a Delcídio. “O ex-presidente Lula não participou nem direta nem indiretamente de qualquer dos fatos investigados na Operação Lava Jato”, rebate. “Lula não deve e não teme investigações”.

Ainda que não seja condenado, para as ambições de Lula, que quer se recandidatar à presidência em 2018, a notícia desta terça-feira é um balde de água fria. O ex-presidente terá de empreender tempo para se defender de acusações num momento em que ele já admitia a sobrevivência de sua sucessora no Planalto, humilhação esta que ficará marcada na história do partido. Agora, corre o risco de ser cingido pela Lava Jato.

maio
05
Posted on 05-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-05-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

maio
05

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Defesa de Dirceu aplaude Moro

A defesa de José Dirceu dedicou quatro páginas de suas alegações finais para enaltecer o trabalho de Sérgio Moro, considerado pelos advogados do ex-ministro um “verdadeiro exemplo para toda a sociedade”.

Eis um trecho:

“Não se pode negar a importância da Operação Lava Jato no cotidiano do nosso país. Um juiz de primeiro grau praticamente isolado, com a parca estrutura que tem o Judiciário como um todo, conseguiu, em razão de seu trabalho, de sua seriedade, de sua convicção e de seus ideais, prosseguir com uma operação que praticamente atinge todo o país, envolvendo inúmeros políticos e grandes empresas nacionais.”

“Todos nós, como brasileiros que somos, não só aplaudimos como esperamos que todo esse esforço não seja em vão. E ao que tudo indica, já não foi.”

O documento é assinado pelos criminalistas Roberto Podval, Odel Jean Antun, Paula Indalécio, Viviane Raffaini, Carlos Eduardo Nakahara e Ana Caroline Medeiros.

  • Arquivos