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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

“Com a palavra, pela Bahia, a senadora Sílvia…”

Suponhamos que o senador Walter Pinheiro aceite ser secretário da Educação do governo Rui Costa e o seu primeiro suplente, ex-deputado e ex-prefeito Roberto Muniz, opte por não o substituir. Assumiria a terceira suplente, Sílvia Nascimento Cardoso dos Santos Cerqueira, de 61 anos.

Trata-se de advogada, natural de Salvador, que disputou em 2014 uma cadeira na Assembleia Legislativa e ficou na 231ª posição, com 1.920 votos, o que representa 0,03%. É filiada ao PRB, partido que, de velho aliado do PT, virou adversário cruel: deu todos os seus votos na Câmara pelo impeachment.

Essa lembrança é feita aqui por puro capricho, porque somente o imponderável faria de Sílvia Cerqueira – seu nome de urna – senadora pela Bahia. “Pegaria bem”, porque é mulher e negra, embora não favelada, mas os altos próceres da política movem-se necessariamente por critérios e objetivos mais pragmáticos.

Muniz balança entre “impeachment” e tranquilidade

A propósito, já vai fazer um mês que eclodiu na imprensa, pela boca do governador Rui Costa, a suposta ida de Pinheiro para o secretariado, e até hoje, nada. Situação esdrúxula, quando, pela alta responsabilidade dos envolvidos, se exigiria uma definição mais rápida, melhor dizendo, praticamente imediata ao anúncio.

Meteu-se no meio a ressalva de que Muniz precisaria de 15 dias para liberar-se da presidência da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Água e Esgoto, mas esse prazo se esgota (!) sem que o possível futuro senador, com perspectiva de quase três anos de mandato, pareça interessado em dar uma simples declaração pública.

Fonte do meio político muita próxima das negociações acha que Muniz, para evitar o desgaste que a posição contra ou a favor inevitavelmente causa, “não quer votar o impeachment”, e cita o exemplo do deputado Antonio Brito (PSD), que ficou contra e recebeu “o protesto de amigos e a indignação de muitos”.

Engenheiro pode enriquecer currículo

As informações colhidas nos bastidores sobre o posicionamento de Roberto Muniz em relação à vida pública – que não são de agora – dão conta, como já afirmamos em textos anteriores, de que ele, engenheiro de formação e focado na vida profissional, está sinceramente distanciado do PP e da própria atividade política.

Contra o que esse quadro poderia caracterizar, impedindo-o de não encarar o Senado num momento tão particular da história brasileira, está o inexorável fato de que seu currículo apenas se abrilhantaria com o exercício senatorial – como se diz, ele não ia perder nada.

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