DO G1/O GLOBO

Camila BomfimDa TV Globo, em Brasília

A Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e mais nove pessoas em um inquérito na Operação Zelotes pelos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Em nota a assessoria de imprensa do Bradesco informou que o banco e seus executivos não participaram e não contrataram os serviços do grupo investigado na Zelotes e que irá “apresentar seus argumentos juridicamente por meio do seu corpo de advogados” (veja a íntegra da nota ao final desta reportagem).

O inquérito foi concluído na última semana e enviado para análise do Ministério Público Federal no Distrito Federal. A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou que recebeu o relatório e que, a partir de agora, vai analisar os elementos apontados no documento para decidir de apresentará denúncia à Justiça Federal denúncia contra os indiciados.

O inquérito que apurou a participação de executivos do banco em fraudes nas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), da Receita Federal, foi concluído na última semana.

O Bradesco é investigado na Zelotes desde o ano passado por ter contratado o grupo que, segundo as investigações, pagava propina em troca de decisões favoráveis no Carf – onde são julgadas as multas da Receita a empresas e contribuintes. O Carf é uma espécie de tribunal administrativo responsável por julgar os recursos contra essas multas.

Relatório de 2015 da PF
Em relatório de janeiro de 2015, a Polícia Federal já havia apontado que ex-conselheiros do Carf e pessoas ligadas a empresas de advocacia tentaram manipular decisões para favorecer o Bradesco.

No relatório, a PF afirma que eles foram flagrados em conversas telefônicas falando de “tratativas visando corromper conselheiros” do tribunal que julgaria o processo do banco.

A PF apontou, nesse mesmo relatório, que houve uma reunião, no dia 9 de outubro de 2014, na presidência do Bradesco, com participação de Trabuco, para tratar da contratação do grupo, em Osasco (SP) – os policiais rastrearam o encontro a partir da localização dos celulares dos envolvidos.

O Bradesco chegou a perder um julgamento no Carf, sendo punido a pagar R$ 3 bilhões em um processo. Depois desse revés, “o que se observou foi que a presidência do banco Bradesco parece se render às tentativas de cooptação da organização criminosa atuante no Carf”, disse a PF em janeiro de 2015 nesse primeiro relatório sobre o caso.

Nota
Veja a nota enviada pelo Bradesco:

O Bradesco informa que não houve contratação dos serviços oferecido pelo grupo investigado. Acrescenta que foi derrotado por seis votos a zero no julgamento do Carf. O Bradesco esclarece ainda que o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, não participou de qualquer reunião com o grupo citado.

O mérito do julgamento se refere a ação vencida pelo Bradesco em todas as instâncias da Justiça, em questionamento à cobrança de adicional de PIS/Cofins. Esta ação foi objeto de recurso pela Procuradoria da Fazenda no âmbito do Carf.

maio
31

Paulinho da Viola, amigo do saudoso Gildo Alfinete, defensor da primeira hora da Capoeira Angola, na Salvador de todos os abraços e beijos!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

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Tempo de recordar: ouvi Paulinho cantar esta maravilha pela primeira vez em um show no Teatro Castro Alves, nos anos 70, acompanhado pelo pai. Emoção para sempre.

(Vitor Hugo Soares)



Publicado no blog O Antagonista

O que Sergio Moro espera do novo governo

Sergio Moro defendeu no Estadão a delação premiada.

Em seu texto, ele citou três delatores que permitiram desmantelar três organizações criminosas: a Cosa Nostra, a máfia de Nova York e o esquema de propinas dos partidos políticos italianos:

“(…) Nenhum dos três indivíduos foi preso ou processado para se obter confissão ou colaboração. Foram presos porque faziam do crime sua profissão. Tommaso Buscetta foi preso pois era um mafioso e traficante. Sammy Gravano, um mafioso e homicida. Mario Chiesa, um agente político envolvido num esquema de corrupção sistêmica em que a prática do crime de corrupção ou de extorsão havia se transformado na regra do jogo. Presos na forma da lei, suas colaborações foram essenciais para o desenvolvimento de casos criminais que alteraram histórias de impunidade dos crimes de poderosos nos seus respectivos países.

Pode-se imaginar como a história seria diferente se não tivessem colaborado ou se, mesmo querendo colaborar, tivessem sido impedidos por uma regra legal que proibisse que criminosos presos na forma da lei pudessem confessar seus crimes e colaborar com a Justiça.

É certo que a sua colaboração interessava aos agentes da lei e à sociedade, vitimada por grupos criminosos organizados. Essa é, aliás, a essência da colaboração premiada. Por vezes, só podem servir como testemunhas de crimes os próprios criminosos, então uma técnica de investigação imemorial é utilizar um criminoso contra seus pares.

Mas é igualmente certo que os três criminosos não resolveram colaborar com a Justiça por sincero arrependimento. O que os motivou foi uma estratégia de defesa. Compreenderam que a colaboração era o melhor meio de defesa e que, só por ela lograriam obter da Justiça um tratamento menos severo, poupando-os de longos anos de prisão.

A colaboração premiada deve ser vista por essas duas perspectivas. De um lado, é um importante meio de investigação. Doutro, um meio de defesa para criminosos contra os quais a Justiça reuniu provas categóricas.

Preocupa a proposição de projetos de lei que, sem reflexão, buscam proibir que criminosos presos, cautelar ou definitivamente, possam confessar seus crimes e colaborar com a Justiça. A experiência histórica não recomenda essa vedação, salvo em benefício de organizações criminosas. Não há dúvida de que o êxito da Justiça contra elas depende, em muitos casos, da traição entre criminosos, do rompimento da reprovável regra do silêncio (…)

Na Operação Lava Jato, considerando os casos já julgados, é possível afirmar que foi identificado um quadro de corrupção sistêmica, em que o pagamento de propina tornou-se regra na relação entre o público e o privado. No contexto, importante aproveitar a oportunidade das revelações e da consequente indignação popular para iniciar um ciclo virtuoso, com aprovação de leis que incrementem a eficiência da Justiça e a transparência e a integridade dos contratos públicos, como as chamadas Dez Medidas contra a Corrupção apresentadas pelo Ministério Público ou outras a serem apresentadas pelo novo governo. Leis que visem a limitar a ação da Justiça ou restringir o direito de defesa, a fim de atender a interesses especiais, não se enquadram nessa categoria”.

As leis que visavam limitar a ação da Justiça foram apresentadas por Dilma Rousseff e pelo PT.

O “novo governo”, como diz Sergio Moro, tem de seguir o caminho oposto.

maio
31

Até um dia!

Gilson Nogueira

A platéia que lotava o Teatro Rival, anteontem, à noite, no Centro da capital mundial da Bossa Nova estava feliz e sabia. O velho João Donato a abençoava com seu piano.Todos sentiam-se nas nuvens. Luis Alves, no contrabaixo, e Robertinho Silva, na bateria, ajudavam Donatão, ao lado de Donatinho, e de Janaina Moreno, a fazer do Rival o centro da melhor música do mundo. Havia luz no breu. Aos 81 anos de estrada – Donato começou a pianizar na maternidade -, com vigor artístico, mental e físico invejáveis, no show que prometia gente bailando no recinto, o acriano universal, com seu toque áfrico-cubano-tupiniquim de uma BN vestida sempre de improviso, era um exemplo de Brasil que dá certo.

No cotovelo do palco, esqueci que o meu país fede, por conta dos políticos que tem. E nem lembrei de perguntar o placar final do jogo entre Vasco e Bahia,considerando minha falta de fé, atualmente, no time que deixou escapar a chance de conquistar mais um tricampeonato baiano de futebol. Donato fazia-me esquecer o mundo lá fora. Mais que um show, eu testemunhava um fenômeno. João Donato era, alí, a prova do Brasil inspirador. Era Tom. Era Luiz Eça. Era Durval Ferreira. Era outro João, o Gilberto. E muita gente boa, mais!

Um gato preto e branco, ao meu lado, agora,acorda e mia, baixo, como se estivesse a me dizer: ” O Brasil já era!” Escuto-o, também, a sugerir-me espiar o Cristo Redentor, no Alto do Corcovado, e perceber que o Cristo, de braços abertos, está ensaiando um mergulho olímpico na Baía da Guanabara. E volto ao show de Donato, que levou quase duas horas de encantamento e desejo de ouvir música de qualidade no país de grandes compositores, músicos e intérpretes, nos palcos, emissoras de rádio e televisão e nas mídias dos novos tempos. Do jeito que anda a coisa, melhor é ficar em silêncio. Benção, Donato. Até um dia, até talvez, até quem sabe!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

maio
31
Posted on 31-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-05-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Tarde Online

maio
31
Posted on 31-05-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-05-2016

OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Imprensa desvencilha-se da acusação de golpe…

Depois da divulgação de conversas de altos próceres da política brasileira expondo a trama, aparentemente nascida no PMDB, de fazer o impeachment, surgiu entre os apoiadores da presidente afastada Dilma Rousseff a esperança de reverter o processo, e ao fim do julgamento no Senado ela voltar ao cargo.

Sem entrar no mérito da questão – embora seja de acreditar que nem com a revelação do motivo espúrio de barrar a Operação Lava-Jato Dilma consiga escapar –, um aspecto é importante ressaltar: esvaziou-se no PT e aliados o discurso da participação da imprensa num suposto golpe institucional para derrubar a presidente.

No presente momento, os dois maiores veículos de comunicação do país – a Rede Globo e a Folha de S. Paulo -, levando com eles o resto da mídia, atuam em sentido exatamente oposto ao que levou os dilmistas a acusarem a existência de um “partido da imprensa golpista” funcionando a todo vapor.

Essa postura foi objetivo de especulação de Por Escrito, que em texto intitulado “Novo presidente terá ‘crédito de confiança’”, publicado no último dia 12, imaginava um grande acordo para livrar o presidente Michel Temer de uma cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Considerando que a classe política, o empresariado e o Poder Judiciário estariam envolvidos, o blog dizia que o êxito da articulação iria “depender apenas do papel a ser jogado pela imprensa tendo em vista seu patrimônio de credibilidade”.

Pois se nota agora que a mídia não cessou em sua cruzada, e, à medida que as baterias dos subterrâneos se voltam para os adversários do petismo, igualmente o noticiário exibe as mazelas da outra facção criminosa, a ponto de enfraquecer o próprio Temer – pela denúncia de seus auxiliares e até pelo questionamento do encontro com o presidente do TSE.

…e continua defendendo os próprios interesses

Mas aparentemente não é o caso de nos darmos por satisfeitos com o desempenho daquela que, para Rui Barbosa, é “a vista da nação”. Os grandes conglomerados de comunicação apenas se pautam pelo que é melhor para eles, como atividade em si e como pontas de lança do setor econômico.

Há 50 anos, imediatamente após o golpe militar que acabou a democracia e inutilizou grande parte dos melhores cérebros do país, surgiu a Rede Globo como um dos pilares do controle social pelo regime, num mundo bipolarizado ideologicamente, em que, no cenário brasileiro, valia tudo para reprimir o “perigo comunista”.

O mundo mudou radicalmente, entretanto, a partir do marco histórico da queda do Muro de Berlim e, por complemento, com a revolução digital, que socializou parte substancial da informação. O Brasil “modernizou-se”, a função do Estado reduziu-se e não mais cabia a sombra do militarismo.

A Globo, como emblema do poder midiático, viu que se iniciava a era de ela própria exercer a manipulação integral, por isso transitando da crítica aos “anos de chumbo” em sua programação até o mais recente e discreto mea-culpa pela ditadura, no que se pode dar discrição a um evento desses.


BOM DIA!!!


Ministra Cécile Duflot:assobios por andar
de vestido na Assembleia Nacional


Membros do parlamento francês posam com os lábios pintados como parte de uma campanha em favor dos direitos das mulheres. Denis Baupin, o segundo da esquerda para a direita, foi acusado de assédio sexual por oito mulheres.
LAURENT FRIQUET AFP

DO EL PAÍS

Gabriela Cañas

Correspondente de El País em Paris

Em julho de 2012, a recém-chegada ministra da Habitação da França, Cécile Duflot, foi recebida pela Assembleia Nacional em meio a assobios por parte dos deputados. À época, Duflot tinha 37 anos, e, para a ocasião, havia escolhido usar um vestido florido azul e branco. O espetáculo vexatório é um dos ritos machistas do poder legislativo do país, marcado por uma profunda feminização da política. Depois de quatro anos, as mulheres que ocupam cargos jornalísticos e políticos estão em pé de guerra. Elas pedem a demissão de um deputado do partido Os Verdes (Les Verts, em francês), acusado de assediar companheiras de trabalho, e também a saída do ministro de Finanças, Michel Sapin, acusado de ter tratado uma jornalista de forma degradante.
Assédio Sexual, Feminismo, Machismo

O caso mais grave diz respeito ao que envolveu, recentemente, o ex-dirigente do Os Verdes Denis Baupin, acusado de assédio sexual por oito mulheres, a maioria integrantes de seu partido. Assim que o escândalo foi divulgado pelos meios de comunicação franceses, no início de maio, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, pediu que o político renunciasse à vice-presidência. Baupin decidiu deixar o cargo, mas denunciou as mulheres que o acusaram por calúnia e difamação e continua a ser deputado. Dias depois, dezenas de mulheres participaram de uma manifestação para exigir o fim da impunidade e que Baupin abandone sua cadeira no plenário. Já a ministra Cécile Duflot pediu a intervenção do deontologista da Câmara dos Deputados. “Existem muitos Denis Baupin na Assembleia”, afirmou ela, referindo-se também à grande quantidade de assistentes parlamentares mulheres que são vítimas de assédio.

As afrontas contra as mulheres na política são numerosas nesse ambiente legislativo que consagrou a igualdade de sexos por lei. O deputado conservador Marc-Philippe Daubrasse chamou, publicamente, Barbara Pompili de Barbara Pom-pom-pili. Seus companheiros, membros da Assembleia, imitaram o som feito pelas galinhas quando a deputada Véronique Massonneau assumiu a palavra. Quando a secretária de Estado de Igualdade, Laurence Rosignol, começou a falar, um deputado perguntou em voz alta: “Mas quem é essa mulher?”.
Sobre a ministra de Educação, Najat Vallaud-Belkacem, uma publicação afirmou que ela é a “menininha mimada” de François Hollande, e o político Hugues Foucault ressaltou seu estilo erótico.

O caso Baupin convulsionou a política francesa e, em meio a esse contexto, o ministro de Finanças, Michel Sapin, teve que admitir que seu comportamento em relação a uma jornalista, no ano passado, foi inapropriado. O caso foi trazido de volta à tona pelo livro L’Élysée Off, lançado recentemente pelos jornalistas Stéphanie Marteau e Aziz Zemouri, e no qual contam que Sapin, ao ver, de costas, uma jornalista que se agachava para pegar uma caneta, comentou: “Mas o que é isso que você está me mostrando?”. Ao mesmo tempo, o político puxava o elástico da calcinha da repórter. A ex-ministra socialista Delphine Batho exigiu explicações a Sapin, e ele garantiu que, apenas, colocou a mão nas costas da mulher. “Não houve, em minha atitude, nenhuma característica machista, mas o fato de ter incomodado a pessoa em questão demonstra que minhas palavras e meus gestos foram inapropriados”, justificou Sapin.

Alguns meios se perguntam se o machismo é um distintivo da política francesa. O sociólogo Éric Fassin, que já escreveu vários livros sobre o tema e sua relação com a discriminação, trabalha com uma hipótese que ofereceria uma explicação: “A V República fomentou a personalização do poder. O chefe de Estado é o encontro de um homem com o povo. Há também uma relação de proximidade dos homens políticos com as jornalistas do setor (muito feminizado), o que conduziu a certos abusos. Mas isso está mudando”.

A denúncia contra Baupin comprova essa teoria. E a reação rápida de Bartolone também. As políticas e as jornalistas francesas já não se calam. As vítimas de machismo mencionadas antes também não. Todas repreenderam, duramente, a conduta de seus colegas. O jornalista de televisão que se atreveu a perguntar a Nathalie Kosciusko-Morizet, ex-número dois do partido de centro-direita Os Republicanos (Les Républicains, em francês), sobre seu penteado levou uma importante bronca ao vivo. “Hoje você ganhou o prêmio de misoginia”, disse Rosignol ao deputado que se referiu a ela, de maneira depreciativa, como “essa mulher”.

As políticas e as jornalistas francesas já não se calam. As vítimas de machismo mencionadas antes também não

O caso Baupin tem poucos precedentes na política francesa. Mas por que nenhuma das oito mulheres que acusam o deputado de assédio o denunciou de maneira oficial perante a justiça? “Essa não é a pergunta. A questão é por que a elite política não reagiu diante desse escândalo”, afirmou a feminista Caroline de Haas, que trabalhou com a ministra Belkacem durante dois anos e combateu, na linha de frente, a reforma trabalhista. “A primeira reação diante desse tipo de assuntos é questionar a palavra das vítimas. Todo mundo sabe que denunciar esse tipo de comportamentos ainda traz muitos problemas”.

O escândalo do deputado do partido Os Verdes Denis Baupin, acusado de perseguição e agressão sexual por oito mulheres, correligionárias de partido em sua maioria, também mobilizou 17 ex-ministras francesas de todas as ideologias. Em uma carta aberta publicada no Journal du Dimanche, as assinantes, membros do Partido Socialista, do Os Republicanos, do Os Verdes do EE-LV e do Partido Comunista, advertem: “Já chega. Não vão nos calar. Denunciaremos todos os detalhes machistas, os gestos desconjurados e as atitudes impróprias”. As ex-ministras pedem, ainda, que todos os partidos políticos que verifiquem cada protesto e incentivam as vítimas de assédio sexual a apresentarem denúncias.

Entre as mulheres que assinaram o texto estão Christine Lagarde, ex-ministra de Economia de Nicolás Sarkozy e atual diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nathalie Kosciusko-Morizet, Ramo Yade, Élisabeth Guigou e Aurélie Filippetti. Todas afirmam que, como políticas, tiveram acesso a esferas que antes eram exclusivamente masculinas e que tiveram que sofrer e lutar contra o machismo. Elas consideram que o problema é enfrentado por todas as mulheres de todas as condições, mas ressaltam que “os que escrevem, votam e aplicam as leis devem ser irreprocháveis”.

G1
Política

DEU NO G1/O GLOBO

Do G1, em Brasília

O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, deixou nesta segunda-feira (30) o comando da pasta, informou no início da noite a assessoria da Presidência da República.

A decisão do ministro foi tomada após ter sido divulgado neste domingo (29) teor de sua conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual ele criticou a condução da Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Reportagem exclusiva do Fantástico revelou neste domingo gravações na qual Fabiano Silveira, além criticar a PGR, dá conselhos a Renan Calheiros e ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – ambos investigados no esquema de corrupção que atuava na Petrobras (assista ao vídeo acima). A conversa foi gravada por Machado, novo delator da Lava Jato, em 24 de fevereiro.

Segundo o G1 apurou, Silveira se encontrou com o presidente em exercício Michel Temer na noite deste domingo. Ba reunião, Temer havia avaliado que o caso de Fabiano Silveira era “menos grave” que o do senador Romero Jucá (PMDB-RR), flagrado em gravações de Sérgio Machado sugerindo um “pacto” para barrar a Operação Lava Jato. Em razão da repercussão negativa dos áudios, Jucá teve de deixar o comando do Ministério do Planejamento.

O conteúdo da gravação de Silveira gerou intensa repercussão política em Brasília nesta segunda-feira. Enquanto parlamentares da base aliada de Temer cobraram explicações públicas do ministro, a oposição exigiu a saída de Fabiano Silveira do governo.

A exemplo do que fez no episódio que envolveu o ex-ministro do Planejamento, Temer avaliou a repercussão política da conversa entre Renan Calheiros e o ministro da Transparência para decidir o futuro de Fabiano Silveira.

Servidores
Na manhã desta segunda, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical) – entidade que representa os servidores da extinta Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tesoureiro Nacional – cobrou, por meio de nota, a “exoneração imediata” do ministro da Transparência.

Além disso, servidores da pasta organizaram uma manifestação nesta segunda para pedir a saída de Silveira do comando do Ministério da Transparência. No ato, os funcionários da extinta CGU lavaram as escadas do prédio que abriga o órgão de combate à corrupção no governo federal.

Cerca de três meses antes de assumir o Ministério da Transparência, Fabiano Silveira esteve em uma reunião na residência oficial de Renan Calheiros na qual a Operação Lava Jato foi amplamente discutida.

Participam da reunião, além de Sérgio Machado e Renan Calheiros, Bruno Mendes, advogado e ex-assessor do presidente do Senado, e Fabiano Silveira, que, à época, integrava o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No encontro, relatou o ex-presidente da Transpetro aos investigadores, foram discutidas as providências e ações que ele estava pensando em relação à Operação Lava Jato.

No áudio, é possível entender que Fabiano Silveira orienta Renan e Sérgio Machado sobre como se comportar em relação à PGR. A qualidade do áudio é ruim, há varias pessoas na sala, mas é possível identificar as vozes do presidente do Senado, do ex-presidente da Transpetro, de Fabiano Silveira e de Bruno Mendes.

Recuos
Desde que assumiu o comando interino do Palácio do Planalto, em 12 de abril, Michel Temer já enfrentou crises envolvendo a Lava Jato, polêmicas com artistas por conta da extinção do Ministério da Cultura e duras críticas em razão de ter montado um ministério só com homens. Em várias situações, ele recuou após sofrer pressões da opinião pública.

Na semana passada, em resposta às críticas que vinha sendo alvo por conta dos recuos políticos em apenas duas semanas de governo, Temer afirmou, ao apresentar medidas para a economia, que vai voltar atrás sempre que perceber que cometeu erros na condução do governo. Na ocasião, o presidente em exercício não citou nenhum caso específico, mas disse que “não tem essa de que não erro”.

“As pessoas se acostumaram a quem está no governo dizer que não pode voltar atrás. Não temos compromisso com o equívoco. Quando houver um equívoco governamental, reveremos este fato de modo que vi aqui alguns dizerem ‘o Temer está frágil, não sabe governar’. Conversa!”, disse Temer, logo após dar um tapa na mesa.

Ele diz que vai voltar atrás sempre que o governo errar

maio
30


Delegada Cristina Bento

DO EL PAIS

A investigação sobre o caso da jovem de 16 anos violentada no dia 21 no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio, sofreu reviravolta neste domingo, 29, ainda que haja pouco avanço nas investigações propriamente ditas. Nem Alessandro Thiers, o delegado da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que estava apurando o crime, nem a advogada da adolescente, Eloísa Samy, estão mais no caso. Thiers foi afastado após Samy pressionar por sua saída e acusá-lo de agir de forma “machista” e de haver constrangido a vítima durante depoimento. A advogada deixou a defesa da adolescente a pedido da família. A partir de agora quem está à frente da investigação é a delegada Cristiana Bento, titular da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima).

Depoimento começaria com “me conta aí”

Neste domingo, mesmo dia em que passou ao programa de proteção de vítimas da Justiça do Rio de Janeiro, a menor de idade que sofreu um estupro coletivo foi entrevistada exclusivamente pelo Fantástico, da rede Globo.

Na entrevista à jornalista Renata Ceribelli, ela descreve o que recorda da violência que sofreu e também fala do depoimento na polícia, prestado um dia depois de voltar para casa. Nele, o delegado Alessandro Thiers, encarregado do caso no momento, teria começado a conversa expondo as fotos e o vídeo dela, que foram distribuídos pela internet, antes de pedir: “Me conta aí”. Ela teria pedido para interromper o depoimento – em que diz ter se sentido desconfortável todo o tempo – quando ele perguntou se ela tinha “o costume” de participar desse tipo de encontros e “se gostava”. O chefe da polícia do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, disse ao Fantástico que vai apurar se a conduta do delegado foi inadequada.

A adolescente, que se sente atualmente “em cárcere privado”, tem certeza de que sofreu um estupro coletivo. Acredita que foi dopada, do contrário teria percebido que “tinha um cara debaixo de mim, um embaixo e dois me segurando quando eu acordei”. Disse também que a casa onde tudo aconteceu estava suja e que seus agressores tinham fuzis e a chamavam de “piranha” e “vagabunda”.

Desde que seu caso se tornou público, inclusive na imprensa nacional e internacional, a jovem diz que recebe milhares de mensagens no Facebook – grande parte delas dizendo que ela é mentirosa. Haveria, inclusive, ameaças de morte. Agora, ela quer “esquecer”. Agradece às mulheres que se mobilizaram para denunciar seu caso antes mesmo que ela o fizesse, até perante a família, “por vergonha”. Finaliza dizendo que deseja que seus algozes “tenham uma filha”.

O desgaste ao redor da investigação do estupro coletivo – que ocorreu há uma semana e tem mobilizado o país desde que veio à tona, no dia 25 – foi o motivo pelo qual o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando da Silva Veloso, não tratou de contornar a pressão pela saída de delegado, tomando essa decisão antes da Justiça dar seu parecer oficial a respeito. Thiers provocou controvérsia ao afirmar que não haveria comprovação de estupro, que estava investigando “se houve consentimento dela, se ela estava dopada e se realmente os fatos aconteceram”.

Em entrevista na noite deste domingo ao Fantástico, da TV Globo, a jovem disse que o depoimento dado ao delegado da divisão de Informática foi constrangedor. Depois de expor as fotos e o vídeo compartilhados na Internet diante dela, da advogada que a acompanhava e de três policiais homens em uma sala de vidro da delegacia, ele teria começado a conversa com um “me conta aí”. A certa altura, “ele me perguntou se eu tinha costume de fazer aquilo. (…) Perguntou se eu gostava”, relatou a menina, acrescentando que, neste momento, pediu imediatamente para parar de depor.

No vídeo que circula na Internet e no WhatsApp que detonou a apuração do caso, a jovem aparece desacordada enquanto homens a manipulam, tocam sua pelve e debocham dela. Em uma entrevista deste domingo, Veloso disse que vai analisar se houve falta de habilidade na conduta do colega. “Para preservar o delegado e garantir a imparcialidade da investigação, decidimos transferir a coordenação das investigações para a doutora Cristiana, que já estava acompanhando as investigações porque a DCAV vinha dando apoio. Ela está recebendo os autos hoje, vai se inteirar e avaliar a necessidade de uma medida cautelar, seja ela de prisão ou não”, declarou.

Com a decisão, o caso saiu definitivamente da esfera da delegacia de informática – mesmo envolvendo um crime adicional ao estupro, que foi o compartilhamento das imagens via redes sociais por parte dos agressores – e se concentra agora nas mãos de Bento. Ela já vinha acompanhando o processo e participou da primeira coletiva dada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro à imprensa. Ao contrário da conduta de Thiers, a sua foi elogiada até o momento pela vítima e sua ex-advogada.

Eloisa Samy, ativista de direitos humanos, deixou caso na manhã deste domingo, quando foi dispensada pela avó da garota através de uma mensagem gravada pelo Whatsapp, em que disse que agradecia seus serviços e seu empenho, mas que sua neta passou à proteção da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio. Por telefone, Samy contou ao EL PAÍS que a adolescente “entrou no programa de proteção [às vítimas], o que não seria um impedimento [para que ela seguisse sendo sua advogada]. Mas a família foi coibida a não receber ajuda externa”. Samy e Thiers já haviam se cruzado no passado, quando o delegado pediu a prisão da ativista em 2014, parte de ofensiva legal contra os protestos anti-Copa naquele ano.
O delegado afastado do caso, Alessandro Thiers (esq.), e o chefe da polícia do Rio, Fernando Veloso.
O delegado afastado do caso, Alessandro Thiers (esq.), e o chefe da polícia do Rio, Fernando Veloso. Tomaz Silva Agência Brasil

Batida policial

Na manhã deste domingo, mais uma batida policial aconteceu na comunidade onde o estupro aconteceu. Uma nova coletiva de imprensa acontece nesta segunda-feira, 30 de maio, para que Cristiana Bento anuncie suas primeiras conclusões. Quatro pessoas foram ouvidas até agora no caso, mas a polícia não prendeu nenhum dos envolvidos. Dois suspeitos deram depoimentos na última sexta-feira, mas foram liberados em seguida. Outro foi detido durante uma operação da polícia no sábado também seguiu em liberdade.

Agora sob proteção da Justiça, a jovem disse que está sofrendo uma enxurrada de ofensas na Internet – apesar de muitos, indignados, terem saído em sua defesa – e já deixou sua casa junto com a família. Uma medida cautelar emitida antes disso já a protegia de pessoas que estariam tratando de intimidá-la. Um suspeito de fazer isso é Rafael Belo – um possível autor do crime, segundo afirmou Eloisa Samy.

Em seu perfil no Facebook, ela postou no sábado uma nota oficial da ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, que declarou: “A nós mulheres não cabe perguntar quem é a vítima: é cada uma e todas nós”. No post, um comentário feito por uma usuária da rede social que se diz “contra o estupro” a acusa de ser “uma maria-fuzil”. “Agora o mundo inteiro comovido por causa de uma maria fuzil que ia para a favela para dar para bandido. Quem mora em favela sabe muito bem que bandido não estupra e deixa viva para contar história”, escreveu em seu comentário – que recebeu mais de 4.200 curtidas.
Novos protestos

Muitas cidades brasileiras continuam protestando contra o crime da jovem carioca e contra a cultura do estupro em que está imerso o país. A principal manifestação registrada neste domingo aconteceu em Brasília, onde um grupo de mulheres marchou fazendo uma contagem regressiva de 30 a zero – em referência aos “mais de 30” que dizem no vídeo terem estuprado a menina. A Marcha das Flores terminou em confronto com a polícia quando algumas participantes tentaram pular a grade que as separava do prédio do Supremo Tribunal Federal. Os policiais dispararam spray de pimenta contra as manifestantes. Elas rodearam a estátua da Justiça com flores.

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