Dilma com Nalvinha em Paulo Afonso


CRÔNICA

Dona Nalvinha, Stalin e o Bode-Preto

Janio Ferreira Soares

Poucos dias antes da abertura do processo de impeachment, veio da Região Metropolitana de Salvador um sinal de que os fatos também não estavam muito favoráveis à nossa ex-guerrilheira no sentido simbólico da coisa. É que lá foi preso um jovem com 300 comprimidos de Ecstasy, que seriam distribuídos nas baladas.

Até aí tudo bem, não fosse pelo pitoresco detalhe de seu nome ser… Josef Stalin. Embora não se saiba nada sobre a defesa do delinquente bolchevique, creio que, em nome da causa, deverá surgir um advogado chamado Dr. Lênin para alegar que essa droga,assim como a religião, é só mais um tipo de ópio que os fanáticos por música eletrônica usam para achar que David Guetta é algum Messias peregrinando sobre um mar de luz neon.

A propósito, semana passada fui ao Povoado Batatinha saber como dona Nalvinha tinha visto a derrota de sua “amiga” Dilma. Antes, uma explicação. Na campanha da reeleição, ela e Lula estiveram em sua casa comendo bode e traumatizando vira-latas, que até hoje vivem pelos cantos com medo dos helicópteros. Na ocasião, rolou a maior polêmica por causa de uma denúncia da Folha de São Paulo, de que a anfitriã teria sido presenteada com uma dentadura só para sair bem na foto. Simbora!

Risonha, ela me recebe com uma criança no colo. Acomodo-me e logo chegam alguns dos 10 filhos que resistiram(ela teve 16). Conversa vai, menino vem e quando falo sobre a votação todos riem. “Ligue não, meu filho, eles estão é mangando de mim, pois eu pensava que o sim era pra mulher ficar. Pulei feito uma doida e só no fim fui saber que ela tava era lascada. Ô derrota!”. E emenda: “Mas Cunha vai pagar por isso!”.

Provoco: “Será?”. E ela: “Oxi, e aquele Cão é encantado, é?”. Penso em dizer que sim, mas a criança chora. “Tá vendo o que o Bode-Preto faz? Chore não, fofinho, chore não que Nalvinha tá aqui”, diz ela, como se fora uma espécie de santa guerreira desdentada protegendo suas crias do dragão da maldade, nesse sertão que é dela, de Glauber,de Graciliano e meu.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura da Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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